LEONI IÓRIO 

 

 

 

 

 

 

 

Menções, Homenagens,
 

 

 

 

Títulos e Reconhecimentos
 

 

 

 

 

em Valença
 

 

 

 


1- TÍTULO DE "EFETIVO" PELA ACADEMIA VALENCIANA DE LETRAS

2- HOMENAGEM PELOS 30 ANOS DE LANÇAMENTO DO LIVRO “VALENÇA DE ONTEM E DE HOJE”

3- LIVRO “ANTOLOGIA DE POETAS VALENCIANOS”

4- TÍTULO DE "CIDADÃO BENEMÉRITO" DA CIDADE DE VALENÇA

5- HOMENAGENS POS-MORTEM:

                 DECRETO QUE CRIOU A BIBLIOTECA MUNICIPAL LEONI IÓRIO

                 MENÇÃO EM ÓRGÃO DE IMPRENSA LOCAL

                 DECRETO DE LUTO OFICIAL POR 3 DIAS

      

 

1- TÍTULO DE "EFETIVO"

Em 17 de dezembro de 1955, Leoni Iório toma posse, com o título de efetivo, na Academia Valenciana e Letras, em cerimônia realizada no salão nobre do Lar José Fonseca. A abertura da sessão foi feita pelo Presidente da Academia Valenciana de Letras, Dr. Antonio Siqueira, e o discurso de recepção, pelo acadêmico Arnaldo Nunes. Em seguida, usou da palavra, o recipiendário, que fez elogio ao seu patrono Lúcio de Mendonça.

Na segunda parte do programa apresentaram-se diversos artistas:

Adhemar Teixeira ao violino, executando a valsa “Capricho do Destino” de Zequinha de Abreu.

Glória Maria Carneiro – “Exaltação à Bandeira”, versos de Antônio Siqueira.

Teixeira Filho ao violino – “Intima Lágrima”, valsa de C. das Neves.

Oscar Bernardes, ao bandolim, com a valsa de sua autoria “Guiomar”.

Glória Maria Carneiro – “Atire a primeira pedra”, versos de de Sebastião Lasneau.

Adhemar Teixeira, ao violino, com o tango “Inspiração”.

Oscar Bernardes, ao bandolim, com a valsa de sua autoria, “Margarida”.

Glória Maria Carneiro – “Céu do Meu Brasil”, versos de Antônio Siqueira.

Teixeira Filho e Adhemar Teixeira, em dueto de violino, com a valsa “E o destino desfolhou” de Zequinha de Abreu.

“Presidente Antônio Siqueira” – marcha de de Oscar Bernardes, executada por todo conjunto, constituido dos Srs. Gerson Marques, Carolino de Oliveira, José Oliveira e Mariano Silva.

Por fim declamaram versos de suas próprias autorias, os poetas de Barra do Piraí, Srs. Waldemiro Portugal, Sebastião Lasneau, Alberto Paiva, José Guida Filho e Júlio Ribeiro.

                

 

2- HOMENAGEM PELOS 30 ANOS DO LIVRO “VALENÇA DE ONTEM E DE HOJE”

 

                  Em 26 de novembro de 1983, Leoni Iório era homenageado pela segunda vez, pela Academia Valenciana de Letras, com a entrega de MEDALHA DE HONRA AO MÉRITO, pelo trigésimo aniversário de seu livro.

                 Na ocasião, usou da palavra o Sr. Inácio Loyola Brandão:

 

Sr. Presidente.

Srs. Acadêmicos.

Sras. e Srs.

 

Ao ensejo da XXIV FESTA DA INTELIGÊNCIA; nesta oportunidade em que, a Academia Valenciana de Letras abre suas portas para receber o Ilustre Médico e Literato – Professor Dagmar Chaves, na Cadeira Patronímica de Fábio Luz – não se poderia deixar de registrar outro fato de notável importância – o trigèsio aniversário da edição de “Valença de Ontem e de Hoje” – obra de nosso imortal confrade José Leoni Iório.

