Saudade daqueles dias em que a cidade era céu e a estrada era nuvem...
A alegria era barco e chegada, o sonho era ave e vôo. Verão era calor, tempo, sol, mar, mais nada.
Não quero minha alegria presa em outonos desbotados,  guardada nas gavetas como fotografias antigas.
Quero colorir de novo a paisagem.
Saudade de quem eu era naqueles verões tranqüilamente  descompromissados de um dia após o outro, e só.
Estar ali era apenas estar ali. Sem precisar mais nada, sem desejar mais nada. Havia calma. Havia paz.
Eu quero meus verões de volta.
Home
Inconstância
Foi como se o ar faltasse, de repente.
Mas foi apenas a mão impiedosa do acaso a me apertar a garganta.
Coloco no papel um monte de idéias vazias.
As palavras morrem entre o pensamento e a mão.
A rima e o verso, fogem pela janela entreaberta
da lembrança que insiste.
Vasculho a casa e o coração
à procura da serenidade que falta.
Desisto, enfim.
Que barulho é esse tão grande assim?
Meus pensamentos bagunçaram meus lençóis e meu sono.
Lembrei de um poema
que me tirou da cama
e da frustrada tentativa de dormir. Vou pegar emprestado:
Para meus vôos imaginários, inventaste asas.
E eu, pássaro, voei...
Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força
que acordarás as fúrias do pálido e do frio,
de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,
de sol a sol sonha através de tua boca cantante.
Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.
Não quero que minha herança de alegria morra.
Não me chames. Estou ausente.
Vive em minha ausência como em uma casa.
A ausência é uma casa tão rápida
que dentro passarás pelas paredes
e pendurarás quadros no ar.
A ausência é uma casa tão transparente
que eu, morto, te verei, vivendo.
E se sofreres, meu amor, eu morrerei novamente
.

(
Uma das mais lindas do Neruda)
E desde então, sou porque tu és.
E desde então és, sou e somos...
E por amor
Serei... Serás... Seremos...


(Sobe, Neruda, que eu preciso trabalhar!  Li isso em algum lugar?)
"Olhe lá fora a lua se enchendo de beleza.
Olhe a nova fase, esqueça a anterior.
Mas saiba de uma coisa: A minguante retorna. É um ciclo.
Mas será assim em outra época, em outra situação".
Tentando olhar a lua.
Mas as nuvens da chuva que caiu o dia todo ainda estão lá.
Acabo de ler algo que me deu conta que algumas coisas são inúteis.
E que mudanças são urgentes. E necessárias. Quase questão de sobrevivência.
Mas mudar não é tarefa fácil.
Principalmente quando o que precisa ser mudado está no lado de dentro da gente.
Mas não quero pensar que é impossível.
Não serão coisas simples.
Realizá-las será como executar os

"DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES".

Mas no final, me garantirão, também, uma certa "imortalidade"...
Faltei à aula de italiano, ontem.
Uma amiga enviou por e-mail a letra de uma música trabalhada na aula, porque sabia que eu iria gostar.
Comecei a ler...

"A volte mi domando se vivrei lo stesso senza te, se ti saprei dimenticare..."

Laura Pausini. "Incancellabile". Não quis ler até o final. Deu um buraco de arrependimento por ter faltado.
Porque sempre perco as partes boas?
Tudo o que eu quero, hoje, é fazer uma promessa a mim mesma.
Para deixar de acreditar, de sonhar!
Quero aquietar o coração e o espírito.
Quero secar a lágrima e calar a voz que já é quase grito.
Vou perdoar a mim mesma pelos permitidos orgulhos feridos.
Vou devolver alguns descasos e egoísmos.
Vou juntar novamente todos os meus cacos e apagar do coração essa dor inútil ofertada pela inconstância
dos caprichos alheios!
Odeio esses meus impulsos de obedecer a momentos.
Odeio esses meus momentos de quebrar promessas.
Odeio minha incapacidade de esquecer, de ser dura e definitiva.
Li em algum lugar que só existe uma coisa mais dolorosa do que aprender com a experiência.
Não aprender com ela.
Talvez um dia eu aprenda.
"Já não se encantarão meus olhos nos teus olhos, já não se adoçará junto a ti a minha dor".

(Neruda, de novo. É ele que é teimoso ou eu?)
Alguns sentimentos são marcas impressas na alma.
Imutáveis, imortais. Imensamente maiores do que qualquer silêncio, tempo ou distância possam ser.
Marcas na alma são indestrutíveis.
Como a pele daquele leão mitológico, infinitamente resistente e incapaz de ser transpassada
por qualquer arma criada por mãos humanas...

O primeiro trabalho de Hércules: matar o leão de Neméia.

"Queria que um par de asas me desse a liberdade de um sonho".
E me transportasse sobre mares, vales, montanhas, mundos.
E que me permitisse sobrevoar os abismos cavados pelas impossibilidades e desencontros.
E chegar. E pousar. E ficar.
Algumas músicas, às vezes sem razão nenhuma (aparente ou conhecida), me deixam triste.
A mesma música de ontem, que eu achei tão alegre.
Talvez hoje eu esteja deprimida, como me disse uma colega.
Não, acho que não, eu disse a ela. Deprimida não, cansada sim.
E estar cansada me deixa triste. Auto-piedade. Eu sofro disso.
E a música que ontem era alegre e hoje é triste fez um "eclipse" na lua que eu tentava ver.
O leão ainda está vivo.
Recebi por email um anexo denominado "Os Doze Trabalhos".
Uma espécie de "missão divina" aos signos do zodíaco.
Achei esquisita a mistura de Religião e Horóscopo, mas o título chamou a atenção.
Coincidência com meu propósito de mudança?
Fui ler o meu:

"AQUÁRIO - A ti, Aquário, dou o conceito de futuro, para que através de ti, o homem possa ver outras possibilidades. Não é fácil tua tarefa, pois muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês.
Terás a dor da solidão, pois não te permito personalizar o Meu amor.
Para que possas voltar os olhares humanos em direção a novas possibilidades, Eu te concedo o Dom da Liberdade, de modo que, livre, possas continuar a servir a humanidade, onde quer que ela esteja".

