


JOÃO TEIXEIRA: Conegundes da Purez
JOSÉ GUIMARÃES: Jornal de Valença
BALBINA MILANO: Cidade - Telephonista
- Reclame - Árvore que chora - "Misss" Rua da Palha - A Bandeira -
Água - Gavião Calçudo - Os "quintos" do Quinto - Festa Joannina
GEORGETTE TEIXEIRA: Viúva - Luzinha -
A Fésinha - Festa Joannina
ODÉLIA CANTARINO: A Belleza - Moça
Sapéca - Escola Normal - Festa Joannina
YOLANDA CANTARINO: A Graça - 2a
Moça Sapéca - Dama da Cruz Vermelha - Festa Joannina
SYLVIA CANTARINO: 3a Moça
Sapéca - Grupo Escolar - Dama da Cruz Vermelha - Festa Joannina
ZILAH DANTAS: A Crítica - 4a
Moça Sapéca - Gymnasio - Festa Joannina
ZULEIKA DANTAS: Escola Mixta
GISELDA GUIMARÃES: O Eco
ELMIRA GUIMARÃES: Filha da Viúva
JOÃO COSATE: Reclame - Casa do Caboclo
- Esgoto - Nicola Cortese (conferencistaa) - Carregador
No. 1.
ANTONIO GUIMARÃES: O Valenciano - 1o
Soldado - Homem Religioso - Dono da Vacca - Indio
Coroado.
PEREIRA DA COSTA: Saudação - Roberto -
Porteiro da Tourada
JOÃO DE SOUZA: 2o Soldado -
A Chapa - Toureiro - Oferido
DOMINGOS SILVA: Tratador de vaccas -
Tiro de Guerra 551
GERALDO GUIMARÃES: Vendedor de Bananas
A PRINCEZA DA SERRA
PRIMEIRO ACTO
(marcha)
CORO
Attenção,
senhores! Attenção!
Vae agora a
revista começar.
O
“compadre” desta troça
Neste momento
vae chegar.
E Valença,
bem contente,
Vae com
elle conversar.
Mostremos,
com geito,
Os seus
defeitos e factos,
Com graça e
chalaça,
Mesmo que
sejam boatos.
Princeza da
Serra,
Onde o
prazer faz morada,
Como é
bella a terra,
Por nós
idolatrada!
No. 2
A GRAÇA
(maxixe)
Em
Valença eu sou a Graça,
Plena
d’arte esfusiante
Vejam
só! não é carcaça
O meu porte insinuante!
Sou a
critica innocente,
Que não
fere em sua troça;
Vamos
brincar, minha gente,
Nesta vida que
é uma jóça!
Na odorosa
natureza,
Desta
Princeza da Serra,
Sou a
formosa Belleza
De que se
orgulha esta terra.
Eia-nos
todas bem juntinhøs,
Nós somos
tres, nesta terra,
Somos tres nas tres gracinhas
Desta
Princeza da Serra!
No. 3
COPLAS DO CAIPIRA
(cateretê)
Jóca
Presta vance attenção
Naquillo
que eu vou dizê;
Vou falá
com o coração,
Pró sô
jorná escrevê.
Eu aqui
estô,
Seu
Conegundes chegô!
Elle
aqui está,
Vae
ver a cidade já!
Esta cidade
eu vim vê
Para sôdades
eu matá;
Mi disséro
que elIa está
Porguedindo
como quê!
Eu aqui
estô,
Seu
Conegundes chegô!
CORO:
Elle
aqui está,
Vae
ver a cidade já!
Encantado
vou ficá
Com
as belleza das muié;
Sô capais di mi casá
Outra
veis, si Deus quizé!
Eu aqui
estô,
Seu
Conegundes chegô!
CORO:
EIle
aqui está,
Vae
ver a cidade já
No. 4
CIDADE
Balbina
Milano
(valsa)
Eu
sou Valença querida,
Plena
de graça e belleza
FIôr
perfumada,
Cheia
de vida,
Eu
sou do Estado a Princeza!
Em meu
regaço se aquece
Este povo
que honra a terra
Idolatrada,
E canta em
prece:
Eis a
Princeza da Serra!
Valença!
Vaiença!
Sou
a Princeza da Serra!
Sou
a terra preferida,
Tenho
o dom de seduzir.
A
natureza,
Enriquecida,
Sempre
está a reflorir.
Meu
progresso vae marchando
Com
certesa, para a frente;
Minha
riqueza
Meu
clima encerrando
Para
o bem da minha gente!
