À conversa com...

Sandra Costa


Pedro Farinha - "Sob a luz do mar" é o teu primeiro livro de poesia, no entanto já tinhas um site onde publicavas os teus poemas e também os "recitavas" em canais de irc. Até que ponto é que a internet foi importante para este teu livro, ou são duas coisas completamente distintas para ti ?

Sandra Costa
- São e não são. A internet foi importante para este livro porque foi um dos lugares onde ele nasceu, como reflexo de interacções e partilhas que foram surgindo ao longo do tempo. Novos autores com quem contactei pela primeira vez e que me mostraram (e ainda mostram) tantos mundos, tantas imagens a descobrir e, acima de tudo, um sem número de partilhas e espaços de afectos que foram fundamentais para a minha poesia. Não me expandi por muitos lugares virtuais. A minha página pessoal funcionava (agora menos) como ponto de reencontro e partilha com outras pessoas que também tinham na poesia uma forma de ser e estar. A internet acabou por ser um outro papel, onde alguns poemas foram transcritos porque essa era forma de os dar a conhecer a outros.

Pedro Farinha - E agora que publicaste este livro, até que ponto achas que o facto de já teres presença na internet te está ajudar a vende-lo ?

Sandra Costa - Não faço a mínima ideia como estão as vendas, uma vez que não contactei a editora sobre o assunto. Sei apenas das situações que os amigos me transmitem. A internet é uma janela para o mundo, se contacto com mais pessoas a partir dela e se a minha poesia lhes toca poderá, de facto, ser um factor propiciador de mais vendas do 'Sob a luz do mar'. Neste contexto, foi uma montra importante o fórum Bibliotecl@ do portal Sapo.



Pedro Farinha - Mas a poesia apareceu na tua vida antes da internet, suponho. Há quanto tempo começaste a escrever ?

Sandra Costa - O desejo da escrita cresceu comigo, com o gosto pela leitura. Não sei precisar um tempo, escrevo desde "menina e moça" embora quase nada conserve desses tempos. O sonho era ser escritora e identificava-o com a prosa mais do que com a poesia, no entanto, eram poemas que saíam quase sempre e em muito menor número os contos. Um maior envolvimento, dedicação, aperfeiçoamento, convivência com a escrita surgiu nos últimos três, quatro anos. Poesia sempre, e só a espaços a prosa, através de contos. Mas dos tempos de juventude só ficaram dois ou três poemas e um conto que ainda considero muito bonito, 'O velho contador de histórias'.

Pedro Farinha - Este livro tem uma temática recorrente, o mar, a luz sobre o mar, o corpo e mesmo este sempre ligado ao mar. Toda a tua poesia recai nesta temática, ou propositadamente escolheste os poemas desta linha de pensamento, ou nada isto e os poemas que compõem esta tua obra foram já escritos com o fim de se tornarem um livro. conta-me um pouco, afinal, como nasceu este livro...

Sandra Costa - Todas as coisas têm uma história e este livro também tem. Há um ano e tal, motivada pelo incentivo de amigos e pelo sonho crescente de um dia ver um livrinho meu por aí, lancei-me à tarefa de organizar os poemas que tinha com o intuito de enviar alguns projectos às editoras. Sempre escrevi ao sabor do que os dedos ditavam, os olhos, a música, as imagens, os afectos... O mar surge naturalmente (ciclicamente) na escrita porque faz parte de mim, ainda que eu tantas vezes lhe seja infiel... Desse trabalho de organização e de aproximação temática resultaram três temáticas: luz, mar e corpo... Daí «Luminosidades», «Da maresia» e «Geografia(s) do corpo». Enviei os três a várias editoras, em cadernos separados, como se fossem três possíveis livros. Às tantas, a Campo das Letras contacta-me para enviar os trabalhos ao concurso de apoio à edição do IPLB e eu aceitei, naturalmente. Depois fui uma das seleccionadas e assim nasceu o «Sob a luz do mar».

Pedro Farinha - E agora que já concretizaste esse teu sonho, o da publicação, tens já projectos concretos para o futuro... ou tudo isto é ainda muito recente e aguradas feed back da editora ?

Sandra Costa - Projecto é continuar a escrever e a escrever. Nada mais de concreto neste momento. Tenho apenas um conjunto do poemas organizados, ao qual dei o nome «Dias de poesia» mas ainda não me debrucei a sério sobre todos os outros poemas posteriores ao «Sob a luz do mar». Um dia destes voltarei a "incomodar" as editoras.

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