Poesia

 

 

Desnorte 

 

Eu vagueio pela vida

Sem bússola de orientação.

Não tenho ponto de partida,

Nem bóia de salvação.

No mar calmo ou entre escolhos

Contra ventos e marés.

Faço eu as minhas escolhas,

Com a cabeça ou com os pés.

 

Por vezes pergunto à vida:

Porque me fazes isto a mim.

E a resposta é sempre a mesma:

És tu quem me faz assim.

 

Navego na cidade,

Trago três marinheiros,

Em busca de liberdade

Da fadiga prisioneiros.

Somos um pequeno bote

No meio de grande frota.

É o destino que me empurra,

Mas sou eu quem traça a rota.

 

Por vezes pergunto à vida:

Porque me fazes isto a mim.

E a resposta é sempre a mesma:

És tu quem me faz assim.

 

Pedro Farinha – Setembro 2000

 

 

 

O poeta

 

Sob a névoa,

E a podridão latente

Se deslocam

Poetas nocturnos

Que dançam

Douradas danças

De palavras

Que tornam o podre

Em ouro

Ouro sem quilates

Do mais puro

Aquele que não se vê

Que existe em nós

Como o oxigénio

Que irradia da floresta

Aquele que eu escrevo

Esse que não vês

Quando olhas para mim

Mas sentes

E gostas

E lês

 

Nuno Travanca – Julho 2001

 

 

Não me digas que o amor é um rio sem regresso

Que se irá perder em longínquas planuras

Não receies o fluir da vida no seu curso

Nem me queiras poupar as lágrimas futuras

 

Aceita o risco, a incógnita, o sonho como guia

Sabe que nem tudo é certo e que nem tudo falha

Acredita na força da coragem na vida

Aprende a viver no fio da navalha

 

Olha-me assim nos olhos sem promessas nem medos

Se à escala do universo a vida é um instante

Talvez que a eternidade caiba todo no momento

De sentir na minha pele o pulsar do teu sangue

 

 

   

 Lena Valente  - Agosto 2001

 

 

 


 

Azul imenso

No seu azul imenso

Repousei o meu olhar

Nesse mar que me envolve

Nesse oceano que me prende

 

Aquela linha lá ao fundo

Que tantos sonhos elevou

É a mesma linha que as minhas asas cortou

 

Não te olho com mágoa

Sobre ti não derramo as minhas lágrimas

Os sonhos são eternos

E a cada novo dia a esperança renasce

 

Por vezes sinto-te tão perto

Por vezes não me deixo ficar

Fecho os olhos e transponho

Quebro os limites e por ti viajo

 

Nesse azul imenso

Tudo pode acontecer

A inspiração nasce e a vida acontece

Sinto-me livre como um pássaro

O mundo escancara-se na minha frente

E pouso em cada porto

Até sentir que a minha ilha é onde quero ficar

Até sentir que basta-me te olhar e ... continuar a sonhar!

 

Susana Fernandes – Julho2002

 

cada ilha é única, quer tenha orquídeas
quer tenha hortenses
cada ilha tem o seu perfume,
e num quadro pintamos o verde e o azul, salpicado
de saudade de almas outrora vindas e desavindas
de uma terra qualquer, de um continente ou quiçá
de outra ilha, onde os carteiros, das boas novas...
e das más também, são gaivotas que voam além mar
e aquém terra, salpicando de branco esse azul celeste
que parece se fundir, no mar, e nos penhascos, rodeados de azul
escarpadas serras, com praias de areia preta, onde brilha a saudade,
como as estrelas que contemplo no céu.

 

Cristina Augusto - Agosto 2003


 

 

Que o mar não fique longe
que a mão lhe possa chegar.
 
 
Que fazer
a esta porção de alma que me caiu no coração?
 
O amor é uma ave a tremer,
nestas minhas mãos
onde já não ouço a música das tuas.

 
 

 Miguel Antunes - Setembro 2003
 
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