Os procariotas são organismos muito simples, unicelulares, sem núcleo
organizado e sem os organitos citoplasmáticos que se observam nas células
eucariotas. Neste grupo incluem-se as bactérias e as algas azuis. Alguns destes
organismos, assim como várias das estruturas que os caracterizam, irão ser
estudados.
A - Cianobactérias (Cianófitas)


Gloeothece e Anabaena
As cianófitas (algas azuis) são seres unicelulares, coloniais ou
filamentosos, que utilizam o mecanismo da fotossíntese para obterem os
compostos de que necessitam para produzirem a energia requerida para o
metabolismo. Possuem os pigmentos clorofila a
e carotenóides assim como dois outros pigmentos solúveis em água (as
ficobilinas): ficocianina (azul) e a ficoeritrina (vermelha). Ao contrário do
que o nome indica, a coloração destas “algas” não é sempre azulada,
podendo existir outras colorações, consoante as proporções em que se
combinam os diferentes pigmentos. Na figura seguinte é possível apreciar uma
imagem MEV (Microscópio Electrónico de Varrimento) de Spirulina.

Spirulina
Para
observação ao microscópico das cianófitas (Anabaena) proceder do
seguinte modo:
a)
Numa lâmina bem limpa e com o auxílio de uma pipeta colocar uma gota do
meio onde se encontra o material.
b)
Colocar
uma lamela por cima.
c)
Secar com papel de filtro.
d)
Observar
ao microscópio.
Para
observação da bainha, em Gloeothece, deve colocar-se, juntamente
com o material a observar, uma gota de tinta da china, ou de azul de metileno.
Acinetos
- Esporos imóveis resultantes da transforrmação de células do filamento.
Estes esporos atingem dimensões que podem ir até várias vezes o tamanho da célula
original. Os acinetos são produzidos quando ocorrem condições adversas e são
viáveis durante muitos anos. A sua localização no filamento pode ser em
pontos específicos ou não. Quando a localização é definida surgem
adjacentes a um heterocisto, na extremidade do filamento ou em posição
intercalar.
Heterocistos
- Células de conteúdo transparente que reesultam da metamorfose de células
vegetativas. A sua localização pode ser terminal ou intercalar. Os
heterocistos estabelecem ligações com as células vizinhas através dos poros
polares que ficam obliterados quando a célula envelhece. Este tipo de células
não ocorre em todas as cianófitas. A sua principal função está relacionada
com a fixação do azoto atmosférico.
Nódulos
polares
- Formações que ocorrem nos heterocistos,, na zona de contacto com as células
vegetativas e que resultam da obliteração dos poros polares.
Hormogónios
- Delimitação de pequenos troços de filammentos, constituindo um importante
processo de propagação. Estão delimitados pela formação de discos bicôncavos
de substância gelatinosa. O número de células de um tricoma varia de 2-3 a números
mais elevados.
Nota:
Amostras de algas (algas vivas em cultura) podem ser adquiridas na Algoteca
existente no Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra (3000 Coimbra
- Portugal).
B - Bactérias
TÉCNICA
DE GRAM
Descoberta por C. Gram ( 1884 ) esta técnica permite distinguir dois grupos de bactérias: bactérias Gram+ e bactérias Gram -. Esta diferença de coloração é resultante de diferenças na estrutura da parede bacteriana destes dois grupos. As paredes das bactérias Gram+ são fundamentalmente compostas por uma espessa camada de peptidoglicano enquanto as bactérias Gram- possuem uma fina camada de peptidoglicano e, exteriormente, uma membrana externa.

