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LIGA MARXISTA REVOLUCIONÁRIA |
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A participação dos revolucionários nas eleições burguesas - 2 ?>
Como vimos anteriormente, nós, revolucionários, não podemos depositar ilusões nas eleições e no parlamento burguês. Porém, seria um grande erro nos recusarmos a participar desse processo. Nossa participação nas eleições e no parlamento burguês será diferenciada dos demais partidos. A diferença começa na campanha eleitoral, que deve estar subordinada aos interesses da luta de classes, mais especificamente, aos interesses da classe operária. Dessa forma, nossa principal tarefa nas eleições burguesas deixa de ser a eleição de um representante para o parlamento e passa a ser o desenvolvimento da consciência de classe e a organização independente do proletariado. Portanto, nossa campanha deverá ser independente política e financeiramente dos interesses da burguesia. Não devemos fazer acordos com partidos burgueses. Isso só traz confusão para a classe operária e acaba nos atrelando politicamente à burguesia. Portanto, como concluímos anteriormente, "(...) a campanha eleitoral e o mandato no parlamento burguês servirão aos interesses da luta da classe trabalhadora, ajudando a desenvolver a consciência de classe e a organização independente do proletariado." O PT e a democracia burguesa A idéia de criação do PT surgiu devido à decepção com a fraca participação dos parlamentares de oposição durante as greves do ABC e também porque o PCdoB não atendeu às necessidades da classe trabalhadora naquele momento. Os trabalhadores precisavam de um partido onde se organizassem para melhor se defenderem na luta de classes. Em 10 de fevereiro de 1980 foi criado o PT, formado basicamente de sindicalistas, representantes das organizações de esquerda, do setor progressista da Igreja Católica e intelectuais. Em 1982, o PT participou de sua primeira eleição e Lula foi candidato ao governo de São Paulo, ficando em quarto lugar. O lema do PT era "Trabalhador vota em trabalhador". Desde então o PT fez uma grande caminhada. Em sua "Carta de Princípios", anterior ao Manifesto de Fundação do PT, lançada em 1º de Maio de 1979, deixa claro que "(...) o PT proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão a seu objetivo maior, que é estimular e aprofundar a organização das massas exploradas." Porém, com o passar das décadas e dos processos eleitorais (1989, 1994, 1998, 2002 e 2006), verificamos que as mudanças programáticas do PT refletem o abandono das "velhas bandeiras" e também a adaptação do PT às eleições e ao parlamento burguês. O PT surgiu como um Partido Operário Independente, livre de governos e patrões. Poderia ter se transformado ?> O mais provável é que o PT jamais voltará a ser um Partido Operário Independente. Porém, como ainda é referência para os trabalhadores, passa a ser um obstáculo para a construção de um movimento classista avançado. Esse é o principal problema para nós. O que fazer? Estamos no "fio na navalha". Não podemos atuar reforçando a ilusão dos trabalhadores no PT, mas também não podemos partir para o "denuncismo estéril" do PT, pois isso impede o nosso diálogo com os trabalhadores. Não existe "fórmula mágica". A única saída é mantermos esse debate, com avaliações freqüentes sobre o PT e o movimento operário. Isso nos dará maiores possibilidades de acertarmos em nossas decisões e termos uma política correta para a classe trabalhadora. A Direção - 02/04/09 |