Entrevista a
José Luís Peixoto
José Luís Peixoto, autor de "morreste-me", de "Nenhum olhar" e de "A criança em ruínas", tem um site na net onde concede Entrevistas virtuais. As letras de Paganini não puderam deixar escapar esta oportunidade e colocaram três questões a José Luís Peixoto.
Pedro Farinha :
Os teus três livros publicados, "Morreste-me", "Nenhum olhar" e "A criança em
ruinas" têm em comum a dor e o sofrimento. Sei que estás a trabalhar num novo
romance, será possível nele vermos um José Luís Peixoto mais optimista
?
José Luís Peixoto :
Talvez por superstição, não gostava ainda de falar no meu novo romance.
Posso,
no entanto, garantir que será publicado em meados de Outubro deste ano. Terá uma
história de amor no centro do enredo.
Pedro Farinha :
No
teu romance "Nenhum olhar" apenas os homens possuem nomes próprios e todos eles
são biblícos, foi uma opção feita por ti à partida ou foi algo que foi
acontecendo ao longo da elaboração do teu livro?
José Luís Peixoto :
Foi
uma ideia que nasceu praticamente ao mesmo tempo da ideia fundadora do romance.
No que diz respeito à opção de nenhuma mulher ter nome, tentei, através dessa
falta de identidade das personagens femininas, exprimir a visão que tenho de
como as mulheres, ainda hoje, não são tratadas de uma forma igualitária na
sociedade. No entanto, não consegui resistir à tentação de tentar retratar a
força que a maioria das mulheres tem para utrapassar as dificuldades que a vida
e a sociedade põem no seu caminho.
Quanto aos nomes bíblicos dos homens, cada
um tem a sua ideia específica por trás. Trata-se da tentativa de traçar um
paralelismo com a Bíblia. Sendo essa relação muitas vezes
irónica.
Pedro Farinha : Como
sabes eu tenho um site na net, As letras de Paganini
(www.geocities.com/letraspaganini), onde são divulgados livros e autores, tu
criaste o teu próprio site na net, até que ponto achas que a internet pode
ajudar a divulgar a literatura?
José Luís Peixoto :
Penso
que pode ser um intrumento com cada vez maior importância para a divulgação da
literatura. A importância crescente da própria internet faz com que seja assim.
A prova disso conhecem-na aqueles que estão a ler esta entrevista e que não a
poderiam ler de mais nenhuma forma. A prova disso, para usar um exemplo próximo,
é a própria existência desta entrevista neste formato.
A Internet, muitas
vezes vista como um adversário da leitura, é, na minha opinião, um complemento à
leitura de livros. Ou não fosse a Internet uma "biblioteca" gigante, sempre
aberta, sempre próxima e cada vez mais acessível.
No caso de Portugal, a
Internet poderá ser, por exemplo, uma possibilidade interessante de conseguir
mais proximidade com os restantes países onde se fala a língua portuguesa.
Poderá ser uma forma de conhecer os seus autores e de dar a conhecer os nossos.
Pedro
Farinha