| A sós... A sós como duas gaivotas na solidão do céu, em pleno mar, sonhando no ar... A sós, lado a lado, sem alarde, como dois pássaros num alto ramo, ao cair da tarde... A sós como duas mãos quando se procuram e se encontram, sem voz... Como eu e tu quando somos nós a sós... Bilhete O teu vulto ficou na lembrança guardado, vivo, por muitas horas!... e em meus olhos baços Fitei-te - como alguém que ansioso e torturado Tentasse inutilmente reavivar teus traços... Num relance te vi - depois, quase irritado Fugi, - e reparei que ao marcar os meus passos ia a dizer teu nome e a ver por todo lado o teu vulto... o teu rosto... e o clarão dos teus braços! Talvez eu faça mal em querer ser sincero, censurarás - quem sabe? Essa minha ousadia, e pensarás até que minto, e que exagero... Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo, que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia, e afinal tens razão... nem sei por que te escrevo! Chovia... chovia... Naquela tarde, como chovia! Me lembro de que a chuva caía lá fora sem parar, e seu surdo rumor até parecia um sussurro de quem chora ou uma cantiga de embalar... Me lembro que tu chegaste inquieta, ansiosa, mas logo te aconchegaste em meus braços, quietinha... (...enrodilhada como uma gatinha...) E eu quase não sabia o que fazer: se de encontro ao meu peito te deixava adormecer... se te mantinha acordada, para seres minha... Me lembro que chovia... chovia sem parar... E que a chuva caía a turvar as vidraças anoitecendo o quarto em seus tons baços... Me lembro de que te sentia aconchegada em meus braços... Me lembro que chovia... E de que era bom porque chovia, e porque estavas ali, e porque eu te queria... Sim, me lembro que tudo era bom... E que a chuva caía, caía, monótona, sem parar, naquele mesmo tom... Naquela tarde, amor, como chovia! Agora, quando longe de ti, nem sou mais eu em minha melancolia, não posso mais ouvir a chuva cair que não fique a lembrar tudo o que aconteceu naquele dia... Naquele dia... enquanto chovia... Confissão inicial Às vezes, tenho a impressão de que não devia publicar estas palavras nascidas para viverem em surdina ao teu ouvido. Às vezes penso que deveria deixar no limbo do coração estas palavras de ti e para ti e que tomaram imprevistamente a forma de canção. Estas palavras que te colhem toda e te deixam nua, e me dão a impressão de que também tenho nu o coração, em plena rua. E o resto é silêncio... E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos como dois pássaros na sombra, recolhidos ao mesmo ninho, como dois caminhos na noite, dois caminhos que se juntam num mesmo caminho... Já não ouso... já não coras... E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha que qualquer palavra bateria estranha como um viajante, altas horas... Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos silenciaram seus carinhos... Estamos um no outro como se estivéssemos sozinhos... Escrevo dentro da noite Estou escrevendo para não gritar. Para não acordar os que dormem felizes lado a lado, os que repousam, aconchegados, os que se encontram e continuam juntos e não precisam sonhar porque não dizem adeus... Estou escrevendo para não gritar. Para enfunar o coração ao largo... E as palavras escorrem salgadas como um córrego de águas mortas num silencioso pranto. Tão perto, e nem percebes minha insônia. Nem ouves a confidência. que põe nódoas no papel para não ter que acordar-te e se transmuda em palavras, que são estátuas de sal. Estou escrevendo para não gritar. Para não ter tempo de acompanhar a noite, para não perceber que estou só, irremediavelmente só, e que te trago comigo sem outra alternativa que o pensamento - cela em que me debato a olhar a lua entre grades. Estou escrevendo para não gritar. Para não perturbar os que se amam se juntam, e se estreitam, e sussurram na sombra e passeiam ao luar, para que as palavras chovam num dilúvio, silenciosamente, e me alaguem, e me afoguem, e me deixem pela noite a dentro como um corpo sem vida e sem alma, a flutuar... Exaltação do amor Sofro, bem sei... Mas se preciso for sofrer mais, mal maior, extraordinário, sofrerei tudo o quanto necessário para a estrela alcançar... colher a flor... Que seja imenso o sofrimento, e vário! Que eu tenha que lutar com força e ardor! Como um louco talvez, ou um visionário hei de alcançar o amor... com o meu Amor! Nada me impedirá que seja meu se é fogo que em meu peito se acendeu e lavra, e cresce, e me consome o Ser... Deus o pôs... Ninguém mais há de dispor! Se esse amor não puder