Loucuras de Amor

BIOGRAFIA

A Família Costa

Oito filhos, oito orgulhos para os pais Carmen Divina da Silva e Avelino Virgulino da Costa. O casal morava na zona rural de Goianápolis, no interior de Goiás, e lá se casou no dia 22 de setembro de 1956. Pouco tempo depois, comemoravam a primeira gravidez de Dona Carmen. A filha mais velha é Antônia Aparecida, a Cidinha. Desde que se casaram, Dona Carmen e Seu Avelino, sonhavam em encher a casa de filhos. Dois anos depois de Cidinha, veio Maria de Fátima. Nessa época, a família morava em um rancho, na fazenda de um irmão de Dona Carmen. O pai trabalhava na lavoura e Dona Carmen o ajudava quando podia. Passaram-se mais dois anos e chegou então o primeiro filho homem, Luiz José - que tempos depois veio a se chamar Leandro.

Foi o parto mais doloroso de Dona Carmen, no dia 15 de agosto de 1961. O segundo garoto nasceu um ano e dois meses depois, no dia 25 de julho de 1963. Era Emival Eterno, ou Leonardo, que desde o nascimento chorava sem parar. A dificuldade de acesso à escola rural de Goianápolis levou a família a se mudar para a cidade. A casa era pequena e simples e pouco tempo depois o casal decidiu tentar a vida em outro lugar, Carmo do Rio Verde, outra pequena cidade de Goiás. Apesar de toda a batalha, os resultados não foram os esperados, então a família Costa voltou a Goianápolis, onde Seu Avelino passou a trabalhar como meeiro na lavoura de tomates. A família foi aumentando e, depois de Cidinha, Fátima, Luiz e Emival, dona Carmen teve mais três filhos: Elismar Carlos, Carmen Lúcia e Robson Alessandro.

As crianças estudavam na escola de Goianópolis, mas sempre ajudavam a mãe nos afazeres da casa. Algum tempo depois, todos se mudaram para outra casa, onde nasceu a oitava filha do casal, Mariana.

Leandro & Leonardo uma Infância difícil mas divertida.

Com apenas um ano e dois meses de diferença, ou Leandro e Leonardo eram companheiros inseparáveis nas travessuras. Leandro, na verdade, muitas vezes era vítima das brincadeiras de Leonardo. Mesmo conhecendo o medo do irmão de cavalos, conseguia convencê-lo a montar e não dava outra: lá ia o Leandro para o chão. Os animais da fazenda não tinham sossego com os dois. Uma vez, quando já moravam na cidade, soltaram o passarinho da vizinha e saíram rindo, assim como no dia em que deixaram um coelho invadir a horta de outra conhecida e o bicho devorou todas as verduras.

Desde pequeno, Leandro era mais tímido, mas já sonhava com uma vida melhor para sua família. Na plantação de tomates, era sempre o mais rápido, seja para começar logo a tocar seu violão ou para ganhar uns extras, ajudando os companheiros no trabalho. Na roça, o repertório obrigatório, eram as músicas de Chitãozinho e Xororó. Seu Avelino, o pai, também estava sempre acompanhado de sua viola e despertou nos garotos a atenção para a música. Na escola, em Goianápolis, nem sempre a professora conseguia encontrá-lo na sala. O menino fugia da classe para assistir televisão. Onde estivesse passando o seriado "O Planeta dos Macacos" ou algum filme do Tarzan, lá estava Leandro, matando aula.

Leandro também tinha uma característica especial: era muito sensível. Assim que a família se mudou para a cidade de Goianápolis, da primeira vez que deixaram a fazenda, Leandro teve uma visão. Nascido no dia 15 de agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora, o garoto viu a imagem da santa nas paredes da casa onde moravam. Dona Carmen, a mãe, estava junto e nada viu - só pôde sentir um perfume inexplicável, que surgiu logo depois que Leandro disse que a santa tinha ido embora. Sempre impressionado com esse tipo de mistério, para ele era um suplício encontrar cruzes na estrada, indicando o local onde alguém havia sido enterrado. Encarregado de levar as marmitas para o pai e os irmãos na roça todos os dias, uma vez quase deixou todo mundo morrer de fome porque não conseguia passar adiante de uma cruz.

