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| "Fecunda, em mim, o elemento vivo dia a dia. Nutre-se de todo tipo de sentimento... E, acanhadamente, ousa nascer poesia!" ("G�nese" - Ellen Veloso Soares) |
| Helena C. de Araujo Alguma poesia e outras palavras |
| Poemas da autoria de Ellen Veloso Soares - Respeite os direitos autorais - Outras publica��es da Autora em Floquinhos de algod�o Recanto das Letras |
| M�sica: Balade pour Adeline (piano mid) http://www.centralmidi.com.br/default.asp |
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| Perdida de mim Tento permanecer na escurid�o de mim, mas sinto medo. Acendo luz para tentar achar-me num vazio de quarto. Sussurro comigo palavras de conforto para sentir-me segura. Atraio lembran�as de quando reconhecia-me minuciosamente em mim. Adorme�o refletindo sobre o eu que habita no escopo do meu ser. |
| Sinais (d)e del�rio(s) Seu vestido negro dan�a na escurid�o da vida! Seus bra�os s�o de ave pronta para al�ar leve v�o? Na cabe�a, rosa vermelha, enfeite de paix�o. Na alma, vibrantes passos de emo��o flamenca. A dama da noite preenche a cena da imagina��o... rodopia sobre impalp�veis sentimentos; entrega-se � melodia que toca em seu cora��o, faz gestos de algum desprendimento(?)... Donzela de dores cravadas no peito, de amores desfeitos, de chagas, de choros... Senhora de afetos, plat�nicos envolvimentos, de sonhos, de ilus�es, da aus�ncia de cores. A raz�o resiste bailar ao som do sil�ncio, companheiro que sopra suave can��o, seu corpo, entretanto, vibra em movimento, faz no palco espetacular dan�a de sal�o. Mulher-fantasia. Desejo? Miragem? Mulher-musa. Fruto da apreens�o? Mulher que desperta paix�es de verdade? Mulher que figura a tela das impress�es. |
| Equ�voco Um deslize. Lapso de mem�ria. N�o soletrei � alma as antigas decep��es. Imper�cia. Cochilei nas entrelinhas. Ignorei os tra�os ocultos revelados somente � raz�o. Conseq��ncia: desilus�o est�pida! Invalidei os sentimentos que enganavam o cora��o. |
| Marcas (d)e emo��es O Sol calorosamente apaixonado escreve algo sobre o amor... Dispersa raios de ternura sobre a praia! A areia ensaia dizeres num cora��o. Mas a noite enciumada levanta a mar�. Inunda o canto. Exp�e seu pranto. Apaga o sonho. Corr�i-se em emula��o! Quando o dia novamente aparece, na orla de estrangeiros sentimentos, a sereia encontra um desenho em branco, resqu�cios de desencanto... um vazio... fiapos... um sopro. A sereia tamb�m sente e pressente: emo��o em toques... desejo-diamante (de vida adiante?), uma luz, um amor colorido (dolorido?), umas marcas de quem amou e foi feliz... (ou quis!?...) |
| Colcheia A poesia pausa para um caf�, espregui�a-se no tique-taque das horas. Os versos cochilam no tempo do por vir? A poesia madruga em �ntima melodia e suspende o canto (colcheia em si). A poesia faz gra�a na pauta da vida! Com passo torto, (compasso louco?) passa em valsa lenta... Que agonia! A poesia dormita cansada de si. |
| Aus�ncia O instante � oco. O sol n�o raiou. O pensamento deixa-se levar pela brisa. A monotonia invade os poros e traz o frio. G�lida realidade atormentando a mem�ria! Os passos do passado passeiam pela janela da alma triste! A poesia enfeita-se de desilus�o. Na rua do vazio avisto uma saudade. Solid�o das coisas. Aus�ncia de mim! |
| Carinho em gotas Teus versos orvalham na aridez das coisas que existem em mim! Regas (esperan�oso!) terra seca calmamente... cada s�laba tua goteja cristalino sentimento! Refrescas minh'alma, umedeces meus olhos, banhas meus passos, enches-me de ti! |
| Oculta N�o. N�o quero que toques o meu corpo como se dedilhasses a harpa do teu desejo! Permito que alcances apenas minh'alma, escondida no olhar desnudo que mira o horizonte! O contorno das formas.. o corpo despido.. tudo permanecer� oculto pela escurid�o do tecido da vida que nos separa. |
| Meros reflexos O espelho de minh'alma reflete um canto triste que vive entranhado em meu ser. O espelho de minh'alma duplica o vago olhar sempre � espera de algo... do acontecer! O espelho de minh'alma reluz as marcas dos minutos cont�nuos de ang�stia, de desilus�o. Espelho em mim... objeto esfuma�ado, criando novas formas de reflexo em cada novo amanhecer! |
| O qu�? O que fizemos do tempo que nos deram? Horas se escorreram pelas m�os � nossa frente! Minutos de uma afli��o tr�mula e insegura... Segundos de inconstante decep��o. Arrancaram nossos dedos... N�o dedilhamos mais as mesmas notas. Encheram de c�lera nossa garganta... Nem solfejamos mais amores! Vivemos na tristeza que separa... Paramos frente ao limite do vazio. Temos medo. - Pensar no antes para qu�? Somos s�bios. - Melhor n�o investir num depois! |
