Texto retirado do livro "Uma Breve História da Música" de Roy Bennett.
A música no século XX constitui uma longa história de tentativas e experiências que levaram a uma série de novas e fascinantes tendências, técnicas e, em certos casos, também à criação de novos sons, tudo contribuindo para que este seja um dos períodos mais empolgantes da história da música. A medida que aparece uma nova tendência, um novo rótulo surge imediatamente para defini~a, daí resultando um emaranhado de nomes terminados em "ismos" e "dades". No entanto como iremos ver, a maioria desses rótulos compartilha uma coisa em comum todos representam uma reação consciente contra o estilo romântico do século XIX. Tal fato fez com que certos críticos descrevessem essa música como "antiromântica". Dentre as tendências e técnicas mais importantes da música do século XX encontram-se:
| Impressionismo Nacionalismo do século XX Influências Jazzísticas Politonalidade |
Atonalidade Expressionismo Pontilhismo Serialismo Neoclassicismo |
Microtonalidade Música concreta Música eletrônica Serialismo total Música aleatória |
Nem todos os compositores do século XX,
porém, usam técnicas radicais. Alguns têm continuado a compor segundo aquilo
que é basicamente identificado como o apaixonado estilo romântico, embora
injetando em suas obras certo grau de vitalidade rítmica e de dissonância que
as define, sem dúvida alguma, como pertencentes a este século. Exemplos são o
compositor inglês William Walton (especialmente com os seus concertos para
viola, violino e cello) e o norte-americano Samuel Barber. E há também aqueles
que desafiam toda classificação ou rótulo, a não ser que se lhes dê o de
"tradicionalistas", pois são músicos que criaram um estilo
característico e pessoal, baseado principalmente nas tradições do passado. É
o caso de Benjamin Britten, que se tem recusado a seguir qualquer tendência
da moda, continuando a trabalhar com o mesmo material musical de sempre, que ele
molda e apresenta de forma nova, muitas vezes surpreendente, conseguindo
resultados originais, imaginativos e de tocante sinceridade. Dentre as suas
melhores obras se acham a Serenade para tenor, trompa e cordas; a ópera Peter
Grimes; Spring Symphony (sinfonia Primavera] e Um Réquiem de
Guerra.
Enquanto a música nos períodos anteriores podia ser identificada por um único
e mesmo estilo, comum a todos os compositores da época, no século XX ela se
mostra como uma mistura complexa de muitas e diferentes tendências. No entanto,
se investigarmos melhor quatro dos mais importantes componentes da música,
encontraremos uma série de características ou marcas de estilo que permitem
definir uma peça como sendo do século XX. Por exemplo:
Melodias é provável que incluam grandes diferenças de altura,
freqüentemente fazendo uso de intervalos cromáticos e dissonantes. São curtas
e fragmentadas, angulosas e pontiagudas, em lugar das longas e sinuosas
sonoridades românticas; os glissandos (o deslizar de notas seguidas) podem ser
empregados; em algumas peças, a melodia pode ser totalmente inexistente.
Harmonias apresentam dissonâncias radicais, com acordes consonantes em
proporção muito inferior (às vezes totalmente evitados); podem aparecer os
clusters (notas adjacentes tocadas simultaneamente) - aglomerados.
Ritmos vigorosos e dinâmicos, com amplo emprego de sincopados (a
acentuação incidindo sobre os tempos fracos); métricas inusitadas, como
compassos de cinco ou sete tempos (cujas raízes muitas vezes estão na música
folclórica); mudanças de métrica de um compasso para outro; uso de
polirritmias - diferentes ritmos ou métricas ocorrendo ao mesmo tempo,
resultando em um "contraponto rítmico"; de artifícios de ostinato
(repetição "obstinada"), ou de enérgicos "ritmos
motores", que impulsionam inexoravelmente a música para a frente.
Timbres a maior preocupação com os timbres leva à inclusão de sons
estranhos, intrigantes e exóticos; fortes contrastes, às vezes até
explosivos; expansão e, de modo geral, o uso mais enfático da seção de
percussão; sons desconhecidos tirados de instrumentos conhecidos, como
instrumentos tocados em seus registros extremos, metais usados com surdìna e
cordas produzindo novos efeitos, com o arco tocando por trás do cavalete ou
batendo com a ponta no corpo do instrumento; sons inteiramente novos,
provenientes de aparelhagens eletrônicas e fitas magnéticas.