O ano de
1964 registrou um fato que muito nos emocionou. Os valencianos perderam o seu
querido conterrâneo Maestro Agnelo França. Nascido em Valença, em 1875, aos 14
de dezembro, teve êle uma existência gloriosa, animada por singulares
inspirações artísticas.
O maestro
Agnelo França, aos seis anos de idade, iniciara os seus estudos musicais em
Santa lzabel do Rio Preto, tendo como profesor Benedito Neves. Ainda muito jovem,
dirigiu a banda de música do Colégio Cruzeiro do Sul, desta cidade. Com 22 anos
de idade, seguiu para o Rio onde se aperfeiçoou nos estudos de música, tendo
sido nomeado professor catedrático da cadeira de Harmonia, durante 36 anos
consecutivos, no Instituto Nacional de Música: Em 1930, criada a Organização
Universitária do Brasil, a congregação do antigo Instituto houve por bem eleger
o ilustre valenciano membro do seu Consêlho Técnico Administrativo,
tornando-se, por fôrça dos seus estatutos, o substituto Iegal do Diretor da
Escolsa Nacinal de Música, cuja direção exerceu por vários vezes.
O “Correio
da Manhã”, em 1904, assim comentava sôbre Agnelo França: “Com os conhecimentos
musicais adquiridos em Valença, tornou-se o primeiro aluno da classe no
Instituto”... “Terminado o curso de Harmonia, com desusado brilhantismo,
prosseguiu o talentoso moço valenciano nos seus estudos de contra-ponto e fuga,
sendo então surpreendido, pela sua nomeação, para professor catedrático de
Harrnonia”. . “Cintilante — prossegue o “Correio da Manhã” — é uma outra faceta
do talento de Agnelo França, como compositor emérito, possuindo uma volumosa
bagagem de produções em vários gêneros, como sejam a ópera, a cantada, a
sinfonia, o poema sinfônico, música de câmera, música sacra, etc.” E termina o
articulista do “Correio da Manhã”: “De várias gerações de musicistas que têm
saido da Escola Nacional, de Música, diplomado em Harmônia, a grande maioria
recebeu os ensinamentos do eminente mestre que é Agnelo França, verdadeiro
ornamento da arte musical no Brasil”.
Também
assim se expressa o consagrado poeta valenciano Arnaldo Nunes sôbre Agnelo
França: — “A sua carreira funcional culminou com o título PROFESSOR EMÉRITO,
concedido pelo voto unânime da congregação da Escola Nacional de Músico, e
entregue pelo Ministro da Educação, Souza Campos, em solenidade pública de 25
de junho de 1946”.
Em 1944, o
maestro França, desejando prestar a sua homenagem de fé cristã à Padroeira de
Valença, Nossa Senhora da Glória, compôs magnífica Missa Pontifical, a duas
vozes, a qual, sob a sua própria regência, foi executada, com grande êxito, na
Catedral de Valença ,em 15 de agôsto daquêle ano.
Muito modesto, fugindo sempre às exibições
pessoais, Agnelo França recusou-se ser eleito membro da Academia Valenciana de
Letras.
Morto, o
sincero, homem de bem e músico de raça entra assim para a História de Valença,
com os aplausos da nossa perene admiração e as efusões do nosso maior carinho.