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| "Inquieto e agitado fico, sempre que te sinto e te pressinto ... Pai da minha ansiedade, carrasco e, ao mesmo tempo, mestre, professor. Ind�cil, te encaro frente a frente, tentando te entender. Ser� que algu�m j� conseguiu? Nada nem ningu�m � t�o persistente, nada � t�o inexor�vel. Tua face, impenetr�vel, n�o consigo distinguir... Nem teus des�gnios, nem teus caprichos... Impiedoso, ao mesmo tempo consolador! Imprevis�vel, ao mesmo tempo rotineiro... A fic��o mais concreta e real. Tu �s, oh! Tempo, o infind�vel Senhor de nossas vidas!!" ("Eterno" - ACRangel) |
| Helena C. de Araujo Alguma poesia e outras palavras |
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| Caminhos Caminhos s�o amores. Trajetos s�o paix�es. Tortuosos, dif�ceis, brandos, vagarosos. Uns te aparecem cedo, outros nunca, alguns tarde, talvez os melhores, tardes demais. Uns bem cal�ados, outros no ch�o, esburacados, pesados. Por eles a vida passa. Por eles tu te desgastas, n�o h� como evitar. Alguns tu abandonas, outros te levam ao fim. Sempre at� o fim. |
| Manh�s de agosto Frescas como teu sorriso, silenciosas como teu despertar, calmas como voc�. Manh�s de agosto, neste lugar... Promessa de dias claros, como teus pensamentos. Sol radiante, como teus olhos, quentes como tua boca. Brisa morna e leve, como tua presen�a, manh� perfumada, como teus cabelos. Quase n�o h� sinais de chuvas em agosto, certeza de tempo bom. Como a paz que voc� transmite. Manh�s de agosto, neste lugar... A vida ao teu lado ! |
| Finalmente voc� Chove! Vidros das janelas emba�ados como meu passado. Teu rosto, indistinto atrav�s destes vidros. Po�as d'�gua formadas no meu caminho h� tanto tempo. Por qu� demoraste tanto? De que adiantou esconder-te t�o longe, se o destino, decantado, s�bio destino, te reservou pr� mim? De que valeu tua vida sem mim? Teu rosto h� de ficar n�tido. A chuva h� de passar, delinear teus tra�os. Um minuto, agora voc� sabe, pode ser bem maior que a eternidade, pode significar o tempo que te prometi. Eternidade sem chuvas, sem rostos emba�ados, sem aquelas po�as geladas. Teus olhos, claros, atentos, marcantes, olhos de quem v�, finalmente. Sol, luz, claridade, c�u, tuas m�os. Finalmente! |
| Fernanda H� pouco, ainda menina, me conquistou, Mudou minhas cren�as, Meu modo de caminhar. Enxurrada de vida, t�o doce, t�o calma. No meu peito, literalmente, dormia. Tranq�ila... H� pouco, ainda menina, tomou conta de mim. Se mais nada fiz pela vida, voc� me basta. Obra enorme, me completou. Agora, t�o doce, rebelde no tempo correto, cheia de vida, amor t�o completo. Distante, o tempo vai me tornar. � t�o natural. Quanto mais, maior meu amor. H� pouco, ainda menina... |
| C�u alaranjado Vontade de ver o mundo com olhos de crian�a. Rabiscar com l�pis de cor todo papel que puder. C�u laranja, vida branca, erros azuis. Deixar de ser esta bola de papel amassado. Deixar de ser este enorme rascunho. Reaprender a brincar, reencontrar a vida. Enxergar o mundo pequeno, do tamanho de um quintal. Correr livre, n�o temer aventura. Desconfiar de gente grande, autorit�ria, arrogante, infeliz. Vida sem compromisso, sem vender a pr�pria alma. Soltar uma pipa ao vento, com ela voar, chegar ao c�u alaranjado. Ver o mundo l� de cima, enorme. Do tamanho de meus sonhos... ...bem maior que meu quintal. |
| Que a minha vida seja, para ti, um mar de d�vidas. Para que, ao question�-las, voc� descubra as certezas ! Quero ser pra voc� um grande desafio. T�o grande que para venc�-lo Voc� lute por mim ! Quero ser na tua vida uma alternativa de caminho. F�cil ou dif�cil... Que te traga a mim, teu destino ! Quero que eu seja certeza pra voc�, para que, t�o certa, me ames... Enfim, pra voc�, quero ser exatamente como sou... Pra te amar eternamente !!! |
| Quero ser |
