RIO BONITO,
O BARÃO INVICTO
 


 

 

 

 

 

 

 

   (Correio da Barra - data desconhecida)

 

Quem lê ou escreve sobre a história de Barra do Piraí, sente, sem dúvida alguma, a esplêndida presença do maior vulto político que fora entre nós, José Pereira de Faro - esse Barão do Rio Bonito que assoma, afetuosamente, à nossa respeitabilidade, como um anfitrião do Passado, na inspiração criadora da terra barrense - glorioso feito que dignifica as tradições da antiga Província.

 

José Pereira de Faro, fazendeiro e político, e entusiasta entre os mais extremados agropecuaristas, teve por pais os austeros e nobres portugueses Joaquim José Pereira de Faro (2o Barão)  e Angélica Joaquim Vergueiro, respeitáveis titulares de alto renome.

 

Fazendeiro e político, gozando de real prestígio junto à Corte, desfrutava o 3o Barão, a amizade pessoal de D. Pedro II. Não era ele apenas um viçoso sonhador: tinha a honrar-lhe a ação indormida e viril, que o fez um dos mais dignos agricultores de Valença. Incansável e convicto, alimentava José Pereira de Faro, a idéia de aproveitamento de terras que, por sua privilegiada situação geográfica, facilitasse o escoamento da produção agropecuária da região, com destino aos grandes centros consumidores do Rio e São Paulo.

 

A idéia da conquista ficou-lhe como um desígnio supremo, cuja vitória, à margem de um acidente geográfico, consagrava o imutável topônimo de "Barra do Piraí".

 

A história pátria tem, nas margens do Ipiranga, o monumento do grito da Independência. Na barra do sinuoso "PiraÍ", de onde, ecoou, um dia, a voz do Barão do Rio Bonito que, a despeito da má vontade de alguns maiorais de municípios vizinhos, fez surgir, do enlace geográfico, o povoado futuroso, que depois se tornou cidade.

 

Diversos escritos comemorativos a tal evento, têm saudado, na data de hoje, a grande figura do 3o Barão do Rio Bonito, a cujas manifestações de sentimento cívico e de regozijo, quero, mais uma vez, juntar a minha adesão de simpatia e admiração.

 

Quanto mais cresce o número de anos que nos distanciam da venerável efeméride de 10 de março de 1890, mais nos destacamos social e culturalmente, mas, ainda, se agigantam, dentro de nós, o espírito e a memória daquele a quem devemos o nosso preito de civismo e a nossa festiva homenagem de reconhecimento.

 

Sob este céu que abençoa a fraternidade do dos rios, que são o orgulho da história barrense, paira o exemplo da força de vontade, refulgem as luminosidades de um gesto que é beleza cívica, e esplendem as razões de uma luta que se transformou numa espécie de milagre - o milagre daquilo que constitui a capacidade e a firmeza de uma resolução serena, o milagre daquilo que se ergue sobre ideais puros e convicções definidas.

 

O plácido Barão e o intransigente político se completavam no homem público, que não prometia, mas realizava; no homem público, que não mentia nem manobrava, mas edificava. O barão do Rio Bonito era o lidador de diretrizes patrióticas e sabia conduzir os homens no caminho de suas idéias, na senda de suas clarividências, em prol da causa que defendera como um "apóstolo do senso-comum".

 

Que saibam ver e entender, os nossos homens públicos, na ação do grande Barão, os exemplos vivos de sereno desprendimento, e que disso, resulte maior amor cívico à terra, que ele criou para os barrenses.

 

 

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