| POEMAS |
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| "Quero apenas o pleno v�o nos ares, nos mares, na terra... n�o importa... � sonho... � quimera... mas, contudo, por�m, todavia, somente uma coisa queria... Ser plena, plenitude, quem me dera..." ("Queria" - Gaivotadourada) |
| Helena C. de Araujo Alguma poesia e outras palavras |
| Sonhos no varal... Pendurei no horizonte os meus sonhos alvejados, j� batidos, anilados, espremidos, bem torcidos, antes, panos encharcados pelas l�grimas molhados... L� est�o j� quase secos, pela brisa que os embala, e o calor do sol poente... Amanh�... sonhos refeitos, novamente eleitos sonhos, num dan�ar de banderolas, brancos len�os me acenando... eu os recolho novamente, dobro e guardo no meu peito com a luz do sol nascente... |
| Uma canoa desliza na fina manta de �gua, indeleve, como quem n�o se atreve a perturb�-la sequer... Onde ir� assim t�o quieta num navegar sorrateiro? Tem um compl� com o canoeiro ou carrega um aventureiro? ...e assim navega a canoa ...sumindo, desfazendo-se na neblina indo na dire��o da curva do rio... Sempre no fim do dia, sempre na mesma hora, essa canoa ef�mera passa...e vai embora... Vai-se a canoa silente, num fim de tarde j� frio, leva um segredo embarcado para algu�m... que tem no olhar de espera, a esperan�a... que chegar� pelo rio! |
| Canoa silente! |
| Tardes de inverno... Choram tardes engaroadas silenciando um pouco os ru�dos, os tinidos, dos metais e vidros, sons do comum di�rio... Passivamente cantam aos meus ouvidos, apenas os estalidos dos gravetos enrubescidos, que na lareira conspiram, num compl� incendi�rio, um fogo-f�tuo para aquecer a Alma ...e um fogar�u para aquecer a casa! |
| Olhando para o ch�o... ( 1 ) ...um pequenino peda�o de pequenina folha caminha por entre pequeninas pedras... - Como? Folha caminha? - N�o, � uma pequenininha formiga que a carrega... ...ao derredor a vida vive...! |
| Olhando para o ch�o... ( 2 ) ...era assim redonda, um tanto disforme, funda mas n�o t�o profunda, nem t�o grande mas dava para ver o c�u, as nuvens em movimento e reluzia um reflexo quase do�do... - Era um peda�o de espelho no ch�o ca�do? - N�o, pela manh� tinha chovido, era uma po�a d'�gua no asfalto corro�do... ...ao derredor a vida vive... |
| Olhando para o ch�o... ( 3 ) ...era um recanto bem no canto no fim da rua... a tardinha j� estava, risonha, limpinha convidava a gastar o tempo no findar do dia... uma roda de crian�as rodopiando rodopiavam ciranda cirandinha... sentadinha na cal�ada uma meninnha s� olhava toda essa euforia... derrepente chama os outros, j� aos pulos de alegria: - vejam s� o que eu achei bem juntinho aqui de mim... - seria uma moedinha? - N�o, um trevo de quatro folhas junto com uma florzinha! ...ao derredor a vida vive... |
| Ah! Solo f�rtil de fertilizadas Poesias... Tantas flores que geraste, fulgurantes esp�cimens ornaste Pessoa, Neruda, Coralina, Florbela, despontam nessa florada! Mas digo, sem presun��o alguma, � cantiga no meu cora��o, que os perfumes dessas Flores se impregnaram em minh'Alma! N�o sei bem se o jardim tem as flores ou se as flores tem o jardim, apenas e somente sei que o florir desses Poetas, em Poemas e Poesias, florescem eternamente em mim... |
| Pequeno Canto aos Meus Poetas... |
| As margens... N�o corra...exista... Deixe-se passar como rio, as �guas sempre voltam, depois de voarem, como chuva caem, s�o as �guas voltando, voltando...voltando... ...as margens sorriem e num terno abra�o abra�am o eterno existir do Rio... |
| Sonhos incontidos... A gaivota l� no alto olha o azul em movimento, sonha ser o mar imenso, faz a queda em vert�gem num mergulho muito intenso... E o mar se eleva para o c�u ondas jogando, se prepara para o v�o, molda asas de espumas ser gaivota est� sonhando... |