| Alpinista Sonhei ter chegado ao topo da montanha. Desejada conquista, tantas vezes sonhada. Uma vida de espera para conquist�-la. Terreno inclinado, tantos tombos, arranh�es, muita dor. Pico desejado, ora t�o perto, ora t�o distante. O ar rarefeito distorcendo vis�es. Vis�es que s� eu tive. Chegou parecer t�o perto, ao alcance das m�os. At� o frio das montanhas esteve presente, parecia t�o real. Um sonho quase real. Imaginei at� t�-lo tocado, ter sentido suas formas. Iguais as das fotos que vi. Foi nada. Foi ilus�o. O pico desejado n�o passou de miragem, continua sendo sonho. Como o amor declarado, nunca existiu! |
| Sons abafados de uma manh� sem sol. Cores puras, dores claras, um sorriso encantador. C�u aberto, voc� por perto, �gua pura, incolor. Mais um passo, outro abra�o, ar t�o puro, teu amor. Segue a escalada, passo firme, p� na estrada, distante destino, sol a pino, abrasador. Um nunca chegar, eterna busca, procura. Teus cabelos, como neve, tarde escura, sono leve, amor, assim, t�o breve. Tua voz, suave, fria, contraponto de um sil�ncio t�o quente, assustador. Peito aberto, jeito certo, ansiedade, liberdade, sua beleza, vaidade, eterno esperar. Destas vozes independo, o tempo sempre correndo, Antes, agora, depois, vida adentro. Compreender, sobreviver, te querer, te alcan�ar. |
| Eterna busca |
| Meu amor � voc� Teus passos tenho seguido em tempo integral. Teus olhares tenho buscado como trof�u. Me arrasto no teu caminho, como se fosse espi�o. N�o me canso do que vejo, do que ou�o e do que quero. Voc�, meu doce mist�rio, preciso desvendar. Voc�, meu grande segredo, preciso revelar. Pouco tempo me sobra na vida, al�m de te buscar. Encanto, sedu��o, magia, n�o sei, preciso de voc�. P�gina �nica do meu romance, Manchete do meu jornal, te sigo. Nada mais me interessa, perdi a minha pressa, preciso te encontrar. Voc�, que nem percebe meu desejo, sorri quando me v�. Um sorriso transparente, de quem n�o percebe que � meu universo. Culpa minha, � claro, Que n�o consegui te dizer com o olhar que meu amor � voc�. |
| A casa A casa, silenciosa, est� vazia. N�o h� algazarra de crian�as alegres, a brincar. S� sil�ncio. Tudo rigorosamente em seus devidos lugares. Tudo paciente e metodicamente arrumado. Casa limpa, perfumada, fresca, embora, l� fora, o calor seja escaldante. N�o h�, com certeza, nas redondezas, casa mais bem arrumada. Ser vivo, dentro dela, s� eu! S� o que restou do tempo em que a casa, menos arrumada, certamente, guardava est�rias de amor. Ser vivo, eu? Fantasma de um tempo em que a casa, bagun�ada, ouvia risadas, barulhos e palavras. Palavras muito mais cheias que esta casa vazia. Brigas, �s vezes. Saud�veis brigas que sempre terminavam em reconcilia��o. Doce reconcilia��o. E esta casa, hoje um brinco, foi testemunha de tanta vida. A casa, hoje, est� quase perfeita. S� falta voc�. |
| Dela s� restam escritos desesperados, gritos calados de uma alma cansada. Nenhuma realidade pode ser t�o pesada, vida intensa, de dias t�o curtos, encerrados. D�i-me o peito imaginar tudo em v�o, tanta angustia, tanto medo, tanto vazio, e ainda poder escrever com tal desafio as mais belas p�ginas, peda�os de cora��o. A morte t�o desejada na falta de amor. De forma brutal, como foi sua vida. Sem l�grimas, sem pranto, sem d� e sem dor. Florbela, feliz afinal, deixa poemas t�o duros, retratos de uma vida triste, t�o infeliz, letras t�o lindas escritas em dias t�o escuros. |
| Para Espanca |
| Como nunca houve igual... Maduro e decidido, roubado e escondido, forte, t�o forte, t�o marcante, importante, como nunca houve igual... E ao som do sil�ncio, em atitude t�o estranha, t�o diferente, o amor est� presente e veio pra ficar. Amor mais verdadeiro, como nunca houve igual... Como a onda do mar que invade a praia, praia que n�o � dele, e tudo toma pra si, naturalmente, e tudo vai buscar. Como nunca houve igual, n�o h� for�a maior que me impe�a de te amar !! |
