TERCEIRO
BARÃO DO RIO BONITO
POR LEONI IÓRIO
CAPÍTULO 6
A CIDADE E SEUS ASPECTOS
ROLE
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Monumentos
Históricos e Artísticos
Do
ponto em que há a foz do rio Piraí (*)
no rio Paraíba (*),
originou-se o topônimo resultante desse acidente geográfico, para designar
primeiro, o povoado que aí se desenvolvia, e depois,
a importante e bela cidade que é hoje, Barra do Piraí.
(*)
O Dr. Antônio Joaquim de Macedo Soares, em "Estudos Lexicográficos do
Dialeto Brasileiro", 1874-1890, diz: "Piraí - rio de peixe".
Esta opinião, apenas uns a contestam, por ser o rio pobre de peixes; há mais
de século e meio porém, quando inexplorado, poderia sê-lo rico. Ademais
disto, cumpre notar: PIRAI, assim grafado, pode conduzir à idéia de rio
pequeno, ou que dá peixinhos, porque segundo o conde Germano Stradelli, na
mesma obra ("Gramática Nheengatu",
pág. 445), o "i" é sufixo diminutivo, correspondente a inho. Esta
palavra, todavia, era, antes da reforma ortográfica, grafada com "y"
(PIRAHY), e o "y" não é diminutivo, e sim normal. Este mesmo autor,
Stradelli, na mesma obra, pág. 281, ensina: "PARAIBA = Parayua"; e à
pág. 591: PARAYUA = Parahyba - Mar ruim, mar mau". Mar mau, nesse caso,
tem sentido de rio (paranã), ou rio-mar, pela impressão que dava aos silvícolas
de braço de mar; e mau significa ruim para a navegação, em conseqüência dos
encontradiços lajedos e corredeiras.
Tão
ligadas se fizeram as vidas de José Pereira de Faro e a de Barra do Piraí que,
como vimos, falar nele é falar nela. Assim, se aí fica na biografia desse
grande Faro, uma boa parte da própria história de sua cidade, impõe-se
atualizá-la, com algumas páginas sobre sua evolução social e política e
sobre seus aspectos em geral, com o que, aliás, se evidencia o acerto desse
saudoso patrício, com a sua devotada dedicação, na antevisão do futuro da
terra que jamais o esquece. Sobre ela não só recapitulamos, a seguir, alguns
dados já esboçados ao longo deste trabalho, como agregamos outros, necessários
a ter-se, em conjunto, uma impressão geral dos atributos e do perfil geográfico
dessa grande unidade fluminense.
A
colonização do território da futura Barra do Piraí, teve começo, em terras
de sesmarias doadas, em 26 de janeiro de 1761, a Antônio Pinto de Miranda, com
uma légua em quadra, à margem direita do rio Piraí, e a Francisco Pernes
Lisboa, em 26 de fevereiro de 1765, também com uma légua em quadra, à margem
esquerda desse mesmo rio e direita do Paraíba.
A
localidade não era, senão o denso sertão, onde o machado dava início à
derrubada das matas impenetráveis...
A
respeito de Geografia Humana, escreve Alberto
Sampaio:
"Quando
se estudam as diferenças entre o habitat urbano
e o habitat rural, para definir o papel eutécnico(*)
da educação do povo, na melhoria dos sertões, todas as atenções se voltam
para a melhoria do quadro-climato-botânico de cada localidade, para que
a vida humana tenha aí, maiores probabilidades de prosperidade, a partir da
fartura de meios de subsistência e riquezas naturais em geral".
(44)
(*) - eutécnico - relativo à eutecnia, ciênciaa do aperfeiçoamento da raça para melhoramento do ambiente.
(44) - "Fitogeografia do Brasil" (pág. 190)
O
elemento português contribuiu muitíssimo para a formação e evolução do
território barrense. Em 1853, o comendador Antônio Gonçalves construiu uma
ponte sobre o Piraí e, próximo dela, um prédio em que foi instalado um
pequeno hotel a que se deu o nome de "Hotel Piraí", mais tarde
transferido a José Pereira Nogueira.
