JOSÉ FONSECA

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José Siqueira Silva da Fonseca nasceu na cidade de Valença, Estado do Rio de
Janeiro, no dia 16 de outubro de 1877, e é filho de Maximiano Siqueira Silva da
Fonseca e de D. Joaquina Claudina de Medeiros Fonseca.
Frequentou
em Valença os colégios “Marinoni” e “Magalhães”. Mudando-se para o
Rio de Janeiro, ingressou, aos 13 anos de idade, no comércio de atacado onde,
com menos de 19 anos de idade se fez viajante, tornando-se, aos 24 anos, gerente
da casa de que já era interessado. Casou-se, em São João del Rei, com D.
Balbina da Cunha Mourão, descendente de uma das mais ilustres e tradicionais
famílias mineiras.
Abandonando
o comércio, no Rio, fez-se industrial, graças à sua inteligência e
dedicação ao trabalho. José Fonseca e seu velho amigo cel. Benjamin
Ferreira Guimarães, então residente em Bonsucesso, Minas, unidos,
incorporaram, em janeiro de 1906, a Cia. Industrial de Valença. Nunca fez política.
Durante grande parte do tempo em que residiu na cidade de Valença, isto é, de
1905 a 1915, serviu como 1o suplente de Juiz de Direito. Em 1909,
julgando indispensável ao progresso de sua cidade natal, solicitou do então
senador Oliveira Figueiredo sua intervenção na criação de uma estação
telegráfica, no que foi atendido, com apresentação de emenda ao orçamento,
no Senado. Em 1910, foi
a
estação telegráfica inaugurada. De novo, em 1915, mudou-se para o Rio, com o
fim de atender aos seus vários negócios, mas interessando-se por tudo que se
prendesse a Valença.
Em
1918, mais ou menos, foi procurado pelo então promotor público, dr. Gastão
Neto Reis, vigário Antonio Correa Lima, Francisco Ielpo e outros, que lhe
pediram ajuda para a fundação de um asilo. Não obstante o seu pessimismo
quanto à realização de tão nobre empreendimento, comprou e doou o prédio
escolhido, à praça Visconde do Rio Prêto, sob a condição de que se não
efetivasse a obra, reverteria o referido prédio à Santa Casa. Foi o que
aconteceu, com mais a importância de CrS 3.000,00,
tudo
o que conseguiram para essa obra.
Em
1918, foi eleito provedor da Santa Casa da Misericórdia de Valença, cargo que
exerce até à presente data. Por proposta sua, criou-se, o Asilo, que mais
tarde recebeu o nome de Asilo “Balbina Fonseca”, em honra a sua inesquecível
espôsa, D. Balbina Mourão da Cunha Fonaeca, doadora do magnífico prédio onde
esteve até 1943 instalado o aludido Asilo para meninas. Foi presidente da
Comissão Pró-Bispado de Valença, por cuja realização muito se interessou
junto ao Núncio Apostólico, concorrendo com a têrça parte da quantia necessária
para a formação do seu patrimônio. Empenhando-se com o seu amigo dr.
Cristiano Guimarâes, conseguiu a criação, na cidade de Valença, da Agência
do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. Doou ao Bispado de Valença a
chácara e prédio em que residiu desde sua infância, à rua Silveira Vargas,
para a instalação da Escola Normal. E’ um dos maiores acionistas da Cia.
Telefônica de Valença. Fundou, em 1924, a Cia. Progresso de Valença. que dá
serviço a cêrca de 500 operánios. A 19 de março de 1938, fundou em Valença
a “Associação Protetora das Crianças”, hoje, “Associação Balbina
Fonseca”, que compreende os estabelecimentos “Lar José Fonseca” e “Lar
Balbina Fonseca”. Para desdobramento das instituições do antigo Colégio
Sacre Coeur, atual Colégio
Sagrado Coração de Jesus, conseguiu a transferência da sede do “Centro Espírita”
para outro local da Praça D. Pedro II.
O
benemérito José Fonseca realizou, por inúmeras vezes, viagens à Europa,
percorrendo também a América do Norte, Uruguai, Argentina e Chile. Ocupa,
atualmente, os seguintes cargos: presidente da “Palacete Valença Predial S.
A.”; do Instituto Valenciano de Assistência Social; da Associação Balbina
Fonseca e provedor da Santa Casa da Misericórdia de Valença; vice-presidente
honorário do Asilo Izabel, de Desengano, membro da Comissão Fiscal da Associação
Comercial do Rio de Janeiro; do Sindicato das Indústrias de Fiação e
Tecelagem do Rio de Janeiro e do Patronato de Menores, da Capital Federal.
Em
1945, fundou a Sociedade Amigos de Valença, empreendimento de elevado alcance
social e econômico para o progresso sempre crescente da terra valenciana.
O
ilustre valenciano José Fonseca é, sem favor, nos tempos atuais, o maior
benfeitor da cidade de Valença, cm cuja assistência social a sua atuação tem
sido decisiva em benefício da infância de sua terra natal, da qual é amantíssimo
protetor.
Em
fins de 1946, pelos inestimáveis serviços prestados à coletividade, a Igreja
Católica houve por bem conferir-lhe o titulo de Comendador, verificando-se a
entrega das insígnias em memorável solenidade na Catedral de Valença.
Grandes
obras realizou o dr. Fonseca, em 1947, na Santa Casa local, mandando construir,
por conta própria, um pavilhão para tuberculosos, além de reformas gerais em
todo o edifício, adaptando-o às necessidades do serviço.