ser meu viver há de ser meu para eu morrer de Amor! (Poema de JG de Araujo Jorge do livro -Bazar de Ritmos- 1935) História I Eu vinha só... Tu vinhas só... Aconteceu que o destino, mestre em dar nós, meu destino juntando ao teu tornou-nos nós... Veio depois amor, fez o plural: e tu e eu e só mais só deu afinal nós dois a sós... Definição II A sós para mim e para ti também, quer dizer: eu e tu, quer dizer: nós. Nós assim, sem ninguém... Quando eu e tu nos encontramos eu só, tu só, de repente passamos a ser nós, e como sozinhos já não ficamos, ficamos a sós... Eu e tu a sós, seja lá onde for, quer dizer: nós e o nosso amor... Importa... Para que tentarmos qualquer explicação? Sei que te tomarei nos braços como uma criança e atenderei à súplica de teus olhos... Sei que já agora, depois que chegaste ao coração, seria impossível voltar... E para que voltar? Que importa se viemos de longe e se deixamos tanta coisa para trás? Importa é que posso levar-te em meus braços, dobrar a curva adiante, escalar a montanha, para encontrarmos a paisagem nova que será outro mundo... Importa é que nos sentimos como se tudo começasse agora, depois que és minha e eu sou teu, e como se nada tivesse existido antes, nada... nem tu... nem eu... Jardim suspenso Ergui alto as colunas da imaginação com o mármore da vida e com o cristal do sonho. Sobre elas, fui plantar, para além da amplidão o sonoro jardim dos versos que componho... Jardim suspenso no ar por colunas de luz, longe... longe do mundo e das cousas da terra... - onde, por entre os versos todos que compus a minha alma sonâmbula e encantada - erra... Fiz deste meu jardim oculto, extraordinário, onde os poemas tem voz como as águas das fontes, o meu mundo feliz, mundo estranho e lendário sem terras, sem fronteiras, homens e horizontes... Aí... nas alamedas silenciosas, ando sonhando, sem ninguém, sem leis, e até sem Deus! Apenas tendo, alegre, ao meu redor, um bando de pássaros que são os próprios sonhos meus... ............................................... Felizes os que podem criar esta ascensão, bater asas poeirentas pelo espaço imenso e ir sonhar como eu vou nesse jardim suspenso que ergui sobre as colunas da imaginação!... Marinha nº 1 Desmancha os meus cabelos, como fazes quando estamos os dois calmos e em paz, em vazio colóquio - quando estamos como dois barcos quietos... junto ao cais... Quando deixamos para trás o mar, mar de impulsos, de sonhos e desejos, quando o teu corpo é um barco ao meu comando sacudido de ventos e de arpejos... Já vencemos, os dois, cantos e vagas, na aventura das horas dionisíacas, deslumbrados com os próprios temporais... Desmancha agora, amor, os meus cabelos, como fazes nas horas de bonança, quando somos dois barcos, junto ao cais... Marinha nº 2 Em teus braços, sou como um barco desarvorado, por roteiros perdidos... E o meu desejo é este vento que levanta procelas em teus sentidos... .............................. Ah! Morrer assim como um marinheiro, e mergulhar, e me afogar... ... e encontrar meu destino e meu fim em teu corpo de mar... Meu céu interior Se esses teus olhos, no meu livro, imersos, encontrassem diversas emoções, -não tentes decifrar: mil corações nós os temos num só, todos diversos... Os meus poemas aqui, vivem dispersos, como as estrelas... e as constelações no céu das minhas íntimas visões, no meu céu interior... cheio de versos. Não procures um poeta compreender... os versos que umas coisas nos desnudam, outras coisas, ocultam, sem querer.... Uns, são felizes... outros, ao contrário.... - No rosário da vida, as contas mudam, e os versos são as contas de um rosário! Meu coração Eu tenho um coração - um mísero coitado ainda vive a sonhar... ainda sabe viver... - acredita que o mudo é um castelo encantado e criança vive a rir batendo de prazer... Eu tenho um coração, - um mísero coitado que um dia há de por fim, o mundo compreender... - é um poeta, um sonhador, um pobre esperançado que habita no meu peito e enche de sons meu ser... Quando tudo é matéria e é sombra - ele é uma luz... Ainda crê na ilusão... no amor... na fantasia... - sabe todos de cor os versos que compus... Deus pôs-me um coração com certeza enganado: - e é por isso, talvez, que ainda faço poesia lembrando um sonhador do século passado!... Não te gosto em silêncio Não te gosto em silêncio porque te sinto distante... Entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia como entre o dia e a noite vacila a longa dúvida do crepúsculo. Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos, pousados, dois estranhos pássaros noturnos, e teus lábios emudecem como a fonte nos ásperos e intermináveis invernos. Não te gosto em silêncio quando te envolves com as coisas que te cercam, como se fosses uma delas, quando estás como as águas paradas, cuja beleza é apenas o reflexo das estrelas. Por isto te provoco é te atiro perguntas como pedras quebrando a impassibilidade do lago, como pancadas no gongo que estremece e vibra e te traz à tona para mim. Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás de tua voz ainda se esconde alguém que tu própria não conheces, a alguém embuçado a ameaçar nosso sonho e que só tuas palavras poderão expulsar. Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda de tua palavra para te descobrir, lanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando na noite emaranhada meu indeciso caminho. Porque preciso ainda que tua palavra chegue como um vento forte arrastando nuvens, limpando céus e horizontes, levando folhas doentes, te descobrindo ao sol... ................................ Um dia te gostarei em silêncio. E então me recolherei em teu silêncio, e procurarei a sombra, como o pássaro na hora da tarde, e porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento, entre tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo. Orgulhosos Orgulhoso que sou - mentindo inutilmente a dizer que não te amo, a fingir não te ver, e a guardar em meu peito esse desejo ardente... Orgulhosa que tu és - e o teu orgulho é tanto que finges não gostar de mim, e o teu sofrer procuras esconder para encobrir teu pranto... Orgulho triste o meu: esta imensa tortura da incerteza em que vivo é a minha desventura... Orgulho triste o teu: - sofrendo por querer... - por um mero capricho... um estranho prazer... Falemos de uma vez, os dois, sinceramente: - põe no meu, teu olhar, e ao meu olhar procura revelar sem receio o que a tua alma sente... Confessa!... E acabará o orgulho entre nós dois... - Se queres repartir por dois nossa ventura: entrega-te primeiro e eu serei teu depois!... Os versos que te dou Ouve estes versos que te dou, eu os fiz hoje que sinto o coração contente enquanto teu amor for meu somente, eu farei versos... e serei feliz... E hei de fazê-los pela vida afora, versos de sonho e de amor, e hei depois relembrar o passado de nós dois... esse passado que começa agora... Estes versos repletos de ternura são versos meus, mas que são teus, também... Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que possa perturbar vossa ventura... Quando o tempo branquear os teus cabelos hás de um dia mais tarde, revive-los nas lembranças que a vida não desfez... E ao lê-los... com saudade em tua dor... hás de rever, chorando, o nosso amor, hás de lembrar, também, de quem os fez... Se nesse tempo eu já tiver partido e outros versos quiseres, teu pedido deixa ao lado da cruz para onde eu vou... Quando lá novamente, então tu fores, pode colher do chão todas as flores, pois são os versos de amor que ainda te dou. Palavras Hoje li o poeta onírico e esquizofrênico e entre a dúvida e a emoção fui ao dicionário. Será mesmo que a poesia é tão difícil ou basta traduzir esse riso distante de criança no apartamento de cima? Ou basta olhar o velho mar, tão mar apesar de tudo, tão onda, tão espuma, tão infinitamente diferente no Eu dos olhos. Será mesmo que a poesia é tão difícil ou são as palavras? Primavera O teu amor, querida, fez um dia de primavera neste começo de outono que é a minha vida. E do ramo, de onde as primeiras folhas se soltavam pálidas, sem cor, surgiu uma flor imprevista: o teu amor... Teu amor chegou assim, como uma coisa que no fundo se deseja mas não se espera, emocionando o coração, neste começo de outono como um dia de primavera! Razões de Amor... I Gosto desse teu ar tristonho, desse olhar de melancolia, mesmo nos momentos de prazer e de sonho, ou nos instantes de amor e de alegria... Gosto dessa tua expressão de ternura tão suave e feminina, desse olhar de ventura com um brilho úmido a luzir num profundo langor... Desse teu olhar de meiguice que me cativa e domina, tu que dás sempre a impressão de quem precisa de proteção e amor... Desse teu ar de menina, desse teu ar que te faz mais mulher ao meu olhar... Gosto de tua voz, tranqüila, do tom manso com que falas, como se acariciasses até as palavras que dizes; de tua presença, que é assim como um quieto remanso, um pedaço de sombra onde me abrigo quando somos felizes... Gosto desse teu jeito calmo, sossegado, com que te encostas em meu peito e te deixas ficar