MÁRIO DOMINGUES

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Mário Lopes Domingues nasceu a 5 de março de 1884, na fazenda de “São José
das Palmeiras”, no 1o distrito do município de Valença, Estado do
Rio de Janeiro, e é filho de José Lopes Domingues e de D. Idalina
Augusta Dias Lopes. Fez seus primeiros estudos no Colégio Facioti, da cidade de
Valença. Cursou depois o Ginásio Nacional, atual Colégio Pedro lI, onde tirou
os preparatórios. Em seguida, matriculou-se, ao mesmo tempo, na Faculdade de
Medicina e na de
Farmácia
do Rio de Janeiro. Conquistou o diploma de farmacêutico, profissão que nunca
exerceu, porque não tinha inclinação. Fez o curso médico até o
5o ano. Quando, no 4o ano, começou a frequentar
hospitais, convenceu-se de que não tinha vocação para a ciência médica, a
despeito das boas notas que sempre obtivera nas principais matérias do curso.
Já
nessa ocasião, o jornalismo o fascinava.
Um ano depois, resolveu ingressar na imprensa carioca. Floriano de Lemos, médico
e redator do “Correio da Manhã”, tendo sido seu professor particular de
História Natural, conseguiu para Mário Domingues um lugar de suplente na revisão
do grande órgão carioca. Foi, na mesma época, revisor da “Gazeta de Notícias”
ao tempo em que ali trabalhava, exercendo as mesmas funções, Elói Pontes,
hoje um dos mais renomados críticos literários. Um mês depois, abandonou a
revisão para ser repórter e logo após redator de “O Século” , do dr.
Bricio Filho, vespertino que tinha como Secretário Mário Alves, também
redator do “Correio da Manhã”. No “O Século” trabalhou Mário
Domingues até ao dia em que apareceu, revolucionando a imprensa, pelos seus
processos modernos, o “Imparcial” (de formato igual ao do “Excelsior”,
de Paris), sob a direção do jornalista José Eduardo Macedo Soares. Nêsse
matutino, Mário Domingues permaneceu como repórter e, mais tarde, como redator
teatral. Ao comêço, na secção de teatro, foi auxiliar de Goulart de Andrade
e Oscar Lopes, dois grandes vultos das letras nacionais. Pouco tempo depois
passou a dirigir sózinho essa secção. Fez-se então critico teatral.
Para
aperfeiçoar seus conhecimentos de teatro, tirou o curso de crítico teatral na
Escola Dramática Municipal, sob a direção de Coelho Neto, ouvindo as admiráveis
aulas dêste e de outros luminares, como Alberto de Oliveira, João Ribeiro e
Fernando Magalhães. A literatura teatral o empolgava, como ainda o empolga,
tendo escrito só, e de parceria com Mário Magalhães, antigo diretor do
“Correio da Noite”, várias peças teatrais, representadas com êxito nos
teatros do Rio e de outras cidades importantes. Trabalhou ainda como
jornalista na “Gazeta da Tarde”, “A Noticia”. “Boa Noite” e “Diário
da Noite”. Foi redator do “Correio da Noite” e é, atualmente, diretor da
“Lux-Jornal”, emprêsa de recortes de jornais, que êle fundou em 1928,
hoje, no gênero, considerada uma das melhores do mundo. Presentemente, faz
parte do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa. E’ sócio
do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, da Sociedade Brasileira dos Autores
Teatrais e da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, sendo que dessas
duas últimas entidades foi diretor.
Escreveu
as seguintes peças de teatro: — “Senhorita 1927”, comédia em 3 atos,
representada pela primeira vez, pela Companhia Jaime Costa; e,
de parceria com Mário Magalhães, “Tinha de Ser”, comédia em 3 atos e
“Travessuras de Chiquinho”, comédia em um ato, ambas representadas, pela
primeira vez, pela Companhia Alexandre Azevedo; “A linda Gabí”, comédia em
3 atos, representada, pela primeira vez, pela Companhia Leopoldo Fróes; “Eva
no Ministério”, comédia em 3 atos, representada, pela primeira vez, pela
Companhia Brasileira de Comédias, dirigida por Viriato Corrêa. Traduziu peças
do italiano e do francês, algumas só, outras com Mário Magalhães.
De colaboração com o poeta Sebastião Fonseca, escreveu “Como conhecer o Rio
de automóvel” — guia de turismo que, pela sua orientação prática, foi
oficializado pelo Conselho Deliberativo dc Turismo da Prefeitura do Distrito
Federal. Essa obra foi traduzida para o castelhano como elemento de propaganda
turística do Rio de Janeiro.
Em
fins de 1942, escreveu, de parceria com Mário Magalhães, a linda e
fina comédia em 3 atos, intitulada “Copacabana”, a qual, sob os auspícios
da grande artista Eva Tudor, foi levada com grande êxito na Capital Federal.
Essa peça foi premiada em concurso, pela Academia Brasileira de Letras. Por
ocasião de sua premiére, a imprensa
valenciana esteve representada, a convite especial dos autores da peça, pelos
diretores do “Jornal de Valença”. Escreveu, ainda, com Mário Magalhães, a
peça de assunto trabalhista “O Rei dos Tecidos”, classificada no
“Concurso de Romance e Teatro, do Ministério do Trabalho”, instituido pelo
ministro Marcondes Filho. A sua primeira rapresentação verificou-se no Teatro
Rival, do Rio de Janeiro, pela Companhia Delorges Caminha. Essa comédia marcou
o início do “Teatro Oficial do Trabalhador”, pois foi, pelo govêrno,
escolhida para a sua inauguração. Foi toda ela gravada em discos que constam
da Discoteca da Prefeitura do Distrito Federal. Faz parte ainda da bagagem literária
de Mário Domingues, o livro “Impressões de Viagem ao Norte do Brasil”, que
foi festejado pela critica literária do país. Pertence à Academia Valenciana
de Letras.