Ah, então é isso. Não tinha entendido que era de propósito.
Sensação intensa de arrebatamento, de uma alegria súbita, de um não sei o quê!
Talvez a lembrança de algum sonho feito, que num delírio de inconsciência
me trouxe um gosto de prazer à boca...
A flutuação inebriada nas palavras inusitadas,
entrecortadas pelos silêncios impostos por pensamentos completos.
Um instante. Um vôo. Um sopro.
Fugaz como o tempo. Diáfano como o vento.
Em transe. Em paz.
E por um momento, livre.

Algumas coisas só cabem mesmo na imaginação.
Talvez o leão não precise ser morto.
Talvez domado. Talvez adormecido.
Os leões são inofensivos quando dormem.
Viajando.
Três dias num Congresso:
13ª Jornada Curitibana de Educação.
Viagem

Aparelhei o barco da ilusão e reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro o mar...
(Só nos é concedida esta vida que temos;
E é nela que é preciso procurar
O velho paraíso que perdemos).

Prestes, larguei a vela e disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida, a revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir,
Não é chegar.

(Miguel Torga - 1962)
Hora de voltar pra casa.
Magníficas conferências. E grandes lições também.
Se os leões estão adormecidos, é preciso não despertá-los.
Andar nas pontas dos pés, sem ruídos ou imprudências,
estudando cada passo para não ser traída por gravetos secos.
Sempre tenho sensação de perda
quando retorno de algum lugar, em viagem.
Como se não tivesse ido.
Como se voltasse de lugar nenhum.
A paisagem de volta
é sempre lenta, nostálgica.
E repete-se, estranhamente triste,
indiferente à saudade de casa,
ignorando o conforto do retorno.
A pouca luz do entardecer na estrada
comove-me e inquieta.
Uma sensação indescritível de vazio
sobrepõe-se a tudo.
Como se as sombras que caíssem lá fora
também me cobrissem.
E eu também, como a paisagem,
lentamente anoitecesse.


Inquietação
Deixamos, por vezes,
escapar preciosos momentos de vida
pelas frestas da insegurança e do medo.
Nosso instante feliz nunca chega a acontecer.
Fracassa na complacência da oportunidade voluntariamente perdida.
Sobra-nos o desejo mas falta-nos a coragem para tornar os sonhos possíveis.
Os momentos vêm, mas passam.
Dissipam-se resignados, porque sabem que não persistem.
Porque não conseguiram ser.
E porque não serão nunca.
Algumas situações que vivemos são recorrentes.
Por mais que se pense lutar contra elas, acabamos por permitir,
por descuido ou inadvertência, que se repitam.
A razão duvida, mas o coração tem fé.
E pela necessidade de querer, de acreditar,
acabamos por cometer infinitamente os mesmos erros.
Essas situações da vida,
comparo-as àquela serpente mitológica
cujas cabeças ressurgiam assustadoramente mais fortes
a cada vez que eram cortadas...
Algumas pessoas não conseguem entender de onde surgem as coisas que escrevo.
É simples. Eu invento.
A grande maioria desses escritos não têm origem emocional,
ao contrário do que possam pensar alguns maliciosos desavisados.
É apenas viagem de idéia desocupada.
As coisas surgem no pensamento e a mão, obediente, registra.
Escrevo o que penso, a forma como sinto.
Se meus erros são físicos, minhas respostas são emocionais. Ou vice-versa.
Adoro transformar dor de tijolo caído no pé em dor de coração partido.
Talvez insanidade, coisa da idade.
Quem vai saber o porquê disso? Nem eu mesma sei...
Uma vez disse a um amigo que escrever era catarse.
Talvez eu esteja fazendo uma "catarse emocional" daquele tijolo físico que me caiu no pé um dia desses.
Ou "catarse física" de algum tijolo emocional?
Deixe que pensem o que quiserem.
Escrevo, porque a palavra é livre.
E se a palavra é livre, o pensamento também é.
Contemplo as cores pálidas de uma flor
guardada entre as páginas de um livro.
As pétalas desbotadas me contam que já faz tempo.
Também essas páginas são antigas.
Mas as lembranças não descoram.
Estão vivas, pulsantes,
inflamadas do carmim
da flor de antes.
Detenho-me indefinidamente
nesse olhar de flor seca.
Toco-a, de leve,
como se a trêmula carícia a pudesse despertar,
e com ela, o sonho.
Mas o gesto estranha a flor,
que se desfaz, cansada.
Meus olhos confundem-me,
e por um instante,
tenho a impressão de que é a flor
que estremece e chora.
Primeiros rascunhos...
Semana difícil, cheia de pensamentos, questionamentos e medos.
Mãe doente tira o chão da gente.
A vida, às vezes, parece tão frágil.
Quinta, 17/05.
Sábado, 19/05.
Domingo, 20/05.
"Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.

São coisas do alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.

Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?"


O Fernando Pessoa escreveu esse poema em 1932.
Mas parece que foi hoje. Agora pouco, lá de cima.
Terça, 22/05.
Quarta, 23/05.
Quinta, 24/05.
Sábado, 26/05.
Domingo, 27/05.
Terça, 29/05.
Quarta, 30/05.
Sábado, 02/06.
Domingo, 03/06.

O segundo trabalho de Hércules: vencer a Hidra.

Segunda, 04/06.
Terça, 05/06.
Quinta, 07/06.
Domingo, 10/06.
O tempo passa
A vida passa
Eu passo
Com o passo no compasso
Com o passo em descompasso
E passam os anos
Os amores, os planos,
Os dissabores, os desenganos...
Em passo lento
Em passo apressado
E eu passo
E a vida passa
E o tempo passa
E tudo passa!

(Mena Moreira)
As coisas boas passam,
mas as ruins também.

