Um Grande Nome Para a Nossa História 

 

 

 


Jornal “Correio de Valença” , 15/12/1967

 

O ano de 1964 registrou um fato que muito nos emo­cionou. Os valencianos perderam o seu querido conterrâ­neo Maestro Agnelo França. Nascido em Valença, em 1875, aos 14 de dezembro, teve êle uma existência gloriosa, animada por singulares inspirações artísticas.

 

O maestro Agnelo França, aos seis anos de idade, iniciara os seus estudos musicais em Santa lzabel do Rio Preto, tendo como profesor Benedito Neves. Ainda muito jovem, dirigiu a banda de música do Colégio Cruzeiro do Sul, desta cidade. Com 22 anos de idade, seguiu para o Rio onde se aperfeiçoou nos estudos de música, tendo sido nomeado professor catedrático da cadeira de Har­monia, durante 36 anos consecutivos, no Instituto Nacional de Música: Em 1930, criada a Organização Universitária do Brasil, a congregação do antigo Instituto houve por bem eleger o ilustre valenciano membro do seu Consêlho Técnico Administrativo, tornando-se, por fôrça dos seus estatutos, o substituto Iegal do Diretor da Escolsa Nacinal de Música, cuja direção exerceu por vários vezes.

 

O “Correio da Manhã”, em 1904, assim comentava sôbre Agnelo França: “Com os conhecimentos musicais adquiridos em Valença, tornou-se o primeiro aluno da classe no Instituto”... “Terminado o curso de Harmonia, com desusado brilhantismo, prosseguiu o talentoso moço valenciano nos seus estudos de contra-ponto e fuga, sendo então surpreendido, pela sua nomeação, para professor catedrático de Harrnonia”. . “Cintilante — prossegue o “Correio da Manhã” — é uma outra faceta do talento de Agnelo França, como compositor emérito, possuindo uma volumosa bagagem de produções em vários gêneros, como sejam a ópera, a cantada, a sinfonia, o poema sinfônico, música de câmera, música sacra, etc.” E termina o articulista do “Correio da Manhã”: “De várias gerações de musicistas que têm saido da Escola Nacional, de Mú­sica, diplomado em Harmônia, a grande maioria recebeu os ensinamentos do eminente mestre que é Agnelo França, verdadeiro ornamento da arte musical no Brasil”.

 

Também assim se expressa o consagrado poeta valen­ciano Arnaldo Nunes sôbre Agnelo França: — “A sua car­reira funcional culminou com o título PROFESSOR EMÉ­RITO, concedido pelo voto unânime da congregação da Escola Nacional de Músico, e entregue pelo Ministro da Educação, Souza Campos, em solenidade pública de 25 de junho de 1946”.

 

Em 1944, o maestro França, desejando prestar a sua homenagem de fé cristã à Padroeira de Valença, Nossa Senhora da Glória, compôs magnífica Missa Pontifical, a duas vozes, a qual, sob a sua própria regência, foi executada, com grande êxito, na Catedral de Valença ,em 15 de agôsto daquêle ano.

 

Muito modesto, fugindo sempre às exibições pessoais, Agnelo França recusou-se ser eleito membro da Academia Valenciana de Letras.

 

Morto, o sincero, homem de bem e músico de raça entra assim para a História de Valença, com os aplausos da nossa perene admiração e as efusões do nosso maior carinho. 

 

 

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