@LARDE ELETRONIC ZINE

#um#

belo horizonte,17 de fevereiro de 2001
 

***editorial***
 

número um.one.uno.o começo de tudo?não.o começo absoluto é o zero.o vazio da alma que nos força a ser o que não somos(ou o que somos).quem somos realmente,debaixo da pele imunda,olhares vazios,atitudes reticentes?oh,tórrida indulgência inflingida pela grande máquina,quando terás piedade de nós,tristes anjos perdidos na tempestade sórdida que estremece e assola o vasto mundo nas horas de doces sonhos e pavorosos pesadelos?
 
 
 
 

***acidez crônica***
 
 

< anarquize que será também >
 

a paranóia azucrina as almas mais sensíveis à toda exacerbação
de vigília e controle que o sistema inflinge à todos os "cidadãos" que, na sua grande maioria,nem percebem o quanto são induzidos e controlados pelo gigantesco aparato de manipulação em massa conhecido pela alcunha de MÍDIA.beba isso,compre aquilo,satisfação imediata ou o seu dinheiro de volta,são algumas "pérolas" publicitárias usadas para conduzir inocentes pessoas (alguém é inocente?) ao consumo desenfreado que é a mola mestre do capitalismo.a MÍDIA é a nova religião,e seus comandantes os novos sacerdotes que guiam o povo como gado de corte que não tem nenhuma noção de que sua única finalidade é o abate,para alimentar as entranhas do monstro que conhecemos por CAPITALISMO.
 a única alternativa que salvará a humaniadade da "coisificação"
(pois afinal,se você não faz nada com vontade e consciência próprias,não passa de uma simples engrenagem,uma COISA) é a ausência de estado,com o estabelecimento da verdadeira liberdade inerente e latente em qualquer ser humano,conhecida como ANARQUIA!
 
 
 
 

***non-sense crítico ***
 

< deftones-white pony >

decidi escrever sobre um disco que, apesar de recente (foi lançado em 1999/2000) tem sido tocado constantemente no meu cd player.o disco:white pony.a banda:deftones.embora se fale um monte de asneiras à respeito da banda,classificando-os como new-metal,rap-metal e outras coisas do genêro,essa banda da cidade de sacramento na califórnia transcende quaisquer tipos de rótulos imbecis dados pelos críticos de plantão.vamos ao disco,que tem como faixa de abertura a música "feiticeira",isso mesmo,com suas linhas sensuais de guitarras e o nome inspirado na turbinada joana prado.segundo se diz,chino moreno,impressionado com a beldade,batizou a canção com o nome artístico da moçoila."digital bath" vem à seguir,com seu misto de fúria e melancolia.mas a fúria mesmo vem à tona com "elite",petardo furioso com guitarras insanas de steph carpenter e os vocais insanos e carregados de efeitos de chino.essa "sublime canção" deu ao deftones o premio de "melhor performance de metal" pela revista "kerrang",especializada em música pesada.a quarta faixa atende pelo nome de "rx queen" e possui uns loops bem interessantes sobre os quais o batera abe cunninghan manda ver.ecos dos "bad brains" (banda seminal de punk-hardcore de washington,u.s.a.) tomam de assalto nosso ouvidos em "street carp" que contém bons riffs de guitarra."teenager" vem após flertando com o trip-hop.é interessante ressaltar que essa música foi feita originamlmente para o "team sleep",projeto paralelo de chino e frank delgado (dj incorporado definitivamente ao deftones à partir desse álbum.)com influências de trip-hop e ambient."knife party" é um dos melhores momentos da banda no álbum,com uma poderosa interpretação de chino moreno e uma instigante linha de baixo de chi cheng.mais uma porrada faz estremecer os alto-falantes:"korea",bem na linha das canções do álbum anterior,"around the fur",altamente influenciado por "fear factory"(outra grande banda) e outras da linha de "metal industrial futurista apocalíptico :)"."passanger" conta com a presença do vocalista do "tool",banda de metal progressivo(?)atualmente cultuada por grande parte da crítica especializada."change" é uma música típica dos deftones,apesar de não ter nenhum dos famosos berros ensandecidos de chino,que preferiu fazer uma linha mais melódica no vocal,além de tocar uma segunda guitarra.o clima se torna melancólico e sombrio (alguem se lembra do "the cure"?) na faixa intitulada "pink maggit",que inclusive tem outra versão mais rápida e com vocais rap ( chamada "mini maggit") que saiu na reedição do álbum devido ao seu sucesso como lado b no single "change"."the boy's republic" encerra o disco,com harmonias simples que grudam no inconsciente (fiquei dias com essa música na cabeça),apesar de não ser uma das minhas preferidas no cd.
 definitivamente esse trabalho trouxe amadurecimento e reconhecimento para a banda, indicando novos rumos a seguir e confirmando a tese de que música pesada pode ás vezes ser suave e melódica sem ser "baba" nem "cliche".
 
 
 
 

***pink freud ***
 

< eternidade ... >

minhas meias gastas,meias verdades,doces mentiras para meu deleite
em qualquer viagem descerebrada celebrada noite insana à dentro de minha mente assolada por visões de medo & eternidade (eu não quero a eternidade,tenho medo de não saber o que fazer com tanto tempo)
e afinal de contas,vinte e quatro horas podem ser eternas se a gente não quer levar a vida que leva...
 
 
 
 

***odes bastardas ***
 

< morfina blues >

eu não quero
meias verdades
soluções paliativas
talvez um pouco
de morfina
para suportar
o mundo
que me cerca
estou à luz do dia
às cegas
entre sussuros
& palavras
nunca ditas
 

 < noite >

noite à dentro eu caminhava
absorvendo a cidade
entidade fantasma com seus anjos caídos
em bares , esquinas
cemitérios verticais por toda a parte
guardando dentro de si coisas e o vazio de pessoas
elas , com suas poltronas e tvs aguardavam o que
para a cidade há muito já havia chegado ....

vivas à cidade morta!
pois é morte o destino de toda a vida
e ela já encontrara o seu
eu?
ainda vagava sem destino rumo ao meu
transpirando
sangrando
( ao fundo ouvia-se uma ou outra sirene que teimava
em cortar tal qual uma navalha a densidade
daquele não silêncio ... )
 
 

***quem conta um conto aumenta um ponto ***
 

< passos >

passos ecoavam quase desesperadamente na infinita escuridão madrugada à dentro,enquanto as frias luzes fantasmagóricas dos postes delineavam formas sombrias absurdas nos sórdidos muros e bucólicas casas na pasmaceira daquelas horas que precediam o amanhecer.
 o velho portão rangeu e se abriu para um pequeno e mal cuidado jardim,tomado por toda a sorte de ervas daninhas e esquálidos roseirais que pareciam impedir que qualquer outra forma de vida vegetal se desenvolvesse ali.após dois giros rápidos da chave a porta frontal da casa cedeu num lamento seco e deixou o ar que rescendia anos passados se misturasse com o frio e denso ar noturno da rua.um antigo e empoeirado assoalho parecia se ressentir a cada passo dado emintindo pequenos e ruidosos estalos,transpassando o silêncio sepulcral reinante até poucos momentos antes no ambiente.
 um clique e alguns chiados depois fizeram com que um antigo rádio emitisse uma triste e lúgubre ópera que aos poucos tomava o recinto e se dissipava porta afora daquela casa abandonada há mais de cinquenta anos tal qual uma bruma sonora espectral ...
 
 

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