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INFERNO: O DESTINO DOS DEPRAVADOS SEXUAIS
A ETERNIDADE DAS PENAS DO INFERNO E O DESTINO INFELIZ Ibunt hi in supplicium. Irão ao suplício eterno. (Mt., cap. xxv. v. 26.) Há, no Cristianismo, uma verdade terrível, que, hoje em dia mais ainda que nos séculos anteriores, suscita no coração do homem implacáveis repulsoes. - Esta verdade é a das penalidades eternas do Inferno.
- Ao enunciado deste dogma, a inteligência perturba-se, o coração encolhe-se e treme, as paixões endurecem-se e irritam-se contra esta doutrina e as vozes importunas que anunciam-o. - Seria necessario
por conseguinte calar-nos, deixa-lo en olvido e cobrir com um grosso veo uma verdade essencial, em relação a ao interesse mais importante do homem, o do seu destino supremo além dos curtos anos do seu
exílio sobre a terra ? - Mas se o Inferno é uma realidade, todo o silêncio que faríamos ao redor desta pergunta fundamental, não quebraria a sua certitude. Os reparos e dozuras da linguagem humana, não
abreviariam a sua duração. O cúmulo da loucura seria persuadir-se de que desviando a nossa atenção desta possibilidade fatal, esforçando-nos en não cre-la, poderiamos um dia conjurar o seu rigor. Não poderiamos omitir os suplícios de outra vida sem estar a traiçoar os nossos deveres, e mostrar-nos, como um médico infidel e enganoso, que a fim de poupar um cruel tratamento ao seu paciente,
deixá-lo-ia tranquilamente morrer. Sobre este ponto Jesus-Cristo Ele mesmo não creu oportuno gastar de circunlóquios e reservas. Não cessa de insistir nas penalidades reservadas aos pecadores, fala em
muitas ocasiões das trevas externas, desse fogo que não se apaga, desta prisão sem saída onde haverá ranjer de dentes, e onde as lágrimas não secarão. Quando a justiça humana quer ejecutar um grande culpável, faz elaborar o cadafalso sobre o lugar público, e convida ao povo a assistir à este terrível espectáculo. Em várias regiões, deixa-se, dias inteiros os
membros inertes do infeliz suspensos à estrada, ou lá onde tornou o seu último suspiro, a fim de assustar, por tal exemplo, os homens extraviados, ou que são tentados por paixões pecaminosas. Jesus-Cristo procede como a justiça humana, mostra ao maldoso a espada suspensa sobre a sua cabeça, para que, aterrorizado, não transgrida a Sua lei, e que faça o bem, em vez de operar o mal. Santo Ignácio de Loyola dizia que não conhecia predicação mais útil e mais frutuosa que a do Inferno. - A consideração dos encantos da virtude, as delícias e as atracções do amor divino, tem pouca tomada
sobre os homens sensuais e grosseiros; ao meio das distracções tumultuosas onde vivem, exemplos contagiosos que lhes são dados, das armadilhas e as escolhos semeadas sob os seus passos, a ameaça do
Inferno é o único travão bastante potente para conter-os sobre a linha do dever. - Pela mesma razão, Santa Teresa convidava freqüentemente os seus austeros religiosos a descer em espírito e pelo
pensamento no Inferno durante a sua vida, assim de evitar, dizia, descer em realidade após a sua morte. No estudo que vamos empreender sobre esta grave questao, do destino reservado aos homens morridos no ódio de Deus, evitaremos as opiniões controversas; procederemos com o rigor do raciocínio e as
clarezas da grande luz teológica, tomando como apoio único as Escrituras, e a ciência autêntica da Tradição e os Pais. - Primeiro, o Inferno existe? É certo que as penas que se suportam são eternas ? - Segundo, qual é a natureza dos suplícios do Inferno e onde está tal lugar ? - Em terceiro lugar, a misericórdia de Deus pode conciliar-se com a ideia de uma justiça, que nenhuma satisfação chegará a desarmar ? Nenhum homem deberia aplicar-se ao estudo destas elevadas considerações sem propôr-se ouvir no mais secreto de si estas palavra contidas nas Escrituras: "Toma cuidado, serve o Senhor o Teu Deus, e