 

Dedicando-se à pesquisa, colecionando documentos, consultando arquivos e uma vasta bibliografia, pôde Leoni Iório, após 16 anos de exaustiva e difícil tarefa, publicar o livro que, modestamente, ele chamou de “Subsídios para a História de Marquês de Valença”.

 

Vinte e nove anos depois do lançamento da “História de Valença”, de Luiz Damasceno Ferreira, em 1953,  veio a lume, o extraordinário trabalho de Leoni Iório, que sem dúvida, é um dos livros mais procurados para quem deseja conhecer o passado de nossa histórico de nossa terra.

 

Interpretando os fatos históricos com admirável profundidade, co largueza e convicção, não deixa dúvidas ao mais cético dos leitores e colocar seu autor na galeria dos homens perservantes e inteligentes. “Valença de Ontem e de Hoje” é um livro indispensável na biblioteca de todos os valencianos.

 

Empreendimento corajoso e dos mais penosos é escrever História; é narrar fatos de que não se foi testemunha; é se responsabilizar pela descrição verdadeira do passado que gerações presentes e futuras deverão conhecer e acreditar. Mas, os obstáculos, as crítricas e os naturais percalços não intimidaram a Leoni Iório que civicamente cumpriu o seu mistér.

 

Acostumado aos embates da vida, filho de gente humilde, com sacrifícios e abnegação, Leoni Iório estudou e trabalhou, diplomando-se Farmacêutico pela tradicional Escola de Farmácia de Ouro Preto.

 

De regreesso a Valença, aliando à sua profissão, os seus pendores literários, dedica-se ao jornalismo, funda os jornais “O Lynce” e o “Jornal de Valença” e sua produção poética também é farta e inspirada.

 

Merecedor de admiração e do respeito de seus conterrãneos, hoje, vergado ao peso de seus oitenta e quatro anos, Leoni Iório, embora lúcido e afável, não pode estar aqui conosco para receber as singelas, mas, expressivas homenagens desta Casa.

 

Sua ausência é excusável por justas razões, ainda porque faz-se representar por seu filho, o não menos valoroso Acadêmico, Pedro Antônio Carneiro Iório.

 

Ilustre Confrade Pedro Iório.

Este sodalício que representa a mais alta expressão da cultura e da intelectualidade de nossa terra, quer que V. Excia. leve ao grande historiador Leoni Iório, o reconhecimento de todo o povo valenciano, que tanto tem se valido de seu inestimável trabalho.

 

Diga a ele que os pais, os jovens estudantes, os políticos da atualidade, pouco saberiam sobre Valença, não fossem as horas de sono por ele perdidas.

 

Diga mais ainda, que o exemplo de sua perseverança e o desassombro de seu esforço, encoraja-nos e nos preocupa para que os trinta anos de nossa História, que se seguem ao seu livro, não fiquem sem o devido registro.

 

A Leoni Iório, as nossas homenagens e o tributo de nossa de gratidão.

 

                                                                                    Ignácio de Loyola Brandão

 

3- Do livro de NABOR FERNANDES:

 Antologia de Poetas Valencianos

 

 

 

À página 137, assim se refere Nabor Fernandes:

 

LEONI IÓRIO

 

José Leoni Iório, filho de José Iório e Silvéria Leoni Iório, nasceu em Valença, a 31 de agosto de 1899. Fez o curso primário com a professora D. Noemia Lopes Ielpo e Paulino de Aquino, e secundário no antigo Ateneu Valenciano, prestando exames no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, completando o ginasial na Academia de Comércio, em Juiz de Fora. Em 1920, matriculou-se na Escola de Farmácia, de Ouro Preto, Minas, diplomando-se em 1922. Foi, por concurso, Agente de Estatística (IBGE), em Valença até 1948, sendo transferido para Barra do Piraí, onde foi chefiar a “Agência Modelo” de Estatística, naquela cidade, em cujas funções se aposentou em 1963.

 

Como Farmacêutico responde pela Farmácia Brasil, em Valença, e, como professor, leciona em Barra do Piraí, no Colégio Estadual “Nilo Peçanha”.

