O NEGÓCIO É CASAR
Veja só
A minha vida como está mudada
Não sou mais aquele
Que entrava em casa alta madrugada
Faça o que eu fiz
Porque a vida é do trabalhador
Tenho um doce lar
E sou feliz com meu amor
O Estado Novo
Veio para nos orientar
No Brasil não falta nada
Mas precisa trabalhar
Tem café, petróleo e ouro
Ninguém pode duvidar
E quem for pai de quatro filhos
O presidente manda premiar
É negócio casar ...
Comentário da Música
O negócio é casar: (negotócio) negação do ócio, ou seja o trabalho, casamento ligado à idéia de trabalho, responsabilidade, vida regrada e manutenção da ordem. O sentido duplo negócio uma coisa rentável ligada à idéia do salário família para quem tivesse mais de quatro filhos.
O autor tenta convencer o destinatário das vantagens de adequar-se ao figurino de "trabalhador", "homem de família". Exalta-se o malandro regenerado exaltado.
O contexto histórico em que se situa a música é o auge do Estado Novo e da política trabalhista de Getúlio, indicado por muitos como uma tentativa de elite de mascarar as diferenças de classes e contornar seu conflito. Tenta desmoralizar os feitos políticos anteriores, o país vive um profundo estado de patriotismo instigado pela propaganda política da época que não aceitava idéias estrangeiras, o país era tido como auto-sustentável. Getúlio era tratado pela propganda como herói, uma figura ao mesmo tempo distante e próxima, pertencente ao povo, mas ao mesmo tempo superior. Nesta época são elogiadas sua medidas como por exemplo o salário família, e o rádio, por ter forte influência para a grande massa no país, foi o principal meio de divulgação de tais idéias. Assim, as músicas de exaltação do Estado Novo e do comportamento esperado dos cidadãos constitui-se num importante recurso de convencimento das massas.
Histórico Estado Novo
A época do Estado Novo, em que a reconstrução da identidade nacional tornavam-se centrais nas políticas governamentais, a boêmia, a vagabundagem, a malandragem, tão exaltadas pela produção musical popular anterior. já não serviam mais. O trabalho era glorificado como algo que edificava: é fácil ver isto na música, uma desvalorização do que de certa forma imperava nas obras musicais até então.
A rádio no Brasil nasceu a partir da elite que preocupava-se com grandes óperas e planos rebuscados. No início os aparelhos eram todos importados, caros portanto, faziam com que a programação se voltasse para as elites ainda que de forma amadora bancada por clubes e sociedades compostas de pessoas que empregavam dinheiro no rádio através de doações ou mensalidades. Na década de 30, com a propaganda, o rádio começaria a auto-sustentar-se, podendo determinar uma programação voltada para as classes mais baixas da população.
A preocupação em tornar esse vínculo de informação mais acessível estava na necessidade dos anunciantes vender seus produtos.
Numa época de nascimento de indústrias nacionais que precisavam escoar sua produção, nada melhor que um veículo que atingisse o maior numero de pessoas possível. Os empresários perceberam que o rádio era muito mais eficiente que os meios impressos fazendo dele um veículo manipulador de opinião.
Mas não só de propaganda comercial viveu o rádio no seu início: a propaganda política também foi muito usada principalmente durante o governo de Getúlio Vargas que através de uma linguagem coloquial procurou persuadir as classes subalternas de sua visão de mundo, de Brasil, de civismo. E para que isso acontecesse fazia-se necessário que essas idéias fossem simplificadas e repetidas para que fossem absorvidas. As canções compuseram um meio privilegiado para isso.
Dinâmica
Acadêmicos: Vinicius Faedo, Marcos P Moreira, Lucio Mauro de Oliveira, Luciane.