Entrevista
com Héctor Othon (Astropsicodrama)
Yubertson: Héctor, como você percebe a Astrologia?
Héctor: Para mim, praticar Astrologia é tentar identificar
e viver os Astros em mim mesmo, nas pessoas, na realidade. Identificar e viver a
manifestação do Céu em todo lugar...
Quando conheço alguém, fico atento e não paro até identificar onde a
pessoa manifesta o Sol de nascimento, a Lua, Mercúrio, Vênus... Todos os
astros. E quando identifico é aquele prazer...
Aí vem os perigos... Posso reduzir a qualidade de meu relacionamento com
a energia planetária ao conceito que tenho dela. Já me surpreendi feito um
papagaio colocando rótulos nas pessoas que recebem minhas interpretações de
mapas. Já escrevi páginas e páginas desenvolvendo teorias que estão
desligadas da fonte que me inspira.
Para não sofrer desses desencontros, me vigio para estar sempre
consciente que os astros em nós são entes vivos, e, na verdade, a palavra
astrológica deve ser lida como metáfora, como imagem, como sinal mutante e
nunca como conceito acabado, como definição fechada.
Os entes astrológicos são uma espécie de canais de fluxos. O canal
pode ser identificado e nomeado; o fluxo é sempre uma surpresa.
Yubertson: O que te moveu e como foi o seu encontro com a
Astrologia?
Héctor: Fui inspirado no intento de desenvolver técnicas e
procedimentos que facilitem a nossa relação com o Mapa Natal e suas dinamizações,
assim como nossa relação direta com os Astros, o Zodíaco e as Estrelas.
Aos 15 anos, Plutão transitava em conjunção ao meu mercúrio natal em
Virgem na Casa 9 – o que desencadeou uma necessidade obsessiva de
conhecimentos metafísicos e de experiências não-ordinárias.
Nesses anos, minha visão de mundo rompeu e a minha necessidade de
encontrar uma Ordem iniciou a todo vapor as suas buscas. Passei minha adolescência
e juventude buscando viver e revelar os mistérios da Natureza e da Vida.
Estávamos no início dos anos 70, Paz e Amor, no mundo e em Cuba (meu país
de origem). Vivíamos o auge da Revolução. Li os gregos e os filósofos clássicos,
estudei ciências, experimentei religiões e práticas mágicas. E enquanto mais
andava, menos encontrava – e minha ansiedade crescia.
Minha mãe, preocupada, me levou a um psiquiatra que me deu um psicotrópico
para parar de pensar... Aí tive a minha experiência alucinógena. Quando
tomava a pílula, entrava numas espirais; ficava muito louco... Pedi a minha mãe
para parar com o tratamento.
E
a Vida me levou a um psicólogo. Quando o encontrei, contei por umas duas horas
o meu drama. Ele me escutou e, quando terminei de falar, me deu o livro Teoria
da Relatividade, do Einstein, para estudar por uma semana.
Tentei
ler, mas não entendia a metade das coisas – muito menos a linguagem que era
usada: “cálculo diferencial e integral.”
Quando
me encontrei com ele, contei-lhe a minha dificuldade. Ele me disse: “meu
filho, as questões que você me falou na semana passada são ainda muito mais complexas
que o que tenteou entrar em contato com a partir desse livro. Vai necessitar de
muita paciência, perseverança e sorte para poder tentar chegar às respostas
que você tanto quer... Eu te ofereço a minha biblioteca, a minha música e a
minha amizade. Bem vindo ao clube dos pesquisadores, dos amantes dos mistérios.”
Que
esteja na Paz dos Céus o amado Dr.Martinez.
Desse
momento eu percebi que o caminho não era fácil, que já existiram muitos
estudiosos e pesquisadores dos mistérios, mas que ele continua e continuará...
E que meu caminho de encontro com a revelação, com a Paz, com a Consciência,
era só meu.
Desde
então iniciei relacionamentos diretos com aquilo que estudo e assim foi com a
Astrologia: tive o meu primeiro encontro com a Astrologia.
Yubertson: E como foi este primeiro encontro, Héctor?
Compartilhe conosco em detalhes.
Héctor: Lamentavelmente, meus conhecimentos de Astronomia e
meu senso crítico tacharam a Astrologia com fundamento vago.
Na época, não consegui aceitar a possibilidade de um vínculo tão
forte entre o Sistema Solar e a vida na Terra.
Sempre fui do tipo experimentador: sou Sol em Virgem, conjunção com
Plutão na Casa 8; Ascendente em Capricórnio. Assim, só me permito a viagem
mental quando sinto a conexão via coração/essência entre mim e o objeto de
estudo.
