A
colonização territorial do município de Barra do Piraí, cuja área está avaliada
em cerca de 607 quilômetros quadrados, teve início em terras de sesmarias
doadas, em 26 de janeiro de 1761 a ANTÔNIO PINTO DE MIRANDA, com uma légua em
quadra à margem direita do rio Piraí, e a Francisco Peres Lisboa, em 26 de
fevereiro de 1765, também com uma légua de quadra, situada à margem esquerda
desse mesmo rio e direita do rio "Paraíba".
A
primeira notícia concreta da existência do povoado, onde segundo Ovídio Mello,
o comendador Gonçalves Morais fizera construir uma ponte de madeira sobre o rio
"Piraí" e, próximo dela, o primeiro prédio, onde foi instalado o
Hotel Piraí, de propriedade de Francisco Ilhéu que, mais tarde o transferiu a
José Pereira Nogueira. Pouco depois foram feitas outras construções pelo
referido comendador Antônio Gonçalves e por seu filho José Gonçalves, ao mesmo
tempo em que, na margem oposta do "Paraíba", os comendadores João Pereira da Silva e José Pereira de
Faro, mais tarde Barão do Rio Bonito, ergueram o pequeno povoado de Santana,
então pertencente ao território de Valença.
A
estação de Estrada de Ferro Central do Brasil foi inaugurada em 7 de agosto de
1864, quando, no povoado, entrou a primeira locomotiva conduzindo um trem de
passageiros.
Logo
após, iniciaram-se os trabalhos da linha do Centro que conduz ao norte de Minas
Gerais e, mais tarde, os do rural de São Paulo. Dentro em pouco, se tornava a
pequena comuna, uma das praças comerciais importantes do interior. Toda a
exportação do norte de São Paulo e sul de Minas tinha ali seu ponto de
embarque, vinda aquela, por barcos, de Resende a Barra do Piraí, e esta, por
carroças e tropas. Entretanto, apesar de sua importância, Barra do Piraí não
era, a esse tempo, sequer um distrito de paz, nem um curato religioso.
Em
fins do ano de 1853 e princípio de 1854, os dois irmãos, comendadores José Pereira
da Silva e José Pereira de Faro, este, Barão do Rio Bonito e importante
fazendeiro em Valença - da margem esquerda do rio "Paraíba" - em
terras de sua propriedade naquele município, também trabalhavam pela formação
do povoado de Santana, com as primeiras casas que mandaram construir.
Os
Faro eram riquíssimos fazendeiros de Valença e proprietários das fazendas de
"Santana", "Monte Alegre", "São José" e
"Aliança". Já nesse tempo estavam sendo atacadas as obras da 1a
seção da Estrada de Ferro D. Pedro II. Tal empreendimento, altamente promissor
para o povoado nascente, deu ensejo a que se travasse, entre duas famílias
ilustres e poderosas, tremenda luta nos bastidores da Corte. A família Faro, de
Valença, tendo à frente o Barão do Rio Bonito e, a família Teixeira Leite, de
Vassouras.
Aquela
se empenhava no sentido de que, entre os dois traçados da Estrada de Ferro,
fosse observado a do Ribeirão dos Macacos; e esta, batia-se, energicamente,
pelo plano do Morro Azul. O primeiro traçado, em terras valencianas,
beneficiaria a embrionária Barra do Piraí e, o segundo, levaria maiores
possibilidades de progresso à já adiantada Vassouras. O povoado progrediu
francamente, de 1854 a 1864.
A
7 de agosto de 1864, era entregue ao tráfego regular de passageiros, o trecho
ferroviário da antiga D. Pedro II, entre Rodeio (atual Paulo de Frontim) e
Barra do Piraí, tendo sido o comboio especial conduzido pela locomotiva
"Baroneza". Em 1868, Barra do Piraí recebe a sua primeira categoria
político-administrativa, transformando-se assim, em um Distrito da subdelegacia
de polícia. Passados dois anos, nova Deliberação, datada de 31 de agosto de
1870, alterava o território do distrito de Barra do Piraí.
Os
primeiros colonizadores, de origem brasileira, que se instalaram no povoado,
foram os Faro e os Pereira da Silva, oriundos de Valença, onde eram grandes
fazendeiros, e os Moraes e Breves, de Piraí. Possuidores de muitos escravos,
deram imediatamente, extraordinário impulso a nova povoação que, já em 1585, se
encontrava bem adiantada.
Em
3 de novembro de 1885, pelo Decreto No. 2779, foi criada a freguesia de São
Benedito de Barra do Piraí, pertencente ao município de Piraí.
Para
Barra do Piraí, convergiam os produtos de Minas e São Paulo, exercendo esse
fato, grande atração sobre o elemento colonizado, tornando, por isso, em nossos
dias, o maior ponto de embarcamento da América do Sul.
Em
1890, um decreto datado de 19 de fevereiro, elevava a povoação de Barra do Piraí
à categoria de Cidade, sendo que, um outro decreto No. 39, de 10 de março desse
mesmo ano, criava o município. Quando Barra do Piraí foi elevada à cidade,
tinha uma população de quatro mil habitantes.
A
lei No. 1559, de 11 de julho de 1952, desmembrava do território barrense, o
distrito de Mendes, para constituir um novo município.