Capítulo 4: Incertezas verídicas.
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-...E hoje,um cracker de computador foi preso no estado de São Paulo.Seu
estado era péssimo, estava desnutrido, em estado totalmente paranóico... www.longlibrary.rg3.net
-...Acusado de invadir servidores e forjar telas falsas para roubar senhas de
contas bancarias, ele declarou que não se arrepende de nada feito e que
seu grupo o vingaria...
-...”Underground”,quando questionado se o grupo de crackers era brasileiro e
o que queria com os ataques,ele se revoltou e tentou agredir o repórter.Foi
encaminhado para a delegacia e logo...
-Chega de TV por hoje.
Parte 1- Consciência pesada?
Desde que Ana (aposto que está lendo isso tão rapidamente que nem
reparou no capitulo anterior) se encontrou comigo aquela noite,uma voz repetia
e ecoava em minha cabeça: “Você sabe pelo que irá pagar”,e
soava como a linda voz dela...Num tom que me causava medo.Algo como uma inocente
garotinha dizendo “Você vai morrer”.
Exagero por minha parte?Sim, um pouco.Mas imagine que você, aos quatorze
anos, tivesse:
Perdido o pai por causa de bandidos;
Roubado vários chars de jogos online e vendido para ganhar dinheiro;
Deixado sua mãe descobrir isso;
Entrado para uma organização hacker subterrânea;
Socorrido sua mãe toda ensangüentada;
Forjado ingressos falsos como teste dessa organização;
Duelado em 15 minutos pela sua casa;
Enfrentado uma garota que podia quebrar seu pescoço;
Bem,”só” isso aconteceu em uns 4 meses.As coisas estavam complicadas,eu
não sabia se Ana tinha contado a outros o que sabia,não sabia em
quem confiar e nem sabia aonde o inútil do Artur estava.
Alias,eu estava ficando preocupado com ele.Já tinha ido a algumas casas
de amigos dele e ninguém sabia nada.
Pelo menos algo de bom tinha acontecido depois de todo esse perrengue.Minha mãe
estava sã e de volta a casa.
Não preciso sequer comentar o quão preocupada ela estava com Artur,certo?
Ela chegou a murmurar algo como “você devia...ele não podia sair
sozinho...” “..pode estar perdido..” e finalmente acordei.Artur podia ser a pior
pessoa do mundo (não estava tão longe disso),mas era a pior pessoa
do mundo E meu irmão!Eu deveria ter feito algo...saído
atrás dele...Perguntado na escola...Ele simplesmente tinha desaparecido
da vizinhança e eu estava aperfeiçoando códigos...Não
tinha contato com ninguém nem mesmo na escola, estava me afastando de
meu amigos...Estava me fechando no mundo do computador (Leu com atenção
a introdução?),conseguindo o que eu queria,no momento que eu menos
precisava.
Dois dias após a chegada de minha mãe,quando percebi que ela estava
estável,sem nenhum problema,assumi a minha missão.The Shadow Hunter
teria que ficar adormecido e dar lugar a...Ops.Sem nomes aqui.
Parte 2- A Missão
Quando cheguei da escola, fui ao meu quarto e tratei de arrumar minha mochila.Minha
shinai,para emergências,água,comida,algum dinheiro,uma foto de Artur.Queria
colocar meu violão também, mas percebi que não seria muito
cômodo.
Quando estava saindo, mamãe me encontrou.
-Aonde vai?
-Vou atrás do Artur-.Nesse ponto da história eu já percebi
que não adiantava muito mentir para ela.
-Bem,filho...Não seria melhor chamar a policia primeiro?-.Ela disse isso
com um ar de “Você já devia ter feito isso.”
-Não sei...Nem temos idéia para onde ele foi.A policia não
presta,ele só fingem estar anotando as infor...
-Eu avisarei a policia.Eu não posso impedir que você vá...Mas
tome cuidado.Não quero perder os dois filhos...
Hehe,até aquele ponto eu tinha esquecido totalmente que eu podia ser morto
nessa brincadeira de “missão”.
Sai de casa olhando desanimado para frente,com a idéia de dar meia volta
e deixar a polícia resolver tudo,mas novamente aquela voz vinha a minha
cabeça,mas de modo diferente,dizia -Está com medo?