Em
seguida, outras construções se fizeram, não só à margem do Piraí, como
também do lado esquerdo do Paraíba, onde o 3o Barão do Rio Bonito
já havia erguido o povoado de Santana, em terras do antigo município de Valença,
enriquecido de poderosas fazendas de café.
Com
a ascensão do homem branco à Serra, inaugurou-se a primeira etapa
civilizadora, em que os senhores rurais do Império semearam, com o café, a
prosperidade no esplendor da fartura e do bem-estar.
A
inauguração da primitiva Estrada de Ferro D. Pedro II, atual Central do
Brasil, em 7 de agosto de 1864, deu ao povoado, progresso sensível e,
facilmente, se tornou uma das praças mais importantes no Estado do Rio de
Janeiro. O grosso do comércio era o café, ao lado de alguns cereais.
Importantes firmas do Rio de Janeiro estabeleceram território, instalando aí
sucursais para a compra da rubiácea. Toda a exportação do norte de São Paulo
e do sul de Minas Gerais, tinha, no povoado, o seu embarque, o que lhe dava
extraordinário incremento.
A
cidade de Barra do Piraí, que é uma das mais novas do Brasil, está situada em
terreno ondulante, no vale do Paraíba, na encosta da Serra do Mar, está
localizada na zona sudoeste do Estado do Rio de Janeiro e é banhada pelos rios
Paraíba e Piraí, que a atravessam, aquele de oeste para leste, e este, do sul
em direção ao norte para desaguar no primeiro, no centro urbano.

Vista da cidade de Barra do Piraí, em foto do ano de 1935.
Cercada
e entremeada de colinas, torna-se admirável por seu aspecto fisiográfico,
destacando-se, como suas principais características, as pontes e as ilhas que
lhe dão, sem dúvida, um encanto incomum, dentro de uma paisagem, que lhe é própria,
cheia de surpresas.
As
principais elevações urbanas, que dão à cidade um aspecto interessante, são
as seguintes, caracterizadas pelos morros: "João Gregório" (Morro
do Gama) próximo à rua
Cristiano Otoni; "Paraíso" (Morro
da Caixa d'Água), onde se
encontra a estação de abastecimento de água, local muito aprazível, de onde
se descortina um lindo panorama; e "Represa", na zona rural.
Relativamente
às ilhas, que surgem do leito do Paraíba, enfeitam elas, pitorescamente,
enriquecendo o panorama barrense. São elas: a de "Joaquim Duarte",
ligada à cidade por uma ponte, quase inteiramente edificada, está situada no
perímetro urbano, e é a mais agradável e freqüentada; a dos
"Amores", em frente à cidade, tomou este nome pelo fato de sua forma
primitiva ter sido a de um coração; e a do "Costinha", também em
frente à cidade.
Os
principais bairros da cidade, tanto na zona urbana como na zona rural, são os
seguintes: "Campo Bom" em terras desmembradas da antiga fazenda do
mesmo nome, hoje, inteiramente, edificadas; "Carvão", movimentado
bairro operário, situado em frente ao 2o Depósito da E.F.C.B.;
"Muqueca", antiga vila "Maranhão", em terras desmembradas
da fazenda da Muqueca, bairro bastante populoso, está localizado à margem
direita do Piraí; "Matadouro", bairro situado à margem esquerda do
rio Paraíba, tomou esse nome em virtude de ali estar instalado o matadouro
municipal; "Oficinas Velhas", local onde se encontra o edifício da
antiga oficina da Rede Mineira de Viação; "Pulverização", bairro
operário, bastante populoso, está situado à margem da E.F.C.B. , no ramal de
São Paulo, também conhecido pelo nome de bairro do "Pó", por causa
da antiga instalação para a redução do carvão, da Central do Brasil;
"Santo Cristo", bairro operário, situado entre o bairro do "Carvão"
e a "Carqueja"; "Vargem Grande", situado à margem da
E.F.C.B., e aí se encontra a rua 24 de Outubro; "Engenho Central",
pequeno bairro operário, no subúrbio onde se encontram as Oficinas e o Depósito
da Rede Mineira - edifício histórico,
onde funcionou o grande engenho de açúcar, fundado pelo 3o Barão
do Rio Bonito; e finalmente, "Fazenda da Barra", bairro também
bastante populoso, onde está instalada a sede da "Associação Rural Sul
Fluminense". No centro urbano, destaca-se a "Chácara Farani",
aprazível recanto residencial, onde realçam interessantes tipos de construção
moderna.