Decidi iniciar meus estudos pelas ciências naturais, me forme em Física,
mas paralelamente não deixei de acompanhar o que estava sendo desenvolvido nas
ciências sociais e a filosofia que se praticava em Cuba, lamentavelmente
fechada a produção dos intelectuais capitalistas
Mas o caminho das ciências, ainda que belo, não me satisfazia. Percebi
que o que eu buscava, ainda não o tinha alcançado.
A Física descreve as leis da Natureza, mas não explica suas origens...
As ciências naturais não chegaram ainda ao entendimento do mistério da vida
que é o verdadeiro das minhas pesquisas.
Na atualidade, 30 anos depois, está quase chegando.
Com 23 ano, fui estagiário do Departamento de Filosofia da Academia de
Ciências de Cuba quando entrei novamente em contato com a Astrologia...
Eu era Militante Comunista e minha visão do mundo era uma mistura de materialismo
dialético com umbanda e xamanismo intuitivo.
Na época, aproximava-se o Festival Mundial da Juventude: os jovens do mundo
pela primeira vez iriam se encontrar na Cuba revolucionária.
Pela ocasião, desceu do PCC uma diretriz pela qual tínhamos que nos
preparar ideologicamente contra o misticismo e a religiosidade em moda no
exterior e assim fomos iniciados no conteúdo das principais teorias e práticas
espiritualistas e esotéricas, apreendendo argumentos para refuta-las.
Agora, ao preconceito da Ciência contra a Astrologia somava-se o
preconceito ideológico.
Fui iniciado na Astrologia exatamente a partir dos argumentos de seus críticos
mais radicais, os quais somavam as incongruências lógicas com as ideológicas.
Tipo:
Críticas das Ciências Naturais: proporções físicas e distância
relativa incoerente com a força do vínculo que se pressupões que exista entre
os astros e nossa vida para justificar os argumentos astrológicos
Descrédito histórico da Astrologia
A Astrologia não ocupa lugar de destaque em nenhuma universidade do
mundo e suas argumentações são totalmente baseadas em princípios que não
podem ser demonstrados pelos conhecimentos atuais da ciência.
Pelo seu tempo de existência, se certa, ocuparia um lugar de
reconhecimento na sociedade. Por que ela não é reconhecida nem pelas ciências
naturais, nem pelas ciências do psiquismo, nem sequer pela maioria das religiões
oficiais?
(assim pensava na época) A sua prática se mantém porque corresponde às
ilusões de pessoas carentes, desequilibradas, sem cultura e sem educação, vítimas
de uma sociedade corrupta e perversa que alimenta o obscurantismo para ter
dopado a seus membros
Incongruências teóricas
Diferença de Constelação com Signo
Yubertson: E como você conseguiu vencer esses argumentos?
Hécthor: Na verdade, a Astrologia vai tecendo-se no tempo,
misturando observação de coincidências e revelação.
O processo de elaboração de conteúdos em Astrologia parece ser mais comandado
pelo transe e a revelação que o processamento estatístico de verificação de
relações entre os ciclos planetários e a vida na Terra.
Eu, como grande parte da sociedade moderna, tinha sido vítima das limitações
da visão materialista e mecânica do mundo que começou a reinar desde o século
XVII com o desenvolvimento das ciências naturais. Quando compreendi esta
verdade, diminuí meu senso crítico e comecei a ver com outros olhos a
Astrologia.
Os Astrólogos cubanos que conheci eram do tipo intuitivo mediúnico. A
maioria praticava a astrologia horária. Uma vez tive o privilégio de me
consultar com um deles e realmente não dá para perceber qual é a lógica de
suas interpretações e previsões, eu senti que a mandala falava para ele.
Perguntei-lhe qual era o método dele.
E ele me respondeu: “miro para el mapa, después miro para la persona
y ahi las ideas comienzan a fluir...”
É difícil entender como é possível falar em nome
dos astros com tanta intimidade e ao mesmo tempo ser tão ignorante das
qualidades dos mesmos ao não ter nenhum canal de relação com eles, pelo menos
a nível consciente. Assim como afirmar descrições da personalidade humana sem
conhecer psicologia, e até fazer presságios sem resguardo de uma religião ou
prática mágica com cacife de dar conta das implicações energéticas das suas
revelações...
Os Astrólogos eram, para mim, doidos irresponsáveis e perigosos que
deveriam ser proibidos de agir. Cansei de ter que acalmar pessoas vítimas de
presságios, tipo seu filho pode morrer, você vai ter uma desgraça, etc.