A voz chegou de um modo estranho,parecia que estava saindo de fora de minha cabeça,e
eu respondi “Droga...Acho que estou ficando doido de vez....”
-Talvez
-Ah não!Agora ela responde,mas que mer...
-Eu vejo o medo em sua cara.
Ops.Era ela.A dona da voz em pessoa.A ida ao manicômio estava adiada.
-O que você quer?
-Nada,somente estranhei você sair por ai com uma espada na mochila...
-Sabe,não é do seu interesse...
-Quer apanhar denovo?Você me pegou de surpresa aquele dia...
-Você queria me matar!Eu somente fui mais esperto que voc...
Hmm...Nota mental.Nunca dizer a uma mulher orgulhosa que você é/foi
mais esperto que ela.
-Ah..Arhg...
-Bem,boa sorte no que quer que você vá fazer.Espero que consiga
voltar inteiro.
-Eu...Vou..te...matar um dia...
Socos no estomago doem.Como a Ana era forte...Acho que me lembro bem disso,pois
afinal fui eu quem ajudei ela mais...Duh!Eu e minha maldita mania de adiantar
as coisas...Cada coisa em seu capítulo.
Voltando à história, eu comecei a olhar em volta e a me perguntar:
“Mas o que raios eu vou fazer?”
Eu estava parado,encarando à rua.Mas para onde ir?Se nem os amigos inúteis
daquele inútil sabiam de algo,como eu ia saber que direção
tomar?Sair andando por ai não seria uma boa idéia...
Mas foi o que eu fiz.Sai pela vizinhança andando,como num passeio,olhando
para todos os lados em busca de algo,em busca duma pista.
Só consegui memórias...Do tempo que eu e meu pai andávamos
por ali de bicicleta...Do tempo que eu e meus amigos nos encontrávamos
numa casinha em cima da árvore, que agora não passava de alguns
pedaços de madeira podre em cima de uma árvore morta.
Meu andar sem rumo me recordou de muitas coisas,sem contar que a cada recordação
eu me sentia mais triste,pois tudo aquilo era passado,um passado que não
voltaria.
Sentei-me a beira de um pequeno riacho que estava próximo do local.Estava
me sentindo um pouco sonolento aquele dia,percebi que precisava treinar menos
os códigos e dormir um pouco mais.
Saquei a shinai e a fitei algum tempo.
Fechei os olhos por questões de segundos,e me levantei,continuando a andar.
Nesse ponto,algo estranho estava acontecendo.Estou para contar aqui,caro xereta,uma
coisa incrível,algo pelo qual muitos começaram a duvidar de minha
sanidade,inclusive minha mãe,após eu contar a ela essa estória,preste
atenção e julgue os fatos com cuidado,eu só entendi tudo
depois de quatro anos.Seja mais esperto que eu.
Parte 3- Visões e alucinações
O caminho estava ficando cada vez mais deserto, e estranho, sem casas, somente árvores,
mato e algumas lápides.Sim, lápides...Eu não entendo até hoje
o que faziam ali.
Estava perdido.Nesse exato momento eu parei e olhei em volta: Estava num lugar
completamente diferente de meu bairro,cercado pela floresta,nevoa e sem nenhuma
luz.
“-Mas...são 2 e pouco da tarde...como pode estar assim?!E eu...não
posso ter andado tanto...”
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Olhei para o relógio e ele tinha sumido.Quando me dei conta só estava
com a shinai na mão, tudo tinha desaparecido.
Parei,me sentei,comecei a dar risada pensando que eu estava sonhando.Afinal,como
eu teria chegado lá?Não havia outra explicação,certo?
2 minutos sentado e vi algo se movendo na escuridão.Levantei-me e preparei
a shinai para brigar.
“-Que inútil. É só um sonho,afinal...”
Mas eu continuei com ela em punho.Algo estava me dando medo naquela movimentação,
seria Ana tentando me assustar?”-Não... Só se fosse uma alucinação
coletiva...”
Quando o ser entrou em meu campo de visão,vi que era um adolescente.Uns
18 anos,alto,feio como a mãe da peste e com uma shinai idêntica
a minha na mão.
Nos encaramos por alguns minutos;pensei que fossemos duelar ou algo assim (“-Já que é uma
alucinação,posso morrer e nada vai acontecer mesmo...”)
Mas a shinai caiu da mão dele.Em seguida ele também caiu e desapareceu.
“-Que?...”