| Para�so Segue meus passos, me acompanhe, visite comigo o que j� foi o Para�so. Junte-se a mim, como nos tempos da inoc�ncia, como nos tempos da fartura... Simule aqueles sentimentos, alimente velhas ilus�es, velhas paix�es. Teu cora��o h� de se alegrar, teu sorriso ser� expont�neo, mesmo que apenas moment�neo... Revele-me todo o segredo, a sa�da do labirinto, me leve, a salvo, para aquela morada nas montanhas... Faz renascer o amor, por causa tamanha ! |
| Das lutas que n�o lutei guardo um gosto amargo das vit�rias que n�o vi. Sinto o mesmo gosto das que lutei e perdi... Das noites que atravessei sozinho guardo nos olhos o cansa�o que senti. Sinto o mesmo cansa�o das noites em que dormi... Das enormes perdas que tive na vida guardo o vazio que preenche meu peito. De tudo o que ganhei, nem me lembro direito... Das palavras que usei para falar de mim guardo vaga lembran�a, n�o me lembro n�o. Vencidas, perdidas, foram todas em v�o... |
| Tudo em v�o |
| Eu, tatuagem Queria ser uma tatuagem. Sim, uma simples tatuagem. Nem precisava ser grande. Nem colorida, sequer. O desenho tamb�m n�o precisava ser nada especial. Uma flor, isso, uma pequena flor. Discreta. Uma flor seria o ideal. E uma simples florzinha do campo. Nada de rosas, l�rios, tulipas... Uma simples florzinha do campo estaria muito bem. N�o precisava nem ser daquelas de doces perfumes. Nada de perfumes marcantes. Uma de perfume discreto me serviria perfeitamente. Uma simples tatuagem, no lugar em que quero ficar. Onde uma tatuagem nem vai se destacar tanto. Mas o lugar onde quero ficar, ah! � lindo demais... T�o lindo que eu, tatuagem, vou ficar t�o discreta. S� n�o posso deixar de ser feita. E nem quero estar em outro lugar. Disto eu fa�o quest�o e n�o abro m�o. O lugar � especial, muito especial, muito mais do que a pr�pria tatuagem. Quero ser tatuado em voc�, s� serve voc�! E, j� disse, n�o abro m�o... Tem de ser no seu peito, num lugar de destaque. Sempre quis estar assim, perto do teu cora��o. |
| Alma tua Conquistada, com nenhuma resist�ncia. Ocupada pacificamente, sem nenhuma batalha e, quem diria, ainda orgulhosa por ter sido presa t�o f�cil, minha alma � tua... Prisioneira desta paix�o arrasadora, ela se exp�e, se abre, se entrega... ...Feliz ! N�o d� pra resistir... |
| A saudade mora aqui no meu peito. Veio de mansinho e aqui se instalou. Me maltrata tanto, n�o tem jeito. Parece que meu mundo se foi, acabou. A vida era t�o doce, voc� do meu lado, tudo era um sonho, deliciosa fantasia. Terminou, esta � a verdade, sofro calado. O mundo mudou, acabou a alegria. Fico quieto, no meu canto, olhos perdidos. O vazio aqui presente, meu novo parceiro, n�o estava aqui naqueles dias queridos. Nada me conforta, nem me ilude. Te amei demais, mas fui incapaz de te prender. Fazer mais n�o pude... |
| Soneto da saudade |
| Por entre nuvens brancas, rapidamente desapareces. E te escondes neste c�u azul, claro, imenso. Disfar�a-te t�o bem que, �s vezes penso, que amor t�o grande, t�o sincero, n�o mereces. Procuro-te, ansioso, sabendo ser imposs�vel encontrar-te em lugar assim enorme. E pra que eu aceite, pra que ainda me conforme, desejo que voc� n�o seja assim t�o insens�vel. Procuro nem pensar, te imagino sem maldades. Desatenta, apenas, sem que sejas desumana. N�o gostas de mentir, a ningu�m voc� engana. Voc� est�, apenas, disfar�ada de saudades. |
| Disfarce |