A
cidade está dividida em duas freguesias: a de Santana, antigo distrito,
outrora, pertencente ao município de Valença, onde se acham a Catedral e a
sede do Bispado; e a de São Benedito, que compreende toda a parte sita à
margem direita do Paraíba.
Posição
- Barra do Piraí, situada às margens dos rrios Paraíba e Piraí, segundo suas
coordenadas geográficas, tem a seguinte posição: latitude S.
22O27'57'' e longitude W. Gr.
43o49'41''. A sua distância, até a capital do Estado, em
linha reta, é de 89 Kms., sendo o
rumo ONO. Pelas estradas de ferro e de rodagem, suas distâncias são de 108 Km
e 119 Km, respectivamente, até a cidade do Rio de Janeiro e daí, mais 4 milhas
até Niterói.
Com
relação aos principais destinos e respectivos meios de transportes, a distância
da cidade de Barra do Piraí às cidades vizinhas compreende a seguinte tábua
itinerária: Barra Mansa – rodovia (52 km – 1h.15min.) ou ferrovia (46 Km
– 1h. 10min.); Itaguaí – rodovia, via Aristides Lobo, antiga Ipiranga (74
Km – 1h. 30min.) ou rodovia, Santana de Barra (73 Km – 2h.); Marquês de
Valença – rodovia, via Esteves (36
Km – 1h.) ou ferrovia (51 Km – 1h. 50min.); Piraí – rodovia, via Vargem
Alegre (40 Km – 1h) ou rodovia, via Santanésia (25 Km – 45min.); Vassouras
– rodovia (28 Km – 40min.) ou ferrovia (27 Km – 40 min.).
Altitude
- A sede municipal está situada a 357mts. em relação ao nível do mar.
Área
– Até 1945, a cidade, que se constitui de zonas urbana e suburbana, apresenta
as seguintes áreas territoriais:
Total
da área da cidade – 6,9536 quilômetros quadrados
Limites
– O distrito de Barra do Piraí, onde está situada a cidade do mesmo nome, é
limitado: ao norte, pelo município de Marquês de Valença; a leste, pelo município
de Vassouras; ao sul, pelos municípios de Mendes e de Piraí e, a oeste, pelo
distrito de Vargem Alegre.
