@LARDE ELETRONIC ZINE

#zero#

belo horizonte,01 de janeiro de 2002
 
 
 
 

***editorial***

 ah,malditos!não esperem de mim uma única e pura gota de comiseração.o que está por vir neste e-zine , com a fúria tempestuosa e milenar de deuses caídos de tempos imemoriais só irá atormentar ainda mais os nossos pobres e rotos corações,engastados pela terrível máquina invisível que nos vilipendia a cada segundo tornando nossas vidas cada vez mais inócuas e sem sal ...
 
 
 

***acidez crônica (crônicas)***

< subterfúgios >

    nas duas últimas semanas venho singrando novamente os turvos mares de mais uma crise existencial.todo esse clima de festa,confraternização e alegrias postiças só me deixa enojado e com uma profunda sensação de deslocamento nesse mundo que me cerca.para amenizar tudo isso,só enxendo a cara de birita e "outras coisinhas mais".a embriaguez pelo menos ameniza a vertigem e o asco que me tomam de assalto nesses dias,que parecem ser eternos,mais longos do que todos os outros que se dissiparam como fumaça ao vento.é deprimente se achar o único à par da realidade sórdida que assola o mundo (e se incomodar com isso!) enquanto o restante das pessoas atiram-se como psicóticos às compras,ao consumismo desenfreado,talvez tentando preencher com bens materiais o vácuo de suas vidas medíocres e sem sal.no fim das contas talvez eu não seja tão diferente dos outros como venho pensando.só faço uso de subterfúgios diferentes...
 
 

***non-sense crítico (críticas e resenhas)***

< revolver-the beatles >

    para inaugurar esta seção farei um breve e "imparcial" comentário à respeito de um dos discos da minha banda favorita.a banda:the beatles,conhecida também como os fab four ou os rapazes de liverpool.o disco:revolver.e que disco!verdadeira obra prima que mistura num mesmo caldeirão elementos de música erudita,experimentações psicodélicas e claro,o bom e velho rock'n roll.george harrison (falecido recentemente...) abre essa pérola dos sixties com "taxman",rock malucaço com instigantes linhas de contra-baixo maccartianas e guitarras cruas resvalando na psicodelia.em seguida,um clássico de todos os tempos dos beatles,"eleanor rigby",com um arranjo de quarteto de cordas feito por george martin,o "quinto beatle" além de uma emocionante interpretação do bom e velho macca.descambando de vez para a terra dos sonhos e pesadelos,lennon nos brinda com a doce e lisérgica "i'm only sleeping",com direito a um solo maravilhoso de harrison gravado ao contrário.a seguir george e suas elucubrações orientais se fazem presentes em "love you too",com tablas,cítaras e percussões indianas.paul e seu lirismo característico atacam em "here,there and everywhere".rita lee recentemente regravou essa canção em uma versão meia boca no seu último disco,só com versões e releituras de músicas dos beatles.ringo da as caras numa explosão lisérgica na também clássica "yellow submarine",cantando muito bem!em seguida,jonh em lírico desbunde viajandão na faixa "she sad,she sad" com guitarras fantásticas de harrison.mudando o vinil de lado na vitrola (afinal,como todo beatlemaníaco que se preze eu ainda teimo em ouvir tudo isso nas velhas bolachas pretas) deparamo-nos com "good day sunshine",típica composição de paul com um solo de piano que nos remete aos saloons do velho oeste norte-americano."and your bird can sing" vem na cola com vocais mais elegantes do que nunca de mr.lennon e com direito a uma pequena aula de guitarra de geroge harrison."for no one"soa lírica,sombria e melancólica ao mesmo tempo na irrepreensível interpretação de paul.john ataca nossos corações e mentes com "dr.robert",rockão viajante com uma surpreendente intervenção de concertina francesa no meio da música (mr.george martin again!)."i want to tell you" nos diz porque george harrison foi considerado um dos grandes compositores britânicos  de todos os tempos.paul volta à carga com "got to get you into my life",num estilo que alguns anos depois voltaria com os "wings".e fechando com chave de ouro,a bela e esquizofrênica "tomorrow never knows",gema preciosa que,na minha humilde opinião lançou as bases do que seria vinte ou trinta anos mais tarde a música eletrônica.vide os chemical brothers e o loop de "setting the sun".não lembra assustadoramente a batida de ringo  e seus pratos especiais folheados à ouro na canção citada anteriormente?esse disco foi definitivamente fundamental na elaboração de um dos discos mais revolucionários do rock'n roll de todos os tempos,"sgt.peppers...",que influênciou dez entre dez músicos nos anos sessenta e também nos que se seguiram,colocando os beatles no restrito olimpo de bandas que reinventaram o rock como até então ele era conhecido.mas isso é assunto para uma outra hora...
 
 
 
 

***pink freud (sonhos,alucinações e desvarios...)***

< esse ano >

    as eternas dúvidas voltam a rondar minha mente - moscas zumbindo na lata de lixo ( zzzzzzzz...) - outro ano se inicia e nem quero tenttar fazer retrospectivas ou planos porque já sei bem qual será o resultado ...ah!esses dias de vácuo que se esvaem como fumaça em tempestade num sonho (ou pesadelo?) interminável ...
 
 
 
 

***odes bastardas ( poesia )***

< numa tarde qualquer >

líricos lírios
à me observar
da janela
arrombada pela luz solar
retribuo a espia
ao som de uakti
numa tarde qualquer da vida
 
 

< ad infinitum >

olhar perdido
no espaço ad infinitum
até onde a vista alcança
a mente se lança
e,quando nada mais vê
além do vazio
a imaginação trabalha
tentando dar forma,sentido

.
 

***quem conta um conto aumenta um ponto (contos)***

< o vulto >

    retornando cambaleante de mais uma homérica noitada,percebi com o canto do olho um vulto esgueirando-se silenciosamente pelas minhas costas.voltei a cabeça para tentar identificar o que ou quem seria,mas a coisa desapareceu repentinamente,tal qual fumaça na ventania.
apreensivo,decidi acelerar o ritmo dos meus passos esquecendo-me momentaneamente da doce embriaguez que
me acometia até poucos minutos atrás.passei  debaixo de um sinistro viaduto e percebi num relance novamente o vulto.dei meia volta sobre mim mesmo e gritei:”quem está aí?”apenas um vento frio pareceu responder,soprando
mansamente do nada e causando-me arrepios na espinha.segui em frente,ouvindo somente meus próprios
passos ecoando pela densa madrugada afora.finalmente consegui chegar ao meu barraco,um pouco trêmulo e extenuado pelo esforço ébrio,quando,após acender a luz,percebi que o vulto que me acompanhava não passava de minha própria sombra,a materialização espectral da angustiante solidão,paradoxalmente minha companheira inseparável nos últimos meses ...
 
 
 

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***the end?***

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***todos os textos by leonardo de morais***





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