Capítulo 12 - As Brigas que Ganhei
Introdução
Estava apenas com planos remendados de como resolver a situação
na cabeça.Não tinha nada concreto ainda.Foi aí que o telefone
tocou.
- Shadow?É minha última chance.Eu tenho que levar essas informações
pro meu chefe hoje.Como anda o esquema?
Foi aí que a idéia pipocou na minha cabeça.
- Nail?...Certo.Faz o seguinte.Tem um galpão abandonado uns três
quarteirões daqui.Não é aquele mesmo onde a multidão
avançou, é mais distante e seguro.Lá, vou entregar um disquete.Depois
você analisa junto com seu chefe.
- Certo.
- Pera aí.Tem mais.Nas condições, vocês vão
levar TopMan EXTreme.Eu vou libertá-lo.
- Veremos como isso vai sair.
Parte 1 - Pontas Soltas
Na escola, meu desempenho vinha se mantendo num patamar baixo.A vida de hacker
nunca foi fácil.Mas, eu me sentia bem até.As pessoas não
me olhavam mais com um olhar de desdém.Afinal, tinham uns novos marginais
pra se preocupar em sacanear.Mas os caras com certeza não estavam lá pra
estudar, pois estavam sempre matando aula.Foi no mesmo dia que recebi a ligação
que, no intervalo, tais acontecimentos se sucederam.
Estava atrás do colégio, sentado, pensando no que aconteceria.Não
queria ficar perto daquelas pessoas de plástico, tinha nojo.Foi aí que
apareceu um bruta-montes, um puta armário oito por oito lá atrás.
- Quem diria que foi um magrelo que nem fosse que tirou a gangue daqui... - ele
tencionou tirar alguma coisa do bolso.Eu estava com um puta espírito guerreiro
no dia, por causa da batalha que viria a acontecer.Então, não esperei.Dei
um salto e chutei a mão dele antes de que pudesse fazer qualquer coisa.Algo
voou e caiu ali por perto.Uma arma.
- Mas o que... - Ele correu pra tentar pegar, mas eu a joguei por cima da cerca
pra longe.
- Agora, somos eu e você.Quer fazer as honras? - um gesto com as mãos
o convidou.
Ele veio com um soco por baixo.Uma defesa rápida e com uma chave eu o
joguei no chão.Chutei ele, mas ele passou uma rasteira.Eu caí,
mas me levantei rápido.Ele também estava se levantando, então
resolvi chutar sua cara.Ele foi baqueado de encontro a cerca.Bufando, ele disse:
- Estou cansado desse joguinho. - Ele tirou um canivete.Era impressão
minha ou esse cara realmente estava determinado?
O bom é que quando um leigo usa uma arma como um canivete, esquece que
o resto do corpo também pode ser usado e usa somente aquilo.Foi fácil
desviar, embora depois da briga meu ombro estivesse com um corte que eu não
sei quando aconteceu.Quando tomei o canivete, joguei longe também.Mas
enquanto estava jogando, ele me deu um empurrão.Cai perto de alguns materiais
de construção.Ele veio andando para chutar, quando eu virei e joguei
areia na cara dele.
- Ora seu... - Ele acertava o ar com golpes cegos.
- Está na hora de acabar com isso.Preferia um fim diferente, mas não
quero ser como você. - Tomei distância e comei a empurrar ele de
volta pra escola.Tomei uns socos mas não podia parar, já que o único
jeito de acabar isso sem desmaiar ou mesmo quebrar o pescoço dele era
fazer com que a coordenação visse isso.Logo, joguei ele no meio
do pátio.As pessoas olharam espantadas.
- Chama um coordenador!Alguém chama um coordenador, e rápido!
A visão dele já estava boa e ele começou a tentar me acertar.Sabendo
que logo estaria sobre os zelosos olhos da coordenação, resolvi
não revidar e me fazer de vítima, apenas desviando.Logo, chegou
a diretora com a polícia.
- Isso é engraçado, Dona Diná, mas sua escola parece um ímã de
marginais.Estamos procurando esse cara por um tempo.É o último
integrante daquela gangue que está solto. - disse um dos policiais.
Os policiais saíam com o marginal, enquanto a diretora conversava comigo.
- Esse é seu segundo ou terceiro envolvimento com eles, [sem nomes].Tem
algo que você quer me contar? - Não, só que eu sou um hacker
que está tendo que escapar da morte praticamente todo dia.Fora isso, eu
vou bem, e a senhora?
- Nada não, dona...Acho que esses caras só escolhem quem eles acham
mais fraco, só isso...
- Bom, você sabe que a gente tá sempre aqui pra essas coisas.Te
cuida.