 

Em 1922, publicou duas obras teatrais e, em 1953, pela Gráfica Companhia Dias Cardoso S/A, Juiz de Fora, a sua grande obra, “VALENÇA DE ONTEM E DE HOJE”, sob o patrocínio do Jornal de Valença e da Associação Comercial de Valença. Trabalho substancioso, que vem prestando de uma forma geral, ao público e à classe estudantil, a história completa de Valença, no período 1789/1952. É um livro precioso que encontramos em nossas Bbliotecas, ao lado de“História de Valença”, do saudoso Historiador Luiz Damasceno Ferreira, publicado em 1925, ambos com as edições esgotadas.

 

Jornalista, escritor e poeta, fundou os jornais “O Lynce” e o “Jornal de Valença”. Não admitia que lhe chamassem de poeta, afirmando... “fiz alguns versos, como é dever de todo brasileiro, quando se tem alguma inspiração”. Mas, foi um grande poeta, como podemos ver nos trabalhos que publicou.

 

Membro da Academia Valenciana de Letras, ocupou no Quadro Efetivo, a cadeira N. 35, patronímica de Lúcio Mendonça”.

 

Observação: Os comentários de Nabor Fernandes sobre alguns versos de Leoni Iório, os quais, foram incluidos por ele, em seu livro, estão na seção “LEONI IÓRIO, O POETA”.

 

4 - TÍTULO DE

"CIDADÃO BENEMÉRITO"

DA CIDADE DE VALENÇA

DISCURSO PROFERIDO POR PEDRO ANTÔNIO CARNEIRO IÓRIO, POR OCASIÃO DA ENTREGA AO HISTORIADOR LEONI IÓRIO, DO TÍTULO DE “CIDADÃO BENEMÉRITO DO MUNICÍPIO DE VALENÇA”

em 03 DE DEZEMBRO DE 1983.

 

“Ao meu filho Pedro que você tenha em cada página deste livro o exemplo do amor e da dedicação daqueles que souberam e sabem honrar as tradições de nossa querida terra engrandecendo por obras ou palavras, o nome de Valença. Seu pai, Leoni Iório”.

 

Com estas palavras escritas como dedicatória, meu pai me oferecia um exemplar de seu livro “Valença de Ontem e de Hoje”. Em suas páginas encontrei mais do que aquilo que ele me propunha. Descobri, em todos os seus capítulos, em cada frase redigida para a posteridade, mais do que exemplos e amor pela terra natal. Estavam ali edificados, os portais de uma civilização, as relíquias de um passado e as efemérides de várias épocas numa prosa versátil, fluente, muitas vêzes tão poética, confundindo o historiador com o vate, explodindo, em cada parágrafo, o intenso amor de um valenciano que, como ninguém, soube amar a sua terra natal. Ao longo dos 16 anos que transcorreram entre o inicio e a conclusão de sua obra, imagino os dias e as noites de vigília passados entre documentos, tintas, papéis e uma mente fervilhante de déias, um cérebro irrigado por fatos, locais e datas circulantes, um coração impulsionado por um idealismo que só alguns privilegiados podem dele possuir. Creio que só a tenacidade, própria dos grandes homens, pode levar a termo, empreitadas de tal envergadura. Os momentos presentes de sua vida que não os gozou pelo compromiso com sua emprêsa, estão naquelas páginas transformados nos momentos de nossa história, precisos, reais, indeturpáveis, como o são o tempo e a própria vida.

 

Excelentíssimos Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Valença e, em especial a Senhora Maria lzabel de Oliveira Lima, responsável pela indicação e dignificação que ora recebo, em nome de meu pai, por motivo de uma doença transitória que impede meu pai de, pessoalmente, aqui comparecer para receber essa honraria a ele concedida,  em reconhecimento pelo muito que fez por meio de suas obras e atualmente, por suas palavras aos amigos que o procuram, pelo engrandecimento de Valença,  eu, honrosamente, o faço, em meu nome e no de meu irmão Jorge Luiz representando-o, e creio que também em nome dos valencianos de muitas gerações, daqueles que conviveram pessoalmente com ele, enquanto morou em Valença, e mesmo, dos mais jovens que só têm notícias suas, por meio de pesquisas e estudos que fazem em seu livro que, é a história viva de todos nós.

