O curso de Letras já foi considerado
um reduto feminino. Era o tempo das professoras de idioma. O cenário
mudou. Fluência em várias línguas, no mundo globalizado,
abre inéditas perspectivas de trabalho. Exemplo: a consultoria em
lingüística, para projetos de comunicação interna
em empresas, reanima um setor que ainda atrai muitos candidatos ao vestibular.
Novos caminho também são explorados, como a consultoria de
estilo e uso correto da língua para profissionais de outras áreas
e a montagem de glossários técnicos. A formação
e organização de bancos de dados em empresas é outro
excelente nicho de trabalho.
A terminóloga Nádia Dalla Déa é uma das pioneiras
nessa área. Especializou-se em traduções de textos
de saneamento e monta glossários para facilitar a comunicação
em empresas multinacionais. "O mercado procura profissionais híbridos,
que dominem a língua e tenham especialização
num campo técnico", explica. Pós-graduação
cai bem no currículo. Experiência no exterior, idem. "O que
falta não é emprego, mas reciclagem profissional", diz Nádia.
Se o diploma em letras persistir no formato tradicional da carreira, até
pode ter vocação forte para o magistério, terá
que se contentar com modestos ganhos. Um professor em início de
atividade recebe cerca de R$ 800 e não vai muito além dos
R$ 2.500, no fim do percurso. Tradutor ou terminólogo começam
com R$ 1.200. Chegam a cobrar R$ 10 mil, ou mais, por projeto.
Salário Inicial:
de R$ 800 a R$ 1.200
Requisitos:
Interesses por outras culturas e capacidade de passar conhecimentos.
Mercado:
em expansão em multinacionais e no setor editorial.
Fonte: Revista Época,
9 de outubro de 2000.
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