Arcachon, 30 de dezembro 2000 - Edição nº5

Índice

- Editorial
- A quem devo contar que sou homossexual?

- Cartilha aos pais - Sentimentos e dúvidas.

- Militância gay, participar ou não? Porque?
- Últimas Notícias

- Especial: "Entrevista com um vampiro"


Editorial

Em plena virada do milênio, entrando no século 21, em plena era de Aquário, as pessoas ainda vivem se escondendo da sua sexualidade. Reflexo de uma cultura onde o diferente é visto como bizarro, onde a pessoa é valorizada pelo que ela possui financeiramente, pela cor que ela tem, pela religião que ela professa, pela opção sexual...lugar comum não?...Quantas vezes ouvimos essas mesmas palavras? Quantas vezes nós mesmos as pronunciamos? mas será que nós pensamos realmente assim? Será que nós mesmos não fazemos distinção das pessoas por causa da região onde ela mora, se é feio ou bonito, se é jovem ou velho...estamos o tempo todo optando e nem sempre é pelo mais "decente", pelo mais justo, pelo mais humano...O Les Petites Papillons traz nessa edição uma cartilha aos pais para entender e aceitar o homossexualismo dos seus filhos, traz também a coluna do sociólogo Roberto Walker sobre a militância gay e por fim uma entrevista com um micronacionalista que ainda não definiu a sua sexualidade. O Les Petites Papillons está sendo colocado a venda, os interessados podem procurar a editora do jornal.

Boa Leitura!!!

p.s.: Gostaria de agradecer a todos os jornalistas que votaram no LPP como Mençã Honrosa da AMI. Essa edição também é pra vocês.

 Desirée Loche           
Editor                 

A QUEM DEVO CONTAR?

Cada vez mais jovens estão aprendendo a se sentir bem consigo mesmos. Quanto mais você escultar seus sentimentos mais profundos e aprender o que realmente significa ser gay. Você vai começar a se sentir confortável mais com sua sexualidade. Esse processo se chama se assumir ou sair do armário

O primeiro passo para se assumir é contar para você mesmo que é gay e dizer "tudo bem". Mais tarde você poderá contar para alguém que seja proxímo e compreensivo. Você pode escolher um amigo ou um adulto. Provavelmente você quer conhecer outros caras da sua idade ou ter um relacionamento mais intimo. Alguns conseguem se abrir com suas famílias. Você deve decidir se e quando contar para eles.

Muitas pessoas, incluindo pais e mães simplesmente não entendem gays e são difíceis de se contar

No começo, tome cuidado com a escolha de quem deve saber. Mas é fundamental que você seja honesto com você mesmo. Da mesma maneira que você se paga um preço por se reprimir, existe uma recompensa quando você se assume. Muitos que aceitam sua opção sexual dizem se sentir mais calmos, felizes e confiantes.

"Não importa o que as pessoas digam, você é normal. Você nasceu com um propósito gay e apenas parte de sua vida".

 

CARTILHA AOS PAIS

AS PRIMEIRAS REAÇÕES DOS PAIS

É quase sempre um choque para os pais descobrir que seu filho é homossexual. Seja você pai ou mãe, tenha você um filho ou uma filha, tenha você sempre suspeitado ou ficado completamente surpreso com a descoberta; saber mesmo pode ser um choque. Os sentimentos que mexem com você são fortes e confusos. No início, você pode não conseguir falar sobre isso sem lágrimas e raiva. Toda família é diferente e todo caso é único: um pai pode descobrir por acaso, outro pode ouvir diretamente do filho, um terceiro pode receber um telefonema ou uma carta. O filho pode ser um adolescente ou um adulto, ter aceito sua sexualidade ou estar mal com aquilo que realmente é. Os pais podem estar prontos para ouvir ou podem reagir se afastando. Para todos, contudo, existem preocupações e dúvidas comuns.

PORQUE ELE NOS CONTOU?

Muitos pais acham que seriam mais felizes se não soubessem. O que você precisa perceber é que, sem saber, você nunca poderá conhecer realmente seu filho. Uma boa parte da vida dele ou dela vai ficar escondida e você nunca vai conhecer todo o ser humano. O fato de seu filho ou de sua filha ter lhe contado é um sinal do seu amor e da sua necessidade de compreensão. Afinal de contas, quem deveria saber senão você? Nenhuma outra minoria precisa esconder dos seus próprios pais aquilo que a faz "diferente".