Perímetro
urbano – De conformidade
com o Decreto-lei No. 1242, de 9 de outubro de 1944, as linhas divisórias do
perímetro urbano da
cidade de Barra do Piraí, são:
- “É delimitada por uma linha que começa nna margem direita do rio Paraíba,
no prolongamento da normal do quilômetro 110 (cento e dez) do ramal de Minas,
extendendo-se até 411 (quatrocentos e onze) metros para o interior dessa margem
(25o SE); daí em reta até o ângulo de 81o 30’ da
cerca da fazenda dos herdeiros do coronel José Teixeira de Barros Nóbrega,
ponto assinalado por um marco, daí até o ponto em que a dita cerca corta o córrego
da Santa Casa; desse ponto até o canto da Caixa d’Água
mas afastada do rio Piraí; desse vértice até o marco distante
160 (cento e sessenta) metros da linha da Rede Mineira de Viação Sul e medido
segundo o eixo da avenida Angélica; daí por uma reta orientada na direção
Sul (verdadeiro) até o córrego da Muqueca, e por este, ate a sua foz na
margem direita do rio Piraí; dessa foz, em reta, até encontrar o
prolongamento da normal ao quilômetro 107 (cento e sete) da linha Rio-Barra na
outra margem do Piraí; segue essa normal até 428,50 (quatrocentos e
vinte e oito metros e cinqüenta centímetros); desse ponto segue a direção
norte (verdadeiro) até o ponto distante 360 (trezertoø e sessenta) metros da
margem esquerda do rio Piraí; essa medida sendo feita segundo o eixo
principal da rua Barbosa, tendo uma extensão total de 741 (setecentos e
quarenta e um) metros; daí em reta cuja orientação é de 35o 30’
N0 até um marco da planta cadastral, numa extensão de 255
(duzentos e cinqüenta e cinco) metros; desse marco em reta até a passagem do
caminho de Santa Cecília sobre o Córrego do Matozinho, e por este, até sua
foz na margem direita do Paraíba; desse ponto em reta sobre o mencionado
rio até encontrar o prolongamento da perpendicular ao quilômetro 283 (duzentos
e oitenta e três) da Rede Mineira de Viação Sul; segue essa normal até o
citado quilômetro; em seguida, por essa estrada na direção de Barra, ate o
seu cruzamento com a cerca divisória de rumos entre os sítios da Goiandira e
da Companhia Agrícola e
Pastoril de Barra do Piraí; segue por esta até o ponto em que ela muda de
orientação com um ângulo de 150o (cento e cinqüenta graus);
desse ponto em reta até a caixa de água da rua Dr. Mesquita; daí, até um
marco, no fim do lote do Sr. Sizenando Barbosa Leite; em seguida, até o marco
de divisa das fazendas da Taquara e Santana; daí até o cruzamento de três
antigos postos a 25 (vinte e cinco) metros do rumo mais próximo da Chácara do
Sr. Pena; em seguida, acompanha o vale até o seu cruzamento com outro antigo,
desse ponto em reta até o canto
das oficinas da Rede Mineira mais próxima da fazenda de Santana e mais distante
do rio Paraíba; daí em reta até o ponto de origem”.
Perímetro
suburbano
- Em atinência ao Decreto-lei No.
1242, de 9 de outubro de 1944, as linhas divisórias do perímetro suburbano da
sede municipal são:
“É delimitada por uma linha que começa na foz do córrego da Caieira, na
margem direita do rio Paraíba e segue por este até o ponto em que o corta a
linha de transmissão de 600 (seiscentos) volts da Light, da linha
Ipiranga-Barra 135 (cento e trinta e cinco) metros do citado rio; daí, em reta,
segue paralelamente e distante 120 (cento e vinte) metros dos 2o, 3o,
4o e 5o alinhamentos do perímetro urbano até um ponto
distante 225 (duzentos e vinte cinco) metros do 5o vértíce do polígono
urbano na ordem descrita; daí, em reta, seguindo a direção sul (verdadeiro) a
50
(cinqüenta) metros à esquerda da linha da Rede Mineira de Viação Sul
sobre o prolongamento de uma reta perpendicular ao quilômetro 106 (cento e
seis) da Estrada de Ferro Central do Brasil; segue por esta normal até um ponto
distante 285
(duzentos e oitenta e cinco) metros da margem esquerda do rio Piraí;
segue na direção 33o NO até encontrar o prolongamento da normal ao
quilômetro 107 (cento e sete) da Central do Brasil e distante 112,50 (cento e
doze metros e cinqüenta centímetros) do vértice mais próximo do polígono
urbano; daí, segue paralelamente aos alinhamentos seguintes do citado perímetro
e distante 120 (cento e vinte) metros do mesmo, até um ponto distante 675
(seiscentos e setenta e cinco) metros do marco de triangulação da planta
cadastral, situado na subida do João Gregório; dai segue na direção sul
(verdadeiro), até o dito marco, e deste, em reta, até o centro da oficina de
pulverização; dai, em reta, ao quilômetro 111 (cento o onze) do ramal de São
Paulo da Estrada de Ferro Central do Brasil; segue esta estrada até o córrego
do Nora e, por este, até a sua foz no Paraíba; daí,
em reta, até a foz do córrego do Campo Bom, seguindo este até a linha da Rede
Mineira de Viação Sul; dai, o perímetro segue uma normal e estrada, nesse
ponto, até uma distância de 120 (cento e vinte) metros; desse vértice, o perímetro
acompanha paralelamente e a uma distância de 120 (cento e vinte) metros, todos
os alinhamentos do perímetro urbano da margem esquerda do rio Paraíba
até atingir a normal ao citado rio que passa pela atual porteira da entrada da
fazenda de Santana; segue essa normal até o rio e daí em reta, até o ponto de
origem.”