Fiquei desiludido com a informalidade e a falta de responsabilidade da prática
da Astrologia que tive contato. No entanto, algo me falava que não era para
desistir da Astrologia.
O bicho tinha me picado e a possibilidade da existência de um vínculo
estreito da vida com o sistema solar me agradava. Vencendo o preconceito,
seguindo a voz interior, continuei a observar os procedimentos dos astrólogos e
concluí, definitivamente, que a parte física não era o elo.
Os astrólogos estão conectados a elos sutis que a maioria deles nem
mesmo sabe.
Yubertson: Explique-nos melhor, Héctor.
Héctor: Comecei a perceber que a Astrologia faz parte de
outro paradigma. Hoje sei que a Astrologia vê a vida de uma forma orgânica,
holística, sustentada por campos de forças espirituais, anímicas,
inteligentes, que reinam nos céus e propagam sua Ordem nos diferentes graus de
manifestação da vida, onde o humano e o divino compartilham a mesma essência
e a mesma Ordem.
Os Astros podem ser vistos como os corpos associados a essas forças anímicas,
vista pelos antigos como os deuses planetários, que assim como no céu, existem
dentro de nós, participando de um Universo vivo, cujos ritmos e ciclos estão
interligados.
Os Astros em nós se expressam como funções da personalidade. Eles
representam os princípios ativos mais importantes que, simultaneamente, formam
o caráter e motivam todos os tipos de auto-expressão, em todos os níveis
(mental, emocional e físico).
Em termos antigos, os planetas simbolizam os deuses que devem ser
adorados. As presenças dos Astros podem ser reconhecidas e receber a devida
atenção. Assim, a energia essencial delas pode ser conscientemente dirigida.
Se não temos percepção dessas forças em nossa vida, então estamos à mercê
delas. Dá para viver sem esta discriminação. Mas viver com elas é mais
risco.
Yubertson: E o encontro com o Astropsicodrama especificamente,
como foi?
Héctor: No ano de 1987, minha mestra em Psicodrama, amiga
querida, não acreditando que eu ainda não tinha experimentado a interpretação
do meu mapa, contratou uma astróloga e me ofereceu de presente a sua leitura.
A primeira leitura já foi em cima do palco de psicodrama.
Quando entrei em contato com meu mapa, percebi que existia realmente uma
relação da minha vida com o céu, e que o mapa era uma mandala de poder fantástica!
Esta constatação foi de um prazer e força indescritíveis...
Não existe fenômeno natural mais fascinante que este... E, a partir
desse momento, entrei em uma obsessão com a Astrologia, comprovando, quanto
mais estudava, que somos Um com os Astros e que ela era a ciência-arte que
estava buscando.
Na ocasião, estava me formando como psicodramatisa, e minha vocação
pela ritualística já me levou desde o início a usar o jogo dramático e o
psicodrama como técnicas facilitadores do aprendizado dos conhecimentos e
informações astrológicas... E o mais importante: como se fosse apropriar,
como processar, como administrar essas informações.
A Astrologia foi revelada assim para mim: no palco, na vivência...
Yubertson: Você pode dizer-nos como é a prática no
Astropsicodrama?
Héctor: O Astropsicodrama foi a alternativa que tive para me
relacionar com os astros. E a prática de decifrar a evolução das suas
configurações é um método que satisfez minha necessidade de vivenciar os
conceitos astrológicos, bem como para processar as mensagens que se desprendem
das suas configurações na minha psique, na minha alma. Muito mais quando
passei a assessorar a outros. Não conseguia ficar tranqüilo ao revelar tantos
conteúdos se não oferecia também a forma de processa-los.
Logo percebi que a situação astrológica dos astros pode ser associada
aos personagens internos. E que esses personagens, quando mapeados,
experimentados e conscientizados são verdadeiros eus interiores, cada um com
suas características, necessidades, idéias, vontades, possíveis de serem
identificados nos possuindo em determinadas situações da vida.
O Astropsicodrama estuda a dinâmica desta multidão interior de eus
definidos pelas funções planetárias e os pontos significativos do mapa natal
como reflexo das forças anímicas associadas aos astros e à Ordem que rege a
vida nos seus diferentes graus de manifestação.
Como o corpo é um só, os eus que nos povoam têm
que aprender a conviver e é o resultado desta dinâmica de grupo interior que
determina a harmonia na nossa vida.
A cada instantes somos possuídos por vários eus, formando um eu transitório.