observa os Seus Mandamentos, porque são para todo homem." "Quem medite nestas verdades terríveis seguramente voltara-se melhor; sentirá imediatamente o seu espírito transformar-se, e o seu ser aumentar-se na energia da virtude e o amor do bem. I A eternidade das penas é uma verdade formalmente ensinada pelas Santas Escrituras; faz parte do dogma cristão; um grande número concílios definiu-o como artigo de fé[ 1 ]. São Mateus, Cap. xviii, São Joao, Apoc. Cap. xiv, falando das penas dos demónios e rejeitados, dizem que terão uma duração sem límites [ 2 ] . São Marcos, Cap. ix, e Isaias, Cap. lxvi, dizem que o seu fogo não se apagará, e que o seu verme não morrerá. - São Agostinho, citando estas palavras, observa que pode-se discutir sobre a natureza deste
verme, sobre a materialidade ou inmaterialidade deste fogo, mas o que continua a ser referido pela palavra do profeta, está ao abrigo de qualquer controvérsia, é que os ardores deste fogo nunca serão
moderados, e que as torturas deste verme não irã0 nunca diminuindo-se [ 3 ] . Jesus-Cristo, falando da sentença suprema que pronunciará um dia, conserva e estabelece a mesma paridade entre a justificação e a condenação; não distingue, quer nas recompensas do justos, quer a
punição dos ímpios, nenhuma medida nem nenhuma diferença de tempos. - "Aqueles irão ao suplicio eterno e os justos à vida eterna" [ 4 ] "- Por conseguinte, se a vida eterna não deve ter um limite de tempo,
a morte eterna será, ela também, ilimitada e sem fim." Resulta destes diversos testemunhos, que a misericórdia é excluída dos Infernos, e que redempção não tem lá acesso. Quia in inferno nulla est redemptio. - Do resto, rejeitados e os demónios não poderiam
liberar-se para a justiça, e obtenir a remissão ou a mitigação das suas penas, apenas por três meios: ou por verdadeira e sincera penitência; ou pela virtude das orações dos santos e as obras satisfactorias
oferecidas pelos vivos; ou ainda pela destruição dos seus seres; Deus, na impossibilidade absoluta que é recebe-los, no Seu seio, retirando-lhes a existência, faria cessar de facto os seus tormentos; - ora,
rejeitados não o podem fazer penitência. - Deus nunca concediu o perdão a Satan porque Satan nunca arrependeu-se. - Chega, diz Santo Tomás, que se arrepende e que odeia-se o pecado de duas maneiras: absolutamente ou accidentalmente. O
que odeia o pecado absolutamente, odeia-o devido à sua deformidade intrínseca, e porque é uma ofensa a Deus; o que odeia-o acidentalmente, odeia-o, não por amor a Deus, mas por amor de ele mesmo:
ou seja, que não odeia realmente pecado, mas a penas e os mais que ele occasiona. Ora a vontade dos condenados continua a ser inclinada ao mal, e o horror e o detestação das suas penalidades não é nem
arrependimento, nem o expiação [ 5 ] - São consumidos sem dúvida por desejos e sonhos; mas estes sonhos têm por objecto uma felicidade à eles e que constituir-se-iam independentemente de Deus. Tal é
o sonho dos demónios e o dos condenados, sonho eternamente estéril e que consome-os num desespero e uma exasperação sem fim. Os condenados não podem por conseguinte arrepender-se. - São eles
susceptíveis de participar nas orações e os méritos dos vivos ? Se fosse assim. Lucifer e os seus anjos seriam susceptíveis, clãs um tempo mais ou menos afastado, (girar-se para o bem: e tornar-se-iam
portanto seres santos, dignos de veneração e amor, assim como querubins e os arcanjos que abraçariam um dia em eterna communiao. Resultaria ainda que a Igreja deveria orar pelos demónios. Os
demónios são à verdade os nossos piores inimigos, mas o preceito da caridade prescreve-nos de orar, sem exclusão, para todos os inimigos. Ora, a Igreja ora aqui abaixo pelos seus perseguidores, pela
razão que, durante a vida presente, podem produzir dignos frutos de penitência; mas mesmo ao dia do julgamento, consumida em amor e santidade, não rogará pelos homens condenados pelo Justo Juiz a
eternos tormentos. - Se os rejeitados podem esperar um dia salvação, não somente a Igreja deve orar por eles, mas além disso, não vemos porque abster-se-ia de conceder-lhes um culto, e não recolheria os
restos de Néron, Robespierre e Marat, para honra-los sobre os altares, ao mesmo título que as cinzas do Luis de Gonzague, Vincente de Paul, do Francisco de Asis. Por último os sofrimentos dos rejeitados não se esgotarão, e nunca será destruído o seu ser. |