Choro ou Jazz Brasileiro?

Aline Padovani
([email protected]g)

Não importa como é chamado, a verdade é que o Chorinho é a cara do Brasil. Grandes
maestros da música afirmam que é impossível criar um rock moderno, original e revolucionário
sem um profundo conhecimento das tradições musicais de nossos ancestrais. Mas, como
toda regra tem sua exceção, o Chorinho veio para provar exatamente o contrário.

O Choro, não como gênero musical, mas como forma de tocar apareceu por volta de 1870 no
Rio de Janeiro. Eram pequenos grupos musicais formados por modestos funcionários do
governo que utilizavam a flauta como "solista", o violão como "baixaria" e o cavaquinho
como "centro". O virtuoso flautista e líder do grupo Choro Carioca, Joaquim Antônio da Silva
Calado foi um dos iniciadores e organizadores desses conjuntos. Elaborava um novo estilo
musical que incorporava improvisação, e desenvolvia um novo diálogo entre solo e
acompanhamento. A participação ocasional ou improvisada dos instrumentos é que
determinava a função de cada um no conjunto musical. No início, o Choro era a expressão
brasileira dos estilos musicais europeus, mas logo perdeu esse caráter importado,
incorporando características e feições perfeitamente brasileiras.

No entanto, foi com Pixinguinha, considerado o Bach do Choro,
que o novo estilo musical ganhou maturidade, forma e orientação.
Ele organizou diversos grupos, tocou durante seis meses em Paris
em Os Oito Batutas, e quando retornou ao Brasil, introduziu o
saxofone e o trumpete no repertório. Juntamente com Pixinguinha,
outros ilustres nomes do choro formavam Os Oito Batutas como
João Pernambuco, violinista e compositor de choros para violão e Donga, co-autor de Pelo
Telefone, primeiro samba já gravado. É nessa relação que o choro se aproxima do samba.

No entanto, não podemos deixar de mencionar outro artístas importantes que contribuiram
para o sucesso do Choro no Brasil. Benedito Lacerda, Luiz Gonzaga, Chico Buarque,
Clementina de Jesus, Jackson do Pandeiro, e Elizete Cardoso estão entre as mutias gerações
do Choro.

O Choro também sempre esteve presente nos concertos musicais clássicos influenciando as
composições de Villa-Lobos, Ernesto Nazaré e do maestro Radamés Gnattali.

No entanto, no início dos anos 60, época do nascimento da Bossa Nova, o Choro foi
particamente esquecido pelo público e pela mídia. Até hoje não se sabe o motivo real que
levou a esse esquecimento. A Bossa Nova decolou enquanto o mundo inteiro tocava e
cantava Garota de Ipanema. O Choro passou a ser visto como um gênero velho, que
despertava o interesse dos aposentados e das camadas mais baixas da sociedade. Ao mesmo
tempo a Bossa Nova passou a integrar o foro das camadas elitizadas da população. O
consagrado Choro viu-se restrito ao mundo exclusivo de seus grandes músicos.

No início dos anos 70, Paulinho da Viola faz o Choro renascer. Ao gravar Memórias:
Chorando, traz de volta o gênero esquecido, que passa a ser estímulado por diversos
músicos como Paulo Moura e Hermeto Pascoal.

E até hoje o Choro está aí. Conquistou autonomia e se impôs como um dos principais gêreros
musicais do Brasil. Ganhou espaço no contexto musical internacional e hoje novos artistas
estão propondo inovações. O músico Manuel Antônio Filho, integrante do Trio Corda &
Choro, por exemplo, resolveu inovar. Misturou o os tradicionais violão e bandolim do
chorinho, com o tom clássico do violoncelo em suas composições. A novidade parece ter
agradado. Há um mês o grupo se apresenta num restaurante carioca e o público parece estar
adorando.

Mas não pára por aí, o Chorinho também conquistou a mídia virtual. Na Internet, vários sites
com informações de shows, artistas e canções podem ser facilmente encontrados. Para você
que se amarra no ritmo do Choro, curte esse som, quer ficar por dentro do que rola no cenário
musical e conferir depoimentos de grandes nomes da música brasileira, aqui vão alguns link
interessantes:

Agenda do Samba e Choro

Catálogo Kuarup

Malandro Records

Pixinguinha

 

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