Por exemplo: agora estão presentes vários eus meus, cada um com sua
particularidade: o “Professor Uereba” (que é fundamentalmente meu Mercúrio
em Virgem na Casa 9 que adora explicar e informar); meu eu amoroso (formado por
um grupo de eus correspondentes aos Planetas na Casa 8 e na Casa 7, os quais,
nestes momentos, tentam se relacionar diretamente com cada um de vocês,
leitores da Arcanum). Também está presente “Hético ou Hectorito” (a minha
inquieta e dinâmica lua em Áries em trígono com Plutão de Casa 8 regendo
Casa 11, me precipitando a falar o que sinto, sabotando o programado pelos meus
eus virginianos e capricorniano). Hético (Lua em Áries) fica doido quando o
professor Uereba quer entrar em detalhes excessivos ou se delicia com suas
descobertas e associações.
Estas cenas interiores podem ser trazidas para o palco e assim estudar as
melhores maneiras de convívio, detectando os pontos de conflitos e travamentos
que conduzem ao sofrimento, encontrando respostas criativas aos desafios.
Yubertson: Como os Signos, os Planetas e as Casas são
percebidos e vivenciados no astropsicodrama?
Héctor: O
ser humano pode ser visto como constituído de 12 faculdades básicas que
correspondem a cada um dos membros do sistema solar. A forma individualizada que
esta faculdade vai se expressar depende da situação astrológica do Astro do
Mapa Natal.
Ao
levar a cena uma situação astrológica, seguimos a seguinte guia: os Aspectos
e os ângulos astrológicos definem o enredo da cena, as Casas o cenário e o
ambiente, os astros e pontos significativos os personagens e suas falas, e os
signos e seus regentes o estilo dos personagens.
As
nossas relações com todos os planetas são vitais. Devem ser vistas com muita
atenção, porque sua compreensão nos permite entender as vozes e potências do
nosso interior.
Vejamos
agora com mais detalhes o que é Astropsicodrama e minha experiência com sua prática.
O
Astropsicodrama é uma técnica para facilitar a consciência da relação da
vida com os astros. O objetivo fundamental é revelar a potência e os desafios
que cada pessoa tem nos diferentes setores da vida, segundo o seu Mapa Natal, e
vislumbrar possíveis caminhos de realização e harmonização, sintonizado ao
momento de vida e ao contexto dos dinamizadores astrológicos (trânsitos,
progressões, direções, revoluções, lunações, etc.).
Num
mapa natal, cada planeta está posicionado num signo, numa casa e mantém
aspectos individualizados com o restante dos elementos do Mapa. Esta situação
astrológica configura determinadas características da personalidade do nativo,
as quais podem ser vistas como uma personagem ou eu diferenciado.
O
Astropsicodrama considera a pessoa como constituída de vários eus. Ao conjunto
dos eus interiores chamamos Olimpo Pessoal.
O
grande desafio de todo ser humano é conseguir harmonizar seus eus. Quando nos
observamos, desde este ponto de vista, vamos descobrir no nosso interior as
mesmas situações de dinâmica de grupo que observamos no exterior, entre as
pessoas.
Cada
eu tem sua personalidade distinta, suas características, seus desejos, sua
forma de ser e sua vontade; enquanto o corpo é um só. Nesta situação, os eus
interiores confrontam-se e lutam entre si, em busca de conquistar poder de
expressão. Uns oprimem com sua força; outros conquistam a liderança com sua
inteligência e magnetismo. No melhor dos casos, os eus conseguem um acordo
interior e, segundo as circunstâncias, age o mais adequado, tendo em conta as
potências existentes.
Imaginemos
uma pessoa que tenha que terminar um trabalho num belo fim de semana ensolarado.
No seu mapa natal, o sol está em Capricórnio, marte em Câncer e Lua em Gêmeos.
O
Sol em Capricórnio, por uma questão de responsabilidade e compromisso, vai
querer executar o trabalho planificado. Marte em Câncer, por outro lado, pode
estar ligado aos seus vínculos afetivos (quer visitar a família, curtir o seu
mundo interior, refletir sobre algum acontecimento que lhe provocou impacto) A
Lua, por outro lado, quer passear, desfrutar desses lindos dias, especialmente
de fim de semana, porque com certeza a semana deve ter sido uma chatice...
Então,
diante dessas vontades diferentes, o que fazer? Se a pessoa decide por uma
alternativa, as outras vontades vão continuar batalhando por conseguirem o que
querem.