| Murm�rios N�o! N�o quero ser um vestido bonito enfeitando o agora. Nem desejo imitar o chap�u do amanh� que se vai com o vento. Quero as lembran�as do ontem naquele detalhe de colar... Almejo a beleza da p�rola roubada do mar, na concha do tesouro. Suspiro pelo mist�rio precioso que instiga o mergulho... Pela tua entrega destemida na profundidade do meu ser! Envolver o teu corpo... Ninar-te em sonhos bons... Sim! Eu quero ser o teu mar! |
| O c�u No c�u da Poesia sobrevoam p�ssaros. Pensamentos soltos buscam liberdade... Sol de versos a aquecer as almas frias! O c�u da Poesia abre-se em plenitude! Sem fim.. nem come�o... beleza infinita. Raios de eternidade a afagar sentimentos! C�u de emo��es a fitar o Essencial! Olhar atento, detetive primitivo. Cora��o fulgurante, amante Despreocupado com o amanh�! |
| Um olhar Um olhar fugitivo de caos baila por manh�s furtivas... Visita mundos, inventa belezas, deseja o imposs�vel! Um olhar castanho faz uma simples poesia... Conta hist�rias de um algu�m sofrido. Um olhar abre-se ao infinito, mas se fecha em si, em seu mero conflito de n�o se entender e de tanto querer bem... Um olhar cansado..., peso de final de dia!, banha-se em l�grimas no seu desejo-imensid�o. |
| Insanamente Decifrando poesias... C�digos de cofres d'alma. Sinto o levitar de letras num tempo infindo de significados. Meiose de sentidos m�ltiplos! Vejo p�ssaros al�arem v�os no azul da folha de papel. Anjos negros � procura de liberta��o! Ou�o as m�goas escondidas na corrente da vermelhid�o... Berram medos assustados! Esbarro dedos na lembran�a, navegante da escurid�o! E sinto medo! Quantos temores? D�vidas afrontam-me! E fecho os olhos! Tapo os ouvidos. Nem escuto a alma que falece diante de mim. Estamos num mesmo barco... Navegantes da eterna solid�o! |
| Confid�ncias Acaricio o espa�o vazio. Desvelos sinceros lan�ados ao vento. Serenata de versos. Galanteio! Mimo fraternal... um cumprimento? Abra�o palavras. Eu creio...! Cortejo um casal de sonhos e um lamento. Agasalho a frieza do inverno resolvido a se eternizar em mim neste momento! |
| P�nico Alvoro�o noturno. Suores frios. Palpita��o ao olhar-me num espelho. Face esbranqui�ada. Aus�ncia de boca. Mudez eterna! Onde se esconderam os gritos? Gemidos insanos corroem... Aflitos? Apavorante tilintar de pensamentos. Sombra clara em mim. Fantasma do nunca dizer! Hesita��o diante de silenciosas possibilidades. |
| Amor Ama-me assim... baixinho... para que n�o acordes o olhar invejoso do vizinho! Beija-me assim... sem pressa... num espa�o do nada e do imposs�vel, vigiado pelas paredes de pedra! Toque-me assim... de longe... t�o perto!... para que n�o espetes as m�os nos meus espinhos de cactos! Vivas em mim assim... sem querer algo... sentindo tudo... fantasiado!... numa realidade poss�vel de felicidade! |
| Um viol�o Barco estacionado � beira do cais. Vida vazia de poesia. S� dor! Canto que ficou para tr�s... Aprisionado na lembran�a! Se o destino coloriu a p�gina do amor em preto e branco? Se as notas de alegria n�o sairem mais da melodia do cora��o? Continuarei neste ponto... porto frio... desencanto! Rabiscarei letras e versos inversos! Toques desarm�nicos pulsando num ser de viol�o s�... T�o s�... e s�! |
| Amor cris�ntemo Deitada sonho no colo do tempo. Exponho olhar de ternura ansiosa. Peito verde jardim. Cultivada flor de novembro! P�tala em vinho ta�a: vida saud�vel e longa. A luminosidade � necess�ria! Fuga sol em diretos raios... Cresce vi�oso clima quente, Regado com umidade lacrimal. Desabrocha em verdade... Desejo vento, amor presente! Sol nascente desponta... Felicidade plena, dourada rela��o! |
| Saudades Cadeiras vazias bailam ao vento. Ilus�o de corpos em movimento? Esperan�a familiar al�m-vida. Saudades, Dor no peito sentida! Ferida que ousa ocupar um lugar... A aus�ncia pesa. L�grimas velozmente escorrem. Presen�a do imenso vazio em mim! ___________________________ Ao meu pai. |
| Leve chama Devora este sentimento, drag�o! Toma o que � teu, sem demora! Cai a tarde, chuva, fria, chora.. Tira-me dessa afli��o! Sentimento por ti, s� vigora.. Tara, cura, cara dura, cora.. Nem sei se � momento ou hora, Apenas que � teu j� meu cora��o. Sombra, leito, sol, corpo doura.. Falta tua sinto, digo n�o. Corpo quente, espera chama tua agora.. Tens a mim e ao meu leve peito s�o. Clama a mente, roga, a ti, implora: Que saudades retires, daquele jeito, ent�o! Lua nova, flor, l�rio, sedu��o, enamora.. Leves de mim o que � teu e nem demora mais n�o.. |
| Eu-voc� e o amor Cabe�a... mente cega... Cora��o... o amor nega... Corpo... simplesmente se entrega. Na tentativa de fugir do que vi, Novamente deparei-me ali: ao teu lado na doce manh�. Ao teu encontro meu corpo foi... Ele, o cora��o e tudo que sou, Como um �m�, exalando amor! Em teus bra�os refiz meu pensar... Felicidades s� nesse lugar!! Ouves o meu cora��o? Tum-tum-tum... � emo��o!! Cabe�a, corpo, cora��o... Eu-voc� e o amor!! |
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