Pouco depois, pude ouvir uma voz bem conhecida.
- Seu frouxo!
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- Pensa o que você quiser, Ana.Hoje eu não to com cabeça
pra conversar.
- Ah, mas vai conversar.
Conversamos um bucado o recreio inteiro.Sobre um olhar de raiva de Lixo 1.Acho
que ele e Ana têm alguma conexão...
Parte 2 - Ao Resgate
Umas cinco horas da tarde e lá estava eu, na frente do galpão.Nail
estava lá também.Entreguei o disquete na mão dele, mas antes
de largar, perguntei:
- E Topman?
- Lá dentro.
Entrei sem olhar pra trás.Fechei a porta.Entrando, vi Topman amarrado
e amordaçado numa cadeira, do outro lado do galpão.Do segundo andar
do galpão, alguém pulou e deu um rolamento quando chegou no chão.Limpando
suas roupas, ele disse:
- Shadow.Tínhamos que terminar o que começamos, certo?
- Naughty. - Mostrei os curativos na mão da estocada que eu defendi -
Ah, mas você vai pagar por isso.Pode ter certeza. - saquei o shinai. -
Sabe, aqui era uma metalúrgica.É engraçado...esse lugar
construía tanta coisa...e eu posso acabar desconstruído aqui.
- Heh.Faz sentido o que você diz.Sabe, vamos lutar como homens.Essa história
de se esconder por trás de codinomes...
- Certo, não vou negar o último pedido de um guerreiro.Meu nome é [Sem
nomes].
- Muito bem.Eu, Gabriel, aceito seu desafio formal.Comecemos?
- Pode ter certeza.
Me aproximei pouco a pouco.Tomando os devidos cuidados e lembrando um pouco da
luta passada, pude defender sua primeira sequência de golpes.Numa brecha,
acertei uma cotovelada no seu queixo e o shinai acertou sua barriga.Ele foi rápido
em tentar contra-atacar com uma rasteira, mas pulei e acertei um chute no seu
peito.No ar, não tive muita opção a não ser tentar
jogar o peso pro lado pra desviar da espadada que veio em minha direção.Já tinha
até esquecido do corte da briga na escola, mas o maldito o acertou, deixando
meu ombro com uma espécie de cruz.Claro, gritei de dor.
- Parece que não é sua primeira batalha de hoje.Você devia
ter se preparado melhor! - Ele tentou me acertar por cima, mas pus o braço.Santo
caratê.
- Mas como...?
- Se chama tonfa, colega. - Arranquei a manga da blusa.Segurava uma tonfa, pronto
pra uma ocasião dessas.Logo, acertei o shinai na sua cara.
Lutamos mais um tempo numa espécie de zero a zero, cansando aos poucos.Foi
aí que eu tentei chutar a cabeça dele e ele me acertou a perna
direita.Ele se afastou.
- Com a mobilidade comprometida desse tanto, você não pode fazer
muito [Sem nomes].
- Com sua idade e esse cansaço, eu posso fazer mais que você, Gabriel.
Corri na direção dele.A perna direita doía horrores, parecia
que a qualquer momento ela ia se soltar.Queimava.O suor entrava nos cortes.Mas
corri, ignorando tudo isso.
- Principiante. - Foi a última palavra dele.Mas ele não era o único
que sabia que o golpe mais clássico contra um ataque fontral é a
estocada.Então, assim que ele veio com a espadada, dei um pulo pro lado.Shinai
na cara, perna no pescoço, ele voou e caiu no que seria a velha caldeira.O
impacto fez com que toneladas de carvão caíssem do estoque no segundo
andar..Eu, com a perna detonada, só pude chutar a cadeira de Topman pra
longe pra garantir que ele sairia ileso.Apaguei de dor por um breve instante.
Acordei quando Topman me deu umas balançadas.O chute fez com que as cordas
afrouxassem.Estava em cima de um pouco de carvão, com a perna machucada
embaixo de um montinho.Depois de muito esforço, tirei a perna de lá.Outro
grito.Com a ajuda de Topman, começamos a sair dali.Segurava o shinai como
um troféu.Afinal, era a única lembrança que eu teria.Já lá fora,
lembrei:
- Topman...e...e Naughty?
Ele fechou a cara e continuamos andando.Hoje já superei isso, mas por
muito tempo fiquei receoso, como vou relatar mais adiante.Ainda tinha muito que
conversar com Topman, mas estava cansado e precisava descansar.Cheguei em casa
e tive que ir ao pronto socorro, fazer os curativos nos cortes de quando eu "caí de
um barranco".Depois, fui dormir.E sonhei com Valhalla, o reino dos guerreiros
na mitologia nórdica.E Gabriel estava lá. |