Logradouros
públicos e prédios -
Barra do Piraí não tem propriamente um traçado urbano. A sua construção se
efetuou, ante as situações fisiográficas que lhe enriquecem a natureza, sem o
prévio estudo de urbanização. Os logradouros surgiram aí, sem essa medida técnica
indispensável na formação das cidades modernas.
Ao
longo das margens de seus rios e das da Central do Brasil e da Rede Mineira
levantam-se edificações do mais variado estilo e com elas formaram-se e vão
se formando as ruas, as avenidas, as travessas, os becos, tornando as zonas
urbanas e suburbanas bastante extensas - o que, aliás, vem exigindo dos poderes
municipais, o aperfeiçoamento e desdobramento dos serviços de abastecimento de
água, de esgoto e de transportes, medidas que se tornam de caráter mais
urgente quanto mais grave se apresenta um dos maiores problemas locais - o da
moradia, cuja falta, não permite o crescimento ordenado da população, como
seria de se esperar.
A
cidade, em virtude de sua situação topográfica, está construída na parte
plana, embora acanhada, mas entre colinas verdejantes, que a obrigam espichar-se
pelas margens dos rios afora, e dá-nos com seu aspecto quase veneziano, por
ocasião das cheias moderadas, a agradável surpresa que sempre nos ofertam as
paisagens pouco comuns.
Nos
perímetros urbano e suburbano, que constituem propriamente, a cidade, existem,
atualmente, 116 logradouros públicos, dos quais 37 inteiramente pavimentados e
27 com pavimentação parcial, calculando-se a área da pavimentação em: 80
metros quadrados, em concreto; 6.000 metros quadrados em asfalto, e 105.494
metros quadrados, em paralelepípedos. Dos citados logradouros – 22 são
arborizados e 3 ajardinados e arborizados.
Com
relação ao número de prédios, estima-se em 4.293, com a seguinte caracterização,
nas zonas urbana e suburbana:
Alvenaria............3541
prédios
Madeira................143
prédios
Outros
tipos.........609 prédios
Desse
total, são de um único pavimento 4.240 prédios; 38 de dois; 7 de três; 1 de
quatro e 1 de sete pavimentos.
Abastecimento
de água
-
Possui a cidade um dos mais perfeitos serviços de captação e filtração de
água, com a sua moderna estação de tratamento, cuja inauguração teve lugar
em 1944, sendo, entretanto, a cidade abastecida, desde 1896, por uma mina cujas
águas são captadas em represa.
A
captação
da água, do atual serviço de abastecimento, cuja capacidade total em 24 horas
é de 3.024.000 litros, feita por sucção diretamente no rio Paraíba,
sendo a água elevada aos reservatórios, cuja capacidade total é de 994 metros
cúbicos e daí, encaminhada por linhas adutoras de 1.150 metros de
extensão, sendo de 18.800 metros as linhas distribuidoras que servem a cerca de
3.400 penas d’água, no perímetro urbano. Calcula-se em 2.500
metros cúbicos, a quantidade média de água distribuída diariamente,
durante o ano. A sua capacidade horária de elevação é de 116.900 metros cúbicos.