Algo agarrou minha perna.Algo não,várias coisas.
“Shadow...Shadow...Shadow...Shadow....”
O chão se tornou uma plantação de mãos, todas me
puxando para baixo.
Comecei a ataca-las como doido, cortando todas que podia.O sangue começou
a cair em mim, me deixando praticamente todo vermelho.
Por mais que eu atacasse-as, sempre surgiam mais e mais...
“Venha.”
Ouvi isso de algum lugar...
“-SOCORRO” – Estava afundando cada vez mais,e o pior é que o chão
até alguns minutos atrás era sólido como uma pedra.
“-Você vai conseguir” - A voz estava totalmente calma
“-Como?” -Tentei me acalmar
“-Vamos!Vamos!.”
“-VOCÊ É CEGO OU O QUE?” – Já tinha perdido as esperanças
e estava afundando mais rapidamente,a shinai também caiu de minha mão,fazendo
um leve corte em minha perna,antes de ser levada pelas mãos.
“-Você consegue, não morra...” – A voz estava ficando impaciente.
Eu tentei.Minhas pernas estavam paralisadas e eu estava até o peito afundando
na terra.Já tinha aceitado minha morte ,tinha até me convencido
que tudo era real,que era inútil insistir mais...
“-ORA SEU IDIOTA VAI MORRER SEM NEM AO MENOS TENTAR SOBREVIVER?”.
As mãos terminaram de me puxar até o pescoço, desmaiei e
morri.
Parte 4- Conversa de almas.
“-Onde...”
Morri?Exagerei nas minhas palavras, se não, quem estaria aqui contado-lhes
isso?Um fantasma com a vida mal resolvida, talvez...Se bem que eu posso ser isso
mesmo.Um simples fantasma sonhando...
Bem,me lembro que,depois de ter desmaiado,cai num local REALMENTE estranho...Nada
fazia sentido...Várias coisas estavam de ponta cabeça,o chão
fazia espirais no ar,o céu era roxo,um pequeno lago que estava perto de
mim tinha cor verde...Fora esses elementos,tudo era cinza,inclusive eu.
Espere,um garoto estava lá também!Mas ele não era cinza,nem
muito menos um simples garoto...Era...
“-Artur?!” – Não acreditei,até aquele momento tinha dúvidas
sobre isso.
“-Nem aqui posso ter sossego de você?” – Ele me respondeu com desanimo,mas
sem surpresa nenhuma.
“-Mas o que,como...Quando...” – Não sabia o que perguntar primeiro.
“-Aqui é aonde eu vivo agora,como?Todos me odeiam,aqui só eu vivo,só eu
aproveito das coisas...Quando?Desde o dia que mamãe foi ao hospital e
morreu...Ela era a única que gostava de mi...” – Nossa,eu vou atrás
dele e ele me recebe com 7 tijolos na mão...Era o Artur mesmo.
“-Mamãe não morreu” – Isso faria diferença agora?
“-Como?!?!?!??” – Parece que sim.
“-Ela estava no hospital entre a vida e a morte, mas resistiu... Depois de uma
semana de exames e toda parafernália, ela voltou a casa e está preocupada
com você.”
“-Eu... Eu..” – Ele estava surpreso.
“-A velha é forte ainda, huh?Que tal voltarmos?” – Se ela soubesse que
um dia a chamei de velha um dia...urgh...
“-Não... Você está mentindo... Você me odeia tanto
quanto os outros!”
“-Defina outros...” – Estava começando a me arrepender de ter deixado
a shinai cair.
“-Todos que me cercam! Falsos amigos, irmão...”
“-Se eu te odiasse mesmo,podia te deixar aqui para sempre,sem nem me preocupar
com você...”
“-E não foi o que você fez todo esse tempo? Até mamãe
te mandar aqui?”
Ouch.Até que o burro pensa um pouco, nom?
“-Bem,mas..”
“-Foi ou não foi?”
“-Foi.Mas eu vim até aqui,enfrentei aquelas mãos,não basta
para você?”
“-Mã...mãos?”
“...”
“-Mas como...Então você...você morreu!Agora você deixou
nossa mãe sozinha...”
“-Droga” – Tinha me esquecido que tudo era uma “alucinação”
“-Seu mal..”
Comecei a me afastar dele e me sentei no chão,novamente.
