DARIO DE MENDONÇA
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Dario Furtado de Mendonça, nasceu na cidade de Valença. Est. do Rio de
Janeiro, aos 19 de dezembro de 1871. Era filho do coronel João Rufino Furtado
de Mendonça, notável advogado e chefe político valenciano, e de D. Ana
Carolina Furtado de Mendonça. Depois de um curso de primeiras letras em sua
cidade natal, frequentou Dario de Mendonça o conhecido Colégio Hopke, de Petrópolis,
e, em seguida, o Ateneu Fluminense e o Universitário, da Capital Federal. Mais
tarde, matriculou-se na Academia de Direito de S. Paulo, onde fez o curso de ciências
jurídicas e sociais. Regressando a Valença, aí inaugurou próspera banca de
advocacia, tendo sido nomeado, a êsse tempo, curador de órfãos da Comarca de
Valença.
Eleito, pouco depois, isto é, em 1909, vereador geral e vice-presidente da Câmara
Municipal de Valença, exerceu a presidência da cidade, devendo-se à sua atuação,
inúmeros serviços, entre os quais avulta a restauração do Paço Municipal.
Iniciou a sua carreira jornalística como repórter de vários jornais de São Paulo. De lá enviava crônicas semanais para “Atualidade” e “Gazeta de Valença”, jornais de sua terra natal. Foi redator, desde sua fundação, do “O Economista”, da Capital Federal, e colaborador efetivo do “O Resistente”, de S. João deI Rei. Fundou e dirigiu a “Comarca de Valença”, durante 9 anos, indo depois, em abril de 1912, trabalhar na redação do “Jornal do Comércio”, do Rio. Foi, por três vezes sucessivas, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, tendo sido, em 1920, presidente desta prestigiosa associação de classe. Na Associação Brasileira de Imprensa, por ocasião da inauguração do seu retrato, na galeria dos presidentes, o jornalista João Melo, representando o “Jornal do Comércio”, fez justas referências ao velho e querido companheiro de redação naquêle tradicional órgão da imprensa brasileira. Do discurso, proferido em 10 de setembro de 1927, extraimos os trechos que mais focalizam a personalidade de Dario de Mendonça:
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“E’
um
jornalista que conhece as dificuldades e a beleza da profissão dentro do jornal
de província e na adiantada imprensa da Capital. E não foi, de certo, na
demorada fase da “Comarca de Valença” que o nosso homenageado menos fez
brilhar os recursos de sua bela inteligência e do conhecimento geral das coisas
do Brasil, sua política, seu comércio, a vida industrial, a riqueza agrícola
— fatores do progresso e da grandeza do município fluminense. Redator, repórter,
revisor, expedidor, — enfeixava, na sua capacidade de trabalho, as várias
atividades que completam o jornalista do interior. Mas, o extraordinário é
que, sempre, essa onipresença nas necessidades profissionais revelaram — ao
lado do homem prático — o culto, o cintilante, o perigoso jornalista
independente, em páginas panfletárias e, também, em artigos conservadores, de
construção, defendendo a necessidade da ordem política e destruindo idolos
de pés de barro, que os preconceitos e a rotina incensavam. Sôbre essa fase
fecunda falará outro, quando chegar ao meu amigo a vez de figurar entre as
nossas notabilidades, na outra galeria... E não haja pressa. Vindo para nós,
incorporou-se à massa anônima dos intelectuais, que fazem o jornalismo
profissional. Na nossa coletividade é impossível conhecermo-nos todos, cada um
com o seu valor de função exata. Presumimos sempre bem, quando o nosso
otimismo nos leva, como aqui nesta Associação, a querer, e a teimar em querer,
congregar numa só família, que se preze e que se ame, os indivíduos que vivem
do jornal. Boas ou más, são presunções. No primeiro caso não conhecer e
presumir bem é crer na prudência dos outros, que não permitiram um incapaz em
trabalho de capacidade, trabalho retribuido, ganha-pão profissional; no segundo
caso, não conhecer e presumir mal, quando não acontece conhecer o mal dizer,
é cabotinismo para vencer, e às vezes, o cabotinismo acerta, sofrendo embora
os ridículos inseparáveis de sua atitude... Em relação ao confrade e consócio
que passa a figurar hoje naquela galeria, há opinião formada. Não sendo dos
menores o seu meio atual, e com a bagagem profissional trazida do interior, não
se lhe nega, dá-se-lhe, com tôda a justiça, lugar de relêvo entre os seus
pares. Mendonça é da classe dos disciplinadores da expressão, para definir ou
comentar assuntos a sua crítica. Êsse bravo, lúcido e querido jornalista foi
nosso presidente num breve período em que, como vice, por motivo da renúncia
do presidénte, assumiu o pôsto, então, difícil, da suprema direção social,
cercado de companheiros hostis ao resignante, de quem Mendonça era leal
colaborador. Que serviço, meus senhores, que habilidade, e que discreção
para conduzir o barco social através dos escarcéus de uma crise indissimulada,
até o momento eleitoral! Foi uma vitória para a Associação aquela nobre
atitude, calma e superior, que manteve em equilíbrio os ânimos não de todo
serenados com o resultado do pleito famoso, até à hora de entregar ao seu
sucessor, por coincidência seu antecessor, o leme da náu, que estava sem
avarias, pronta a navegar pelos anos além, não obstante as tempestades daquele
momento e de outros ulteriores. Aquêle retrato que figuraria ali, independente
de serviços especiais, como figura o do orador que vos fala, deveria ter sido
inaugurado, quand même, depois da passagem de Mendonça pela presidência.
Não o foi, felizmente para nós, para sê-lo hoje, nesta jubilosa data, em que
se comemora a fundação do primeiro jornal brasileiro e quando, pelo esfôrço
da atual diretoria, se inicia uma fase evidentemente nova, para a Associação
Brasileira de Imprensa”.
Dario
de Mendonça exerceu, com dedicação, o cargo de bibliotecário do "Pedagogium",
da Capital da República. Nomeado promotor de Justiça em S. João del Rei, pôs
em relêvo suas aptidões jurídico-sociais. Delegado de polícia na Capital
Federal, no quatriênio de Campos Sales, deixou o cargo, forçado pelo seu
estado de saúde, já alterada. Em Valença, Dario de Mendonça exerceu os
cargos de Escrivão e Tabelião e de Oficial do Registro de Hipotecas, de Juiz
de Paz, de Curador Geral, de Escrivão e Provedor interino da Santa Casa da
Misericórdia, e de redator-correspondente da “Gazeta de Notícias” e do
“Jornal do Brasil”, ambos do Rio.
Convidado
pelo então presidente do Estado do Rio, dr. Nilo Peçanha, exerceu as funções
de Delegado de polícia do município de Valença. Na política, manteve
frutuosa campanha jornalística travada em benefício da terra natal. Devido aos
seus esforços, Valença foi dotada de uma estação telegráfica e muito
trabalhou pela elevação, à segunda classe, da Agência Postal da cidade.
Dario
de Mendonça faleceu a 9 de janeiro de 1932, na Capital Federal, no seio de sua
família, há
muito ausente de Valença. O seu enterramento
se efetuou no dia seguinte, às 9 horas, no cemitério de S. João Batista. O
“Jornal do Comércio” fez-se representar por várias comissões de tôdas as
suas secções. A Associação Brasileira de Imprensa, logo que conheceu a
infausta noticia, hasteou em funeral o seu pavilhão, homenageando, dêste modo,
a memória do seu ex-presidente.