
(Correio da Barra, edição de março
de 1959)
Como
se forma a história de um povo?
A
história de um povo se forma com a presença de obras, e iniciativas dignas e
construtivas. A história é a civilização. É o testemunho invariável da evolução
humana, que se recomenda ao conceito de outros povos.
A grandeza histórica de um núcleo humano está
no brilho de suas tradições e no fulgor moral de seus homens, e das respectivas
ações que a ilustram, na magnífica concepção do que se constrói em pró do bem
coletivo.
Não
se faz a história sem que antes haja um justo motivo, uma grande causa: a
história de um povo se assenta no valor dos seus homens-condutores que, por
seus feitos extraordinários, se tornam notáveis, escrevendo páginas memoráveis
que constituem o Passado, ora enriquecido de efemérides e de fatos
surpreendentes, ora emoldurado de lutas elevadas e de oportunas reivindicações,
como de ações de heróis e de mártires, visando a suprema conquista de ideal
sonhado ou de felicidade almejada.
A
história político-social empolga os homens, e na formação municipalísta de
núcleos colonizadores, a história de um povo se forma à sombra da Civilização
que é o ideal vivo da Humanidade.
A
emancipação política de Barra do Piraí, veio por força da implantação da
política econômica, imposta pelo desenvolvimento do Vale do Paraíba. Que era
antes, este pedaço da terra fluminense, senão a divisão de três municípios
vizinhos - Piraí, Vassouras e Valença? Apenas uma visão geográfica de morros e
pequenos vales, onde a vegetação se destacava do reduzido plantio de milho,
mandioca e cana de açúcar, ao lado da riqueza agrícola do ouro-verde das
abastadas redondezas.
Do
encontro do PIRAI com o vetusto PARAÍBA - a foz histórica que consagrou um nome
- nascia o estímulo dos grandes interesses comerciais que, por meio de barcos
improvisados, uniam as margens, numa ansiosa confraternização de progresso, a
ponto de tornar a pequenina zona da barra do rio PIRAI, um foco vital de
transações, face à necessidade de escoamento do café - essa imponência agrícola
era a maior conquista dos nossos ancestrais, então donos de um Brasil,
realmente verde-amarelo.
José
Pereira do Faro - esse aristocrata das terras valencianas, que herdara de seus
velhos pais, a educação e as linhas impecáveis de uma estirpe invejável -
tornou-se o devotado 3o Barão do Rio Bonito, baluarte incansável e
pioneiro inspirado do desenvolvimento econômico das nossas glebas, onde, por
suas arrancadas e iniciativas, e por seus esforços e patriotismo, aqui foi
plantado o marco de uma vitória municipalista, consolidada na emancipação
política de um povo que teve, para sua própria concepção de autonomia, a união
de três pedaços de terra que Piraí, Vassouras e Valença, desprendidamente,
cederam para a formação do futuroso núcleo barrense.
O
movimento cívico encabeçado pelo 3o Barão do Rio Bonito,
converteu-se num grande acontecimento histórico: a elevação de Barra do Piraí à
situação de município, pelo Decreto No. 59 de 10 de março de 1890, não foi
apenas uma glória local, mas um vitorioso impulso dos municípios vizinhos que,
tiveram assim, abertas as portas ao Progresso e à Civilização.
Barra
do Piraí! Se não trazes em teu passado, a histórica recordação dos velhos e
ricos palácios, nem o prestígio das pompas dos “gran-senhores” de engenho de
outras plagas, não importa que a tua história esteja ainda, na
infância dos acontecimentos; mas, o que realmente importa, e nos empolga, é
esse eloqüente abraço, amigo e fraternal, com que teus rios nos unem,
oferecendo-nos, no belo de sua natureza singular, o afetuoso amplexo espiritual
- símbolo da vitória democrática de um povo que sabe acolher e atrair, de um
povo que há de vencer pelo trabalho, em favor de sua história que será grande,
de sua história que será formosa e eterna.
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