Esta
diferença na parede vai influenciar:
1)
as
ligações iónicas entre os grupos químicos básicos do corante e os grupos ácidos
da célula.
2)
A
diferença de permeabilidade da parede ao álcool.
O
princípio da técnica de Gram é o seguinte: inicialmente faz-se actuar um
corante básico - violeta de Genciana; aplica-se em seguida um mordente - soluto
de Lugol ( solução iodo-iodada ). A fase seguinte é uma descoloração
pelo álcool, aplicando-se por fim outro corante - fucsina diluída ou safranina.
Umas bactérias apresentar-se-ão coradas pelo violeta de Genciana enquanto
outras apresentar-se-ão coradas pela fucsina.
MÉTODO
1)
Obtenção
de um esfregaço
2)
Secar
e fixar o esfregaço pelo calor moderado de um bico de Busen.
3)
Coloração:
cobrir o esfregaço com o primeiro corante - violeta de Genciana (não deixar
cair o corante directamente sobre o esfregaço, mas sim numa das de extremidades
da lâmina, deixando-o depois escorrer sobre o esfregaço) durante um minuto.
4)
Mordançagem:
escorrer o corante e, sem lavar, cobrir com a substância mordente - soluto de Lugol
- o qual passados trinta segundos deve seer renovado por igual período de tempo.
O tempo de mordançagem total deve ser igual ou ligeiramente superior ao tempo
usado com o violeta de Genciana.
5)
Diferenciação:
escorrer e lavar a preparação com álcool a 95º até que este líquido não
arraste mais corante.
6)
Lavar
com água destilada para concluir a diferenciação.
7)
Recoloração:
cobrir o esfregaço com safranina durante trinta segundos (coloração de
contraste).
8) Lavar novamente com água destilada, secar a preparação com papel de filtro e observar em imersão.
Coloração
das bactérias Gram + - coloração roxa.
Coloração
das bactérias Gram - - coloração rosada. O primeiro corante foi arrastado pelo álcool,
sendo posteriormente recoradas pelo segundo corante.
C
- TÉCNICA
DE MOLLER
Algumas
bactérias Gram+ produzem
um tipo particular de esporos denominados endósporos. Estes endósporos são
produzidos por bactérias dos géneros Bacillus e Clostridium
quando as condições do meio se tornam adversas. Os endósporos são assim
chamados porque são produzidos no interior de uma célula bacteriana. O elevado
número de camadas que rodeiam o protoplasma da célula, assim como a existência
de elevadas concentrações de ácido dipicolínico e de cálcio no citoplasma,
permitem-lhe resistir a elevadas temperaturas e ao ataque de solventes orgânicos.
A
técnica de Moller é utilizada em microbiologia para visualização dos
endósporos.
O
princípio desta técnica é o seguinte: devido à riqueza lipídica da membrana
dos esporos, estes são ácido resistentes. Deste modo faz-se actuar sobre as
bactérias e os esporos um primeiro corante - fucsina de Ziehl; em
seguida faz-se actuar um diferenciador - ácido sulfúrico a 5% e seguidamente
um segundo corante - azul de metileno. As bactérias apresentar-se-ão coradas
de azul de metileno pois o ácido sulfúrico arrastou o primeiro corante. Por
sua vez os endósporos apresentar-se-ão corados de vermelho pois o ácido sulfúrico
não arrastou o primeiro corante.
1)
Obtenção
do esfregaço a partir de uma cultura esporulada.
2)
Secar
e fixar o esfregaço pelo calor moderado de um bico de Bunsen.
3)
Reforçar
a fixação mergulhando rapidamente o esfregaço em álcool absoluto,
incendiando em seguida.
4)
Mordançagem:
cobrir o esfregaço com uma solução de ácido crómico a 5% durante 8 minutos.
5)
Lavar
com água destilada repetidas vezes para retirar todo o ácido crómico.
6)
Coloração:
colocar sobre o esfregaço fucsina de Ziehl; aquecer no bico de Bunsen
até à emissão de vapores.
7)
Lavar
e repetir 4 vezes.
8)
Lavar
com água.
9)
Diferenciação:
colocar sobre o esfregaço uma solução de ácido sulfúrico a 5% durante 5
segundos.
10)
Lavar com álcool a 95% e depois com água.
11)
Recoloração: cobrir o esfregaço com uma solução de azul de metileno durante
2 minutos.
12)
Lavar, secar com papel de filtro e observar em imersão.
D
- BACTÉRIAS
SIMBIÓTICAS
As plantas superiores são incapazes de fixar o azoto atmosférico e de o
utilizar directamente na produção de aminoácidos. Todavia, uma família de
plantas superiores - as leguminosas - possuem, nas suas raízes, uma bactéria
com a qual formam uma associação simbiótica, e através da qual obtêm o
azoto de que necessitam. Na verdade estas bactérias captam o azoto atmosférico
e transformam-no em nitratos que são utilizados pelas plantas. Por sua vez as
plantas fornecem o habitat e os hidratos de carbono necessários à bactéria.
Estas
associações simbióticas são facilmente detectáveis pois as bactérias
formam um nódulo nas raízes das leguminosas. Esses nódulos, quando activos,
possuem uma coloração avermelhada resultante da presença de uma proteína
semelhante à hemoglobina e que se denomina leg-hemoglobina. A sua presença é
fundamental pois a enzima responsável pela fixação do azoto atmosférico
apenas funciona em condições anaeróbias.
As
bactérias responsáveis por estas associações com as raízes das leguminosas
pertencem ao género Rhizobium e são Gram - .
MÉTODO
1)
Numa
raiz de leguminosa escolher um nódulo avermelhado.
2)
Sobre
uma lâmina de microscópio colocar uma gota de azul de metileno juntamente com
um nódulo.
3)
Com
uma agulha esmagar o nódulo.
4)
Retirar
os detritos.
5)
Colocar
uma lamela e observar ao microscópio em imersão.
Texto baseado no CD-ROM Multimédia: Explorador do Mundo Vivo
Uma Edição da