Tomara.
A vida, hoje,
está parecendo mais frágil que ontem.
Às vezes as coisas boas acontecem em meio às não tão boas assim.
Ganhei uma  página de prosa  no Portal  Blocos de Literatura.
Enviei duas crônicas para seleção. Uma está sendo publicada hoje. A outra, nos próximos dias.
Agora vou ter, do ladinho do meu nome lá:

" página de poesiapágina de prosa e  ler sobre ela no portal "

"Ela", sou eu. Nossa!
Terça, 12/06.
Dia de presentes.
Minha mãe de volta em casa.
Marido trazendo presentes e flores de namorado.
Planos de viagens.
Dia de coisas boas. As ruins estão passando. Ainda bem.
Segunda, 11/06.
Barulho de pensamentos. De hoje.

Às vezes escondemos os reais motivos de nossas decisões e atitudes
atrás de desculpas que nem sempre convencem. Nem aos outros, nem a nós.
Agimos movidos pela necessidade de nos protegermos de situações que criamos
e depois não sabemos que destino dar a elas.
Inventamos álibis. Jogamos as culpas sobre qualquer coisa
que desvie os olhares alheios das nossas próprias inseguranças e falhas.

Que pena sermos assim.
Sempre penso que, se não conseguimos assumir  nossos erros,
deveríamos ter cuidado em não cometê-los.

(Certas coisas a gente sabe de cor. Só que às vezes esquece.)
A Hidra só foi vencida quando as feridas de suas cabeças decepadas
foram cauterizadas com fogo, o que as impedia de voltar a nascer.
Algumas constatações são como fogo.
Primeiro queimam e doem, mas depois resolvem e curam.
Mais uma tarefa vencida.
São as mudanças e a vida acontecendo.

Quarta, 13/06.
Trechos de "Travessia". Música bota-fora do Milton Nascimento.

Solto a voz nas estradas, já não quero parar!
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar?
Sonho feito de brisa, vento vem me levar...
Vou secar o meu pranto, vou querer me matar!


Vou seguindo pela vida, me esquecendo de você...
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver!
Vou querer amar de novo e se não der, não vou sofrer.
Já não sonho, hoje faço com meu braço, meu viver.
Quinta, 14/06.
Sem barulhos.
Para não estragar o silêncio.
Porque o mais importante é sempre o que não foi dito.
Porque o infinito cabe no espaço em branco entre as palavras.
Sábado, 16/06.
O que a gente pensa hoje, não é a mesma coisa que pensou ontem ou que pensará amanhã.
São momentos que acontecem. Mágicos, encantadores, promissores.
São "pequenos fragmentos de luz" que surgem quando já não se espera por eles,
e têm a maravilhosa capacidade de fazer diferentes o pensamento, a emoção, a história.

É a vida sendo escrita, com seus prólogos e tramas.
Sem rascunhos. Sem conseguir prever os epílogos.
Talvez por isso, muito mais interessante.

E a gente vai  tentando acertos e enredos felizes, que compensem as "Travessias".
"Cheguei a tempo de te ver acordar, eu vim correndo à frente do sol,
abri a porta e antes de entrar... revi a vida inteira!
Pensei em tudo o que é possível falar, que sirva apenas para nós dois:
Sinais de bem, desejos vitais, pequenos fragmentos de luz...
Falar da cor, dos temporais, do céu azul, das noites de abril...
Pensar além do bem e do mal,
lembrar de coisas que ninguém viu...
O mundo lá, sempre a rodar! E em cima dele tudo vale!
Quem sabe isso quer dizer amor?
A estrada há de fazer o sonho acontecer!"


Milton Nascimento. E a frase, também dele:

"Certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim que perguntar carece:
porque não fui eu que fiz?"
Em viagem, hoje.
Curitiba, de novo. Cursos, encontros, crescimento.
Dessa vez com o pessoal todo.
Sexta, 15/06.
Os afazeres às vezes nos impedem de VER as pessoas que encontramos todos os dias.
São nesses momentos de convivência que a gente aprende o que realmente importa:
A gente aprende as pessoas.
Grandes companheiros e parceiros. De viagem, de  trabalho, de vida.
Se o curso foi bom, estar juntos foi melhor ainda.
Ela chega sem aviso, num repente, como se espreitasse.
Uma surpresa, um telefonema, um sorriso, uma palavra.
Felicidade.
Não sei dizer onde ela fica quando não está.
Não sei dizer o que ela é.
Mas sei reconhecer quando ela vem.
Tentando escrever, hoje.
Mas meus pensamentos fizeram tanto barulho, que não consegui dizer nada.
Quando enroscam as idéias, melhor parar.
Deixar as palavras guardadas, por um tempo.
De repente, elas se escrevem quase sozinhas.
Algumas sensações são tão boas!
Envolvem, trazem alegria, esperança, vontade de viver.
E não cobram causas. Não precisam de motivos.
Elas simplesmente vêm e aquecem a alma, o coração.
Algumas sensações são tão boas que parecem feitas de sonho!

(Mas tenho receio dos sonhos. Eles são subversivos. Às vezes acordam e passam.)
De flor e de saudade...
(Queria ser capaz
de cumprir
todas as promessas
que me faço...)
Segunda, 18/06.
Alguns motivos (ou a falta deles) fizeram a alegria de ontem esconder-se por aí.
Os ânimos esbarraram na rotina de trabalho, dia-a-dia e cansaço.
Algumas trocas são desiguais.
E fica a sensação de estar perdendo, em tudo e de novo.
Culpa dessa mania de ser tão disponível sempre.
Mas, paciência. As coisas se ajeitam.
Há que se descer das nuvens
e pisar o chão.
Há que se olhar pela janela
e ver de paisagem
a infinidade
de obrigações a serem cumpridas.
Há que se andar pelas ruas
cuidando estradas,
sem imaginar caminhos.
A vida é real,
concreto armado,
pressa, horários, compromissos,
manhãs de mau-humor,
tardes cansadas e noites vazias.
É isso, a vida.
Uma sucessão de realidades,
apenas e só.
Talvez a vida seja mesmo não sonhar.
"Quem sabe a vida é não sonhar..."