 

Se meu pai estivesse aqui, agora, usando da palavra,  por certo, com muito mais eloqüência e vigor do que a minha,  como historiador nato que é, lembraria a Vossas Excelências que no ano de 1983, comemoram-se dois aniversarios importantes para nossa história: o primeiro, os 160 anos da criação do Município de Valença, por decisão Imperial de 17 de outubro de 1823, instalando-se três anos após a Câmara Municipal provisória presidida até 1829 por Antonio Pereira Barreto Pedroso, Ouvidor da Comarca do Rio de Janeiro; o segundo, aniversário dos 30 anos da edição única e totalmente esgotada de seu livro “Valença de Ontem e de Hoje”. São dois fatos históricos que hoje se aglutinam nessa merecida homenagem que Vossas Excelências prestam à sua pessoa.

 

Em sua residência, junto ao seu filho Jorge Luiz e à sua esposa Esther, tenho a certeza de que, nesse instante, o valenciano e historiador José Leoni Iório estará com seus pensamentos voltados para sua terra natal, em comunhão com todos nós e com os também agraciados nessa festa. Sei que deverá estar comovido por essa homenagem, agradecido pelo reconhecimento público e oficial de seu valor como cidadão valenciano pesaroso por não poder estar aqui pessoalmente.

 

Meus prezados conterrâneos: nossa terra cognominada pe!o historiador Moreira Pinto, como “a formosa Princesa do Estado do Rio”, foi enaltecida, em versos, por poetas como Arnaldo Nunes, retratada em suas imagens primitivas e sertanejas viajantes ilustres como Saint-Hilaire e Debret; emoldurada por paisagens exuberantes pelo gênio criador de Glaziou: dignificada pela cultura de seus homens de letras, artes e ciências: fertilizada pela miscigenação do sangue indígena com o dos colonizadores; cultuada, através de gerações, pelos seus benfeitores e beneméritos como José da Siqueira Silva da Fonseca: ressurgida, várias vêzes, do ostracismo e da apatia, por seus dirigentes municipais com suas mentes abertas, para o progresso e para a prosperidade: inundada por entre seus montes e colinas, desde a Serra dos Mascates à ondulante Serra das Cobras pelas bênçãos de sua Padroeira, Nossa Senhora da Glória.

 

E os fatos se passariam, se diluiriam na azáfama do tempo se não extstissem homens da estirpe de Luiz Darnasceno e Leoni Iório, verdadeiros guardiões de nossas tradições, reportando com a paciência dos sábios e o saber dos iluminados, para as gerações presente e futura, a beleza e a magnitude de nosso passado.

 

A pessoas como essas, todos nós devemos nosso respeito e admiração porque um  povo sem sua história nunca será um povo com cultura.

 

Muito obrigado.

 

5 – HOMENAGENS POS-MORTEM

 

1 - DECRETO QUE CRIOU A "BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL LEONI IÓRIO"

 

TRANSCRIÇÃO DO TEXTO REFERENTE AO PROJETO DE LEI, O QUAL DISPÕE SOBRE NOVA DENOMINAÇÃO PARA A BIBLIOTECA MUNICIPAL DE VALENÇA.

 

A Câmara Municipal de Valença resolve:

 

Art. 1o - A Biblioteca Pública Municipal de Valeença, passa a ser denominada de Biblioteca Pública Municipal JOSÉ LEONI IÓRIO.

 

Art. 2o - O Executivo Municipal providenciará a confecção da placa denominativa, bem como sua afixação no referido local.

 

Art. 3o – Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

 

Art. 4o – Revogam-se as disposições em contrário.

 

Sala de Sessões, 20 de agosto de 1985.

 

Nely Machado Gonçalves

 

J U S T I F I C A T I V A

 

Perpetuar o nome do insígne Historiador JOSÉ LEONI IÓRIO, na Biblioteca Municipal de Valença, sem resquício de dúvida, é uma justa e mereceida homenagem. Este é um meio que possuímos para evidenciar e resgistrar o reconhecimento, a gratidão que lhe é devida e o nosso mais profundo respeito.

