UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HAMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA
DISCIPLINA: Oficina Básica de Arte  III (música)
PROFESSORA: MAURA PENNA
ALUNO: LEONARDO AMÉRICO B. VIANA
Fev. 1999

Resenha I - "Orientações Atuais da Pedagogia Musical"

Resenha II - "OFICINA DE MÚSICA"

Resenha III - "A Natureza da Aprendizagem Musical e Suas Implicações Curriculares - Análise Comparativa de Quatro Métodos"

Resenha IV - Reavaliações e Buscas em Musicalização"

Resenha V - Música Contemporânea e a Música Popular


Resenha I

O primeiro texto é um capítulo do livro, "Estudos de Psicopedagogia Musical"da grande orientadora musical argentina Violeta Gainza, publicado no Brasil pela editora Sammus, 1988, São Paulo.
O capítulo VI intitula-se, "Orientações Atuais da Pedagogia Musical", a autora esclarece alguns conceitos básicos da educação musical da atualidade, a liberdade de criação, a relação da pedagogia com a música contemporânea e o futuro musical.
Alguns conceitos básicos que a autora comenta no texto é que o objetivo específico da educação musical é musicalizar para tornar o homem sensível e receptivo ao fenômeno sonoro, com isso, a música traria para o homem várias modificações internas ligadas a comunicação e rompendo barreiras de todos os tipos, sejam de expressão ou até mesmo a nível psicofísico.
Gainza comenta a importância histórica de vários pedagogos musicais de diferentes países da Europa e América do Norte que utilizaram a educação musical com crianças através de atividades e experiências musicais para modificar e aprimorar os métodos de educação. Entre esses pedagogos musicais estavam o suíço Emile Jaque-Dalcrote (1865-1950), o francês Maurice Martenot, o alemão Carl Orff, o húngaro Zoltán Kodály, o japonês Shinichi Susuky e o filósofo e psicopedagogo musical Edgar Willwms, com esse grupo de renomados educadores se completa um ciclo da educação musical deste século, com profundas mudanças no campo da educação musical.
Com o tempo os processos se aceleraram e as transformações aconteceram com mais freqüências, "a arte musical se empenha na exploração da matéria sonora, produzindo novos objetos artísticos e musicais, novas técnicas e, sobretudo, novas atitudes estéticas e filosóficas diante do fato criativo".
A exploração de materiais sonoros e a criatividade estão relacionados à liberdade de criação da criança, sempre houve a preocupação de estimular e desenvolver a capacidade criadora da criança desde a época da nova pedagogia musical do século XX.
A pedagogia musical da segunda metade deste século teve uma enorme contribuição de vários compositores contemporâneos com livros, trabalhos e novos materiais didáticos dedicados aos professores. Era perfeitamente visível a transformação que se produziu no estilo geral da aula de música na escola, professores de classe e de música discutiam com os alunos temas como o valor estético e a função social da música, o prestígio e o valor real da música popular.
A autora lembra que "a presença de materiais novos em sala de aula não basta para configurar uma pedagogia contemporânea da música. Será absolutamente necessário que novos meios ou procedimentos apoiados nas teorias atuais da aprendizagem conduzam aos fins propostos".
O capítulo encerra-se com o velho desejo de que as autoridades competentes de todos os países estejam mais interessadas em por em prática o ensino da música para todas as classes sociais.