Verso de Cazuza,
que ficou mais conhecido
depois da "Malandragem"
da Cassia Eller.

Tenho altos e baixos sim.
O dia ajudou bastante pra isso.
E hoje o chão é o meu limite.
Mas como dizia meu pai
quando a gente era criança e caía:
"Do chão não passa!"
Quinta, 21/06.
"Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim...
E sinto-a tão branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência  assimilada,
ninguém a rouba de mim!"
Drummond.
O pior silêncio é aquele que fala.
Não há palavras,
mas a gente sabe.
O tempo passa com tanta rapidez que de repente o ano já está no meio.
Corre-se tanto atrás de tudo,
mas falta a calma necessária para as coisas verdadeiramente importantes.
E o que buscamos parece estar cada vez mais difícil, mais distante.
Planos, sonhos, desejos. Alguns inalcançáveis, outros inatingíveis.
Tudo parece estar sempre muito à nossa frente, e a vontade de desistir é imensa.

Uma das tarefas de Hércules era capturar com vida uma corsa,
animal lendário extremamente arisco que corria com assombrosa rapidez.
Ele a perseguiu incansavelmente.
Talvez porque sabia que ela estava lá.

O terceiro trabalho de Hércules: capturar a Corsa de Cerínia.

Meu anjo da guarda está sempre a postos.
Vigilante, sabe quando preciso de um rumor de asas e nunca me falta.
Ainda há pouco reclamei um "colo". Na verdade, desejava um colo físico.
Mas ele veio de uma outra forma: uma mensagem de e-mail
comunicando a publicação de mais um trabalho meu no Blocos.
É uma crônica especial, esta.

Caixas e carinhos, guardados...

Agora estou "linkada" na página de prosas temáticas também. Claro que fiquei feliz!
"Felicidade literária" é diferente, mas é bom também.
Sexta, 22/06.
Filhos morando longe de casa fazem a gente andar por aí com o coração entre as mãos.
Queria estar por perto quando precisam.
De longe, não tem como abraçar, não tem como dar colo.
Não tem como secar uma lágrima por telefone.
Tem horas que, se pudesse, criava asas.
Pra poder "ser mãe" o tempo todo, em todas as horas. Nas boas e nas outras.
Segunda, 25/06.
Barulhos de frase:

Nada é para sempre e nem por acaso. Tudo tem um propósito.
Só é necessário aprendermos com as lições que a vida nos dá.
"Foi no meu aniversário de 5 anos que meu pai colocou sua mão sobre meu ombro e disse:
Lembre, meu filho, sempre que você precisar de uma mão amiga,
você a encontrará no fim de seu braço."
Sam Levenson.
Desencantada, hoje.
Sensação danada de precisar de "presenças" e sentir-me só.
Terça, 26/06.
"A verdadeira gentileza é perfeito conforto e liberdade.
Ela simplesmente consiste em tratar os outros exatamente como você gostaria de ser tratado."
Lord Chesterfield

Por que me comovo tanto pelos problemas dos outros?
Por que sofro tanto pelos outros?
Talvez porque eu só tenha aprendido a ser assim.
Aprendi a sentir-me responsável pelas pessoas, a querer ajudar, participar de alguma forma,
mesmo que seja com palavras carinhosas e de conforto.
Sempre acho que as pessoas sentem-se melhores pelo simples fato de saber que você "está ali".
Não sei se o universo é mesmo cíclico e reverso como dizem.
Não sei se as coisas boas que a gente faz voltam pra gente como coisas boas.
Para mim, às vezes elas não voltam.
Ou se voltam, não estou sabendo ver.
Quinta, 28/06.
"Gratidão é uma sensação tão agradável.
Cresce onde sementes de amor são lançadas,
floresce sob o sol de um coração caloroso e bom, cresce mais ainda quando é cuidada.
Quase todos temos motivos para gratidão, quando pessoas em nossas vidas
têm tempo para partilhar e nos fazem saber, por seus atos,
que estamos em seus pensamentos e que se importam".

Alguém já havia dito que a gratidão é a memória do coração.
Sexta, 29/06.
Tudo voltando pro lugar.
A semana foi difícil, mas passou. Hoje é sexta, "ameaça" de fim de semana.
Fora alguns respingos por aí (que de tão pequenos nem molham), tá tudo em ordem.
Marido voltando de viagem, filhos bem, eu também.
Amigos mais amigos que nunca e gostosamente próximos.
Em paz e feliz com as pessoas da minha vida.
Com todas essas riquezas, quem precisa de mais?
Terça, 03/07.
ESPELHOS

Por todos os lados.

Para aprender a lei do  reflexo.
REFLEXOS

Distorcidos e imutáveis.
A saída,  tirar vantagem.
Matar o espelho
e quebrar a imagem.
"A existência é pura simulação de algo que não existe.
E a simulação perfeita não deixa qualquer vestígio que a revele."
(Baudrillard)
Quinta, 05/07.
"REVOLUÇÃO DA ALMA"