entre ternuras e embaraços, como se tudo ficasse, de repente, parado, e teu mundo pudesse ser delimitado pelos meus braços... Gosto de ti assim, pequenina, macia, quando te aperto contra mim e te sinto minha (inteiramente nua) e tens um ar abandonado, como quem caminha sonâmbula, por um estranho caminho feito de céu e de lua... II Gosto de ti desesperadamente: dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto, dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso; dos teus seios de ambrósias, brancos manjares trementes com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias; de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar - branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar; de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo, de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo; - do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos, mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem esses desejos da gente... Gosto de ti desesperadamente; gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela, dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela, (há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés) - gosto de ti, feiticeira, tal como tu és... Seria mesmo a vida? Agora que nos encontramos, de repente compreendemos que estávamos sozinhos... Que importa o que vivemos? Que importa o que passamos? Seria mesmo vida, a vida que levamos por diferentes caminhos? Agora que nos encontramos que te quero e me queres com uma força jamais pressentida... Parece incrível que eu já tenha falado de amor a outras mulheres e que antes de mim pudesse ter havido algum amor em tua vida! Soneto à tua volta Voltaste, meu amor... enfim voltaste! Como fez frio aqui sem teu carinho... A flor de outrora refloresce na haste que pendia sem vida em meu caminho. Obrigado... Eu vivia tão sozinho... Que infinita alegria, e que contraste! -Volta a antiga embriaguez porque voltaste e é doce o amor, porque é mais velho o vinho! Voltaste... E dou-te logo este poema simples e humilde repetindo um tema da alma humana esgotada e envelhecida... Mil poetas outras voltas celebraram, mas, que importa? – se tantas já voltaram só tu voltaste para a minha vida... Volta... Voltei a todos os lugares em que estivemos juntos, não os reconheci. São os mesmos, os lugares, mas eu já não sou o mesmo quando os vejo sem ti. |
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| "Poesia é ressonância, é música à distância, é ânsia, voz que vem não sei de onde, e que canta na sombra e fica suspenso no ar... Se a vida é a noite, a sombra... a poesia é o luar!" (J. G. de Araujo Jorge) |
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| José Guilherme de Araujo Jorge nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, no Acre. Seu primeiro poema, "Ri Palhaço, Ri" foi publicado em 1931 no "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932. Colaborou no jornal "A Nação"; nas revistas "Carioca", "Vamos Ler", entre outras. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. Em 1932, no Externato Colégio Pedro II, foi escolhido o "Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto, recebendo das mãos da poetisa Ana Amélia, Presidente da Casa do Estudante, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira. Na Faculdade de Direito foi o fundador e o 1º Presidente da Academia de Letras. Foi locutor e redator de programas radiofônicos, atuando nas Rádios Nacional, Cruzeiro do Sul, Tupi e Eldorado. Orador oficial de entidades universitárias, (do CACO da União Democrática Estudantil, precursora da UNE, da Associação Universitária), ainda estudante, venceu vários concursos de oratória. Sua vocação política o levou a candidatar-se a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal em 1970 pela Guanabara, reelegendo-se para o terceiro mandato em 1978. Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados. Politicamente participou sempre das lutas anti-fascistas, como democrata e socialista. Lutou ainda estudante, contra o Estado Novo. Foi preso e perseguido várias vezes durante esse período. Deixou de ser orador de sua turma por estar detido na Vila Militar, sob as ordens do General Newton Cavalcanti, durante todo "estado de guerra" de 1937. Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, por sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno e às vezes, dramático. Faleceu em 27 de Janeiro de 1987. |
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| Helena C. de Araujo Alguma poesia e outras palavras |