“-Ei...o que você quer sentado ai?”
“-Me esqueci que tudo é uma alucinação.”
“-Eu também pensei.Mas eu já encontrei nosso pai,tantos outros...”
“-Tá,tá...Então,você está preso aqui ou pode
voltar quando quiser?”
“-Eu posso voltar quando quiser...Já você...se passou pelas mãos
e não escapou...”
“-Então volte.E volte para casa,eu te encontro lá e nós
resolvemos tudo,ok?Mamãe está viva e te esperando.”
“-...Tu..do bem...” – Ele disse tremendo,por alguma razão,que só entendi
depois dos benditos quatro anos.”Volte também.” – Estranhei esse pedido.
Ele sumiu.Desapareceu de minha frente.E o cenário foi desaparecendo lentamente,e
voltei a cena das mãos,estava até o pescoço e a voz gritando
desesperadamente...
“-Blah!” – Disse e fui me levantando lentamente,despedaçando as mãos
ao meu redor.Logo todas sumiram e o cenário foi virando,ficando cada vez
mais escuro,até que
-Ele acordou!
Parte 5- Um sonho?
Estava na beira do riacho,com Ana e um adolescente um tanto familiar me encarando.
-O que...Aaaaah... – Senti uma dor horrível no peito.Foi como se meu pulmão
estivesse desacostumado a respirar.
-Calma..Você quase morreu afogado agora a pouco...tem que pegar leve cara! – O
adolescente finalmente disse algo.
-Eu...afogado?Eu estava longe daqui...”
-Você devia estar sonhando ou algo assim...Ela – Apontando para Ana – Te
encontrou caído dentro do riacho e gritou de susto.Sorte que eu estava
por perto e conseguimos te tirar da água.Você lutou um pouco para
voltar e parou por alguns instantes...Pensamos que você havia morrido,mas
com um último esforço você voltou a respirar.
-Havia uma voz... – Eu estava começando a entender tudo.
-Era esta garota...Como é seu nome mesmo?Ana,certo?Ela estava falando
com você,estava realmente preocupada!É sua namorada?
-NÃO – Coro de nós dois.
-Oh..ok...
Me levantei.Estava melhor.Notei um leve ferimento em minha perna
-E isto...
-Oh...Me desculpe por isso...Você não queria largar sua espada,e
eu estava com medo que você,num espasmo muscular,fincasse ela em mim.Na
luta para tirar de sua mão,acertei sem querer ai...Perdão...
-Tudo bem...Vocês salvaram minha vida... – Odeio ficar devendo algo.
-Bem,se ele está bem,então eu tenho mais o que fazer... – Deu um
tapinha nas costas do adolescente – Muito obrigado, senhor... E você – Apontou
para mim – Estamos quites.
Ela saiu rapidamente de cena,me deixando encarando o adolescente.Algo me dizia
que ele não estava por ali a toa,algo o trazia para o bairro...
-Bem,muito bem...Você tem sono profundo,meu caro Shadow Hunter...
-O que?!?!Ela te con...
-Ela sabe sobre você?
-S...Sei lá...Não...Quem é você?!? – Procurei a shinai.Ela
estava na mão dele.Será que eu tinha escapado a morte afogada e
iria morrer pelas mãos dele?
-Calma,calma... Sou do UnderGround também.
-Qual seu nick?
-Me chamo Fernando.Meu nick no sub mundo é Nail.Depois conversaremos mais.Agora
preciso ir a um lugar fazer algo para Kirnshin.
-Ok...Na..Fernando...Muito obrigado!
Feitas as despedidas, voltei lentamente para casa e sabia que novamente tinha
algo a esconder de minha mãe, eu não achava muito seguro deixar
ela saber disso tudo.
Já eram quase 3 horas.
Chegando em casa em cima da mesa encontro um bilhete com estas palavras:
“Comuniquei a policia sobre Artur. Eles me disseram que um jovem estava em coma
no hospital, sem qualquer identificação. Achei melhor te esperar
para irmos juntos ver se era o Artur, mas me ligaram pelas duas horas dizendo
que ele despertou desnorteado, procurando pelo irmão, que “tinha visitado
ele na morte”.Artur disse seu nome e conseguiram nos encontrar.Espere em casa,pode
ser que eu demore para chegar.”
Afinal, tudo aconteceu ou não? www.longlibrary.rg3.net
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