40 sugestões para exercer
bem o ministério de leitor
«O leitor é instituído para
fazer as leituras da Sagrada Escritura, com excepção do Evangelho. Pode também
propor as intenções da oração universal e ainda, na falta do salmista, recitar
o salmo entre as leituras.
O leitor tem na celebração da Eucaristia uma função que lhe é própria e que
deve exercer por si mesmo, mesmo que haja ministros de grau superior.
Para que a audição das leituras divinas desperte no coração dos fiéis aquele
afecto vivo e suave pela Sagrada Escritura, é necessário que os leitores encarregados deste ofício, embora não
tenham recebido a instituição, sejam
realmente idóneos e cuidadosamente preparados.» (Instrução Geral do Missal Romano, nº 66)
«No
espaço da igreja deve haver um lugar
elevado, fixo, dotado de conveniente disposição e nobreza, que corresponda à dignidade da Palavra de Deus e ao mesmo
tempo recorde com clareza aos fiéis que na Missa se prepara tanto a mesa da Palavra de Deus como a mesa do
Corpo de Cristo e, finalmente, os ajude, o melhor possível, a ouvir e a prestar
atenção durante a liturgia da Palavra... Como o ambão é o lugar de onde os ministros anunciam a Palavra de Deus, deve reservar-se por sua própria natureza
às leituras, ao salmo responsorial e ao precónio pascal... Para servir de
maneira adequada às celebrações, o ambão deve
ser amplo, dado que por vezes têm de estar nele vários ministros. Além
disso, devem tomar-se providências para que os leitores disponham, no ambão, de
iluminação suficiente para lerem o
texto e possam eventualmente utilizar os instrumentos técnicos modernos para se
fazerem ouvir facilmente pelos fiéis» (Ordenamento das Leituras da Missa, nº 32, 33, 34)
«A assembleia litúrgica precisa de leitores, embora não instituídos para esta função. Procure-se, portanto, que haja alguns leigos, dos mais idóneos, que estejam preparados para exercer este ministério. Se se dispuser de vários leitores e houver várias leituras a fazer, convém distribuí-las entre eles... Esta preparação deve ser principalmente espiritual, mas é necessária a chamada preparação técnica. A preparação espiritual pressupõe pelo menos a dupla formação, bíblica e litúrgica: a formação bíblica, para que possam os leitores compreender as leituras, no seu contexto próprio e entender à luz da fé o núcleo da mensagem revelada; a formação litúrgica, para que os leitores possam perceber o sentido e a estrutura da liturgia da palavra e os motivos que explicam a conexão entre a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. A preparação técnica deve tornar os leitores cada vez mais aptos na arte de ler em público, quer de viva voz, quer com a ajuda dos modernos instrumentos de amplificação sonora.» (Ordenamento das Leituras da Missa, nº 52, 55)
Conhecer e compreender o texto.
Preparar
uma leitura expressiva.
Exprimir
os sentimentos do autor e das personagens.
Examinar
algumas minúcias antes da celebração. ·
O Leccionário está no ambão (não uma revista ou
jornal, ou folhetos)? Está aberto na página própria? ·
O microfone está ligado? O volume, o tom e a
altura estão correctos? (Evite-se o seu ajuste durante a celebração, mediante o
sopro ou os dois toques de dedos da praxe, ou outros ruídos perturbadores). ·
A que distância deve estar a boca para que a voz
seja audível e expressiva? Saber deslocar-se para o ambão. ·
Situar-se, desde o começo da celebração, num
lugar não muito afastado do ambão. ·
Não avançar para o ambão antes de estar
concluído o que precede cada leitura (oração, canto, admonição). ·
Caminhar com um passo normal, sem ostentação nem
precipitação, sem rigidez nem displicência, mas com uma digna e ritmada
naturalidade. Postura. ·
Pés bem assentes, levemente afastados e firmes.
Não balancear-se, nem cruzar os pés, nem estar apoiado apenas num pé, com pés
cruzados ou um à frente e outro atrás. ·
Não debruçado sobre o ambão, nem com os braços
cruzados ou as mãos nos bolsos. Os braços poderão manter-se pendentes ao longo
do corpo, ou dobrados para permitir um leve e discreto apoio das mãos na orla
central do ambão (evitando tocar o Leccionário a fim de não o danificar com a
adiposidade corporal). Apresentação. ·
Não trajar algo que possa distrair ou ofender os
presentes, seja por ostentação, seja por desleixo, pouco conveniente ou
ridículo (camisetas de anúncios, vestuário desalinhado ou sujo, cabelo
"espetado"...). Ter critério e apresentar-se como pessoa educada e
normal. Antes de começar. ·
Guardar uma breve pausa para olhar a assembleia,
a fim de a registar na mente, pois é para ela que se dirige e também para
estabelecer com ela contacto directo antes de iniciar a proclamação. ·
Respirar calma e profundamente. ·
Esperar que toda a assembleia esteja sentada e
tranquila e se tenha criado um ambiente de silêncio e escuta. Título. ·
Ler só o título bíblico. Nunca se leia 1ª ou 2ª leitura
ou salmo responsorial ou a frase a vermelho que precede a Leitura. ·
Após a leitura do título, faça-se uma pausa para
destacar o texto que vai ser proclamado. Ler devagar ·
O ouvinte não é um gravador, mas uma mente
humana que requer tempo para sentir, reagir, ouvir, entender, coordenar e
assimilar. Geralmente, lê-se depressa e não se fazem as pausas adequadas, como
pede o texto lido (a pontuação oral nem sempre coincide com a pontuação
escrita). A leitura rápida pode cortar o contacto com a assembleia. Ler com a cabeça levantada ·
A cabeça deve estar direita, no prolongamento do
corpo. Com a cabeça levantada, a assembleia contacta um rosto e a própria voz
ganha em clareza e volume e o leitor exprime um texto dirigido à assembleia e não
devolvido ao livro. ·
Se o ambão é baixo, será sempre melhor suster o
livro nas mãos que baixar a cabeça. ·
O olhar deverá manter o contacto com a
assembleia sem ser necessário os constantes e perturbantes exercícios de
levantar e baixar a cabeça. Concluir a Leitura ·
Fazer uma pausa após a última frase e antes de
dizer "Palavra do Senhor". ·
Dizer só "Palavra do Senhor" e nada
mais (p.e.: "Irmãos, esta é a Palavra do Senhor" ou outras expressões
semelhantes). Trata-se de uma aclamação e não de uma explicação. ·
Seria mais expressivo que esta aclamação fosse
cantada (pelo Leitor, primeiramente, ou, em caso de necessidade, por outrem).
Não sendo cantada, deveria ser dita em tom de voz mais elevado (entenda-se, não
necessariamente num volume mais forte). ·
Não abandonar o ambão antes da resposta da
assembleia. ·
Deixar o Leccionário aberto na página do Salmo
responsorial ou da 2ª Leitura, para que fique pronto para o leitor que se
segue. ·
Regressar ao lugar com calma e naturalidade, em
passo normal e firme.