Ninguém é dono da sua felicidade. Por isso não entregue sua alegria, sua paz, sua vida,
nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.
Somos livres, não pertencemos a ninguém.
E não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da sua vida é você mesmo.
A sua paz interior é a sua meta de vida.
Pare de colocar a felicidade cada dia mais distante de você.
Não coloque objetivos longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje.
Se anda desesperado por problemas de qualquer ordem,
busca em seu interior a resposta para a calma.
Você é o reflexo do que pensa diariamente.
Pare de pensar mal de você mesmo. E seja seu melhor amigo sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar.
Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões sobre você,
e você estará afirmando para si mesmo que está pronto para ser feliz.
Trabalhe. Trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais.
E não esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo o que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo é ainda muito pequena
para julgar o que quer que seja em nossa vida.
Por fim, acredite que não estamos sozinhos em nossa caminhada  um instante sequer,
se nossos passos forem dados em busca da justiça, da igualdade
e da felicidade.
(Aristóteles, filósofo grego, escreveu essa mensagem no ano 360 a.C.)
Sexta, 06/07.
Uma viagem...
Reencontro, rever as pessoas que se ama...
Sentir o calor de um abraço, a doçura de um beijo, a vibração de uma palavra...
Tem como descrever a emoção da proximidade?
Tem como descrever o sorriso nos lábios e o brilho nos olhos?
Às vezes, as palavras são desnecessárias...
Melhor deixar que o coração fale... E ficar em silêncio, apenas ouvindo...
"A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou,
mas por todas as vezes que você perdeu o fôlego..."
Terça, 10/07.
Gosto de pensar que as histórias têm apenas princípio e meio. Nunca um fim.
É bom pensar que as pessoas que o acaso afasta de nossas vidas
não acenaram uma despedida. Apenas foram, e daqui a pouco poderão estar de volta.
Pensar assim engana o coração e serve de alento,
porque faz com que não nos detenhamos no sofrimento,
na dor e na triste certeza de um "nunca mais".
Sem um aceno de despedida,
ficam as sensações de incerteza e de espera que dão a doce ilusão de continuidade.
Claro, é inevitável a saudade pelas ausências.
Muitas vezes as lembranças vão arrancar sorrisos disfarçados de "tá tudo bem".
Mas se algumas separações são necessárias ou inevitáveis,
prefiro pensar esses momentos como se fossem apenas a pausa de um viajante
que descansa à beira do caminho, sem saber exatamente para onde seguirá depois.
Não gosto de dizer adeus. Prefiro o "até algum dia".
Isso me permite parar exatamente no meio das histórias,
sem o direito ou o dever de chegar ao fim.
Porque todo final é triste. Porque um "fim" pode significar um "nunca mais".
E "nunca mais" é tempo demais...
Algumas palavras são pronunciadas somente pela razão.
O coração escuta, calado, sem saber o que dizer de tudo. Apenas chora.
Estava lendo um livro maravilhoso.
Não quero chegar ao final para não perder o encanto.
Vou fechar o livro aqui, exatamente no meio dessas páginas.
E ficar imaginando as centenas de finais que eu escolheria para a história...
Terça, 17/07.
Já percebi que escrevo mais quando estou chateada ou  triste.
Porque quando estou feliz, não preciso tanto das palavras.
Uma semana sem escrever.
Parece pouco tempo, mas se tantas coisas podem acontecer no intervalo entre minutos,
no intervalo entre dias elas se multiplicam.
Apesar de não colocar aqui tudo o que passou pela cabeça e pelo coração, escrevi muito.
Mas minhas palavras tiveram outros destinos, bem mais profissionais e menos poéticos...
Preparativos de viagem.
Conhecer outros lugares, outras gentes, outros ares e mares.
Bahia. O Brasil começa lá.
Alguns sonhos são mais fáceis de realizar.
Alguns contos bem que poderiam ser de fadas.
Começariam com "Era uma vez..."
e continuariam  maravilhosos, encantadores, envolventes, cheios de surpresas e magias.
E  nunca terminariam, porque ficariam eternos naquela promessa do
"... e foram felizes para sempre".
Quarta, 18/07.
Terça, 31/07.
De volta.
Trazendo no coração e na saudade as areias, as águas, as paisagens, as gentes.
Não tem como descrever tudo.
Todas as palavras seriam poucas.
Mas posso dizer que compreendo o que disse o  poeta:
"Nosso Nordeste é pura emoção. É tristeza, é alegria, é vida, é tudo.
E se sentir saudade, é só fechar os olhos quando não estiveres mais dentro dele".
Mas é claro que pretendo voltar!
Segunda, 13/08.
Meu coração, às vezes, cansa.
E revida-me as angústias arrancando-se de mim.
E  insensível, lá de fora,
voa longe e alto e livre,
como se quisesse não bater, enfim...
Terça, 14/08.
Às vezes é preciso parar.
Abrir mão, abrir espaços.
Às vezes é preciso dizer não, mesmo querendo dizer sim.
Medir conseqüências. Tomar decisões e atitudes.  Necessárias.
Seguir em frente, sem olhar para os lados para não desviar-se no caminho.
Desistir de sonhos tolos e inúteis.
E aos olhares dos outros,
esconder decepções disfarçadas em sorrisos.
E repetir mil vezes que tudo está bem,
na tentativa de convencer-se de que realmente está...
Meu coração, às vezes, cansa.
Dói-me no peito seu espaço quando foge assim.
Mas como pode censurar-me a desistência de ser,
se foi ele quem primeiro desistiu de mim?
Alguns plurais são singulares demais...
Êxtase
Quinta, 16/08.
Tantas coisas acontecendo que acabei me desviando dos meus "Doze trabalhos de Hércules"...
O fato é que a Corsa de Cerínia continua correndo e está cada vez mais distante.
E não quero mais correr atrás dela.  Estou perdendo o fôlego e a vontade.
Se a corsa foge, é porque não me pertence.
E não quero absolutamente nada que não me pertença por direito.
Melhor deixá-la ir.
Queria fechar as mãos em concha e me esconder dentro delas,
como se pudesse, nesse gesto, me proteger de mim mesma...
"Vou pensar nisso amanhã."
Como se pudesse deixar de pensar hoje.
Palavras.  Que o vento as leve...
Sexta, 17/08.
Tentar viver bem e tirar o máximo da vida, porque tudo na vida passa.
E tudo o que passa, a gente perde.
E tudo o que a gente perde, não volta mais...
Perdi o sono, hoje. Eram tantos pensamentos que vinham, voltavam, uma barulheira danada.
A noite foi feita pra dormir e não para resolver coisas pensando.
Levantar. Ocupar a insônia. Procurar uns textos, poesias, uma música, talvez.
Encontrei muitas, escolhi uma. "Agüenta coração".  Música linda. Faz tempo, essa.
Guardei aqui, pra ler e ouvir toda vez que der vontade.
Agüenta coração
Sábado, 18/08.
Coração, diz pra mim
Porque é que eu fico sempre desse jeito
Coração, não faz assim...
Você se apaixona e a dor é no meu peito...
Pra que que você foi se entregar
Se na verdade eu só queria uma aventura
Porque você não para de sonhar... É um desejo e nada mais
E agora o que é que eu faço pra esquecer tanta doçura
Isso ainda vai virar loucura...
Não é justo entrar na minha vida
Não é certo não deixar saída, não é não...
Agora agüenta, coração, já que inventou essa paixão
Eu te falei que eu tinha medo, amar não é nenhum brinquedo
Agora agüenta, coração
Você não tem mais salvação
Você acorda e esquece que você sou eu...
A letra:
O clip da música:
(emprestei do Youtube)
A música é do José Augusto.
Mas o Roupa Nova também gravou.
Tenho ela no DVD do Roupa.
Vou ouvir e ver.
Amanhã.
Tem horas que eu tenho certeza.
Minha alma conhece abismos.
Domingo, 19/08.
Uma pessoa que visitou (bem por acaso!) minha página
escreveu  incentivando e deixando recados carinhosos.
Recebi um texto lindo, muito significativo, que estou transcrevendo aqui.
É uma forma de  agradecer pela atenção e carinho.
Obrigada, de coração.
"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga que nem todas, só as de verão.
Mas no fundo, isso não tem muita importância. O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano. Dormindo... ou acordado..."


