(Correio da
Barra, em data desconhecida)
O
município de Barra do Piraí comemora hoje, mais um aniversário de sua
emancipação política. A sua origem político-administrativa surgiu com a
colonização de uma área de terras de sesmarias, de cerca de 607 quilômetros
quadrados, às margens dos rios "Piraí" e "Paraíba",
justamente no encontro desses rios, cujo acidente geográfico resultou o nome de
"Barra do Piraí".
O
território destinado para a formação do futuro município se constituía, então,
de terras doadas aos colonizadores Antônio Pinto de Miranda e Francisco Peres
Lisboa, em 1761, à margem direita do rio "Piraí", sendo que, ao
último, à margem do mesmo rio e do "Paraíba", respectivamente.
Conquanto,
não se tenha um exato conhecimento sobre a história do devassamento do
território barrense, é de se prever que, para estas terras vieram os reflexos
conseqüentes da civilização dos municípios de Piraí, Valença e Vassouras.
Segundo
nos informa o jornalista e historiador Amaral Barcelos, "tem-se
uma vaga notícia sobre Pero Góis da Silveira que, por volta de 1540, teria
passado por essa região".
O
que é certo é que Barra do Piraí, tendo sua origem histórica em terras
pertencentes aos municípios já aludidos, teria sido visitada pelos índios
"Coroados", os quais, não podendo resistir às perseguições, aqui não
puderam permanecer, e foram obrigados a se infiltrar nas matas de
Conservatória, onde se puseram em lutas contra os "Purus", tendo,
mais tarde, se dirigido para o interior de Valença e Vassouras. Isto quer dizer
que, o território do futuro município de Barra do Piraí serviu apenas para a
passagem dos selvagens foragidos do litoral, em demanda da paz nas serras. É o
que se depreende em face da formação dos municípios vizinhos.
Quanto
à existência do povoado de Barra do Piraí, cuja origem data de 1853,
informa-nos Ovídio Mello que "o comendador Gonçalves Morais fizera
construir uma ponte sobre o rio "Piraí" e, próximo dela, o primeiro
prédio onde foi instalado o "Hotel Piraí", de propriedade de
Francisco Ilhéu que, mais tarde, o transferiu a José Pereira Nogueira".
O
animador do progresso do povoado - o fazendeiro Antônio Gonçalves realizou ao
lado do "Piraí", novas construções, auxiliado pelo seu filho José
Gonçalves, enquanto que, ao mesmo tempo, na margem oposta do
"Paraíba", isto é, do lado de Valença, os comendadores José Pereira
da Silva e José Pereira de Faro, este, mais tarde, 3o Barão do Rio
Bonito, faziam nascer o pequeno povoado de Santana, então pertencente ao
território de Valença.
O
povoado que, um dia, se chamaria Barra do Piraí, cresceu e se desenvolveu em
face das disputas progressistas entre os dois povoados, o de Santana, do lado
de Valença, e o de São Benedito, fundado por Antônio Gonçalves, junto à ponte
sobre o "Piraí".
Em
7 de agosto de 1864, no povoado situado no lado de Piraí, fora inaugurada a
estação da antiga ferrovia "D. Pedro II", atual Central do Brasil,
quando aqui penetrou a primeira locomotiva, conduzindo um trem de passageiros.
Em seguida, teve lugar o início dos trabalhos da Linha do Centro, com destino à
Minas Gerais e, mais tarde, o ramal de São Paulo, tornando-se assim, Barra do
Piraí, o maior entroncamento ferroviário da América do Sul. O seu comércio se
avolumou, as suas pequenas indústrias atraíram novos núcleos populacionais. As
exportações dos produtos de São Paulo e Minas Gerais tinham, aqui, o seu ponto
de embarque e desembarque por meio de barcos entre Resende e Barra e, por meio
de carroças e tropas entre Barra e Minas Gerais. Apesar de sua importância
econômica, Barra do Piraí, a esse tempo, não era nem sequer um distrito de paz
ou um curato.
Entre
1853 e 1854, os irmãos comendadores, José Pereira da Silva e José Pereira de
Faro - este, já Barão do Rio Bonito - importantes fazendeiros da margem
esquerda do "Paraíba", em terras de sua propriedade, situadas no
município de Valença, eram grandes entusiastas da formação do povoado de
Santana, tendo mandado construir as primeiras casas residenciais e uma igreja -
hoje, a bela Catedral de Nossa Senhora de Sant'Anna.
Deve-se,
indubitavelmente, ao fazendeiro das terras de Valença, José Pereira de Faro (3o
Barão do Rio Bonito), influenciado pelo prestígio do Barão de Juparanã, a
fixação do traçado ferroviário da antiga "Pedro II", em face da luta
que travara com a família Teixeira Leite, de Vassouras que, por sua vez,
disputara, então, o segundo traçado da estrada de ferro (bitola larga) que
devia passar por aquela cidade. A vitória coube, enfim, a embrionária Barra do
Piraí que, logo, entrou em franco progresso.
Novas
iniciativas do 3o Barão do Rio Bonito deram grande impulso ao
povoado que, em 23 de abril de 1868, se transformara, política e
administrativamente, em um distrito da Sub-delegacia de Polícia, no lugar
denominado "Barra do Pirahy", compreendendo a
freguesia de Santana.
O crescente progresso da localidade, já em 1885, deve-se, sem dúvida alguma, aos fazendeiros Faro e José Pereira da Silva, de Valença, e aos Morais e Breves, de Piraí, os quais, possuindo muitos escravos, deram extraordinário incremento à povoação nascente.
De
um lado, a freguesia de Santana, de outro, a de São Benedito, rápido fora o
desenvolvimento de Barra do Piraí, dada a sua posição geográfica em relação a
São Paulo e Minas Gerais.
Após
agitadíssima e memorável campanha política iniciada pelos Faro, em 1879, foi,
em 10 de março de 1890, efetivada a criação do Município de Barra do Piraí,
cujo decreto recebeu o No. 59.
Barra
do Piraí, até os nossos dias, vem seguindo os seus próprios destinos, quer na
política, quer na economia, apesar da ausência de iniciativas que poderiam
elevar muito mais na sua privilegiada situação entre as comunas
fluminenses.