Esgotos
-
Desde 1899 é que, na cidade de Barra do Piraí, existe, em funcionamento, o
serviço rudimentar de esgoto. O tipo de esgotamento adotado é o de
“separador”, de espécíe “parcial”. A matéria esgotada, que não sofre
nenhum tratamento, é descarregada “in natura” nos rios Paraíba e Piraí.
Calcula-se
em 3.330 metros a extensão total da rede geral, no perímetro urbano, servindo
a cerca de 700 prédios. A maioria das habitações é esgotada diretamente
aos rios, independente da rede geral.
ILUMINAÇÃO
PÚBLICA E DOMICIILIÁRIA
-
A cidade, como várias sedes e povoados distritais, é iluminada a eletricidade
pela Cia. de Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro Ltda., desde 1908.
A
iluminação pública urbana é expressa por 116 logradouros iluminados total ou
parcialmente, sendo 959 o número
de lâmpadas existentes nas zonas urbana e suburbana. Calcula-se em 346.230 o
número total de kwh consumidos durante o ano de 1951.
Quanto
à iluminação domiciliária, a cidade da Barra do Pirai, inclusive o morro de
João Gregório e os povoados de Areal e Santa Cecília, possui 2.915 domicílios
servidos pela energia elétrica.
Limpeza
pública
-
A administração municipal, que é a responsável pela limpeza pública e remoção
de lixo da cidade, mantém esse serviço desde 1896. O sistema empregado, na
limpeza das vias públicas, é o da varredura a mão, sendo o lixo lançado no
rio Paraíba, fora do perímetro urbano.
MONUMENTOS HISTÓRICOS E ARTÍSTICOS
Possui
a cidade, alguns monumentos, que perpetuam fatos históricos e a memória de
seus benfeitores, por acontecimentos memoráveis, ligados à vida político-social
do município. Destacam-se:
Catedral
de Sant´Anna, situada no bairro de mesmo nome.
A igreja Catedral de Santana, que se ergue à rua Barão do Rio Bonito, no bairro de Santana, é um belo monumento histórico ligado à personalidade do ilustre Terceiro Barão do Rio Bonito, a cujas expensas exclusivas ela foi construída e inaugurada em 1881. Acima da porta principal do templo, que se apresenta em construção de elegante estilo, lê-se a seguinte inscrição:
1881
- "D. Petrus II, BRASILIAE
IMPERATOR HANC ECLESIANT SANCTE ANNAE NOMINE APPELARI VOLUIT".
Na
praça Júlio Braga, ergue-se o busto em bronze sobre um pedestal de cantaria,
ali então inaugurado em homenagem ao grande benfeitor da cidade, Coronel Júlio
Braga, cidadão prestativo e caridoso, e antigo presidente da Câmara Municipal
- cuja placa comemorativa nos mostra a segguinte legenda: "Ao
Coronel Júlio Braga - o povo agradecido 1910. A Comissão: Carlos Hugo Teixeira
de Almeida, Antônio Joaquim de Novais, Álvaro Cunha Ferreira, Luiz Daniel
Baronto".
Sobre
a ponte denominada "Nilo Peçanha", vê-se a placa comemorativa de sua
inauguração, com a seguinte inscrição: "Construída
sendo prefeito municipal Arthur Leandro de Araújo Costa - iniciada em 16-9-1931
- inaugurada em 10-3-1932"

Marco da Criação do Município, na Praça Pedro Cunha.
Na
praça Pedro Cunha, ergue-se, também em cantaria, um marco comemorativo à
fundação do Município, apresentando a seguinte legenda: "Marco
de fundação do Município - Barra do Piraí - 10/3-1890, inaugurado pelo
prefeito Dr. Arthur L. de Araújo Costa -10-3-1933".