| Mudan�a de dire��o... Deixe-me bordar com letras sortidas os dizeres que optaram por calar-se... Deixe que fique aderido o ung�ento curativo para que cure as feridas no sil�ncio contidas... Deixe que se abram em mim ruas, ruelas e avenidas para que transitem os sons mudos de um fim... Deixe-me ficar ficando deixada, solenemente me voltarei para a dire��o oposta... ...Ser� a vit�ria da minha aposta! |
| Revela��o... Deixe ficar tang�vel esse feitio jeito teu, jeito de vento livre, jeito de lago profundo, jeito de �gua pura, jeito do jeito do mundo... Deixe ficar vis�vel, essa luz luzeiro, n�o breu, brilho desses espelhos, brilho dos v�trios cristais, brilho de pedras preciosas, brilho lit�ide que tens... Deixe ficar toc�vel, essa mat�ria forma que vens, forma de asas libertas, forma de montes e vales, forma na areia a forma dos p�s, forma de ondas dos mares, forma da forma que �s... |
| Um coral no infinito... Se a lua que ora percorre o c�u, tamb�m cantasse nessa sua travessia, por certo acalantos cantaria... suaves, ternos doce melodia, que no infinito a todos sonhar faria, e na imensid�o liberta do sem fim, aos Astros embalaria... As estrelas muito bem distribu�das como enfeites de natal, o refr�o dessa poesia, cantariam em coral... Nesse palco magestoso, musa Lua quase nua assim se apresentaria... E o Sol? ...o Sol administraria, � o contra-regra escondido na coxia... |
| Incisura... Deixe-me assim... Parada, calada, fragmentada, um tanto do nada, um pouco do tudo, como incisura dividindo esse Eu... Talvez eu descubra Onde e quando se perdeu... ...e depois de descobrir... que eu costure a incis�o, que eu mensure o total, que eu preencha esse nada, que eu junte os peda�os, que ative ent�o os gritos e me ponha em movimento, missionando um retorno para ser o Eu que sou! |
| O Sil�ncio dos ru�dos... Quando me ausento dos ru�dos todos, o sil�ncio me fala do Universo, das Estrelas, do Luar, dos Rios, dos Mares, das Montanhas, das Matas, das Flores, das Cascatas, da Luz do Sol, da Chuva que se doa, dos Cristais que a recolhe, dos Humanos, dos Animais... ...e do Amor, nos Amores de cada um contido... Assim, o Sil�ncio para mim � o mais harmonioso de todos os ru�dos! |
| Soltar amarras para um sol que ri... Queria tanto soltar as amarras e escorrer feito riacho alegre e receber os raios fulgurantes de um sol que ri para a vida... ...absorver esse riso e devolver ao c�u que me parece daqui, um rio correndo, carregando o sol risonho nas suas �guas! ....�gua e luz - vida! |
| Quem ser� o mais do�do? Que dizer dos versos que quedaram-se esquecidos... Dos versos perdidos... Dos versos n�o lidos por mais ningu�m, versos que o poeta segregou! Quem ser� o mais do�do? Os versos que foram apenas nascidos, ou os " mais ningu�m", que n�o tiveram pelos segregados versos, o cora��o invadido? ...Quem ser� o mais do�do? ...Quem ser� na vida o mais perdido? |
| No �ltimo instante Que me caia por sobre mim toda a chuva existente, para que no �ltimo instante meu, eu tome consci�ncia da vida contida em cada mol�cula de �gua... Que me seja presente em mim todas as chamas que aquecem e catalizam a vida, para que no �ltimo instante meu, eu saiba da rea��o induzida que gera todo viver... Que me percorra por toda a pele, a ventania de ventos, comandantes dos movimentos que perfazem respira��o, para que no �ltimo instante meu, respire a �ltima realiza��o, execute a �ltima a��o e conhe�a por fim o mecanismo da vida... Com isto...que eu me caia por sobre a terra, com densidade e completude, com tempo suficiente para agradecer � mat�ria, pela bondade de ter sido substrato, permitindo meu Eu ser Alma... Assim, dissolve-se a mat�ria, retornam os elementos para a individualiza��o... Separa��o... �gua, Fogo, Ar e Terra, fora isto... o eu... Ent�o estarei livre... me verei a mim mesma, terei algum entendimento da verdade, e poderei ter um pequeno vislumbre do infinito... |
