Valença de Ontem e de Hoje

GALERIA VALENCIANA

RODOLFO PORTUGAL

— filho de Guilherme Alberto Milward de Azevedo e de D. Olímpia Milward de Azevedo, nasceu em 6 de junho de 1890, na vila de Santa Izabel do Rio Prêto, no município de Marquês de Valença. Fez o curso secundário em Belo Horizonte, concluíndo-o em 1907, aí se bacharelando em Direito pela respectiva Faculdade. Advogado em Leopoldina e Caratinga, no Estado de Minas, transferiu-se depois para o Rio de Janeiro, onde foi companheiro de banca do jurisconsulto dr. Orozimbo Nonato da Silva. Dirigiu, em Caratinga, o jornal “O Povo”, foi juiz municipal em Leopoldina, onde assumiu o cargo em 15 de setembro de 1916. Em 1922, o governo federal nomeou-o fiscal de bancos no Estado de Minas.

 

Se em tôdas as funções se houve com brilho, aquela em que mais se assinalou o seu talento foi na pena de escritor e de jornalista. De sua passagem pelo “O Jornal”, do Rio de Janeiro, assim se referiu Assis Chateanbriand, quando do falecimento dêsse valenciano, no “Diário da Noite”, de 26-5-1931:

 

O Brasil perdeu ontem, em Rodolfo Portugal Milward, um dos maiores escritores, um dos homens de letras mais fortes que êle tem possuido em todos os tempos. Portugal Milward era dessas inteligências que a gente admira, segundo a expressão famosa comme un bute. Se os negócios, a política, o nomadismo de uma existência de quem andava sempre bivaqueando lhe houvessem os ócios ilustres do espírito, êle haveria deixado muitas páginas imortais, em vez de algumas poucas apenas.

“Há sete anos, Portugal Milward me aparecia no “O Jornal”, com cartas de apresentação de dois amigos: os srs. Calógeras e Antônio Carlos. Em nenhuma delas havia a declaração de que era o extraordinário ensaista, que, no primeiro artigo que me deu, logo êle se revelou.

“Publiquei-lhe o primeiro trabalho. Era um pequeno ensaio sôbre o capanguismo na Zona da Mata e Vale do Rio Doce. No dia seguinte, Monteiro Lobato entrou-me pelo escritório a dentro, exclamando:

-— “Quem é essa ressurreição tão original, no seu estilo, próprio de Euclides da Cunha? Pode-se dizer que apareceu no Brasil um escritor talhado em grandes linhas euclideanas.     

  

“Referia-se a Portugal Milward.

“Dois dias depois, eu jantava em casa de sir Alexandre Mackenzíe, e êsse inglês de boas letras perguntou-me quem era Milward. E acrescentou: “O Jornal” acaba de revelar um ensaísta de alto merecimento.

“Portugal escreveu, depois, alguns trechos de antologia, no “O Jornal”. Várias vezes, com o sr. Antônio Carlos, com o sr. Afonso Pena, com o sr. Calógeras, todos seus admiradores. Eu lamentava que êste notável escritor, tão rico de idéias, quanto profundo de sensibilidade, não desse à poesia o amor que ela merecia dêle.

 “A sua morte foi, para mim, um rude golpe desfechado na pequena família do “O Jornal”.

Rodolfo Portugal Milward faleceu, no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 1931.

 

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