Resenha II

O segundo texto é um artigo retirado da revista AR'TE, intitulado : "OFICINA DE MÚSICA" escrito por Conrado Silva em 1983.
Conrado Silva inicia seu artigo comentando que uma Oficia de Música é um processo no qual utiliza-se através da manipulação, individual ou em equipe, materiais sonoros descobertos ou inventados pelos próprios alunos, levando ao desenvolvimento da capacidade criativa existente em todos nós.
A origem da oficina de música vem sem dúvida das experiências radicais que os compositores da música erudita empreenderam após a Segunda Guerra, foi a parti dessa época que o ruído conquistou seu lugar na música, junto à música tradicional. O conceito de compor, era agora também possível com materiais, talvez não tão "nobres" quanto as notas dos instrumentos clássicos, porém bem mais "concretos", sob a forma de qualquer som que fosse considerado. Com a evolução no método de compor o autor brinca dizendo que "o compositor mudou sua escrivaninha ou seu piano para uma oficina".
O autor lembra que em vários lugares e de forma quase simultânea, diferentes pedagogos, que geralmente eram compositores, desenvolveram métodos próprios para utilizar com seus futuros músicos, como para pessoas que aproveitariam essa oficina para desenvolver suas aptidões criativas.
Em 1978, no Departamento de Música da Universidade de Brasília, os professores Emílio Terreza e Nikolau Kokron, desenvolveram também suas próprios alternativas para utilizar a oficina de música tanto como uma disciplina inaugural para os futuros estudantes de música como para outras áreas, para desenvolver o lado criativo de cada um.
O autor fala da necessidade de utilização das oficinas, pelo fato de vivermos em uma sociedade de consumo, onde tudo é imposto à nós pela mídia. É muito importante trabalhar com a criatividade dos alunos, pois, ela ajuda a desenvolver a personalidade de cada um.
Em seguida o autor divide em vários aspectos para fazer funcionar uma oficina de música. Segue-se, 1. A sensibilização perante a realidade sonora circundante, ou seja, analisar os sons e utilizar os diferentes parâmetros do som; 2. Inventário de instrumentos possíveis; 3. Exercício de comunicação; 4. Estruturação; 5. Notação; 6. Gravação e reprodução; 7. Técnicas eletroacústicas; 8. Ampliação para outras áreas.
Em 1972, no Departamento de Música da Universidade de Brasília, os professores fizeram uma experiência utilizando duas turmas, uma de alunos adiantados de Composição e a outra de uma turma básica de Oficina de Música, para realizarem juntos durante um período letivo uma peça conjunta, cada um com suas habilidades, e o resultado foi maravilhoso.
A oficina de Música segundo o autor, pode ser utilizada com crianças a parti dos 7 ou 8 anos, até a idade adulta, diferenciando as tarefas de acordo com a faixas etárias do aluno. Se o aluno pretende seguir o estudo da música, a oficina vai ajuda-lo muito, pois, desde o início estimula a sua criatividade, mas se o aluno não pretende seguir o estudo organizado da música, a experiência de oficina desenvolverá habilidades importantes para a atuação no seu campo particular de atividades, aprenderá a enfrentar problemas e obter soluções criativas.


Resenha III

O terceiro texto é um capítulo retirado do livro "A Natureza da Aprendizagem Musical e Suas Implicações Curriculares - Análise Comparativa de Quatro Métodos", de Regina Márcia Simão Santos.
O texto de Regina se baseia no movimento do músico inglês, John Paynter, em favor da "música criativa"nas escolas.
Paynter propôs que a educação musical em escolas de formação geral ou escolas de música, fosse um trabalho que visasse a ampliação da capacidade auditiva, a investigação e utilização de todo e qualquer fenômeno sonoro, a interação grupal na prática musical, conduzindo à auto-disciplina.
Embora o canto e a execução instrumental sejam atividades importantes, Paynter lembra a importância de usar recursos sonoros como os ruídos, que foram usados após a II Guerra Mundial, na música contemporânea.
A técnica proposta por Paynter na abordagem da "música criativa" nas escolas é a da "composição empírica", caracterizada pelo fazer direto do material, onde se vai experimentando e improvisando até a finalização.
Paynter desenvolveu várias etapas no processo de "composição empírica", que seria: a experimentação livre do material, improvisação, confecção de partitura, execução e audição das peças e análise das partituras, ect.
Paynter dizia que a "música criativa" além de se basear na experimentação, diz respeito à "maneira de dizer as coisas do indivíduo, não de segunda mão", isto é, ela não se limita à proposta de execução de trabalhos compostos por outras pessoas.
O teatro, poesia, poema, estória, dança, movimento, obras de outros artistas, era chamado por Paynter de "pontos geradores" do trabalho da oficina de música.
Paynter finaliza o texto lembrando que a oficina de música teve origem após a II Guerra Mundial, quando o ruído conquistou lugar junto com a música tradicional. No Brasil surgiu na década de 70, com Emilio Terraza, Nikolau Kokron e Conrado Silva, na Universidade de Brasília.