PORQUE ELE FEZ ISSO COM A GENTE?

Esse sentimento é baseado na idéia de que ser homossexual é uma questão de escolha e que existe uma decisão consciente, feita talvez para machucar os próprios pais. Na realidade, homossexuais não escolhem sua orientação sexual - eles simplesmente são aquilo que são: a homossexualidade é sua verdadeira natureza. A única escolha que a maioria das lésbicas e gays têm é de ser honesto ou de esconder quem realmente são. Esconder-se demanda um tremendo esforço. Significa viver uma mentira, dia após dia. Que pais desejam que os filhos vivam desta maneira?

ONDE FOI QUE NÓS ERRAMOS?

A maioria dos pais se sente culpada quando descobre. Psicólogos e psiquiatras nos ensinaram por muito tempo que o que o filho se torna é "culpa" dos pais. Na verdade, nenhum pai tem todo esse poder sobre seu filho. Homossexuais são encontrados em todos os tipos de família, nos mais variados meios, com as mais variadas formas de educação. Ninguém sabe ainda ao certo o que "causa" qualquer tipo de sexualidade, mas é amplamente aceito hoje em dia que a orientação sexual da criança é definida em uma idade muito precoce, talvez até na época de seu nascimento.

SERÁ QUE ELE VAI FICAR SOLITÁRIO NA VELHICE SEM SUA PRÓPRIA FAMÍLIA?

Talvez, mas temos que lembrar que isso também é verdade para a maioria de nós. Maridos e esposas morrem, casamentos se rompem, filhos muitas vezes vivem distantes e muitos casais jovens nem tem filhos. Muitos de nós têm que se adaptar à solidão quando ficam velhos. Por outro lado, muitas lésbicas e gays desenvolvem relações duráveis e a comunidade gay é calorosamente receptiva com seus membros. Como está ficando mais simples "assumir" a orientação sexual para eles mesmos e para os outros, muitos homossexuais vão ter chance de viver como parte de uma comunidade toda sua vida. Lésbicas e gays incluem no conceito de família não apenas seus parentes mas também as pessoas que escolheram para dividir suas vidas, sejam elas parceiros(as) ou amigos.

SERÁ QUE ELE VAI SER DISCRIMINADO, TER PROBLEMAS EM ACHAR OU MANTER UM EMPREGO OU ATÉ MESMO SER ATACADO FISICAMENTE, SERÁ QUE ELE TERÁ PROBLEMAS COM A JUSTIÇA?

Somos obrigados a responder: "Sim, infelizmente, essas coisas são possíveis". Vai depender de onde ele ou ela decida viver, que tipo de trabalho ele ou ela vai querer, e de como ele ou ela decida se comportar. Mas nós também devemos dizer que as atitudes em relação ao homossexualismo têm mudado para melhor e são mais positivas em muitos lugares. Também existe um crescente número de grupos que estão trabalhando para esta mudança e que estão prontos a ajudar aqueles que tenham dificuldades.

É dificil responder essa questão já que a lei varia muito de país para país. No Brasil, o Código Penal não faz restrições entre homossexuais e heterossexuais. Ele proíbe o sexo para menores de 18 anos, de acordo com o Código Penal de 1940 que prevê punição se o casal for formado por um maior de idade e um menor, tanto para homossexuais quanto para heterossexuais. No Brasil, relações homossexuais, em locais que não sejam públicos, entre maiores de 18 anos não se constituem crime. Mesmo assim, em países onde ainda o é, muitos gays e lésbicas vivem suas vidas sem nunca enfrentarem problemas com a polícia

DEVEMOS CONTAR PARA TODA A FAMÍLIA?

