A MENINA PRESIDENCIA
Marcha de Antônio Nássara e Cristóvão de Alencar. (1937)

O ritmo da música A Menina Presidência foi retirada da experiência do cotidiano popular, com forte poder de comunicação, uma rica fonte para atingir o espaço urbano, em construção social, política em ação social e transformação. O gancho está na paródia da cantiga popular Terezinha de Jesus:

 

A Menina Presidência,
Vai rifar seu coração
E já tem três pretendentes
Todos os três, chapéu na mão

( e quem será ? )

O homem quem será ?
Será seu manduca ?
Ou será seu Vavá ?
Entre esses dois meu coração balança
Porque na hora H
Quem vai ficar é seu Gegê

Agora todo mundo dá palpite
Mas eu sei que no fim
Ninguém se explica
É melhor deixar como está
Pra depois então se ver
Como é que fica.

A conjuntura pré-eleitoral de 1937 começava a verificar a presença de alguns candidatos, que representavam diferentes forças políticas, sociais e regionais. Como a "Terezinha de Jesus", os compositores identificam três pretendentes: Seu Manduca (Armando de Salles de Oliveira, líder de uma modernizada oligarquia paulista, que chegou a se aliar a Vargas, buscando retornar ao poder central), Seu Vavá (Oswaldo Aranha, homem de confiança de Vargas e portanto dos setores sociais que apoiaram o regime provisório e o mandato constitucional de Vargas e... o próprio Vargas! Essa "suspeita" numa música popular deixa claro que o golpe do Estado Novo não foi uma surpresa, mas uma idéia sistematicamente construída: havia clareza de que Vargas não pretendia deixar o poder, embora as eleições presidenciais de 1938 estivessem à porta. A canção pode ser usada como documento de época, demonstrando uma leitura da conjuntura pré-Estado Novo. Os elementos para compreender o que a música quer dizer podem estabelecer um panorama do período.

 

Acadêmicas:
Cléia Ap. N. Silvia, Irene Telles, Josiane Ap. Czelusniak

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