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POEMAS
* home * alguma poesia * outras palavras * rascunhos *
"O vento causticante muda a paisagem.
A água do rio muda o cenário no seu arrastão.
O tempo muda pensamento, distorce sentimentos, arrefece a paixão."

("Mudança" - José Augusto Machado)
Helena C. de Araujo
Alguma poesia e outras palavras
Música: Feelings (Piano Mid)
http://www.centralmidi.com.br/default.asp
Poemas da autoria de José Augusto Machado

- Respeite os direitos autorais -

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Recanto das Letras
***
Ensina-me a viver

Toque minha vida com tuas mãos.
Muda meu destino sombreado
Qual noite sem lua que abraça as horas.
Faze-me voar no céu do teu viver
Como se fosse uma criatura alada
Livre das grades da alma.
Toquem-me tuas mãos
Como se eu fosse uma
Criança inquieta e me acalma.

Ensina-me querer-te sem ter medo
Querer-te assim como dia quer o sol
E a noite a lua.
Ensina-me a cantar de novo uma canção
Quase esquecida como se fosse
Um seresteiro de madrugada na rua.

Que teu olhar me seduza
Cada dia na mirada cúmplice
De quem ama em segredo.
Que leve de mim este reduto
De anseios indefinidos,
Este dia pálido quase imperecível.
Leve de mim este meu medo.
        Imagem

A imagem
Perfumada
Percorre
A manhã róscida
E vai ao vermelho da tarde.
É a lembrança de ti
Que me invade...
Desatino

Momentos feridos,
Flores pálidas
E uma solidão magoada
Irmanam-se ao anoitecer.

Afagos explícitos,
Suave caricia tristonha,
Perdem-se na amargura.
A poesia morre sem saber.

O desatino cético e gentil
Coloca em nossas mãos
Rosas negras de juras perdidas.
Penumbra sem piedade nosso querer.
      Desencanto

Olho as lacunas deixadas
Dentro de minha história.
Momentos negros
Feito véu da noite em delírio.

Infinita amargura
Escrita no olhar gélido.
Vento que rouba
Dos meus sonhos, o fascínio...
                           Salvação

                        Verei diluído na noite
                        Meu segredo despido.
                        O coração menino
                        Deixa penetrar palavras fúteis.

                        O gosto do infinito
                        Perde-se no azedo das emoções
                        E a lua se fecha nas casas alheias.
                        Verei na  tarde fugir as sete cores
                        Nos caminhos molhados inúteis.

                        Delimitei o espaço
                        De tua amável possessão
                        Porque impregnaste o olfato
                        Com fragrância de tua pele
                        E encheste de sonhos
                        Minhas mãos.

                        Lamúrias agora marcam o amanhã
                        Flutuando perante o olhar enigmático...

                        Hei de ver a redenção
                        De um triste coração...
      Teu Mal

Sou o mal que te beija
Trocando tua realidade.
Sou a lágrima vermelha,
O teu grito de liberdade.

Sou o erro que te prende
Num adeus pelo meio.
Sou a dor que queima
o âmago de teu anseio.

Sou a tua certeza
De tua incerteza...
Sou o sonho torto
Que de longe veio...
Meu querer

Quero-te
Nos versos,
No reverso.
No caminho,
No meu ninho.

Quero-te
Na memória,
Na história,
Na evidência,
Na minha essência.

Quero-te
No meu erro,
No desencanto,
No meu vício,
No meu pranto.

Quero-te
Na oração...
Na lucidez da paixão.
No recanto de meu canto.
                                    
Ah! Te quero tanto...Tanto...
Sacrifício

Os olhos petrificados
E as mãos vazias.
Palavras que doem
Silêncio que tortura
Verdade que faz sofrer.
Sofro para que sejas feliz.
Morro, pra você viver...
Teu poeta

Sou eu que amo
Teus olhos cor de mel.
Enxugo tuas lágrimas
Com versos e palavras
Douradas.

Sou o poema enamorado
Pelo perfume de tua existência.
Sou aquele que faz nascer do solo
Frases apaixonadas.

Sou teu poeta.
Sou da loucura, a razão.
Bendita és,
Minha inspiração!

Elevo este amor à altura
Da lua, num céu prateado,
Nas palavras mais puras
Nascida do desejo
De um coração.
        Desamor

As flores já não nascem
Nos corações hostis
Onde a ternura se esvaiu.

Débil sentimento
Endurecendo a mente
E a sensibilidade humana.

O vazio toma conta...
Não há ânsia nos corações
Embotados.

A morte os cerca
Voraz como animal
Dilacerando a presa.

O destino traçado
Pela fúria cega
Levara seus passos
Para o abismo do nada.
            Martírio

Um caminho torto me espera
Num lugar que ainda vou achar.
As lembranças incandescentes
Irão juntas e quem sabe,
Um dia, à beira de um caminho,
Ficarão por piedade.

Andarei nos vales obscuros
Da solidão e atravessarei
Os rios gélidos do descaso.
Mendigarei amor nas ruas cinzentas
E ouvirei o soneto fúnebre da verdade.

O céu nevoento derramará
Suas lágrimas sobre mim.
Então, chorarei só e enfadado.
Porque me lograste?
Pediu-me amor e devolveu saudade...
Nosso elo

Hei de dizer à saudade
“Amo-te!”
És uma artista
Que pinta nas retinas de meus olhos
Com óleo de minhas veias
O rosto moreno dela!

Hei de dizer a saudade
“Tu és minha amiga sincera”
Nunca me deixas só
Sempre trazes de volta
Meus momentos com ela!