Valença
Valença
Sou
a Princesa da Serra
N. 5
“O VALENCIANO”
ANTONIO
GUIMARÀES
(polka-maxixe)
Sou
o jornal
Desta
cidade;
Não faço mal
Á sociedade
Na
opposição,
Eu
sou turuna,
E
grito, então,
Pela
columna !
Vivo
de annuncio
Que
dá dinheiro
Que
é prenuncio
Alviçareiro.
Si
alguem commigo bole,
Caras
eu não respeito;
Não
gosto que amole,
Porque
sou pelo direito!
Não
sou de encrenca,
Vivo
pr’a mim.
Dinheiro
em penca
Procuro,
emfim.
Vamos embora,
“Seu” jornalsinbo;
Deixemos agora
Este visinho.
No. 6
AS SOMBRINHAS
Engraçadirihas,
somos as sombrinhas,
Andando
sempre muito espertinhas;
E os
rapazes, quando nos seguem,
Não
nos deixam e nos perseguem.
Então
fazemos umas voltinhas,
Nas
nossas sombras gaIantesinhas;
E
os taes mocinhos ficam sorrindø,
E
nós, garbosas, vamos fugindo.
Vem,
vem, vem,
Vem
commigo, vem
Namorar.
Escondidas,
nas sombrinhas,
Agarradinhas,
Vamos
casar
Vamos
casar.
Ai! Ui!
Vem,
vem, vem
Vem
commigo, vem
Conversar;
Quero
pois, meu bem,
Contigo
gozar!
N. 7
TELEPHONISTA
BaIbina
Milano.
(fox-trot)
Sou
a telephonista,
Sempre
attenciosa;
Mas
teme que alguma conquista
Se
torne, pois, desgostosa
Quando
estão a namorar,
Sem
amar.
Ligar
e desligar
Numero,
faz favor!
Esses
moços são tão exigentes,
Nunca
elles estão contentes,
E a
gente treme de pavor!
Allô! allô!
que numero, faz favor!
E si esta
ligação
Ficar, então,
Interrompida,
Isto é da
vida!
Isto é da
vida!
Não há
perigo,
Meu amigo,
Não.
—o—
SEGUNDO ACTO
N. 1
ARVORE QUE CHORA
Balbina MiIano
(melodia)
Uma
existencía amarga,
Ei’s a
minha vida!
Soffro
cruel destino
Qu’é
chorar.i
Pela praça
se alarga
A magua
dorida
Que me leva
ao desatino
Em
louco tranze de dor,
No
meu penar.
Só, aqui,
nesta tristeza,
Sem
poder falar,
E’ dura a
minha sina
De soffrer.
E, com
certeza,
Tenho que
esperar
A sorte que
defina
Dando
sombra ao Amor,
Depois
mørter!
No. 2
A CASA DO CABOCLO
J. Cosati
(canção)
No. 3
“MlSS” RUA DA
PALHA
Balbina Milano (maxixe)
Meu amô!
Sou da rua da Páia
A “miss” que ispáia
A belleza e o fulgô,
E que, com os seus carinho,
Conquistô, numa farra,
Uns mocinho tão bonitinho,
Sem algazara!
Gomo é puro o meu amô
Com que venci sem favô;
Não sô da laia,
Nem gandáia!
Estô triste, porque estô
pensando
Sem notas se vivê amando:
É triste para um coração
Agente amá e ficá na mão!
No. 4
FÉSINHA
Georgette
(fox-trot)
Si alguem quizer algum
dinheiro ter,
Sem hesitar, sem pensar, deve
jogar;
Pois, podem crêr, basta ter,
para ganhar,
Algum palpite.
Sem méu convite
Impossivel se ganhar.
Pra se acertar, o que a gente deve
ter,
E’ coragem e nenhuma hesitação,
Na cavação;
Tudo está na maneira de jogar;
E
sem palpite a gente não acerta,
E
p’ra se ter alguma “bolada” certa,
E’ preciso
ter-se uma bôa fésinha
Em
qualquer bichinho da visinha,
Para
depois, sem medo de errar,
Fazer, então a paradinha,
Para
bastante dinheiro ganhar.
—o—
TERCEIRO ACTO
No. 1
AGUA E ESGOTO
BALBINA e COSATE
(Duetto)
(Tango)
ESGÔTTO - Estou secco, estou escangaIhado
De
tanto te esperar.
AGUA -
Mas não fique assim tão zangado,
Que
a água aqui vai chegar.