Na
estação elevatória de abastecimento de água, no centro urbano, encontra-se
na parte externa do edifício, uma placa com os seguintes dizeres: "Prefeitura
Municipal de Barra do Piraí - Serviço de Abastecimento d'água - Interventor
federal do Estado Comte. Ernani do Amaral Peixoto - Diretor do Departamento de
Municipalidades Dr. Salo Brand - Prefeito Municipal Dr. Paulo Silva Fernandes -
1942". No interior da
referida estação, lê-se a seguinte inscrição: "O
povo ao Prefeito Dr. Paulo Silva Fernandes - 21-3-1942".
Na
ponte de concreto, existente sobre o rio Piraí, entre as praças Pedro Cunha e
do Expedicionário, lê-se, na respectiva placa de bronze, a seguinte legenda: "Ponte
Paulo Fernandes - Homenagem do povo do Município - 1945".
Na
praça do Expedicionário, lê-se: "Aos seus heróicos filhos, integrantes
do Corpo Expedicionário Brasileiro
a eterna homenagem da Barra do Piraí - Setembro de 1945 - Campanha do Correio
da Barra". E ainda, na mesma praça, num tronco de árvore (imitação em
concreto), numa placa de bronze, lê-se: "À Legião Brasileira de Assistência
- Gratidão da família do Soldado Expedicioonário".

Beco da Carioca, no Bairro de Sant´Anna.
Monumentos artísticos - Entre esses, a cidade nos oferece, primeiramente, como um reflexo da benemerência pessoal, o chafariz "Carioca", situado no beco do mesmo nome, no bairro de Santana, e construído em 1884, pelo Terceiro Barão do Rio Bonito que, deste modo, inaugurou o abastecimento de água, beneficiando às suas expensas, a serventia pública do povoado de Santana, então pertencente ao município de Valença.
Na
sua singeleza artística, surge, na praça do Expedicionário, modesta alegoria
em homenagem aos expedicionários brasileiros, evocando a célebre frase que se
tornou popular: "A
cobra está fumando".
No
cemitério Santa Rosa, encontram-se diversos mausoléus, que são expressivas
obras de arte, destacando-se entre elas, o da família Speranza.
A
cidade de Barra do Piraí, em relação às mais antigas, tem, com efeito, o seu
progresso em marcha acelerada, pois que, a conduz na vanguarda das cidades
adiantadas, cuja evolução econômico-social contribui para a prosperidade da Pátria.
Barra está, sem dúvida, entre as comunas progressistas do país, apesar de, em
1952, contar com pouca idade de emancipação.
Não
há povo sem vontade de progredir, como não há corpo sem células. E essa
vontade é a seiva vivente de um corpo orgânico, com vida própria, que se
desenvolve...
Barra
do Piraí é esse corpo vivo, em cujas células - os cidadãos - corre o sangue
do forte anseio municipalista. Os barrenses não podem imaginar a existência do
município de Barra do Piraí, sem o progresso de sua cidade, sem a sua vida própria.
"Vida
que não é própria, vida que seja de empréstimo, vida que não for livre, não
é vida", dizia Rui
Barbosa.
A
cidade de Barra do Piraí, pelo seu entroncamento ferroviário, dada a sua
privilegiada posição estratégica ante a economia nacional, caminha, a passos
largos, para novas arrancadas, de modo a colocá-la, em futuro não remoto,
entre as mais importantes cidades do Brasil. Com o plano que se esboça em torno
da instalação de indústrias pesadas que, certamente, trarão para Barra do
Piraí, milhares de operários, aumentando assim, o índice demográfico urbano
e suburbano, a cidade assumirá posição de novas possibilidades, em prol da
sua capacidade produtora, como cidade industrial, entre as suas coirmãs avançadas.
À
Barra do Piraí está reservado, sem dúvida, um futuro radioso, que a
glorificará nos destinos econômicos, sociais e políticos da terra fluminense.