
— O dr. Álvaro Rocha Pereira da Silva nasceu aos 9 de fevereiro de 1874, na freguesia de Nossa Senhora da Piedade das Ipiabas, no município de Valença, sendo seus pais o tenente-coronel João Pereira da Silva e D. Guilhermina Pereira da Silva, já falecidos. Frequentou até o quinto ano o internato do Colégio Pedro II, e, daí, passou para o Curso Anexo da Faculdade de Direito de S. Paulo, onde concluiu seus estudos de humanidades, bacharelando-se aos 21 anos de idade.
Em
17 de janeiro de 1895, ainda acadêmico
de Direito, foi nomeado, pelo dr. Joaquim Maurício de Abreu, então presidente
do Estado do Rio, oficial de gabinete da presidência, cargo êsse equivalente
ao atual de Secretário
do Govêrno, exercendo-o até à extinção do mandato presidencial, isto é,
aos 31 de dezembro de 1897. Em 1898, passou a residir na cidade de Barra do Piraí,
onde advogou até setembro, quando o dr. Alberto Tôrres, então Presidente do
Estado do Rio de Janeiro, o nomeou promotor de Justiça daquela Comarca, pôsto
em que permaneceu cêrca de dois anos. Deixou êsse cargo para militar na política,
reabrindo banca de advocacia, que se tornou uma das mais importantes daquela
zona. Exerceu os cargos de delegado escolar, Adjunto de Procurador Seccional da
República, vereador, secretário e presidente da Câmara Municipal de Barra do
Piraí, em várias legislaturas (1907 a 1915). Eleito deputado à Assembléia
Legislativa, fez parte de importantes comissões, sustentando, com ardor, os
pontos de vista externados aos seus próceres. Nas sessões de 1913 e 1914, foi
escolhido pelos seus pares, para as funções
de lider da maioria. Teve ocasião de defender, com o maior desassombro, a
autonomia do Estado do Rio contra o que denominavam “ditadura judiciária”,
a qual, afinal, triunfou com a ascenção
de Nilo Peçanha à presidência do Estado. Entrou, assim, Álvaro Rocha no
ostracismo, que não entibiou o seu ânimo, continuando, em Barra do Piraí e
nos vizinhos municípios, a exercer a essa profissão e a chefiar o partido
oposicionista local. Em 1923, voltou à Assembléia Legislativa, onde fez parte
da comissão de verificação de poderes da eleição de presidente e
vice-presidente do Estado, efetuada durante o período da intervenção federal.
Escolhido para relator do pleito, escreveu importante parecer, discutindo o término
do mandato presidencial, que entendia e demonstrou ser de quatro anos e não de
três, como muitos sustentavam. O seu trabalho mereceu o apôio da comissão e
dos doutos, fracassando mais tarde as tentativas partidárias
para a limitação dêsse período, preenchido integralmente que foi pelo sr.
Feliciano Sodré.
Membro
da Comissão Executiva do Partido Republicano Fluminense, foi o dr. Álvaro
Rocha eleito deputado federal para a legislatura de 1924 a 1926, tomando parte
na reforma da Constituição, então levada a efeito. Reeleito, renunciou o
mandato para exercer as funções de Secretário do Interior e Justiça do
Estado do Rio, cargo que desempenhou durante pouco menos de três anos, a que
ficou limitado o período do govêrno do sr. Manuel Duarte. Por ocasião dessa
investidura, em 1927, o “Jornal do Comércio” escreveu: “Os
traços mais fortes de sua individualidade são a cordura e a tolerância que
lhe têm valido grandes simpatias”.
Deixando
a Secretaria, voltou o dr. Álvaro Rocha à Barra do Pirai, onde reabriu sua
banca de advogado. Ali, continuou a prestar os seus serviços profissionais
gratuitos à Casa de Caridade Santa Rita, membro que fôra de suas primeiras
administrações. Exerceu também o cargo de presidente do antigo Banco Popular
de Barra do Piraí, hoje Banco da Barra do Piraí Sociedade Anônima. Em 1936,
volveu à atividade política no município de sua residência, tendo sido
eleito 1o suplente de deputado federal, na chapa do Partido
Evolucionista.
No
govêrno Protógenes
Guimarães
fez parte, como presidente, da comissão encarregada da nova divisão
administrativa do Estado, cujo trabalho mereceu encômios e serviu de base para
estudos subsequentes. Pelo desempenho dessa comissão, recusou qualquer remuneração.
Foi, ainda, na administração Protógenes Guimarães, escolhido árbitro, por
parte do Estado, para dirimir questão suscitada na interpretação de uma cláusula
do contrato celebrado entre êste e a Cia. Nacional de Cimento Portland. Declinou,
porém, por motivos particulares, dêsse mandato.
Quando
oficial de gabinete da presidência do Estado, obteve a restauração da rodovia
de Ipiabas
a Santa Izabel, além de outros serviços que prestou ao município de Valença.
Conseguiu, em 1923, que a “Light” levasse da Barra do Piraí a Ipiabas as
suas linhas telefônicas. Embora tivesse sempre exercido suas atividades no
município de Barra do Pirai, onde fixara domicílio, nunca deixou de
interessar-se pelo progresso da terra de seu berço, acompanhando-o, tal como
seu pai, sr. João José Pereira da
Silva, que tudo soubera dar a Valença.
Em
fevereiro de 1939, foi nomeado, pelo govêrno na União, membro do Conselho
Administrativo da Caixa Econômica Federal do Estado do Rio, instalada em Niterói,
cargo em que vem prestando relevantes serviços.