Mas qual a razão para esta tendência de procurar o belo no obscuro com tanta força se manifestar apenas nos Orientais? Ainda não há muito, também o Ocidente ignorava a electricidade, o gás, o petróleo, mas, tanto quanto sei, nunca sentiu, a tentação de se deliciar com a sombra. Na prata e no cobre, apreciamos a patine; eles, acham-na suja e anti-higiénica, e não ficam satizfeitos enquanto o metal não brilhar, à força de tanto o polirem. Nas divisões das casas, evitam os recantos o mais que podem, pintam de branco o tecto e as paredes que os rodeiam. Até no desenho dos jardins, onde nós arranjamos bosquezinhos sombrios, eles estendem amplos relvados planos. Junichiro Tanizaki, O Elogio da Sombra , Relógio d' Água.
|
© 1998 - 2005. Lídia Pereira. Todos os Direitos Reservados. |