LIGA MARXISTA REVOLUCIONÁRIA
Que as classes dominantes tremam diante da idéa de uma revolução comunista.

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América Latina

Os últimos acontecimentos no cenário político e econômico envolvendo alguns paises da América Latina, exige uma reflexão cuidadosa.

Começamos a análise abordando o Referendo que aconteceu na Bolívia, no ultimo dia 10 de agosto. O referendo convocado pelo próprio Evo Morales, presidente eleito em 2005, em meio a uma crise e a um processo revolucionário contrariando todos os interesses imperialistas. O governo Evo Morales, longe de ser um governo revolucionário, mas impulsionado pelas massas, adotou medidas que imediatamente incomodaram os interesses capitalistas internacionais. Entre tais medidas, a nacionalização do gás (hidrocarbonetos) foi a que causou maior impacto à burguesia, tanto nacional, quanto internacional. Uma campanha anti-Evo, logo foi declarada. O movimento separatista da região chamada "Meia Lua", setor mais rico, de maior produção de hidrocarbonetos, tenta a todo custo desestabilizar o governo, não reconhecendo sua legitimidade. Diante de tais circunstancias, o próprio Evo, convocou o Referendo para que os bolivianos dissessem Sim ou Não, ao governo eleito e aos prefeitos dos departamentos. O resultado do referendo mostrou uma ampla aceitação de Evo, que alcançou 67% dos votos nacionais e, além disso, aumentou seu percentual para 40% nas áreas de oposição (Pando, Santa Cruz e Tarija). O que os números nos mostram é que, de um lado a aceitação de Evo Morales cresce, enquanto a Oposição que manteve 6 dos 8 prefeitos, permanece ativa. Ou seja, a Bolívia vive um contexto de ação revolucionária das massas, e a oposição da direita, mantém sua postura reacionária, de combate a um governo nacionalista, mas que enfrenta em alguns aspectos o Imperialismo.

As ações de Evo Morales se aproximam do quadro instalado na Venezuela de Hugo Chavez. São governos nacionalistas, que impulsionados pela grande massa de trabalhadores, adotam medidas que atendem minimamente à classe trabalhadora, mas que não rompem com o Imperialismo. Mas isto não é pouco. Sabemos que os interesses do Imperialismo não permitem tais ações, portanto, sempre reagirá, de maneira a destruir os governos que não seguem à risca seus interesses.

Deste modo, é que podemos observar claramente a diferença entre estes dois governos e o Governo Lula. Este aplica toda a política Imperialista, atacando a classe trabalhadora , mantendo as privatizações, políticas compensatórias e outras.

Mas, a situação no Brasil, ganha novo quadro a partir da descoberta de petróleo da região chamada "pre-sal" e com o anúncio de Lula de criar uma estatal para controlar a produção desta área. Bastou uma única declaração de que o petróleo desta reserva deve ser para "reparar as injustiças sociais" para uma avalanche de críticas cair sobre o Governo Lula.

No Paraguai, o presidente Fernando Lugo, recém empossado, anunciou um plano de reforma agrária, para devolver o que foi tirado pelo ex-ditador Alfredo Stroessner, gerando uma grande polêmica, além do caso dos produtores de soja brasileiros, que atuam irregularmente no Paraguai acusados de práticas indiscriminadas na produção. Outra questão, envolve o contrato entre Brasil e Paraguai, sobre a "energia elétrica" de Itaipu, um contrato que explora os recursos do Paraguai a preços muito abaixo dos valores de mercado. O Governo paraguaio anunciou que pretende retomar as discussões com o Brasil, segundo informações no Jornal Le Monde, onde declara: "Itaipu é uma causa nacional" e que a reforma do acordo é um "forte apelo para pôr fim a atual exploração imperialista e indigna a que o Brasil submete o Paraguai neste empreendimento". Ainda de acordo com as declarações do Governo Paraguaio, estão dispostos a recorrer a todos os recursos necessários pra fazer valer os direitos, justos e claros, sobre a soberania energética.

Está aberto um novo cenário. Evo consolida o seu governo com apoio popular, mas enfrenta a oposição reacionária. Lula, que aplica a política do Imperialismo, tem que decidir sobre a nova riqueza descoberta. Lugo anuncia uma reforma agrária e reabre a discussão energética com o Brasil.

Temos que estar atentos aos desdobramentos destes últimos acontecimentos.

Muitos interesses estão em jogo neste cenário.

Compreendemos diante deste quadro, que uma política de apoio mútuo entre os governos do Brasil, Venezuela, Bolívia e Paraguai, que possa ser estendida a outros países da América Latina, seja uma saída para a classe trabalhadora.

Os ataques serão inevitáveis, mas romper com o Imperialismo é condição para avançarmos na luta por uma sociedade socialista.

A Direção - 29/agosto/2008

 

 
 
 
 
 
 
 
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