| POEMAS |
| * home * alguma poesia * outras palavras * rascunhos * |
| "As palavras dissecam, lâminas indomadas, meus sentimentos recônditos, minhas emoções contidas, minhas infindas dúvidas, minhas pretensas verdades. Desnudo-me entre versos acobertado pelo véu das metáforas. Mas no fundo, lá estou eu, nu, recém-nascido de mim mesmo." ("Criação" - Otávio Coral) |
| Helena C. de Araujo Alguma poesia e outras palavras |
| Música: El dia que me quieras (piano mid) http://www.centralmidi.com.br/default.asp |
| Poemas da autoria de Otávio Coral - Respeite os direitos autorais - Outras publicações do Autor em: Fragmentando-me Recanto das letras |
![]() |
| DESCANSO Dormem na praia deserta as lembranças cobertas de sal com cheiro sugestivo de maresia. Repousam na areia noturna respingados pelas gotas marinhas signos de tantos momentos absolutos que afogaram os resíduos de solidão. |
| DESLUMBRE Na desmedida delirante De um breve momento Esfumam-se fluidos Todos os sentidos impalpáveis Do pródigo desejo oculto. Um mistério resguardado Entre a sensualidade dos lábios Promessas seladas sem tempo. |
| BUSCA DA ESSÊNCIA Ser diamante cascalho cristal pó de pedra me virar na água mineral. Me tirar do caos material me soltar do medo real me peneirar bem. Finalmente eu achar em toda a sua pureza a minha essência perdida. |
| REALIZAÇÃO Consegui reter o fluir Daquelas horas absolutas Em toda sua leveza harmônica Dominada pelas formas suaves Mantendo-se na penumbra da memória |
| SUSPENSÃO Na profunda leveza de minha sombra equilibrada não há vestígios de fantasmas. Num plácido mar interior, antigo como certa memória, ouço um leve bater de palmas. |
| ABRAÇADOS Dois corpos amantes Duas almas em delírio Na dança concomitante Das formas que se querem Unem-se no ávido encontro Num abraço único, pleno Que se embute no universo E absorve o sentido do momento |
| NOTURNO SEDUTOR Meia taça Meio seio Mesclam-se no corpo lunar Da taça, o luzir embriaga! Do seio, a alvura inebria! |
| ACONCHEGANTE Este teu corpo tão leve tão livre tão pleno me toma ao vento me leva ao mar me deita na espuma e se entrega na areia. Ao fundo alarga-se o horizonte espalhando-se nas cores do céu, invadindo em fiapos, a noite que vem, suave, nos cobrir. |
| DESATENÇÃO À distância gemem os pinheiros. O mar ruge baixinho em comunhão com o vento leve. Sem pressa o mundo gira. Apressado o Homem nada percebe. |
| DESCANSO Dormem na praia deserta as lembranças cobertas de sal com cheiro sugestivo de maresia. Repousam na areia noturna respingados pelas gotas marinhas signos de tantos momentos absolutos que afogaram os resíduos de solidão. |
| VIVÊNCIA Quando te sinto na maresia que me envolve em cheiros pressinto meu renascer num mundo todo meu onde renuncio aos fantasmas, aos sustos, aos tolos dissabores e absorvo tuas formas ocultas que me cedes em silêncio. |
| ESPECULANDO Pode ser, quem sabe que o poeta seja a brisa que areja teu regaço. Ou talvez, possa ser aquele silêncio sábio que capta em suavidade as tuas lágrimas mornas. Mas também pode nada ser, apenas uma imagem interior explodindo em emoções. |
| COMO UM FRUTO Encontro no rubro signo A representação plena Do deslimite de um prazer Que se fez delirante Em momentos inenarráveis Numa riqueza de trocas Que se fizeram infindas E perenes na memória |
| BREVIDADE Aquele rosto que cruza os passos conturbados de alguém que busca sem saber o quê deixa um rastro de beleza cheio de átimos de luz que iluminarão uma ilusão uma quimera de segundos. |
| AH ESSAS FLORES! Aspiro cheiros excitantes aromas da íntima flor que inebria quando aberta em rubras pétalas e que desafia quando fechada em sua delicada corola |
| ACORDAR EM SONHO Em ti desperto na maciez de teus seios nos caminhos de teus cheiros nos teus côncavos desejosos. Plenitude em meu despertar! |
| POEMA Horas e horas Soaram. Nada escutei Nada percebi. Uma solitude Me envolvia. Olhando a lua Pensava em ti! |
| APARIÇÃO A brusca presença da mulher emergirá da fonte montanhosa banhada de begônias amarelas. Será jovem e antiga, seu tempo será interminável. O seu perfume raro deixará rastro no horizonte e sua luz será a da aurora. Será menina e mulher deusa do sexo volátil. Surgirá absoluta em sua beleza e com um sopro diluirá a solidão enchendo os espaços de alegria. A presença da mulher trará a emoção que havia se dissolvido no coração do homem. |