Resenha IV

O quarto texto é uma pequena parte retirado do livro "Reavaliações e Buscas em Musicalização", da professora Maura Penna, intitulado: "Os Limites da Oficina de Música".
Maura Penna inicia comentando que a oficina de música, também chamada de laboratório de som, está relacionada com as atividades de criação e exploração de materiais sonoros, incluindo o ruído, que são trabalhados em sala de aula com criança e jovens. Mas é lamentável, diz ela, que por vezes o aluno é deixado solto, sem orientação, dificultando o trabalho criativo do aluno e algumas vezes por falta de material em sala de aula.
Maura lembra da importância que a oficina de música traz para a musicalização, pois ela pode abrir certos padrões diferentes da música tradicional, mas lembrando também a importância que a música tonal tem como linguagem.
Maura enfatiza também o lado criativo que a oficina proporciona através da exploração de possibilidades sonoras, improvisação e estruturação, pesquisa de grafias e a ampliação para outras áreas artísticas, ajudando bastante para a musicalização. O trabalho criativo deve, sempre que possível, ser gravado e ouvido, para avaliar os resultados.
Para Maura a oficina de música apesar de ser enrriquecedora, não é a solução para o projeto de musicalização, "é preciso trabalhar também a audição de diversos tipos de músicas e exercícios conduzidos, no plano da percepção, para a identificação dos elementos básicos da música".
A situação do ensino de músicas nas escolas não especializadas é outro ponto que a autora lembra, pois em algumas escolas existem apenas um coral ou uma banda, envolvendo apenas alguns alunos. "Se visamos musicalizar a todos, a formação de uma banda ou coral não parece ser a forma mais adequada" ,e na maioria, a música é passada aos alunos como uma complementação da educação artística, o ideal seria um processo de musicalização que acompanhasse o aluno durante toda a sua escolarização, mas a realidade é bem diferente, os professores procuram de qualquer forma um meio de enfrentar essas dificuldades, lembrando que na maioria das vezes eles serão os únicos professores de música na vida de seus alunos.
Apesar das grandes dificuldades de trabalhar a oficina de música, principalmente nas escolas públicas de periferia, o objetivo maior do professor é fazer com que o aluno construa uma forma de pensamento crítico para sua própria vivência. Maura finaliza o texto dizendo: "torna-se necessário descobrir 'estratégias de emergência', para não ser levado a se justificar pelas dificuldades e nada fazer".


Resenha V

No início do texto de Violeta Gainza, ela faz uma comparação entre dois gêneros musicais, a Música Contemporânea e a Música Popular, "os dois gêneros compreendem um conjunto de formas e estilos diferentes que indivíduos ou grupos identificados por atitudes mais ou menos comuns frente à vida e ao mundo sonoro cultivam simultaneamente em um ambiente e em um momento, dado.
Para Gainza, a música contemporânea compreende um conjunto de técnicas ou formas de composição que dão origem a diferentes estilos ou tendências musicais como o serialismo, música concreta, música eletrônica e etc. Usando para isso, além de fontes elétricas, sons produzidos por objetos e instrumentos não convencionais ou a própria voz.
Em seguida a autora citas algumas características como aos objetos e técnicas de educação musical, entre eles, a valorização do som como "objeto"; o timbre e intensidade; novas grafias musicais; a integração de diferentes linguagens expressivas, como o som, a luz, o movimento; a ênfase na curiosidade sonora, na espontaneidade e na liberdade, como atitudes básicas frente ao som e à criação.
A autora estabelece um comentário sobre a criança e o som, para ela a conduta das crianças diante da música contemporânea dependerá em grande parte do espírito que anima o professor e de seu critério e técnica pedagógica. Já com os jovens, a conduta já demonstra a presença de novas formas de percepção e de produção sonora musical.
A pedagogia da música contemporânea começou a influenciar, facilitar o estudo da prática da música tradicional, além de cumprir seus objetivos específicos.
Com relação à música popular, a autora, lembra que entre os estilos mais difundidos do gênero popular na atualidade , encontramos o jazz, a musica Beat, o Rock, o Tango, a Bossa-nova e vários outros, com suas características próprias de suas regiões de origem.
A autora também cita algumas características da música popular comuns aos objetivos da educação musical, entre eles, os valores sensoriais; valores rítmicos e os valores afetivos.
Para trabalhar com a pedagogia musical, lembra a autora, nada mais adequado que o folclore e a música popular como passo prévio ou simultâneo à introdução da música culta no ensino. E para encerrar, diz que, o ideal seria que os compositores e os musicólogos colocassem os professores em contato com as fontes de materiais musicais, enquanto os psicólogos e teóricos de metodologia os guiassem para graduar, completar e encadear as experiências e vivências musicais.


Conclusão

As conclusões que tiramos desses cinco trabalhos de resenha de texto, é que, a musicalização deve estar presente na vida de toda criança até a fase adulta, pois através da utilização de materiais sonoros o homem desenvolve o seu lado criativo e sua personalidade, ajudando a enfrentar um mundo cheio de dificuldades.
É importante lembrar que a música é som, é cor, é movimento. Ou seja, precisamos quebrar as barreiras que prende os diversos gêneros musicais, e uni-los para formar uma música universal, na qual, traga para as pessoas, o sentimento que elas necessitam.

Bibliografia

GAINZA, Violeta Hemsy de
1988 "Estudos de Psicopedagogia Musical". São Paulo: Summus

SANTOS, Regina Márcia Simão.
1994 "A Natureza da Aprendizagem Musical e suas Implicações Curriculares - Análise Comparativa de Quatro Métodos". In: ABEM, "Fundamentos da Educação Musical", vol.2, Porto Alegre: ABEM

PENNA, Maura.
1990 "Reavaliações e Buscas em Musicalização". São Paulo: Loyola

GAINZA, Violeta Hemsy de
1977 "Fundamentos, materiales y tecnicas de la educación musical".
Buenos Aires: Ricordi.

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