| Sem assinatura Pelos campos derramado, esse sol que nutre a vida, se aglutina nos primores matizando de arco-�ris essas tantas mi�das flores... Nesse amplo emoldurado, ampla tela surge bela com pintura magistral, mas n�o tem assinatura, o Pintor n�o se revela... |
| Depois que o dia dorme Resoluto some o sol p�e o dia p'ra dormir, o horizonte � um len�ol para o dia se cobrir! A noite chega de mansinho, sem barulho, sem ru�do, deixa estrelas no caminho p'ro luar seu preferido! O luar envaidecido, segue a trilha luminosa e beija a noite agradecido! A noite sabe que merece ter luar a noite toda, ...e depois... o dia desadormece.... |
| O LIVRO... Os SONHOS INCONTIDOS soltam-se com A LEVEZA DE UM VOAR e na MUDAN�A DE DIRE��O encontram MONTANHAS... E por DESCUIDO, AOS GRITOS NA MINHA M�O, os remos de uma CANOA SILENTE, que em UM CANTAR canta a GEOGRAFIA DA POESIA, trazendo a REVELA��O das TARDES DE INVERNO que penduram SONHOS NO VARAL pedindo que SALVEM AS ROSAS E OS BEM-TE-VIS... CONFESSO, ME SURPREENDI, pois VENTOS REPENTINOS vieram AMANHECENDO UM CANTO GUARDADO e UM CORAL NO INFINITO, canta SENTIMENTOS RESSURGIDOS, curando INCISURAS e INQUIETOS SENTIMENTOS. A PLENITUDE EM ALMA SER voa como PANDORGA COLORIDA que busca os ESPA�OS VAZIOS, perguntando ao LUAR ESCUDEIRO, ONDE EST�O? O SIL�NCIO DOS RU�DOS, que DE VEZ EM QUANDO numa TROCA DE ID�IAS, defende o SOLTAR AMARRAS PARA UM SOL QUE RI o SORRISO DO UNIVERSO! QUEM SER� O MAIS DO�DO? Ser� NENHUM POEMA FEITO que n�o mostra o REFLEXO, e OLHANDO PARA O CH�O, v� os VENTOS RASOS revolverem OS SENTIRES, ou A CHUVA nas PEDRAS SEGREDEIRAS , que lavam O SONHO DO CH�O? Assim CONTRAFEITOS, os OLHOS ENFILEIRADOS OLHAM POR TR�S DA VIDRA�A e descobrem que VOC� �, quando ODES CANTAI, uma PREDELINEA��O que a RODA DO TEMPO gira com A TRANSI��O E O DEPOIS das ESTRELAS CADENTES caindo num VOAR LIBERTO! O SABI� E A FLOR, juntos VOAM VENTOS levando A AMIZADE, para assistir UM TEATRO... SE ME PERGUNTAS EU TE RESPONDO, NO �LTIMO INSTANTE, nas SANTAS NOITES E SANTOS DIAS! Quando o DESVELO DA NATUREZA, mostra SEM TEMOR e SEM ASSINATURA, que AS ROSAS QUE N�O S�O ROSAS, respiram A NOITE E O DIA e fazem OS POEMAS EM TEMPO do MEU VOAR! Num dia de CHUVACEIRO, PERGUNTEI AO POETA: QUANDO A FLOR PERFUMA O AMOR... ? DEPOIS QUE O DIA DORME! Perguntei ainda: e o DESATINO, os INSONES sem UM ACORDAR AZUL, DE ONDE VEM? Tens as RESPOSTAS? Foi quando eu mesma respondi: QUANDO MEU CORA��O TEM GOSTO DE ALMA, SEJA TAL QUAL ...EXCEL�NCIA como C�U E LUA, PASSOS E PEDRAS, com LABOR, UM CICLO onde VOA O SONHO... porque foi grande a tristeza quando ESSAS LETRAS n�o escreveram NEM BILHETE E NEM RECADO para A LUA E O MAR, mesmo quando LUA MINGUANTE ou LUA CRESCENTE, espiavam DA JANELA DO C�U! A BONDADE no INVERNO aquece com CORES E CANTOS a AMIZADE! SIM, mesmo quando CAI A CHUVA, O BARCO tem PERMISS�O e desce o rio DESVAIRADO, como o LIVRE CANTO faz seu PLANTIO. Assim � o meu RETRATO da FELICIDADE... MEU MOTIVO, VOLTANDO! |
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| M�sica: Solamente una vez (piano mid) http://www.centralmidi.com.br/default.asp |
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| Hoje sabemos... Onde andar�o os pensares pensados, placidamente forjados no cora��o e na mente, quando ainda era jovem o tempo.... ...que ent�o n�o corria como corre agora, a esperan�a n�o se vestia de talvez e o sonho n�o se travestia de ilus�o... Onde andar�o os amores alegremente sonhados, imaginados, idealizados, primariamente pintados, primeiramente sentidos, ternamente jurados que n�o feneceriam jamais... ...quando ainda �ramos n�s jovem no tempo... e n�o sab�amos que o tempo n�o passa, o tempo n�o corre, o tempo apenas observa o nosso passar... Hoje sabemos ... o passado n�o est� no tempo, o passado est� em n�s! |
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