|
LIGA MARXISTA REVOLUCIONÁRIA |
1.
Principal |
2.
Quem somos
| 3. Contato |
4. Textos
|
AS ELEIÇÕES BURGUESAS E O PAPAEL DOS REVOLUCIONÁRIOS. ?>Os EUA acabaram de eleger Barack Obama, do Partido dos Democratas, para presidente. As expectativas em torno de sua eleição se voltam para a solução da crise, dos problemas da saúde pública, a retirada das tropas do Iraque e "instaurar uma nova ordem no mundo". Analisando esta eleição do ponto de vista de simples eleitores o que temos pode parecer muito relevante e trazer expectativas de mudanças: um presidente negro em um país altamente racista, que obteve votação histórica, principalmente de setores que comumente não participam das eleições: os pobres, negros e jovens. Mas, analisando do ponto de vista de classe, o que temos é um candidato que representa a burguesia como qualquer outro, diferenciando-se com a promessa de retirar as tropas do Iraque. Mas não ignoremos o quadro em que foi eleito: a maior crise financeira desde 1929, somado ao grande desgaste do país por conta de guerras que contribuíram para o agravamento da crise. Os trabalhadores também esperam dele mudanças que os atendam. Setores da esquerda norte-americana apóiam e reivindicam suas melhores promessas de campanha, pautando principalmente questões sociais e econômicas, tais como geração de empregos, combate ao racismo, liberdade de expressão, fim da violência da era Bush entre outras, que atendem aos interesses dos trabalhadores. Mas Obama é um democrata, legítimo representante da burguesia, assim como seu opositor derrotado. Dele, nada podemos esperar no sentindo de atender as reivindicações dos trabalhadores. Diante da situação que vivemos, entendemos a necessidade de compreender o mecanismo das eleições burguesas, ou seja, as eleições ditas democráticas do sistema capitalista. Para analisarmos teremos como base os princípios de Marx, Lênin e Trotsky sobre as eleições burguesas e o papel dos revolucionários, principalmente nos momentos de crises mais profundas. As eleições burguesas passam uma idéia de democracia, de participação e de livre escolha para elegermos "nossos representantes" aos governos. Em 1917, Lênin escreveu sua obra "o Estado e a Revolução", onde trata a necessidade de derrubar o Estado burguês através da revolução substituindo-o pelo Estado operário. Lênin define o Estado Burguês como legitimo representante dos interesses da classe dominante. O Estado que nasce aparentemente "acima" das classes, neutro, para garantir o bem estar da sociedade, na verdade representa unicamente a burguesia e, para isto, tem uma estrutura toda elaborada para garantir a permanência da burguesia no poder. As eleições constituem o grande momento da democracia burguesa onde todos escolhem "livremente" seus candidatos. Mas os candidatos são burgueses ou são sustentados por estes, garantindo a burguesia total controle do Estado, das leis e de sua aplicação. Ou seja, a maioria vota em uma minoria que detém a riqueza para que a minoria continue explorando a maioria. Esta lógica perversa das eleições burguesas se repete a cada eleição. A burguesia cuida minuciosamente do momento eleitoral, desde a formação dos tribunais "isentos" ao volume de dinheiro gasto nas eleições, seja para produzir material de campanha, seja para comprar votos. Para os revolucionários isto não pode ser encarado como democracia. Mas sabemos que não poderemos tomar o poder da burguesia sem o Partido Revolucionário, sem um processo revolucionário. Os "esquerdistas" dizem que não devemos participar das eleições burguesas nem mesmo votar nas eleições burguesas. Isto pode parecer verdadeiro, mas historicamente, causou mais danos a classe trabalhadora do que benefícios e não proporcionou a derrubada da burguesia. Para compreender esta situação tomemos como exemplo a ascensão de Hitler em 1933. O governo fascista de Hitler ascendeu ao poder através de eleições "democráticas". Trotsky, escreveu do exílio, conclamando o *Comintern e o Partido Comunista Alemão a formar uma frente única com o Partido social-Democrata, com o propósito de unificar as forças da classe trabalhadora contra o perigo fascista. Mas para Moscou não havia diferença entre a Social-Democracia e o fascismo, e que a vitória de Hitler seria seguida pela vitória do Partido Comunista. O resultado a própria história se incumbiu de mostrar: a ascensão nazi-fascista varreu a Europa num genocídio sem precedentes contra a classe trabalhadora e chegou ao poder numa situação de grande crise financeira mundial e através do voto dos trabalhadores seduzidos pelos discursos nacionalistas fascistas. Poucas semanas após a ascensão de Hitler, o Partido Comunista foi declarado ilegal e seus membros e apoiadores foram deportados para os campos de concentração. Não muito tempo depois, o Partido Social-Democrata foi declarado ilegal e os grandes sindicatos foram dissolvidos. Para os revolucionários, compreender o significado das eleições burguesas é tarefa de grande importância: não podemos ter ilusões de mudanças através das eleições e do voto, no entanto, não podemos permitir que o espaço ora aberto com as crises do sistema seja ocupado por setores ainda mais reacionários e fascistas. Compreender os movimentos da classe trabalhadora, compreender o jogo de interesses da classe dominante é fundamental para determinar nossas ações diante das eleições, no sentindo de dialogar com os trabalhadores a necessidade de rejeitar os candidatos legitimamente burgueses, sem no entanto, alimentar esperanças e ilusões em candidatos dos partidos de esquerda. Por conta desta compreensão é que apoiamos e votamos na candidatura do PT nas eleições municipais. Não tínhamos ilusões de que a candidata do PT representava a saída para os trabalhadores, mas era a candidatura que se opunha ao PSDB, partido que representa legitimamente a burguesia, que aplica uma política de destruição e ataque dos direitos dos trabalhadores. Acompanhamos a política tucana no Governo de Minas Gerais, onde Aécio Neves, ataca o funcionalismo em nome do "choque de gestão" e, também, de outros governadores do PSDB que usam até mesmo a policia para reprimir o movimento grevista de trabalhadores. A fraude eleitoral que assistimos, desde a compra de votos, ao silêncio dos Tribunais e da Polícia, confirma a necessidade que a burguesia tem de ocupar todos os espaços, principalmente com a proximidade das eleições presidenciais. Quanto a participar das eleições burguesas, Marx esclarece que por toda parte, ao lado dos candidatos burgueses, os proletários devem apresentar seus candidatos, na medida do possível, mantendo sua autonomia, sua força e, trazerem a público sua posição revolucionária e os pontos de vista do Partido, sem deixar-se subornar pelo sistema e suas frases democratas que visam dividir a classe. Ou seja, devemos participar das eleições com programa próprio, para dialogar com os trabalhadores, esclarecendo a necessidade de nos organizarmos para combater o poder capitalista. Portanto, assim como nos EUA, no Brasil ou em qualquer lugar, as eleições nunca representarão mudanças verdadeiramente revolucionárias. Estas mudanças só acontecerão através da revolução socialista, com a derrubada da burguesia e a instalação do governo proletário. Por isto, a necessidade de permanecermos firmes no propósito em organizar a classe trabalhadora sob a bandeira do socialismo, do Partido Revolucionário. A Direção - 05/novembro/2008 * Comintern, Terceira Internacional ou Internacional Comunista (1919-1943) é a organização internacional fundada por Vladimir Lenin e pelo PCUS ( Partido Bolchevique), em março de 1919, para reunir os partidos comunistas de diferentes países. Tinha como propósito lutar pela superação do capitalismo e o estabelecimento da ditadura do proletariado. |