A neve cai
 

E bebo o vento os olhos fechados. É uma valsa rápida, a mil tempos, como só a Bélgica a pode cantar. Os flocos de neve parecem estar atarantados de medo, correndo, escondendo-se rapidamente atrás dos ramos dos choupos tristes. Aí, penduramos as nossas harpas um instante, um momento. Para gravar na nossa mémoria um horizonte transformado. O tempo parou para admirar a dança. O barulho faz silêncio até, respeitando o ballet mágico que está em representação agora. O passado volta lentamente em mim, recordando-me dos dias esquecidos, andados fora, onde vira-volta com a neve feliz. Mas faltam montes para subir e descer. Tempo para sonhar sobre isso. Será talvez para um outro dia.

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