Todos
vivemos essa situação – o que provoca um mal-estar interior, perda de
energia e possível auto-sabotagem no que se esteja fazendo. Daí a importância
de conhecer a voz de nossos eus interiores e o intento de conciliar as suas
diferenças, buscando uma maneira de viver que atenda às necessidades e desejos
de todos.
Yubertson: você poderia enumerar algumas amplitudes a serem
alcançadas pelo astropsicodrama?
Héctor: o Astropsicodrama pode ser usado para:
Entender o mapa natal. Existem diversas vivências e exercícios que
permitem estudar o mapa como um todo ou pesquisar sobre o significado do
posicionamento de determinado planeta e seu relacionamento com o resto do mapa.
Tem sido muito útil distinguir os eus associados aos diferentes astros.
Por exemplo, o eu correspondente ao Sol é básico para ter acesso a nossa
vitalidade, nossa disposição, nossa auto-estima. Pessoas com muitos aspectos
tensos envolvendo o sol natal têm dificuldade em estruturar suas vidas, e a
compreensão destas tensões ao Sol natal ajuda a fortifica-lo e conscientizar a
sua potência.
Entender os trânsitos planetários, as progressões e as direções que
estamos vivendo. Exemplo: podemos criar uma personagem com as características
do planeta em trânsito, e leva-la a contracenar com os eus interiores, os quais
correspondam aos planetas ativados pelo trânsito.
Aprimorar relacionamentos, estudando a Sinastria dos mapas das pessoas
envolvidas. Levando à cena os eus interiores das pessoas em relação, podemos
compreender os seus dramas e identificar caminhos de complementação e
harmonia.
Assim, a aplicação do Astropsicodrama ao Mapa Astral envolve a
conquista da consciência de identidade; entendimento e desenvolvimento das
potencialidades; identificação dos pontos fortes e dos pontos frágeis;
identificação dos diferentes eus que habitam; conciliação das diferenças
dos eus interiores; percepção do momento de vida em sintonia com os ciclos
planetários e as progressões e direções simbólicas; possibilidade de
planejar a vida segundo as forças planetárias, usando-as a favor de seus
objetivos e propósitos; consciência dos mecanismos de autosabotagem e liberação
dos circuitos neuróticos que nos levam ao sofreimento e provocam sofrimentos ao
outros; percepção de si, percepção dos outros, percepção de como os outros
nos percebem e como nos os percebemos; desenvolvimento da capacidade de expressão
e comunicação do participante, trazendo espontaneidade e criatividade.
Yubertson: Como é aplicada a metodologia prática do
astropsicodrama?
Hécthor: utilizamos o Psicodrama, o Sociodrama e os Jogos
Dramáticos para desvelar os conteúdos do Mapa Natal e suas ativações, assim
como para pesquisar situações de vida levantadas pelos participantes,
esclarecendo as tramas, enriquecendo a consciência das personagens, entendendo
situações, encontrando soluções para os desafios para, assim, processarmos
os conteúdos acordados.
Na dramatização de um Mapa Natal, assim como de Trânsitos, progressões,
direções ou sinastria, usamos o seguinte método:
Os Astros (luminares, planetas, asteróides) no mapa natal, bem como os
planetas da progressão, das direções e das revoluções planetárias
determinam personagens interiores do nativo. Enquanto que um planeta em trânsito
é visto como um personagem exterior ao nativo.
A caracterização do personagem segue os seguintes passos: As características
fundamentais do personagem são definidas pela função do planeta. Exemplo: no
caso de Marte, o personagem focaliza a ação, a tomada de decisões; no caso de
Vênus, o personagem focaliza o relacionamento, a auto-estima, o afeto, as
riquezas pessoais; no caso da Lua, as necessidades emocionais, a necessidade de
cuidar-se, de nutrir-se a si mesmo e aos outros.
O Signo onde se encontra o planeta aponta o seu estilo, o “como” o
personagem associado se comporta. Por exemplo: um marte em touro determina uma ação
com propósito definido, perseverante, às vezes de “cabeça dura”; enquanto
um Marte em gêmeos já seria uma personagem que gosta de diversidade, de fazer
várias coisas ao mesmo tempo.
Os Aspectos (ângulos interplanetários) determinam o enredo, o drama,
inspiram as falas dos personagens. Os Aspectos de um Planeta no Mapa Natal
explicitam os laços e o tipo de relacionamento que o personagem que lhe
corresponde tem com os personagens dos outros planetas.
As casas onde se encontram os planetas definem os cenários, o “onde”
acontecem os enredos e suas tramas.