(William Shakespeare,  de "Sonhos de uma noite de verão.)
A pessoa que enviou a frase, disse ainda:
"A capacidade de sonhar e transformar a fantasia e o sonho em palavras
é o instrumento de ofício de quem escreve".

Talvez seja essa a melhor definição para o que escrevo, porque
"Tenho em mim todos os sonhos do mundo."
(isso foi o Fernando Pessoa quem disse)
E tudo o que posso fazer, é transformá-los em palavras.
(e isso fui eu)
Segunda, 20/08.
"Dorme enquanto eu velo,
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.
A tua carne calma
É fria em meu querer.
Meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.
Dorme, dorme, dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento,
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir."


Fernando Pessoa.
O dia passou, cheio de tudo.
Cheio do frio que fez hoje,
cheio do trabalho, das horas, da correria.
Cheio da música no carro,
cheio da hora de voltar pra casa,
cheio do almoço rápido,
cheio da tarde que demorou.
Cheio da reunião depois do expediente,
cheio do vir correndo, tomar um banho,
um café bebido em pé no atraso
para a  aula que agora é na segunda
e cansa tanto depois de um dia cheio.
O dia passou, cheio de tudo.
Cheio dos sorrisos que não houveram,
cheio das palavras que não foram ditas,
nem escritas.
E o dia passou, cheio de tudo.
Mas estranhamente vazio.
Quarta, 22/08.
Rebuscando em meus guardados, encontrei uma coisa bacana.
A letra de uma música com meu nome (O segundo,
Helena. O primeiro, quem me conhece
bem de pertinho, sabe). Essa música,  um amigo me enviou, há muito tempo.
A música também é antiga.

"Noite que se foi sem sequer dizer pra onde foi...
Nem quer saber de nenhum lugar onde as românticas estrelas
fiquem como enfeites, luz, não aquecem o ar...
Nem vai brilhar no meu coração que, de teimoso não percebe
que você fugiu de mim, só me fez sofrer em vão,
mas não faz mal...
Um ano se passou... Porque não esquecer?
Você desfez de mim, só me fez lembrar que estou doido de amor...
E antes de sair, porque não me entender...
Porque não me entender... Helena..."


Adorei.
Bom saber que, em algum lugar, alguma "Helena" deixou saudade no coração de alguém.
Domingo, 26/08.
Fim de semana maravilhoso.
Família reunida, minha filha passando uns dias com a gente, matando um pouquinho as saudades.
Nem deu tempo de escrever, nem vontade.
Tanta coisa pra falar e pra fazer!
Dias lindos de sol e calor, passeios, pequenas compras, algumas visitinhas rápidas pra sobrar mais tempo de curtir e colocar em dia assuntos e novidades, longas conversas até de madrugada,
um café quentinho, mostrar fotos, vídeos, trocar idéias, fazer planos,
colinho, abraço, algumas lagriminhas, colinho, abraço, muitas risadas, colinho, abraço...
E o melhor de tudo: poder dar um beijo de bom dia
e sentir aquele cheirinho gostoso de filho dormindo, como se o tempo nem tivesse passado.
(Sempre digo que meus filhos têm cheirinho de bolacha maizena).
E a felicidade tem cheirinho de filho em casa, pertinho da gente.
Há algum tempo tinha vontade de colocar aqui as palavras de um poeta que admiro muito.

Paraibano,
escritor assíduo
do Jornal Mundo Jovem
e um amigo muito querido.

Estou autorizada, por ele próprio.
MEU MUNDO

Não resistir ao teu olhar
é aceitar o melhor momento da vida;
é deixar os braços adormecidos naquele abraço feliz;
é deixar acontecer o desejo silencioso realizar;
é sentir o beijo roubado da boca perdida
que busca a transformação daquele encantamento
em momentos serenos, amenos e verdadeiros.
Assim, adormeço por inteiro dentro dos teus olhos,
cantinho do meu mundo verdadeiro.

José Ventura Filho
Dia dos Namorados!
Diante de algumas situações,
saída à Scarlet O'Hara:
Tem horas que me derrubo.
Sei fazer isso tão bem que nem preciso de ajuda.
Hoje foi um dia desses.
Nem sei se foi "tijolo emocional" ou "tijolo físico".
Talvez os dois juntos.
Mas sei que foi um tijolão,
porque onde ele bateu,
tá doendo.
Quinta, 30/08.
Sábado, 01/09.
Sozinha em casa, o dia todo.
Solidão não é ruim quando tá tudo bem. Eu gosto.
Sem horário pra levantar. Sem almoço pra fazer.
Um pouco de exercício. Ajeitar umas coisinhas.
Um banho demorado. Uma roupa confortável. Um café quentinho.
Escrever. Navegar na Internet. Jogar. Ouvir música.  Ler poesia. Escrever.
Assistir aquele DVD que ganhei de presente (tão lindo!).
Responder e-mails. Dar um telefonema. Escrever mais um pouco.

