O dia de caça

Por Camila Luz Delmaschio

A caça aos ursos

Entre todos os ursos existentes, o mais visado é o urso polar, pelos caçadores de peles e de troféus. Nos últimos anos, no Alasca, a caça ilegal tomou tal vulto que depredou mais do dobro da quantidade legal permitida, calculada em 300 espécimes. A matança ilegal é absurda. Os pobres animais, apenas cuidando de seus interesses são atingidos pela mão humana.

Urso polar.

 

A cruel caça começa. A caça às raposas

A tradicional caça à raposa é uma das quatro antigas tradições que ainda permanecem na Inglaterra. As outras são a rainha, a troca da guarda no palácio e o chá das 5. A temporada de caça começa em Novembro. São mortas em torno de 25.000 raposas, de um total de 217.000 existentes no país. Os fazendeiros e a nobreza defendem a matança para não perderem a pose.

As raposas podem não ser animais em extinção, mas é de extrema covardia e crueldade um grupo de nobres, armados e com cavalos e cães, perseguir e matar um animalzinho pouco maior que um gato.

 

Alguns depoimentos*

O guincho do coelho

Alguns ciprestes magníficos erguiam suas copas acima da velha cabine de hóspedes, para onde tínhamos voltado nossa atenção. Papai, meu irmão Pete e eu estávamos em nossa primeira caçada de coelhos, no sítio de meu avô em Michigan. Os coelhos que faziam morada nessas árvores eram, segundo papai,muito rápidos. Pete e eu não dissemos uma palavra ao darmos a volta pelos fundos da cabine. Sabíamos que se os coelhos nos escutassem, fugiriam mais que depressa sem permitir um tiro.

Preparei minha garrucha calibre 20. Papai veio do outro lado e, no momento em que ele entrava em minha visão periférica, vi o coelho saltar duma moita no quintal. Nada poderia ter desfeito minha concentração naquele coelho enquanto eu o mantinha ao alcance visual, como papai me havia ensinado. Ele parou justamente na moita que dividia o quintal. Eu sabia que teria de chegar bem perto para disparar, por isso aproximei-me mais; antes, porém, de encurtar a distância entre nós, a caça estava encerrada. A onda de choque do rifle de papai me atingiu no mesmo instante em que vi o coelho cair. Pelo som do guincho do animal, eu sabia que o tiro de papai não o matara imediatamente. O guincho foi tão intenso e penetrante que cada um de nós correu para o lugar onde ele jazia contorcendo-se em dores. Papai agachou-se, agarrou-o pelas pernas traseiras, colocou-o no chão, pôs seu pé sobre a cabeça do bicho e puxou. O sangue jorrou, enquanto seu coração fazia o último esforço pela vida.

Estou certo de que tentei, mas falhei em esconder o horror que sentia por dentro. Papai deve tê-lo visto em minha face, pois o que me disse mostrou que ele também precisava justificar sua ação perante os dois filhos. “É o modo mais rápido de tira-lo de sua miséria”, disse.

 

                                                - Mark F. Carr

 

As penas do faisã

Eu me orgulhava muito de minha nova espingarda calibre 12. Tinha conseguido o dinheiro para comprá-la colhendo vagens. Meu alvo era aprender a arte de caçar faisões, gansos canadenses e outros pássaros tão abundantes no Vale de Willamette. Meus pais pareciam estar certos de que quatorze anos era idade suficiente para essa atividade.

As primeiras saídas com meu amigo Bob nada produziram. Apesar de nossos melhores esforços e do fato de os faisões chineses serem vagarosos e barulhentos quando levantam vôo, erramos todos eles. Sobretudo, fazíamos longas caminhadas nas manhãs úmidas de outono, pontilhadas de uns poucos momentos de excitação e de tiros ineptos.

Finalmente, numa manhã de fim de semana, fomos caçar com os “marmanjos”, o irmão mais velho de Bob e seu amigo. Como os mais jovens, Bob e eu fomos instruídos a ir até o fim do milharal e esperar. Os outros dois, com seus cães de caça alemães, caçariam primeiro. Se errassem o alvo, nossa tarefa era atirar nos pássaros ao virem em nossa direção.

E assim aconteceu. Um magnífico faisão chinês levantou vôo, escapou e veio diretamente para onde eu estava agachado. Mirei e disparei quando ele estava justamente acima de nós. Penas voaram por toda parte. Um cão veio correndo e pegou a parte maior que restara do faisão. Ele tinha quase se repartido em dois. Mas no que restava pude ver o anel branco do pescoço, as penas vermelhas, o verde-escuro da cabeça, e as listas brilhantes das longas penas da cauda. O irmão de Bob olhou para o pássaro morto e declarou que não valia a pena leva-lo para casa. Lançou-o então numa moita de amoreira preta.

Disfarçando o desapontamento e simulando coragem, tomei uma das longas penas e a enfiei no meu boné de caça. Mais tarde, sozinho em casa, estudei a pena. Não podia apagar a imagem daquele pássaro colorido, cuidando de seus interesses e alvejado sem um bom motivo. A estupidez irreparável de tudo aquilo me acabrunhou. Pus a espingarda no armário, vendia no ano seguinte e nunca mais cacei.

 

                                                          -Gerald R. Winslow

* Depoimentos retirados da revista Diálogo Universitário, volume 14, nº 2, p. 9 e 10.
Hosted by www.Geocities.ws

1