MINISTÉRIO DA ECONOMIA
Seu Presidente
Sua Excelência mostrou que é de fato
Agora tudo vai ficar barato
Agora o pobre já pode comer
Até encher
Seu Presidente
Pois era que o povo queria
O Ministério da Economia
Parece que vai resolver
Seu Presidente
Graças a Deus não vou comer mais gato
Carne de vaca no açougue é mato
Com o meu amor eu já posso viver
Eu vou buscar a minha nega
Pra morar comigo
E sei que agora não há mais perigo
Porque de fome ela não vai morrer
A vida estava tão difícil
Que eu mandei a minha nega bacana
Botar os peitos na cozinha da madame em Copacabana
Agora eu vou buscar a nega
porque gosto dela pra cachorro
E os gatos é que vão dar gargalhadas
de alegria lá no morro miau miau.
A música questiona as propostas feitas pelo Presidente da República, Getúlio Vargas, eleito em 1950, após ter sido presidente desde 1930 até 1945, quando foi deposto, sendo que agora retorna ao governo eleito pelo voto popular.
O autor carrega a letra de toda sua música com muita ironia, referindo-se a situação que supostamente deverá ser resolvida pelo novo governo, do pobre que passava fome, e que agora terá comida.
Seu público alvo seria a massa da população mais pobre, que vivia a situação colocada em seu cotidiano; evidencia as diferenças sociais (o pobre e a madame de Copacabana), étnicas(nega), a realidade enfrentada pelos moradores do morro, as promessas feitas por candidatos à eleição, de melhorar a situação dos menos favorecidos, e até mesmo, embora ironicamente, a esperança de que essas promessas se realizem.
Geraldo Pereira era mineiro, de Juiz de Fora, nascido em 23 de abril de 1908. Era compositor de sambas, e compunha para a escola de samba Estação Primeira de Mangueira.
Em suas músicas, procurava mostrar o cotidiano carioca, a mulher e o homem do morro, as diferenças de classes, e a sua forma de ver o país em que vivia, da década de 40 e 50. Foi motorista de caminhão de lixo, e morreu 05/05/1955, aos 37 anos, numa briga com a figura legendária Madame Satã.
Suas músicas foram gravadas por vários intérpretes ao longo do tempo, fazendo sucesso na Bossa Nova, e entre elas, podemos citar Bolinha de Papel, Escurinha, Pisei num Despacho, Já tenho outra, Sem compromisso.
Quanto a utilização didática da música, pode ser usada pelos professores, para analisar sua letra, em relação ao governo de que ela fala, partindo para um estudo de quais foram as principais propostas feitas por ele à população e como foi essa administração de Getúlio, até mesmo estabelecendo um contra ponto entre esse segundo e o seu primeiro governo, analisando a situação política-econômica que se enfrentava no momento, principalmente nas classes menos favorecidas.
Outra proposta é que se aborde concomitante a isto, o estilo da música, que posição de aceitação da música popular havia no momento, qual era seu público alvo, uma vez que foi composta na década de 50, em que o rádio era o principal meio de veicular-se a informação, principalmente entre as camadas mais baixas da população, levando-se em conta o índice de analfabetismo.
Além disto, pode-se tentar contrapor o que esta música mostrava em relação às propostas dos governos, naquela época, e o que os candidatos a qualquer cargo político fazem no que diz respeito a essas propostas e, principalmente, qual a expectativa da população em relação a elas. Sobretudo, essa canção permite vislumbrar que, diferentemente do que quer fazer crer uma parte da historiografia oficial, a administração de Vargas não foi isenta de questionamento e crítica populares, com o que se pode colocar em questão a imagem de "pai dos pobres"
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Acadêmicos:
Cláudia Regina Lopes, Leandro Oteka, Liliana Guimarães Amaral, Maristela Sant’Ana de Oliveira