Pais que ainda estão tendo problemas em aceitar a homossexualidade dos filhos freqüentemente se preocupam com a possibilidade de outras pessoas descobrirem. Como eles podem lidar com as perguntas que a família sempre faz: "Ele arrumou uma namorada?" ou "Quando é que ela vai se casar?". Nosso conselho neste tipo de situação é: primeiro e mais importante, você não deve contar nada para ninguém a menos que você tenha a autorização de seu filho ou filha. É a vida dele ou dela que você está discutindo, e ele ou ela tem o direito de decidir quem deve e quem não deve saber. Segundo, você não deve contar nada para ninguém a menos que você tenha alcançado o ponto em que você não esteja mais na defensiva sobre a questão. Leva tempo para aprender a aceitar seu filho e, a menos que você tenha uma atitude positiva, você vai acabar transmitindo sua angústia e suas dúvidas para os outros. Quando você estiver pronta(o), você poderá achar mais fácil discutir o assunto com uma pessoa de cada vez.

NÓS ACEITAMOS A SITUAÇÃO, MAS PORQUE ELE TEM QUE DEMONSTRAR PUBLICAMENTE?

Freqüentemente, mesmo pais que aceitaram a homossexualidade dos filhos, ainda se pertubam com o seu comportamento em público. Eles ficam incomodados ao ver demonstrações de atração e afeição entre pessoas do mesmo sexo. Nós acreditamos que isso é um resultado normal do modo como fomos criados e do que nos foi ensinado sobre sexo em geral, e sobre homossexualismo em particular. Embora seja totalmente compreensível, devemos ver isto como um problema nosso e não um problema dos homossexuais. Se heterossexuais podem demonstrar afeto em público, não existe motivo lógico pelo qual homossexuais não devam fazê-lo. Se você acha que o comportamento sexual deveria ser mantido entre quatro paredes, isso deveria, então, valer para todo mundo.

     

MILITÂNCIA GAY? PARTICIPAR

OU NÃO? PORQUE ?
05/06/2000

            Conheço muitas pessoas que vivem reclamando da vida. Penso que todos nós conhecemos pessoas assim, não é mesmo? Tem gente mesmo que reclama ao se levantar até o momento de voltar para a cama. São pessoas reclamonas por excelência. Diria, profissionais. Dentro do espectro homossexual, não poderia ser diferente.

            Num momento tão próximo dos gayprides em todo o mundo, cabe esta reflexão. Vale a pena militar? Em que isso implica? Porque participar de uma atividade dessa?

            O fato é que o mundo é como é hoje porque pessoas acreditaram em idéias e se propuseram a defendê-las. Assim é com relação a paz no mundo, assim é em relação a preservação da natureza, etc. Os/as homossexuais possuem hoje mais visibilidade, mais espaço dentro da legislação, enfim, por que algumas pessoas foram adiante e acreditaram que valia à pena apostar no reconhecimento de sua cidadania.

           Se você não sabe, ainda hoje muitos/as homossexuais são tratados como doentes, são discriminados, são assassinados. Pessoas perdem seus empregos pelo simples fato de amarem alguém do mesmo sexo. Pessoas são expulsas de lugares públicos por conta de um simples beijo.

            Militar não significa que você tenha que participar de alguma entidade. Não significa que você tenha que ir a alguma manifestação pública; não significa que você tenha que sair do armário.

            Militar significa que você está consciente de que a homofobia existe e que sua conduta perante a vida deve ser coerente com aquilo que pensa e sente. Militar significa que compreende que a diversidade sexual é uma realidade, que todas as formas de amor são possíveis, de que este detalhe, que é a sua orientação sexual, não deve servir de motivo para você ser excluído/a.

            Todavia, para muitas pessoas, a exemplo da letra da música de Geraldo Vandré, não dá mais para esperar pois "quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Essas pessoas vão estar num gaypride, vão colocar um banner em sua homepage, vão mandar e-mails falando sobre o assunto, vão se organizar em grupos e estudar, etc. São pessoas que não podem esperar mais e deixar que as coisas sejam feitas por outros/as, por que acreditam que a alienação e a passividade diante da vida só contribuem para o aumento do preconceito.

