História da Minha Terra
 

 

 

 

 

 

 

 

 


    (O Valenciano de 15 de Julho de 1923)

    (Apresentação do livro “História de Valença” de Luiz Damasceno)

 

Se a visita de um ente querido, há muito ausente, agora ao nosso lado, nos causa alegria; se a belleza historica dos nos­sos antepassados nos traz aos olhos lágrimas de saudade e ao coração palpitações de enthusiasmo, quando voltamos mais de seculo atrás, com o fim de aprendermos a historia dos dias de lucta e gloria que se perdem na obscuridade dos tempos:

se, quando ouvimos, attentos dos labios tremulos da nossa avósinha, nas noites de inverno, à beira de uma lareira, a his­toria de um homem que fez levantar, na aldeia a primeira capella, ou de um outro que trabalhou no sentido de passar por essa aldeia os trilhos de uma estrada de ferro, nos agita a alma, revolvendo-nos ao passado e descortinando o que era vago e desconhecido, tambem o contacto com os livros velhos, empoeirados, de uma bibliotheca municipal, provoca no espi­rito do homem o amôr pelas coisas adormecidas e desperta, dentro de si, a influencia e a ímportancia das idades amor­tecidas.

 

Em cada pagina do livro empoeirado que desfolhamos, recebemos, no vasto salão do nosso cerebro agradabilissi­mas visitas, que entretém comnosco, por muito tempo, horas de suaves surpresas.

 

Luiz Damasceno fé-la com amôr, porque é bom valen­ciano: fê-la com sabedoria, porque dos valencianos é o conhe­cedor profundo como todos sabemos: fê-la com sucesso, por­que, dentro em pouco toda Valença irá aplaudi-lo merecida e festivamente, quando o seu livro vier à luz da publicidade.

 

Está terminada a obra. Está escripto o livro que historia o que foi e o que é Valença, desde a simples aldeia, desde a prospera villa, até os nossos dias, em que, ella, magestosa e encantadora realça-se-nos, aos olhos, bella e rica, na sua ar­gamassa indestructivel de lagrima e amôr, de sacrifício e fé, e, de luctas e glorlas.

 

O livro está escripto. Agora, faça-se um livro a incorpo­rar-se aos outros das nossas modestas estantes, em logar de honra.

 

Vós sois, grande Lulú um bom valenciano, porque cons­truistes a obra da nossa obra e levantastes a nossa extructura moral!

 

Pergunto agora: — fez alguem o mesmo nesta Cidade de Valença?

 

Bem sabemos que não.

 

 

João de Valença

 

Hosted by www.Geocities.ws

1