ESG. -
Tu bem sabes que ha muito te espero
Muita
agua como quê?!...
ÁGUA -
PoIs, chegar eu também quero
Que
é para eu lavar você.
ESG. -
Eu vivo assim, meu bem, nesta sujeira
Sem poder dar vasão
AGUA -
Pode crer, não haverá torneira.
Que aguente meu ribeirão!
ESG. - Estou
triste! Minha sina é um buraco!
Vem me descarregar!
AGUA - O
SEU Prefeito é um TACO!
Pois
muita agua vae lhe dar.
No. 2
A INSTRUCÇÃO
(marcha)
O
Saber foi sempre o grande ideal
Que
a humanidade cultua,
Pr’a
que o mundo se instrúa.
O estudar
a ninguem faz mal,
Devemos
todos bem dizer
O
que estuda pr’a vencer.
Feliz
o que traz o livro em mão,
Cujas
paginas todos têm
O ensinamento do bem;-
Feliz,
feliz o que recebe a Instrucção
No. 3
O GAVIÃO
Balbina (samba, novidade musical com
successo no Rio)
N.4
OS
“QUINTOS” DO QUINTO
Balbina
(marcha-canção)
|
|
Si
não tem a cidade
Agua para se beber,
Tambem
não tenho vaidade
De,
em Valença, dizer
Que a minha
agua é cotada,
Cujo
stock não se finda
Para
esta cidade amada
De
natureza linda!
Estribilho:
Os
“quintos” do Quinto (
Não,
não levam cachaça,(
Nem
mesmo vinho tinto; ( Bis
Levam
agua de graça!
(
Minha
agua é saborosa,
Que
se bebe com prazer;
Si
não fosse tão gostosa
Outra
fama devia ter...
Mas está
sempre bem fresquinha
E não
acabou ainda;
Ella
é a fontesinha
Desta
cidade tão linda.
Estribilho:
Os
“quintos” do Quinto (
Não,
não levam cachaça,(
Nem
mesmo vinho tinto; ( Bis
Levam
agua de graça!
(
No. 5
A CHAPA
(Parodia)
COSATE (valsa)
Mio
Déuse, chi cosa danata,
Las
moças di agora
Sono
muito levata.
Con los vestidos curtino
Deixa
a gente ficá
Con la capéça inxata!
Ramona,
vá pro diabo chi lo carregue!
Tú mi bota la mia capéça maluca;
Pá
marona! chi stá facendo u dotore Saverio
Chi
num bota tutta essa gente, tutta, na arapuca!
Ramona
dá dore di barrica, á gente.
E’
piore, é piore che la marellina,
Ramona!
Diabo, diabo e mil veis diabo!
Urucubaca
da miudina!
No. 6
FESTAS JOANNINAS
(desgarrada)
SÓLO
Estas
festas joanninas
São
festas do coração:
Somos
moças e meninas,
Somos
rosas em botão.
Pedimos
a caridade,
Pelo
serviço do Amôr;
Ao
povo desta cidade
Imploramos com fervôr.
CÔRO
Uma
flôr offerecemos,
Sem preço, sem exigir,
E assim
todas o fazemos
Pr’a cidade
progredir.
Vejam neste
nosso gesto
A melhor
das intenções;
O
óbulo, por mais modesto,
Enriquece
os corações.
SÓLO
E’ divino e
muito nobre
Todo gesto
caridoso,
Porque
socorrendo o pobre,
Agrada a
Deus que é bondoso.
Em Valença
toda a gente
Tem gesto
de caridade;
E
trabalha-se contente
Em
favor desta cidade.
CÔRO
Nestas
festas joanninas,
Somos
as portuguesinhas
Que têm nas mãos pequeninas
A
attracçào das barraquinhas.
Trabalhamos
com alegria
Pelas
obras desta terra;
Somos
fortes na porfia,
Pela
Princeza da Serra!
—o—
APOTHEOSE — Os
“Coroados”
J. GUIMARÁES (Declamação final)
Volvamos
nós, pois, agora,
Nossos
olhos para a historia
Desta
cidade onde móra
Nosso
passado de gloria!
E’
que esse passado encerra
A
historia dos “Coroados”:
Foram
os indios, nesta terra,
Os
nossos antepassados.
E
unindo o pensamento
À
historica tradição
Levante-se
um monumento
Em nosso coração!
Sem sahirmos do Presente,
Louvemos com grande crença
Os indios – aquela gente
Que, antes, habitou Valença!
- FIM DA PEÇA -