 

O saudoso Historiador JOSÉ LEONI IÓRIO, provou na plenitude dos seus dias que, fez de sua vida um verdadeiro sacerdócio.

 

Antes de entrarmos diretamente na seqüência do registro de sua vida, para demonstrar o seu invejável currículo e outros dados colhidos a seu respeito, queremos ressaltar três pontos fundamentais de sua peculiaridade que despertaram nossa atenção:

 

                  - como intelectual, foi uma inesgotável fonte de sabedoria, semeando cultura;

 

                  - como pessoa humana, foi uma inquebrantável força moral, patenteando a firmeza de seu caráter.

 

                  - como religioso, foi um verdadeiro cristão, cumprindo sempre os desígnios do Onipotente.

 

Injustos seríamos se não fosse registrado que – desde a sua infância, já era distinguido como um menino exemplar, como aluno brilhante que foi, sempre zeloso e apicado. Aí começam seus belos dias. Durante muitos anos, foi coroinha na Catedral Excelsa Padroeira N. S. da Glória.

 

Embora, logicamente, a homenagem que se pretenda prestar, por si mesma já se justifica, mesmo assim, com a intenção de justificar o presente Projeto, propusemo-nos a rebuscar dados e através de uma pequena pesquisa, encontramos na obra “Antologia de Poetas Valencianos”, de autoria de Nabor Fernandes, o seguinte:

 

 

“JOSÉ LONI IÓRIO – O HISTORIADOR”

 

“Nasceu em Valença, a 31 de agosto de 1899, filho de José Iório e Silvéria Leoni Iório.

Fez o curso primário com a professora D. Noêmia Lopes Ielpo e Paulino de Aquino, e secundário no antigo Ateneu Valenciano, prestando exames no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, completando o ginasial na Academia de Comércio, em Juiz de Fora. Em 1920, matriculou-se na Escola de Farmácia, de Ouro Preto, Minas, diplomando-se em 1922. Foi, por concurso, Agente de Estatística (IBGE), em Valença até 1948, sendo transferido para Barra do Piraí, onde foi chefiar a “Agência Modelo” de Estatística, naquela cidade, em cujas funções se aposentou em 1963.

 

Em 1922, publicou duas obras teatrais e, em 1953, pela Gráfica Companhia Dias Cardoso S/A, Juiz de Fora, a sua grande obra, “VALENÇA DE ONTEM E DE HOJE”, sob o patrocínio do Jornal de Valença e da Associação Comercial de Valença. Trabalho substancioso, que vem prestando de uma forma geral, ao público e à classe estudantil, a história completa de Valença, no período 1789/1952. É um livro precioso que encontramos em nossas Bibliotecas, ao lado de“História de Valença”, do saudoso Historiador Luiz Damasceno Ferreira, publicado em 1925, ambos com edições esgotadas.

 

Jornalista, escritor e poeta, fundou os jornais “O Lynce” e o “Jornal de Valença”. Não admitia que lhe chamassem de poeta, afirmando... “fiz alguns versos, como é dever de todo brasileiro, quando se tem alguma inspiração”. Mas, foi um grande poeta, como podemos ver nos trabalhos que publicou.

 

Membro da Academia Valenciana de Letras, ocupou no Quadro Efetivo, a cadeira N. 35, patronímica de Lúcio Mendonça”.

 

Por outro lado, encontramos que, no dia 7 de julho de 1927, na inauguração do Ginásio Diocesano São José, após a missa campal, presentes as autoridades locais e grande número de pessoas naquele acontecimento marcante de repercussão social, em nome da sociedade, usou da palavra Leoni Iório, prestando homenagem ao grande benfeitor Dom André Arcoverde, por sua contribuição patriótica à terra valenciana.

 

Por portaria de 13 de setembro de 1928, do diretor do Departamento Nacional de Ensino foi o Sr. José Leoni Iório, nomeado Inspetor Federal de Ensino, junto ao Ginásio Diocesano São José.