Leonardo, por sua vez, não parava de atormentar a vida de seus irmãos, dos vizinhos, dos amigos e da família inteira. A casa onde moravam não tinha chuveiro, então era só um dos irmãos estar tomando banho de bacia que ele vinha por trás e virava a bacia com o banhista dentro, molhando tudo e deixando a vítima sem ação. Com o chão molhado e ensaboado, o pobre nem podia correr atrás de Leonardo, era tombo na certa. O mais faminto dos filhos de Dona Carmen e Seu Avelino, Leonardo avançava sobre a panela de frango caipira que a mãe preparava aos domingos. Se deixassem, ninguém mais almoçava na casa. Apesar das dificuldades, a infância de Leandro e Leonardo foi sempre assim, cheia de companheirismo, brincadeiras e risadas.

 

Com muita dificuldade, Leandro & Leonardo davam seus Primeiros Passos.

Leandro nunca se conformou com a vida dura na roça. Sempre deu um jeito de ganhar mais, trabalhando mais rápido, engraxando sapatos… Mas desde pequeno sonhava com a fama. Já adolescente, tinha ensaiado todo o repertório de Chitãozinho e Xororó e tentava convencer Leonardo a ir com ele para a cidade grande, tentar a vida com a música. As dificuldades vividas pela família obrigaram a uma mudança para Goiânia e lá também não foi fácil arrumar emprego. Conseguiram trabalhar para a Prefeitura, limpando terrenos baldios. Além da dureza do trabalho na enxada, eram fiscalizados o tempo todo. Não dava nem para dar uma paradinha e cantar um pouco, como faziam em Goianápolis.

A dura experiência fez com que todos decidissem voltar à cidade natal. Leandro dedicava o tempo livre à música, com o incentivo de muitos amigos. Entrou para a banda "Os Dominantes", que tocava sucessos de Roberto Carlos e dos Beatles. Leonardo, nessa época, só cantava no trabalho. Aos poucos, porém, os dois começaram a ensaiar como dupla. Decidiram então voltar sozinhos a Goiânia. Os pais concordaram e Seu Avelino os incentivou dizendo: "Li em algum lugar esta frase: há uma grande diferença entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar".

Foram para a capital, com o Tio Zé, irmão de Dona Carmem, que os acompanhou em toda a carreira. Leonardo arrumou emprego em uma farmácia, enquanto Leandro trabalhava no mercado central. É claro que Leonardo não podia deixar de aprontar, mesmo no trabalho. Quase levou uma surra de uma cliente porque mandou a mulher beber um remédio que era para passar na pele! Todos os minutos de folga eram dedicados aos ensaios e Tio Zé se encarregava de conseguir apresentações para a dupla. Ao ouvirem falar de gêmeos recém-nascidos que tinham recebido o nome de Leandro e Leonardo, não tiveram dúvida: estava escolhido o nome da dupla.

Seu Anselmo, patrão de Leonardo, sempre levava os dois até os bares onde iam cantar. As apresentações não rendiam muito dinheiro, mas a dupla não desanimava, mesmo tendo que voltar de madrugada ou esperar o primeiro ônibus da manhã dormindo na mesa do bar. O primeiro contrato não demorou a chegar. Foram convidados para participar de um teste para cantar em um lugar melhor e cantaram "Sessenta Dias Apaixonado", de Chitãozinho e Xororó. O sucesso foi tanto que foram contratados por quatro salários mínimos. A partir daí, começaram a receber convites de cidades vizinhas, em shows organizados pelas amigas Cidinha, Divina, Joana e Rosana. Em algumas vezes tocavam sempre no bar do padoque.

Vizinhos do bar, Joaquim Domingos e Dona Elsa tornaram-se amigos da dupla, assim como Aprígio e Dona Terezinha, proprietária do Hotel São Luís, onde eles se hospedavam. Na região também morava Soninha, que logo começou a namorar Leonardo, e preparava batatas fritas para os dois. A primeira apresentação de Leandro e Leonardo na televisão foi na TV Tocantins, de Anápolis. Em seguida, ajudados por Seu Anselmo, foram tentar uma apresentação no programa "Beira da Mata", exibido na TV Brasil Central, de Vila Nova, um dos mais famosos programas de música regional da época. Impressionado com a apresentação dos dois, Veloso, um dos apresentadores do programa, abriu espaço para Leandro e Leonardo em seu programa.