Gostoso isso de não ter horário nem compromisso.
Adoro um dia assim, para preencher com minhas coisas todas as horas.
Mas ter as pessoas por perto é muito, muito melhor.
Sexta, 07/09.
Escrevi uma crônica para o dia de hoje. Sobre a Pátria.

Orgulho é a palavra
Por vezes, o excesso de trabalho toma o lugar da poesia.
A correria de todo dia e o cansaço tiram um pouco (ou muito) a vontade de escrever.
São compromissos, obrigações, afazeres e poucas horas para tanto.
Mas são coisas importantes que não podem, absolutamente, ser deixadas de lado.
O bom de tudo?
Trabalho é vida, é energia, é convivência, é crescimento.
O melhor de tudo?
A poesia está lá e permanece.
No próprio trabalho, nos acontecimentos,
nos gestos, nos sorrisos, nas palavras, nos olhares, nas pessoas.
Está nos bons resultados, na satisfação do dever cumprido.
Está na expectativa de tudo o que há por vir.
E por estar em tantas coisas, está principalmente na cabeça e no coração.
Apenas à espera do momento gostoso de ser escrita.
Terça, 18/09.
Terça, 25/09.
Hoje resolvi fazer uma limpeza. Em vários lugares.
Deletar coisas antigas que já não serviam mais e só ocupavam espaço.
Comecei excluindo alguns arquivos, algumas imagens, alguns endereços em desuso.
Continuei a tarefa apagando algumas coisas que havia escrito neste Rascunhos.
Relendo-as, hoje, pareceram tolas.
Talvez porque o momento em que foram escritas só existiu no pensamento,
e em mais nenhum outro lugar. Com o tempo, ficaram  vazias e inconsistentes.
Depois, fiz uma limpeza na alma,
apagando algumas desconfianças, mágoas e ressentimentos antigos.
Essa foi a parte que deu mais trabalho,
porque alguns sentimentos estavam tão enraizados que quase tiveram de ser arrancados.
Mas a cada coisa apagada foi como se apagasse também alguns pensamentos que incomodavam.
Uma limpeza sempre abre novos espaços.
Principalmente  no coração,
que assim vai ficando cada vez mais leve...
Algumas idéias são tão persistentes que chegam a ser assustadoras.
Ecoam,  se repetem, insistem querendo acontecer a qualquer custo.
A solução é poder realizar as boas e conseguir deixar de lado as ruins.
E principalmente saber distinguir umas das outras.
Tarefa difícil, porque o que penso ser bom pra mim, não pode ferir os outros.
Conseguir fazer isso é como realizar o quarto trabalho de Hércules,
que devia capturar vivo aquele monstro mitológico que devastava os arredores e assombrava a todos.

O quarto trabalho de Hércules: capturar vivo o Javali de Eurimanto.
A vida é simples. A alegria é simples. O destino, mais simples ainda.
E a felicidade, somos nós que a fazemos. Basta colocá-la onde queremos que esteja.
E basta estarmos onde ela está.
Domingo, 30/09.
Carpe diem.
Porque, de inveja, o tempo voa.
Terça, 02/10.
Pensando, hoje, sobre várias coisas.

Definitivamente, algumas coisas que são importantes pra mim,
muitas vezes não são consideradas importantes pelos outros.
Incluo nisso o valor e a atenção que dou às pessoas, a forma como as  trato.
Incluo nisso a preocupação que tenho em ser sempre compreensiva, positiva e presente.
Incluo nisso as gentilezas e elogios, o cuidado com as palavras,
a valorização às iniciativas e conquistas, o respeito aos sentimentos.
Nem todo mundo é assim.
E espero, sinceramente, que certas lições que a vida tem pra dar, eu não aprenda com elas.
Ou, se tiver que aprender,
que seja a não sofrer quando as respostas são tão diferentes das que eu daria.
Amanhã é outro dia. Com muita coisa boa guardada nele.
Quanto falta para amanhecer?
Quarta, 03/10.
O dia começou perfeito.
Tão bons estes momentos em que você está no lugar certo, na hora certa.
E que você sabe, de alguma forma, que a sua presença e palavras fizeram a diferença.
E que você percebe que as coisas que pareciam tão difíceis,
foram as mais fáceis de resolver porque você se deixou guiar, também pela experiência e intuição,
mas principalmente pelo coração.
Foi como capturar vivo o tal javali, sem precisar ferí-lo. E sem me deixar ferir por ele.
Quinta, 04/10.
Estava olhando os livros em uma banca, hoje.
Sempre costumo comprar aqueles cujos títulos têm a ver com algum momento especial
pelo qual eu esteja passando. Claro, sempre dentro do que considero que deva,
além de me proporcionar o prazer da leitura, acrescentar alguma coisa
em termos de informação e crescimento. Ou que possam, de alguma forma, servir de conforto
e proporcionem o entendimento e a compreensão de algumas coisas que me acontecem.
Olhei vários.
E percebi que, por várias vezes, me senti atraída ou tive nas mãos muitos já lidos anteriormente.
Fiquei pensando sobre isso.
São as situações que se repetem ou sou eu que permito que se repitam a mim?
Não consegui chegar a uma conclusão.
Talvez até tenha chegado, mas por uma certa covardia e necessidade de auto-proteção,
preferi me colocar na situação confortável de dizer que não concluí nada.
Enfim, acabei comprando um que já li.
Lia Luft, "Perdas e Ganhos".
Talvez por ter gostado demais do livro.
Talvez por tê-lo perdido, como sempre acontece por culpa dessa mania de dividir as coisas.
Talvez por esse meu jeito de estar me repetindo, também nisso.
Ou quem sabe pela necessidade de uma nova leitura para aprender a reconhecer,
entre todas as situações, momentos e acontecimentos que a vida oferece,
o que devo debitar como "perdas" e o que posso creditar como "ganhos".
E para aprender a ver que, quando penso que estou ganhando,
posso na verdade estar perdendo.
Ou que, quando penso que estou perdendo,
é possível que esteja ganhando muito mais do que imagino...
Sábado, 06/10.
Solidão:
"Subst. fem. Do latim solitudine. Estado de quem está só."
Faltou dizer no dicionário que ela vem
mesmo quando estamos no meio de um monte de gente.
Faltou dizer que ela é esse sentimento danado de que algo ou alguém está faltando.
Faltou dizer que a gente nunca sabe direito nem quando nem porque ela vem.
Faltou dizer que quando ela vem, ela dói.
E o coração da gente fica exatamente do jeito que está escrito lá, no segundo significado da palavra:
"Lugar ermo, solitário."
Nem vou procurar o significado de tristeza.
Terça, 09/10.
Cada dia que passa é um dia a menos...
Os dias passam, fogem, e vão ficando cada vez mais pequenos, pequenos...
Perdidos, compensam-se pelas noites... Para cada dia que passa há uma noite a mais.
E as noites vão juntando-se, crescendo, unindo-se, multiplicando-se...
E vão ficando imensas, imensas...
Transformando-se finalmente em uma única, infinita, acolhedora, eterna...
"Devia ter arriscado mais... e até errado mais... ter feito o que eu queria fazer...
Devia ter amado mais..."