 

Foi professor de Ciências Naturais, Secretário da Mitra Diocesana de Valença. Graças à sua cultura e capacidade administrativa, foi Inspetor Federal do Ateneu Valenciano.

 

Em Barra do Piraí, durante muitos anos, foi Chefe de Gabinete de vários executivos municipais. Com sua vasta inteligência, colaborou com diversos jornais, naquela cidade.

 

Realmente podemos afirmar que militou em quase todos os setores de sua época. A diversidade de sua atuação, nos campos: social, cultural e religioso, no seio comunitário de Valença e Barra do Piraí, foi algo marcante. Mostra-nos que a vocação do seu ideal identificava-se co a devoção de “bem servir”.

 

Durante muitos anos, foi funcionário da Câmara Municipal de Valença. No desempenho de  suas funções demonstrou com ampla retidão, ser um funcionário hábil, capaz e cônscio de sua responsabilidade, a tal ponto, que foi considerado como um dos mais eficientes funcionários que já passaram por aquela Casa.

 

No Estado do Rio de Janeiro, foi agraciado com o Ttulo de Cidadão Fluminense e, em Valença, com o Título de Cidadão Benemérito do município de Valença.

 

Mas, o destino que nos é imposto pela própria natureza, e que nos surpreende a cada instante, faz findar sua bela existência. No dia 21 de fevereiro de 1984, o nosso grande Historiador JOSÉ LEONI IÓRIO foi chamado para ingressar na Côrte Celestial. Momentos após a sua vinda para Valença, com a aquiescência da família e por solicitação dos Poderes Executivo e Legislativo, seu corpo foi velado na Sala das Sessões da Câmara  Municipal de Valença, onde rederam-lhe as últimas homenagens os Poderes Executivos, Legislativo, Academia Valenciana de Letras e outros segmentos da sociedade valenciana.

 

Analisando a efetividade de sua participação e a positividade de suas realizações, concluímos que, do seu entusiasmo, inteligência, dedicação e bondade, brotaram a pureza de sua alma, a polidez dos atos e a sublimidade de suas atuação. Incontestavelmente, dos seus méritos e dotes pessoais, também resultaram os sadios exemplos, sobretudo, deixando-nos uma grande lição, digna e real.

 

O desprendimento do orgulho e do egocentrismo, associado à sua grande virtude de fino trato acolhedor dispensado a todos com os quais edificou a plataforma reta para consagrar o seu valor e a dignidade dos quais sempre foi dotado.

 

Comprovadamente, seus feitos foram de cunho extraordinário, e a prova inconteste de um deles, é a magnífica obra de sua autoria “VALENÇA DE ONTEM E DE HOJE”. Nela se concentram as provas reais de sua sabedoria e dedicação. Seu esplêndido trabalho deixa marcas indeléveis para a posteridade. Em suas páginas encontramos algo a mais do que os reflexos de sua sapiência. Descobrimos mais do que exemplos e amor pela terra que o viu nascer. Ali estão edificados os portais de uma civilização as relíquias de um passado e as efemérides de várias épocas, numa prosa versátil, fluente, muitas vezes tão poéticas, confundindo o historiador com o vate; explodindo em cada frase, parágrafo e capítulo, o intenso amor de um valenciano que, como ninguém, soube amar sua terra natal. Os momentos de sua vida que não gozou, estão naquelas páginas, transformando os momentos de nossa história, precisos, reais, indeturpáveis, como o são o tempo e a própria vida.

 

Verdadeiramente, o Historiador JOSÉ LEONI IÓRIO, foi um exemplo a ser seguido, principalmente, por aqueles que idealizam a construção de um mundo melhor no amanhã para os seus irmãos.

 

Aquilatando a grandeza de suas obras, sua espiritualidade e o seu modo de ser, podemos dizer que o homenageado, indiscutivelmente, com humildade marcou a sua época.