| GANHOS Nas torres altas nos isolamos, ficamos distantes de tudo, as saídas tornam-se complicadas, há encontros de solidão dorida, há fantasmas que não gostamos. Mais fácil viver na terra cheia de cores e flores, frutos e sementes que nos trarão novidades, que nos darão perspectivas e a provável certeza de podermos ser felizes com quem quisermos com quem amamos. |
| INUSITADO O sol no ciclo queima verte em reflexos a flama desdobra-se no avesso desencantado. Descobrem-se formas estonteantes ocultam-se focos declinantes alteiam-se corpos sedutores. Há um tempo desigual para pesos e levezas inominado diante da grandeza absoluta. |
| POEMA Penso nas tuas palavras e sorvo o mel delicado. Imagino os teus gestos e toco a ardência do corpo. Pressinto os teus cheiros e me desfaço no ar. Ouço a tua voz melodiosa e naufrago no mar de teus cantos. Repleto de tantas sensações abro todas as portas e janelas... |
| AH ESTA LUA CHEIA! Quando a lua está cheia belamente florescente o poeta inventa mil versos para tê-la ao seu alcance. Será que a um sinal seu ela não baixaria à Terra e em seus braços se aconchegaria? O poder da Poesia é infinito! |
| VIVÊNCIA Um momento de espanto fincando raízes no âmago do sensível. Um instante pleno de magia, uma corrente de harmonia, um breve hiato de fantasia. Sinais ardentes de uma vida viva querente necessária absorvente. Esta é a vida, é a vida, aquela que se perpetua no infinito dos que a viveram. |
| CIÚMES Tua presença desliza suave em algum recanto de meus pensamentos. Ali se acomoda, toda dona e entre sussurros amenos diz que me ama muito. O corpo, ciumento, reclama sua parte. |
| LAMENTO NOTURNO O invisível pesa e dói. A face ausente se ressente. O impalpável clama pelo toque. A noite se fecha em silêncio. |
| UM SINAL Escuridão. Trevas. Agitação. Tremores. Uma luz se faz. Aleatória. Brilha. A noite se acalma. Surge uma calma Uma quietude clara Que faz da solitude Um prazer insólito Um fragmento de felicidade Que inunda a madrugada Que se enche de música! |
| TRANÇADOS Dos corpos as formas sem reflexos. Nas mãos as guias tão diferentes. Destinos traçados! |
| SEMPRE Sinto uma ausência presente sempre em meus agoras. Sempre pressinto o adeus não dado abafado pela premência. Sigo sentindo tão cheia de sentido esta ausência sempre... |
| TUDO É QUANDO No repente não há hora não se faz tempo. Quebram-se limites nos olhares reais vindos do sonho. Beleza plena do minuto vívido dentro da fantasia onde nada é infinito nada é defintivo tudo é quando. |
| ENCONTRO Quisera poder ter apenas por minutos aquele soslaio pensativo aquele sorriso enviesado aquele olhar vago aquela cascata de cabelos para compor meu tão sonhado perfil da mulher, enfim encontrada. |
| TANTO MAR Hoje eu queria um mar negro em suas profundezas, surdo na sua distância, selvagem em suas origens. Eu queria sentir a maresia de tuas entranhas remotas, queria ouvir o imaginário cantar de tuas sereias misteriosas, queria a espuma branca se despejando cálida nos meus pés. Eu queria o sem-fim da tua curva infinda no horizonte plausível onde os escuros se confundem,, a noite beijando tuas águas e estas abraçando as estrelas. Hoje eu queria um mar onde eu navegasse perdido com minhas ilusões. Hoje eu queria um mar que me embalasse em meus sonhos com seu canto marinho de ninar. |
| O beijo Quando as bocas se tocam inicia-se a alquimia. Os lábios se apresentam para o toquede reconhecimento, da descoberta. Importante é eles estarem úmidos e com uma leve quentura que prenuncie um ardor posterior. Quando se encontram após suaves roçares ambos sabem o que querem. Sob uma pressão regulada começam a desvendar os caminhos do prazer que se aproxima. A tenra carne intumesce em contato com a outra. Um diminuto suspiro escapa. Num átimo de segundo as bocas se abrem para receber o gosto pleno uma da outra. Os hálitos se confundem de imediato e a sensação de desejo cresce. As línguas se sabem e iniciam sua dança frenética onde cada uma é uma serpente cheia de eletricidade desejosa. Nesse momento há uma cumplicidade que já vai se tornando integração harmônica de corpos unidos pelo beijo. |
| *** |