Epitáfio, Titãs

Uma  trilha sonora para esta (longa) noite. Um clip que emprestei do YouTube.
"O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraída..."
...e
deprimida, e chata, e cansada...
Acho que o acaso vai ter muito trabalho...
Terça, 23/10.
Não é preguiça, nem falta de inspiração. É cansaço mesmo.
É trabalho demais e tempo de menos. Os dias passam voando.
Às vezes a sexta-feira quase emenda na segunda.
E as coisas boas vão sendo deixadas um pouquinho de lado. Mas não esquecidas.
Estão ali, cutucando o coração, quase saindo pela boca.
Mas o fim do ano tá aí, espiando atrás da porta.
Segurando escondidinho os presentes que ele traz quando chega:
o tempo livre, as férias, as pessoas, o descanso, as viagens... as viagens...
Quinta, 15/11.
Engraçado... Quando não estava tendo tempo de escrever, tinha mil idéias na cabeça.
E por preguiça ou falta de tempo, não as anotei em lugar nenhum.
Hoje, feriado, folga, nada para fazer.
Comecei a escrever, achando que ia ocupar o dia todo com tanta coisa
que havia pensado colocar aqui.
Que patético. Fiquei parada em frente ao micro, olhando a tela, por longos minutos.
Escrevi, apaguei, achei tudo tão bobo.
Frustração. Branco total. Preguiça mental. Nem uma palavrinha bonita conseguiu ser escrita.
Acho que minhas idéias resolveram descansar.
Vou fazer o mesmo.
Terça, 04/12.
"Amore scusami... se sto piangendo amore scusami...
Ma ho capito que lasciandoti io soffrirò...
Amore baciami... arrivederci amore baciami... e se mi lascerai, ricordati..."

Às vezes algumas músicas fazem estranho eco.
Talvez porque o espaço onde elas se propagam esteja propositalmente vazio.
Domingo, 09/12.
Chega um momento em que as coisas nas quais a  gente acredita e pelas quais a gente luta,
sofre e chora, perdem a importância, a necessidade e o valor.
Então, esse é o momento de parar, analisar, decidir, escolher.
As escolhas são difíceis, mas necessárias.
Hércules, em seu quinto trabalho, devia limpar um local que há 30 anos não era cuidado.
E os gazes exalados por essa falta de limpeza eram mortais. Exatamente como algumas idéias
e obsessões que carregamos pela vida afora. Deixamos que tomem conta do corpo e da alma,
e não percebemos os "gazes mortais" que exalam, matando-nos lentamente.
Para Hércules, essa não foi uma tarefa fácil.
Para obter sucesso no seu intento, teve que desviar o curso de dois rios.
Assim são algumas situações na vida.
De tão instaladas, fica difícil abrir mão delas e realizar a "limpeza" necessária, na alma e no coração.
Obter forças para fazer o que deve ser feito, é  difícil  demais.
É como desviar o curso de rios internos de emoções e vontades...

O quinto trabalho de Hércules: limpar os currais do Rei Aúgias.
Terça, 18/12.
Algumas coisas acontecem de um jeito muito gostoso.
É uma lembrança que vem quietinha e fica sorrindo no pensamento.
É um sorriso contagiante, um abraço envolvente, um olhar acolhedor.
É a expectativa de momentos, projetos e sonhos.
Coisas gostosas de ver e sentir,
que  fazem o dia ficar com aquele sabor de alegria sem motivo.
Ou com o sabor de  todos os motivos do mundo.
As lembranças, os sorrisos, os abraços, os olhares e as esperas
são como gotas de chuva numa tarde quente de verão.
Refrescam, animam, dão alento.
E por fim, colorem o céu com um imenso arco-íris.
E o final dele pousa silenciosamente bem no meio do coração da gente.
Acontecimentos. Imprevisíveis,  improváveis, impensáveis. Mas reais.
Para distrair silêncios
- ou barulhos -
uma música.
Mas tem umas que não distraem nada.
Se a gente já está pendurado, elas derrubam de vez.
Cadê os pagodes e forrós que havia aqui?
Acho que os vizinhos vão preferir dormir
com uma música mais animadinha.
Ou não?
Pablo Neruda.
Minha paixão de adolescente.
Amor  idealizado e incondicional,
por tudo que eu lia e sonhava.
Até eu ver uma foto dele.
Depois o amor só mudou de foco.
Passou do príncipe encantado
que eu imaginava
para o Poeta maravilhoso
que eu sei.
Ainda amo.
Mais ainda hoje.
Domingo, 08/07.
Barulhos de profecias.
De hoje.
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