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| "O vento causticante muda a paisagem. A água do rio muda o cenário no seu arrastão. O tempo muda pensamento, distorce sentimentos, arrefece a paixão." ("Mudança" - José Augusto Machado) |
| Helena C. de Araujo Alguma poesia e outras palavras |
| Música: Feelings (Piano Mid) http://www.centralmidi.com.br/default.asp |
| Poemas da autoria de José Augusto Machado - Respeite os direitos autorais - Outras publicações do Autor em: Recanto das Letras |
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| Ensina-me a viver Toque minha vida com tuas mãos. Muda meu destino sombreado Qual noite sem lua que abraça as horas. Faze-me voar no céu do teu viver Como se fosse uma criatura alada Livre das grades da alma. Toquem-me tuas mãos Como se eu fosse uma Criança inquieta e me acalma. Ensina-me querer-te sem ter medo Querer-te assim como dia quer o sol E a noite a lua. Ensina-me a cantar de novo uma canção Quase esquecida como se fosse Um seresteiro de madrugada na rua. Que teu olhar me seduza Cada dia na mirada cúmplice De quem ama em segredo. Que leve de mim este reduto De anseios indefinidos, Este dia pálido quase imperecível. Leve de mim este meu medo. |
| Imagem A imagem Perfumada Percorre A manhã róscida E vai ao vermelho da tarde. É a lembrança de ti Que me invade... |
| Desatino Momentos feridos, Flores pálidas E uma solidão magoada Irmanam-se ao anoitecer. Afagos explícitos, Suave caricia tristonha, Perdem-se na amargura. A poesia morre sem saber. O desatino cético e gentil Coloca em nossas mãos Rosas negras de juras perdidas. Penumbra sem piedade nosso querer. |
| Desencanto Olho as lacunas deixadas Dentro de minha história. Momentos negros Feito véu da noite em delírio. Infinita amargura Escrita no olhar gélido. Vento que rouba Dos meus sonhos, o fascínio... |
| Salvação Verei diluído na noite Meu segredo despido. O coração menino Deixa penetrar palavras fúteis. O gosto do infinito Perde-se no azedo das emoções E a lua se fecha nas casas alheias. Verei na tarde fugir as sete cores Nos caminhos molhados inúteis. Delimitei o espaço De tua amável possessão Porque impregnaste o olfato Com fragrância de tua pele E encheste de sonhos Minhas mãos. Lamúrias agora marcam o amanhã Flutuando perante o olhar enigmático... Hei de ver a redenção De um triste coração... |
| Teu Mal Sou o mal que te beija Trocando tua realidade. Sou a lágrima vermelha, O teu grito de liberdade. Sou o erro que te prende Num adeus pelo meio. Sou a dor que queima o âmago de teu anseio. Sou a tua certeza De tua incerteza... Sou o sonho torto Que de longe veio... |
| Meu querer Quero-te Nos versos, No reverso. No caminho, No meu ninho. Quero-te Na memória, Na história, Na evidência, Na minha essência. Quero-te No meu erro, No desencanto, No meu vício, No meu pranto. Quero-te Na oração... Na lucidez da paixão. No recanto de meu canto. Ah! Te quero tanto...Tanto... |
| Sacrifício Os olhos petrificados E as mãos vazias. Palavras que doem Silêncio que tortura Verdade que faz sofrer. Sofro para que sejas feliz. Morro, pra você viver... |
| Teu poeta Sou eu que amo Teus olhos cor de mel. Enxugo tuas lágrimas Com versos e palavras Douradas. Sou o poema enamorado Pelo perfume de tua existência. Sou aquele que faz nascer do solo Frases apaixonadas. Sou teu poeta. Sou da loucura, a razão. Bendita és, Minha inspiração! Elevo este amor à altura Da lua, num céu prateado, Nas palavras mais puras Nascida do desejo De um coração. |
| Desamor As flores já não nascem Nos corações hostis Onde a ternura se esvaiu. Débil sentimento Endurecendo a mente E a sensibilidade humana. O vazio toma conta... Não há ânsia nos corações Embotados. A morte os cerca Voraz como animal Dilacerando a presa. O destino traçado Pela fúria cega Levara seus passos Para o abismo do nada. |
| Martírio Um caminho torto me espera Num lugar que ainda vou achar. As lembranças incandescentes Irão juntas e quem sabe, Um dia, à beira de um caminho, Ficarão por piedade. Andarei nos vales obscuros Da solidão e atravessarei Os rios gélidos do descaso. Mendigarei amor nas ruas cinzentas E ouvirei o soneto fúnebre da verdade. O céu nevoento derramará Suas lágrimas sobre mim. Então, chorarei só e enfadado. Porque me lograste? Pediu-me amor e devolveu saudade... |
| Nosso elo Hei de dizer à saudade “Amo-te!” És uma artista Que pinta nas retinas de meus olhos Com óleo de minhas veias O rosto moreno dela! Hei de dizer a saudade “Tu és minha amiga sincera” Nunca me deixas só Sempre trazes de volta Meus momentos com ela! Ah! A saudade... Meu elo com minha certeza Certeza de que mesmo no plano mais vil De uma distância, Ainda estaremos unidos Pela saudade Eu e Ela... |