| Eu s� queria poder conversar mais um pouco contigo. Sentar mais uma ou duas vezes � mesa da cozinha da tua casa, lembra? Quantas vezes ficamos l�, s� n�s dois, falando sobre a vida, tomando aquele caf� que voc� fazia com tanto carinho? Caf� mais forte que o que voc� fazia para todo mundo. Eram tempos de vacas magras, de dificuldades. Mas quando que, em tua vida, os tempos n�o foram dif�ceis? Caf� forte? S� para mim. S� quando eu estava em sua casa. Afinal, meus irm�os n�o diziam para n�s dois que eu sempre fui o teu preferido? Lembra quando meu primeiro casamento naufragou como canoa furada? Lembra que o porto seguro que eu busquei foi tua casa, teu abra�o e tua prote��o? Lembra que morei, l�, um bom tempo? Lembra que toda manh� voc� vinha me acordar para que eu fosse trabalhar e que nunca deixou de trazer aquela x�cara de caf�? Existe gesto mais carinhoso que este? E daquela torta de banana especial que voc� fazia sabendo que eu ia comer e, como menino, ia lamber meus bei�os, voc� se lembra? Voc� sabia que eu s� comia doce como aquele na tua casa, feito por voc�? Lembra da cara com que voc� ficava quando eu te dava alguma coisa, por mais barata que fosse, e voc� dizia - N�o precisava ter trazido. Fica gastando dinheiro comigo? - e eu, sabendo do espanto que ia causar dizia pr� te provocar - N�o gastei nada. Roubei. Lembra daquela �poca em que perdemos tr�s ou quatro parentes em dois ou tr�s meses e que o portador da not�cia era sempre eu e sempre a not�cia chegava � noite? Lembro-me bem que, a partir da�, toda vez que eu chegava na sua casa, � noite, voc� corria a perguntar - Me diz, n�o me engane, quem morreu agora? Ah! S�o tantas as lembran�as, tantos os gestos de carinho que s� voc� sabia fazer. Eu s� queria conversar mais uma ou duas vezes com voc�. Eu s� queria poder te dizer mais uma vez - Eu te amo... N�o vai dar. N�o vai ser poss�vel. Voc� se foi, agora, em fevereiro. Mas eu vou dizer. Mesmo que voc� n�o esteja aqui pr� me ouvir: -M�e, eu te amo! E eu sinto tua falta. |
| M�e |
| M�sica: Endless Love (piano mid) http://www.centralmidi.com.br/default.asp |
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| Noite dos s�s Vem a noite, eternamente silenciosa, novamente estender suas enormes asas e nos roubar o sol... Fazer do sil�ncio seu parceiro, Imperador, Soberano. Acalma as ruas. Aparente calmaria, no entanto. Tempo e hora do amor. Triunfar das almas apaixonadas que, juntas, sem mais ningu�m, saqueiam, partilham, dividem o mundo inteiro entre si. Tempo, por�m, da enorme dor, da agressiva solid�o dos s�s !... Hora em que o frio punhal da solid�o, do desamor, penetra, dilacera e fere de morte o cora��o dos s�s... Como eu !... |
| Passos de um Anjo Caminho em dire��o ao final da rua com a mesma determina��o de um assassino. Estranhos, sorridentes, andam em sentido contr�rio. Vejo, em seus olhos, a ansiedade que assola a humanidade. Inocentes, como os mesmos assassinos, seguem tranquilos seus destinos. Contemplo suas express�es em busca de um gesto comprometedor. Investigo cada sorriso, cada l�grima, cada ranger de dentes. Me torno invis�vel, n�o acuso minha presen�a. N�o compactuo com suas mentiras, mesmo as expont�neas. N�o endosso suas verdades, mesmo as ditas em desabafo. Caminho em dire��o ao final da rua. E ningu�m mais caminha comigo. Quisera poder fazer um amigo, transeunte comum. Dividir nossos mais obscuros segredos. Falar, pensar, discutir propostas cru�is. Aliviar o peso da carga. Buscar a paz de um Anjo ou viver a verdade do fim. |
| Eu, poeta ! Queria ter o dom de dominar, de cavalgar as palavras. Transform�-las em p�rolas, em inigual�veis imagens. Fazer pensar profundo. Provocar, com todas as letras, os olhos, a audi��o, o mundo... Encantar, ferir, machucar. Mexer, sacudir a apatia. Fazer, afinal, poesia ! |
| Revelar Por que voc� escreve poesias assim? Parecem todas dirigidas a mim. Por que falas, triste, numa separa��o? Por que? Se estou aqui e te dou minha m�o? A m�o s�? N�o!!! Leva tamb�m, porque � teu, meu cora��o. Por que este ex�lio, esta desilus�o? Perderam teus olhos o brilho? Perderam por mim aquela paix�o? |
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