Roberto Luiz Warken           
Sociólogo, Especialista em Educação Sexual   

Últimas Notícias

bola.gif (1189 bytes) Agora chegou a vez de BH aprovar Lei que protege homossexuais contra. Foi aprovado ontem, em 2º turno, o projeto de lei 1672, de autoria do vereador Leonardo Matos (PV), que estabelece penalidades aos estabelecimentos comerciais que discriminarem pessoas em virtude de sua orientação sexual, adotando atos de coação e violência. Só falta a assinatura do Prefeito Célio de Castro. Este tipo de Lei está sendo aprovado em vários municípios brasileiro. O políticamente correto está servindo de modelo pois, não se aceita mais atos de homofobia da maneira como vem ocorrendo. Esperamos que outros municípios sigam o exemplo. (13/12/2000)

bola.gif (1189 bytes) De acordo com a Folha Online, a Editora Abril deverá pagar indenização desde abril 1994 (corrigidos) ao ator Victor Fasano,  por ter publicado uma entrevista e 20 notas em uma revista, atacando a sua moral e imagem. Serão mil salários mínimos devidamente corrigidos. O material da época supostamente levava os/as leitores/as a pensar que o ator odiaria homossexuais e seria simpatizantes de idéias nazistas. (13/12/2000)

bola.gif (1189 bytes) Câmara dos Deputados da Alemanha pediu perdão aos homossexuais que foram perseguidos pelo regime nazista e àqueles condenados com base no código penal alemão, pela lei conhecida como Parágrafo 175 até 1969. "O Parlamento está convencido de que a honra das vítimas homossexuais do nazismo deve ser restabelecida e se desculpa pelos danos causados até 1969 à dignidade humana e à qualidade de vida dos cidadãos homossexuais", afirmaram os deputados. A sessão da Câmara aconteceu na quinta feira passada, em Berlim.

O Parágrafo 175 foi reeditado por Hitler, baseado em uma lei de 1871 que determinava a prisão de homossexuais, acrescentando a perda dos direitos civis aos homens que mantivessem relações sexuais com outros homens. Os gays foram considerados uma grande ameaça à pureza da raça ariana nazista. O regime de Hitler criou um organismo especial para "combater" a homossexualidade, com 45.000 condenações e levando de 5.000 a 10.000 homossexuais aos campos de concentração.

Mesmo após a queda do nazismo, os homossexuais nunca foram reconhecidos como vítimas do regime e continuaram sendo perseguidos e presos até a revogação da lei, que aconteceu apenas em 1969. Na década de 90 as vítimas do Parágrafo 175 começaram a lutar por reparos e indenizações na Justiça.
A história dos sobreviventes da perseguição nazista foi tema do documentário "Parágrafo 175" de Rob Epstein & Jeffrey Friedman, exibido no 8 º Festival da Diversidade Sexual desse ano, vencedor do Prêmio do Público para melhor longa. (11/12/2000)

bola.gif (1189 bytes) O jogador de vôlei Luiz Cláudio Alves Silva, o Lilico, anunciou sua retirada das quadras. Segunda-feira em entrevista para a última edição do Jornal da Record, o jogador falou do fim de sua carreira, dos seus novos projetos e fez acusações de preconceito.

Lilico foi o primeiro na história dessa modalidade que assumiu sua homossexualidade. Isso ocorreu em março de 1999. Num primeiro momento da entrevista, diz que está envolvido com outros projetos, já que acabou de entrar na faculdade de jornalismo. Porém, indagado se sair do armário prejudicou sua carreira, ele foi incisivo: "Eu estava muito bem rankeado antes da Olimpíadas, a única razão para não me convocarem, foi preconceito".

E disse mais, afirmando que tem muito jogador da seleção brasileira que é gay e que foi convocado por não se declarar homossexual. Mais adiante, Lilico disse que o esporte não está preparado para esse tipo de revelação, mas que não se arrepende do fato: "Os gays deveriam assumir-se como tal para ajudar pessoas que sofrem por esconder o que sentem. Mas é difícil. Digo porque tenho segurança."

Da torcida, não tem nenhuma reclamação. Relatou que a única vez que o público fez alguma piada foi em um jogo em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul. . Logo que entrei no estádio, começou um coro: "Tu é gay que eu sei". Fui até a torcida adversária e disse: "O jogo acabou para o time de vocês. Ninguém vai ver a cor da bola". Eles ficaram quietos. Fiz 33 pontos e ganhamos de 3 a 0. Saí aplaudido.

O vôlei pode ter perdido um grande jogador, e é uma pena. Porém, a comunidade GLS pode contar com mais um grande exemplo de cidadania. (12/12/2000)


Especial: Homossexualismo Micronacional

O Especial de hoje é uma entrevista com um micronacionalista adolescente que prefere se manter anonimo por não ter convicção ainda da sua opção sexual.