| Dor Ausente Que o vento leve As recordações de ti Que as coloque Num pedestal encravado No alto de um monte Inacessível. Que as ondas De um mar bravio Naufraguem esta espera Demente e insólita E no fundo de um abismo A deixe no impossível. Que a impaciência Se perca na estrada De um lugar triste. Ela será vacilante E então esquecera Que um coração existe. |
| Um poeta Semeei felicidade Junto às flores do campo. Levantei os olhos E vi os montes fiéis. A sobriedade vestiu A natureza colorida Eu me assemelhei A luz que beija As gotas de orvalho De uma noite que passou. Viajei sobre as nuvens Sentindo o perfume do Horizonte logo ali A minha espera. Vi a carta Divina Escrita nos mares azuis E nas estrelas longínquas Escondidas na luz. Vi a luz da manhã tocar A estrada tristonha E a sombra do ontem sorrir Mesmo sabendo que não mais voltaria.. Beijei a aura que toca a face De nossa esperança E amei serenidade de um lago onde A água calma acaricia as pedras que a tocam… O coração cantou junto aos rios e fontes Onde nascem nossas inspirações... Em delírio, Abracei teu corpo poético Sob um céu de outono... Por ti, me torno Um poeta louco Que voa na plenitude De uma imaginação desatinada Que invade um coração... Assim sou eu por ti... |
| Uma verdade Vou dizer o que já sabes Que eu existo, Que sou presença Mesmo em tua ausência Mesmo na saudade. No recôndito de Minha memória Te construíste De eternidade... |
| Não quero despertar Recuso a acordar O coração adormecido. As folhas lá fora Balançam sob o sol De uma manhã. Dentro da alma, Dorme a esperança. A razão sorri com desdém Mostra no espelho da distância A realidade escrita na face Da verdade que de assediar Não se cansa. Não, não haverá despertar. Talvez um dia, o tempo Desnude o sentimento E o frio de um adeus Seja mais forte que a espera. Mas agora não é hora. Que o amanhã espere Ao longo de um caminho Que fique ali sozinho Porque nem uma manhã fulgente Despertará o coração de uma quimera. |
| Ternura Despertou a ternura... Os pardais revoaram Barulhentos e as flores Enfeitaram-se sob o sol. O vento da liberdade Soprou do norte E as mãos trêmulas, Tocaram as constelações Do rosto moreno. A água cristalina Dos teus olhos molharam A palidez da indiferença. Então, a luz entrou pela Janela aberta de meus olhos... A lucidez tomou conta... |
| Procura Procurei-te Nas ruas fervilhantes, Nos caminhos desertos, No rosto que passa, Na música que toca, Na rosa que nasceu Na estrada sem fim. Procurei-te No silêncio da tarde, No cantar dos pássaros, Na chuva que cai mansamente, No horizonte vermelho E na noite escura... Eu te encontrei dentro de mim... |
| Um fim sem começo Tua sombra me cerca. Vagueia entre as horas que passam E nas horas que parecem não passar Como sombras que me abraçam Num abraço gélido sem sentido Como se fosse um adeus eterno Deixando-me sempre no mesmo lugar. Esta afeição feita de cinzas De um fogo que não se acendeu São cinzas que se espalham ao léu Como o vento a soprar sem cessar E aos poucos morre o desejo Que a vida nos deu... |
| Teu nome Teu nome semeia saudades no campo fértil de um coração sem juízo. Cresce o desejo de retê-la nos braços da memória carente. Teu nome É um monumento dedicado ao amor de um homem onde um dia deixaste cair em seu leito de sonhos, do amor, a semente. |
| Reprise Há um dia Como o ontem que se foi E a história se repete Sem cessar O medo retorna De onde veio E o tédio toma conta Das almas empobrecidas Mas, cedo também, Voltam as meiguices Dos olhares verdes, Enegrecidos, azulados, Olhares acastanhados Que nos apartam do enfado. Retornam então Nossas vaidades migratórias E revoam sobre nossos Futuros incertos. |
| Versos Os versos da poesia atravessam os mares e a escuridão da noite penetrando nos jardins desertos. Voam nos céus imaginários migrando para o sul de nosso cisma. Entram nos quartos da memória perdida e em seus portões abertos. |
| Ana Maria Dedicada à única filha do autor que aos seis meses de gestação faleceu. No ventre de tua mãe Num toque apenas Eu te senti. Esperei você nascer... Espertei-te cada dia, Esperei seis meses... Mas não te vi... Não escuto teu choro Nem teu riso. Meus braços estão vazios Só o murmúrio da ausência Me assedia. Como serias? Não importa minha filha, Eu te amaria... O parque esta vazio, As gangorras estão inertes, Os doces estão amargos, O caminho desfloresceu Chorando a menina Que não nasceu... Ana, que saudade de você... |