 

Reconhecidamente, podemos registrar que os relevantes serviços prestados à sua terra e o amor que por ela nutriu, foram de tal modo, que procedimento igual, só se manifesta naqueles que de uma predestinação são dotados.

 

Por conseguinte, reverenciar a memória e perpetuar o nome do Historiador JOSÉ LEONI IÓRIO, na Biblioteca Pública Municipal de Valença, “é um dever”, tendo em vista que ele muito fez por merecer.

 

Pelo exposto, fica caracterizado que o presente Projeto se reveste da mais lídima e salutar justiça, por isso contamos com a Edilidade Valenciana, no que tange a unanimidade para a sua aprovação.

 

Sala das Sessões, 20 de agosto de 1985.

 

NELY MACHADO GONÇALVES

                                                                                                                     Vereador

 

  2- MENÇÃO EM ÓRGÃO DE IMPRENSA LOCAL

 

ADEUS, JOSÉ LEONI

por LÉLIO AMARAL

 

Eu estava na obrigação de dizer umas palavras de “ADEUS”, no sepultamento do ilustre e querido valenciano “JOSÉ LEONI IÓRIO”.

 

Além de outros cargos que ocupou sempre com competência e virtudes – Leoni Iório foi – o primeiro Inspetor Federal do GINÁSIO M. V. SÃO JOSÉ, nos idos tempos de sua fundação pelo inesquecível D. André.

 

Jornalista, historiador – deixou-nos um livro – VALENÇA DE ONTEM E DE HOJE – 1789-1952. São estas suas palavras: Esta despretensiosa obra é o fruto do coração para o coração dos meus conterrâneos. Pelo menos um manancial sincero para obra mais completa: a pedrinha de Valença no edifício do Estado, para engrandecimento do Brasil.

 

Um dia, foi residir na vizinha Barra do Piraí, onde ocupou e prestou honrosos serviços nos cargos que exerceu.

 

Ali, por mais de três anos, em função de sua outra profissão, a de farmacêutico – visitava-o mensalmente, atendendo a direção da Farmácia Brasil, da qual era Farmacêutico Responsável.

 

Perguntava pela sua cidade, pelo seu progresso, pela sua gente, pelos amigos e conhecidos, além da atenção e amizade com que me recebia. Membro da Associação dos Amigos de Valença e Academia Valenciana de Letras que estiveram representadas no enterramento.

 

Levou consigo uma imorredoura saudade de sua querida Valença e, nos últimos instantes de sua vida, para aqui, queria voltar. Em seu esquife, parecia nos transmitir um recado: “Para os que sempre me quiseram bem, para os que sempre me amaram – não chorem por mim – onde estou – estou feliz – estou com DEUS – estou em VALENÇA”.

 

A seus queridos famliares, nossas sinceras condolências.

 

 

2- LUTO OFICIAL DE 03 DIAS DECRETADO PELA PREFEITURA MUNICIPAL DE VALENÇA

 

DECRETO N. 010, de 21 de fevereiro de 1984

 

                   JOSÉ GOMES GRACIOSA, PREFEITO MUNICIPAL DE VALENÇA, ESTADO DO RIO DE JANEIRO, ELEITO E EMPOSSADO NA FORMA DA LEI, NO USO DE SUAS ATRIBUIÇÕES:

 

                   CONSIDERANDO os inestimáveis e relevantes serviços prestados à coletividade valenciana pelo HISTORIADOR JOSÉ LEONI IÓRIO;

 

                   CONSIDERANDO, finmalmente, que o falecimento do Sr. José Leoni Iório, hoje ocorrido, cobriu de pesar toda a família valenciana,

 

 

D  E  C  R  E  T  A:

 

                    Art 1o – Fica instituído, no Município, em virtude do falecimento do Sr. JOSÉ LEONI IÓRIO, “luto oficial” de três dias.

 

                    Art 2o – Este Decreto entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.

 

                    REGISTRE-SE, PUBLIQUE-SE E CUMPRA-SE.

 

                    GABINETE DO PREFEITO, em 21 de fevereiro de 1984.

 

 

JOSÉ GOMES GRACIOSA

Prefeito

                 

 

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