INÁCIO CÓCHRANE

— Inácio da Gama Cóchrane, notável engenheiro, com grandes obras realizadas no Brasil, nasceu em Valença, no Estado do Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1836, e faleceu, na cidade de S. Paulo, em 31 de maio de 1912.
Foram seus pais o doutor Roberto Wallace Mac-Farlane e Da. Helena Nogueira da Gama, tendo como parente Nelson Lacerda Nogueira, a mais alta mentalidade literária da atualidade fluminense. Por morte de seu pai, contraiu D. Helena novas núpcias com o ilustre médico homeopata doutor Tomaz Cóchrane, cuja dedicação ao seu enteado fez com que êste lhe tomasse o nome.
Seus primeiros estudos de humanidades foram feitos no “Instituto Colegial”, de Nova Friburgo, dirigido pelo pedagogo inglês John Freese. Em seguida, passou para o Colégio Calógeras”, de Petrópolis, e depois para o de “Barão de Tautpheus”, no Rio de Janeiro. Em 1852, iniciou o seu curso de matemática na antiga Escola Central de Engenharia, ao mesmo tempo que assentava praça como aluno militar num batalhão de artilharia, do Exército Imperial. Em 1857, recebeu gráu em ciências físicas e matemáticas e, para que livremente pudesse seguir a carreira de engenheiro civil, pediu demissão do Exército, onde já ocupava o pôsto de segundo tenente de artilharia. Tomou parte na construção da Estrada de Ferro D. Pedro II, bem como na exploração da via férrea que veio ligar Niterói a Campos. Em 1860, exerceu as funções de engenheiro fiscal junto à Estrada de Ferro Inglêsa, de Santos a Jundiaí. Nessa época, contraiu casamento com D. Maria Luiz Vieira Barboza. Logo a seguir entrou na política e ocupou os cargos de vereador e de presidente da Câmara Municipal de Santos (1864-77). Por serviços prestados durante a guerra do Paraguai, foi agraciado com a comenda da Ordem da Rosa (1868) e nomeado tenente-coronel da Guarda Nacional de Santos; acompanhou e fiscalizou a construção do trecho entre Jundiaí e Campinas. Em 1870, foi distinguido com sua eleição para a Assembléia Legislativa Provincial. Ens 1886, foi eleito deputado por São Paulo à Assembléia Geral.
Exerceu
ainda as funções de superintendente da Estrada de Ferro S. Paulo-Rio de
Janeiro. Em 1887, fez parte da comissão que estudou o projeto da Estrada de
Ferro Madeira-Mamoré. Em 1894, foi escolhido chefe da comissão encarregada
pelo govêrno do Estado de S. Paulo, para dar impulso às obras de melhoramento
e saneamento da capital; e dois anos depois, viu-se nomeado diretor das Obras Públicas
do Estado. Quando faleceu, ocupava o cargo de consultor técnico da Secretaria
da Agricultura. Foi presidente do “Instituto Pasteur” de S. Paulo, um dos
fundadores que mais colaboraram na organização dos serviços de água, luz e
esgotos da cidade de Santos.