
—
Antônio Bernardes Fraga era filho de Jacinto Bernardes Fraga e de D. Clara
Salino Fraga, tendo nascido na cidade de
Valença, Estado do Rio, no dia 2 de outubro de 1875. Com pouco mais de um ano
de idade, Antônio Bernardes foi levado para uma fazenda no distrito de S.
Sebastião
do Rio Bonito, atual Pentagna, onde iniciou seus estudos de primeiras letras,
revelando, aos sete anos de idade, inteligência invulgar entre os meninos da
pequena escola primária do professor Otaviano Augusto Castelo Branco, mais
tarde dirigida por Virgílio Godinho da Silva e Carlos Wanderley Maciel Pinheiro.
Êste último, sobrinho do Barão de Cotegipe, pela sua cultura, era tido como
professor notável em todo o Estado do Rio. Devido ao seu comportamento exemplar
e indiscutíveis aptidões intelectuais, mereceu a honra, aos onze anos de
idade, de ser nomeado decurião da escola.
Aos
doze anos de idade, Bernardes, tendo concluído o curso primário, fez-se
caixeiro de uma padaria em Pentagna. Foi aí que começou a fazer versos, mesmo
sem conhecer métrica e poetas. Nessa idade parecia ser o precursor da escola
futurista, que depois passou a detestar. Mais tarde, em 1888, sua família foi
residir em Juiz de Fora, pois, seu pai, fazendeiro que era, tornou-se funcionário
da antiga Estrada de Ferro D. Pedro II.
Antônio
Bernardes, ativo e trabalhador, continuou a exercer suas atividades no comércio
local, jamais se esquecendo de dedicar-se, nas poucas horas que lhe restavam
para descanso, às letras, compondo versos e charadas de grande repercussão na
sociedade juizdeforana. Em 1889, após a proclamação da República, Antônio
Bernardes Fraga foi para Ouro Prêto, onde fez o curso de Humanidades. Voltando
a Juiz de Fora, aí passou a exercer a profissão de guarda-livros na Cia. Fiação
e Tecelagem Industrial Mineira, em Mariano Procópio, mas sempre estudando línguas,
fazendo versos e escrevendo não só para a imprensa local, como de diversas
localidades mineiras. Foi colaborador assíduo do “O Farol”, do “Jornal do
Comércio” e do “O Dia” de Juiz de Fora, jornais em que militou desde 1909
a 1923, escrevendo crônicas, em prosa, como também versos líricos e humorísticos,
ora sob o pseudônimo de Abel, ora assinando A. B. Fraga.
Não
é pequena a bagagem literária que deixou. Escreveu e publicou os seguintes
trabalhos: “Acordes” (versos), edição esgotada; “Miuçalhas” (prosa
e versos), edição esgotada; “Palestra” prosa e versos); “Flôres
Agrestes” (versos) — 1938, e outras publicações esparsas. Entre os
trabalhos prontos para o prelo deixou o poeta Fraga — “Breviário
Infantil” (versos didáticos). Foi um grande propugnador da instrução e
foi êle, ao lado do filólogo Lindolfo Gomes, que, em 1909, fundou o Grupo
Escolar “Antônio Carlos”, em Mariano Procópio. Em 1913, Antônio Bernardes
fundou, ainda, uma escola primária na estação de Retiro. Nomeado, em 17 de
novembro de 1933, exerceu, até 1940, as funções de tesoureiro da Prefeitura
de Juiz de Fora. Bernardes Fraga era portador da patente de Alferes da 4a
Companhia do 111o Batalhão da Guarda Nacional, da Câmara Municipal
de Juiz de Fora, expedida em 1893, pelo Marechal Floriano Peixoto.
Antônio
Bernardes Fraga faleceu, em Juiz de Fora, no dia 14 de fevereiro de 1940.