LIGA MARXISTA REVOLUCIONÁRIA
Que as classes dominantes tremam diante da idéa de uma revolução comunista.

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 A saída é o emprego

Escrito por Artur Henrique, presidente nacional da CUT - 12/11/2008

(publicado originalmente em O Globo, na última segunda, com o título "Contrapartidas")

Nos últimos dias, o governo tem anunciado medidas de intervenção no setor financeiro e de construção civil. É evidente a necessidade de impedir que a crise financeira internacional contamine a economia real do Brasil. Portanto, o governo tem de agir. Ademais, a CUT sempre defendeu a presença do Estado em atividades estratégicas para a defesa da soberania nacional. Deve fazer parte dessa presença a capacidade estatal de regulação do sistema financeiro, cuja ausência em diversas partes do mundo é uma das causas da crise atual.

Porém, a ajuda do governo a setores que poderiam sofrer baixas grandes o bastante para travar a economia não pode ter como fim a proteção de especuladores ou aventureiros.

Com essa certeza, a CUT lembra que qualquer tipo de socorro oficial deve garantir a defesa do emprego e de renda para os trabalhadores. A preservação de tais princípios não depende de vontade dos agentes públicos e privados envolvidos, mas da aprovação de novas regras para o jogo.

Os empréstimos e investimentos que forem feitos com recursos públicos devem ter entre suas cláusulas aquilo que a CUT convencionou chamar de contrapartidas sociais. Os setores ou empresas que receberem esse dinheiro devem ser obrigados a cumprir metas de manutenção e geração de vagas. Se, ao final de um determinado período de carência da linha de financiamento tais metas não forem cumpridas, deve haver um mecanismo que puna os tomadores. A CUT está aberta ao diálogo para definir quais instrumentos poderão ser utilizados.

Outra das contrapartidas que defendemos é a presença de representantes dos trabalhadores na gestão de bancos ou empresas que vierem a ser adquiridos, e também no controle de projetos que recebam ajuda governamental. Acreditamos que outros representantes do setor produtivo também devem integrar o processo de gestão. Assim, o controle social garantirá que o dinheiro público não acabe por contemplar a especulação ou a falta de compromisso com um modelo de desenvolvimento que gere empregos e distribuição de renda.

Como pano de fundo de toda essa discussão, duas certezas: que o modelo de mercado livre, leve e solto mais uma vez se mostrou um erro, e que o enfrentamento da crise passa por mais e melhores empregos, mais investimentos e mais produção e menos especulação.

Artur Henrique, presidente nacional da CUT

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A análise que Artur faz no texto acima deixa claro para todos nós a posição política da Direção Nacional da CUT. Nesse momento muitos "esquerdistas" devem estar dizendo pelos cantos que a CUT é governista, pelega, contra-revolucionária, etc.

Nós, marxistas revolucionários, defendemos que nenhum centavo deve ser desviado para salvar banqueiros ou empresários falidos. A saída revolucionária em direção ao socialismo é a expropriação da burguesia (estatização das empresas e instituições financeiras sem qualquer indenização para seus proprietários e sob o controle dos trabalhadores). Isso significa por fim ao sistema da propriedade privada dos meios de produção (sistema capitalista).

Porém, não podemos ter uma visão míope da situação. Temos que ter uma visão periférica ampliada. Estamos diante de um governo originário do seio da classe operária, mas que foi construído com uma ampla aliança com a burguesia. Esse governo apesar de não conseguir cortar seus laços com a classe operária, não consegue se desvencilhar dos compromissos assumidos com a burguesia local e com o imperialismo (FMI, Banco Mundial, etc).

É por isso que vemos constantemente o governo Lula tomando medidas que beneficiam os empresários e banqueiros, em detrimento dos trabalhadores. Diante disso, o que podemos esperar do governo Lula diante dessa enorme crise do sistema capitalista? Com certeza, ele pretende atender às exigências do capital, ou seja, salvar os banqueiros e empresários com verba pública. Isso significa que vai faltar verba para os serviços públicos e políticas sociais, ou seja, mais uma vez o povo vai pagar pelos desmandos do capital.

Todos nós sabemos que existe um vínculo muito grande entre a CUT e o PT. Com certeza, o que Lula e muitos de sua base desejavam nesse momento seria o apoio incondicional da CUT a essa política. Porém, a Direção Nacional da CUT, sabe muito bem qual é o preço a pagar por esse apoio incondicional. Esse tipo de apoio foi dado no primeiro mandato de Lula e causou muitos estragos na CUT, pois "jogou água no moinho" dos esquerdistas que afirmavam que a CUT era "chapa branca" e chamavam à desfiliação da mesma para construir uma nova central.

Nesse momento da crise capitalista, a Direção Nacional da CUT exige do governo Lula uma contrapartida para a classe trabalhadora. Se vai salvar empresas e bancos falidos, tem que garantir empregos, direitos e salários. Esse artigo de Artur está baseado em um documento da Executiva da Direção Nacional da CUT que exige a reforma agrária, o fim do superávit primário, o fim da Lei de Responsabilidade Fiscal, estabilidade no emprego, valorização do salário mínimo, interromper todos os processos de privatização, defesa do pré-sal para benefício da nação, entre outros.

Nessa situação, quando a CUT exige contrapartidas do governo Lula, mesmo que não sejam revolucionárias, mas que ajudam a classe trabalhadora a superar o momento de crise, devemos apoiar a direção da CUT, ajudando a classe trabalhadora a se mobilizar e se conscientizar. E é exatamente nessa luta, "marchando ombro a ombro" com a classe trabalhadora que conquistaremos a confiança necessária da mesma e a ajudaremos a construir o processo revolucionário.

A Direção - 20/novembro/2008

 
 
 
 
 
 
 
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