Ah! A saudade...
Meu elo com minha certeza
Certeza de que mesmo no plano mais vil
De uma distância,
Ainda estaremos unidos
Pela saudade
Eu e Ela...
Dor Ausente

Que o vento leve
As recordações de ti
Que as coloque
Num pedestal encravado
No alto de um monte
Inacessível.

Que as ondas
De um mar bravio
Naufraguem esta espera
Demente e insólita
E no fundo de um abismo
A deixe no impossível.

Que a impaciência
Se perca na estrada
De um lugar triste.
Ela será vacilante
E então esquecera
Que um coração existe.
Um poeta

Semeei felicidade
Junto às flores do campo.
Levantei os olhos
E vi os montes fiéis.

A sobriedade vestiu
A natureza colorida
Eu me assemelhei
A luz que beija
As gotas de orvalho
De uma noite que passou.

Viajei sobre as nuvens
Sentindo o perfume do
Horizonte logo ali
A minha espera.

Vi a carta Divina
Escrita nos mares azuis
E nas estrelas longínquas
Escondidas na luz.

Vi a luz da manhã tocar
A estrada tristonha
E a sombra do ontem sorrir
Mesmo sabendo que não mais voltaria..

Beijei a aura que toca a face
De nossa esperança
E amei serenidade de um lago onde
A água calma acaricia as pedras que a tocam…

O coração cantou junto aos rios e fontes
Onde nascem nossas inspirações...
Em delírio, Abracei teu corpo poético
Sob um céu de outono...

Por ti, me torno
Um poeta louco
Que voa na plenitude
De uma imaginação desatinada
Que invade um coração...

Assim sou eu por ti...
Uma verdade

Vou dizer o que já sabes
Que eu existo,
Que sou presença
Mesmo em tua ausência
Mesmo na saudade.

No recôndito de
Minha memória
Te construíste
De eternidade...
Não quero despertar

Recuso a acordar
O coração adormecido.
As folhas lá fora
Balançam sob o sol
De uma manhã.
Dentro da alma,
Dorme a esperança.

A razão sorri com desdém
Mostra no espelho da distância
A realidade escrita na face
Da verdade que de assediar
Não se cansa.

Não, não haverá despertar.
Talvez um dia, o tempo
Desnude o sentimento
E o frio de um adeus
Seja mais forte que a espera.

Mas agora não é hora.
Que o amanhã espere
Ao longo de um caminho
Que fique ali sozinho
Porque nem uma manhã fulgente
Despertará o coração de uma quimera.
Ternura

Despertou a ternura...
Os pardais revoaram
Barulhentos e as flores
Enfeitaram-se sob o sol.

O vento da liberdade
Soprou do norte
E as mãos trêmulas,
Tocaram as constelações
Do rosto moreno.

A água cristalina
Dos teus olhos molharam
A palidez da indiferença.
Então, a luz entrou pela
Janela aberta de meus olhos...

A lucidez tomou conta...
Procura

Procurei-te
Nas ruas fervilhantes,
Nos caminhos desertos,
No rosto que passa,
Na música que toca,
Na rosa que nasceu
Na estrada sem fim.

Procurei-te
No silêncio da tarde,
No cantar dos pássaros,
Na chuva que cai mansamente,
No horizonte vermelho
E na noite escura...

Eu te encontrei dentro de mim...
Um fim sem começo

Tua sombra me cerca.
Vagueia entre as horas que passam
E nas horas que parecem não passar
Como sombras que me abraçam
Num abraço gélido sem sentido
Como se fosse um adeus eterno
Deixando-me sempre no mesmo lugar.

Esta afeição feita de cinzas
De um fogo que não se acendeu
São cinzas que se espalham ao léu
Como o vento a soprar sem cessar

E aos poucos morre o desejo
Que a vida nos deu...
Teu nome

Teu nome
semeia saudades
no campo fértil
de um coração
sem juízo.
Cresce o desejo
de retê-la nos braços
da memória carente.

Teu nome
É um monumento
dedicado ao amor
de um homem
onde um dia
deixaste cair
em seu leito de sonhos,
do amor,
a semente.
Reprise

Há um dia
Como o ontem que se foi
E a história se repete
Sem cessar

O medo retorna
De onde veio
E o tédio toma conta
Das almas empobrecidas

Mas, cedo também,
Voltam as meiguices
Dos olhares verdes,
Enegrecidos, azulados,
Olhares acastanhados
Que nos apartam do enfado.

Retornam então
Nossas vaidades migratórias
E revoam sobre nossos
Futuros incertos.
       Versos

Os versos da poesia
atravessam os mares
e a escuridão da noite
penetrando nos
jardins desertos.

Voam nos céus
imaginários
migrando para o sul
de nosso cisma.

Entram nos quartos
da memória perdida
e em seus portões
abertos.
Ana Maria

Dedicada à única filha do autor que aos seis meses de gestação faleceu.

No ventre de tua mãe
Num toque apenas
Eu te senti.
Esperei você nascer...
Espertei-te cada dia,
Esperei seis meses...
Mas não te vi...

Não escuto teu choro
Nem teu riso.
Meus braços estão vazios
Só o murmúrio da ausência
Me assedia.
Como serias?
Não importa minha filha,
Eu te amaria...

O parque esta vazio,
As gangorras estão inertes,
Os doces estão amargos,
O caminho desfloresceu
Chorando a menina
Que não nasceu...

Ana, que saudade de você...
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