1- Quando e como você se descobriu como um homossexual?

Desde que comecei a acessar a internet, ia aos chats do UOL com imagens eróticas, e frequentava com curiosidade os dois tipos de chat, descompromissadamente, só para ver como era.

Quando comecei a interagir com as pessoas que estavam no chat, identifiquei-me muito mais com os homossexuais, apesar de não gostar, absolutamente, de nenhuma forma de transformismo/transsexualismo, que já acho patológico.

2- Em muitos depoimentos que lemos, a pessoa tem um momento em que a descoberta "cai". Você teve esse momento? O que passou por sua cabeça naquela hora?

Bem, nunca assumi "oficialmente" postura alguma, talvez a descoberta não me tenha caído ainda. Enfrento esta questão o mais serenamente possível, pois não me sinto compromissado a dizer: "pronto, agora sou homossexual", absolutamente. Tenho muito a descobrir sobre o homo e o heterossexualismo antes de me "decidir" por um dos dois, se é que irei me decidir.

3- Seus pais tem conhecimento da sua homossexualidade? Como foi a reação, ou como seria a reação quando da descoberta?

Meus pais sempre me deram uma liberdade extrema em todos os aspectos. Tanto nesse, como nos outros, não há forma alguma de pressão, coisa que muito admiro em meus pais.

Creio que se um dia me decidir por ser homossexual, e quiser dizer a eles, pode ter até um grande choque, mas eles sempre me disseram algo como "faça o que quiser, desde que arque com as consequências". Talvez seja por isso que eu ainda não tenha me decidido.

4- Você assume para as pessoas sua opção sexual? Por que sim ou por que não?

Não. Consigo encarnar muito bem ambas as formas de pensamento, o homo e o heterossexual, por isto exercito ambas linhas de raciocínio, dependendo de quem se trate. Aos heterossexuais pareço heterossexual, aos homossexuais, homossexual, porém jamais afirmo-me um ou outro, pois como disse, não me decidi nem sei se irei.

O homossexualismo é muito chocante, e creio que jamais assumiria publicamente isto, caso eu for... há discriminação demais, talvez com a mudança da cultura brasileira ou mundial possa haver maior serenidade sobre o assunto.

5- Você se sente diferente das outras pessoas?

Não. Posso pensar completamente diferente de outras pessoas, ter uma diferente visão de vida, mas sou um mero mortal como os outros.

6- Como você vê o preconceito?

Com demasiado desapontamento. É ridícula a postura de certas pessoas ante a tudo que lhe difira, não só o homossexualismo... mas vejamos os deficientes físicos, mentais etc. o que não sofrem na mão dos "normais".

7- Das pessoas de sua convivência que tem conhecimento sobre sua homossexualidade, qual foi a reação?

Antes de afirmar minhas tendencias homossexuais a alguém faço um balanço de sua personalidade, para prever a reação que esta pessoa terá. Nunca errei, pelo menos até agora, e desta forma, todos que sabem tem uma postura muito serena com relação a isto, e me apoiam conforme necessário.

8- Você crê que jornais, revistas, informes - assim como o LPP -, tem um papel real no esclarecimento sobre a homossexualidade e algum efeito frente o preconceito?

Não sei... creio que a mudança de qualquer pensamento dominante da sociedade é muito lento e gradual, a menos que forçado pela mídia. Não sou a favor desse forçar extremo da mídia, porque mostra a realidade com um tom chatíssimo de sensacionalismo, que creio não condizer com o que deveria ser feito.

Porém acho que toda tentativa é válida, e torço para que seja efetiva.

9- Você gostaria de deixar alguma ressalva, esclarecimento ou qualquer mensagem para os leitores do LPP?

Bem, gostaria de agradecer a possibilidade de escrever algo que possa esclarecer alguém sobre este tema tão polêmico, e parabenizar este jornal, iniciativa pioneira no ramo que creio estar conscientizando mais pessoas que o homossexualismo sempre existiu, mas só agora está sendo tão transparente e aparecendo ao grande público.

Agradecemos muito sua entrevista, obrigada!

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Nota da Redação:
Encaminho cartão recebido do sr. Roberto Walker do GLSSite para o LPP

FELIZ NATAL E ÓTIMO ANO NOVO!

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                                                                                          - Roberto Walker

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