Fora das câmeras, tudo tinha ido bem. Mas na Hora H, uma tremedeira geral. Mais de 600 pessoas no auditório e os dois não conseguiam abrir a boca para cantar. Os apresentadores entenderam a situação e muitas outras vezes Leandro e Leonardo cantaram no "Beira da Mata". O primeiro disco, gravado com recursos próprios e a ajuda de amigos, saiu em 1984 e tinha como sucesso a música "Hoje Acordei Chorando". O disco era vendido nos bares onde cantavam e assim o dinheiro foi começando a entrar. Leandro, nessa época, já tinha se casado com Célia e tinha seu primeiro filho, Thiago.

  Depois de uma grande batalha o Sucesso.

Apesar de serem bastante conhecidos no interior de Goiás e em várias cidades do Mato Grosso, demorou até que Leandro e Leonardo conseguissem gravar o que consideravam seu primeiro disco. O anterior, chamado "Leandro e Leonardo", era considerado ruim e a dupla fazia questão de escondê-lo. Os dois viajaram a São Paulo várias vezes, visitaram várias gravadoras e nunca conseguiam um contrato. Leandro nunca desanimava, mesmo quando quase não tinham dinheiro para comer e dormir na grande metrópole, que parecia assustadora aos dois rapazes de Goiás.

Com a ajuda de um joalheiro de Goiânia, que custeava suas viagens, conseguiram insistir em suas visitas a São Paulo. Começava a fazer sucesso a música "Contradições", de Martinha e César Augusto, gravada no disco "Leandro e Leonardo Vol. 1", de 1986. Mas a consolidação do sucesso aconteceu em 1988, com o hit "Entre Tapas e Beijos", gravado em seu terceiro disco. Dali pra frente, o sucesso não parou. Leandro e Leonardo foram buscar os pais e irmãos em Goianápolis e compraram para eles um apartamento em Goiânia. No quarto volume de "Leandro e Leonardo", lançado em 1990, outro sucesso: "Pense em Mim". O lançamento do disco incluiu um show no Canecão, casa de espetáculos na Zona Sul do Rio de Janeiro, que pela primeira vez abria suas portas para a dupla.

Mais de 2 mil pessoas receberam Leandro e Leonardo e, do lado de fora, uma multidão de fãs se acumulava na porta. Com tanto sucesso, a dupla logo conquistou a telinha. A TV Globo os contratou para apresentar o programa "Leandro e Leonardo Especial", às terças-feiras. Cada vez mais conhecidos e queridos do público de todo o Brasil, Leandro e Leonardo acumularam sucessos e se tornaram uma das duplas com discos mais vendidos na história da música popular brasileira. Em 12 anos de sucesso, já acumulavam 20 milhões de discos vendidos. Em 1995, a dupla se uniu a Chitãozinho e Xororó e a Zezé di Camargo e Luciano para apresentar um dos programas de maior sucesso da Rede Globo, o Amigos.

A reunião das principais duplas sertanejas brasileiras começou em um especial de Natal e depois se tornou um programa semanal, apresentado aos domingos na maior rede de televisão do país. A partir desses encontros foram produzidos os CDs Amigos, que venderam milhões de cópias em todo o Brasil. 

A despedida de Leandro.

No auge do sucesso e perto de lançar seu disco "Um Sonhador", em junho de 1998, Leandro começou a sentir-se mal. Em apenas dois meses, um tumor maligno raro, na região do tórax, levou Leandro. Vários tratamentos, inclusive nos Estados Unidos, foram tentados, mas no dia 23 de junho daquele ano Leandro não resistiu à doença e faleceu. Depois de ter recebido a homenagem de milhares de fãs em São Paulo, ele foi enterrado em Goiânia, onde também recebeu o carinho de amigos, parentes e uma legião de pessoas que jamais se esquecerá de seu ídolo, também neste dia uma das grandes redes de televisão brasileiras deixaram de transmitir a Copa do mundo para transmitir os últimos momentos de Leandro com seus fãs. Leonardo soube da morte do irmão durante um show. Ele continuava cumprindo o intenso cronograma da dupla a pedido do próprio Leandro, que lutava para voltar aos palcos e não queria decepcionar seus fãs. Depois de um período de reavaliação, Leonardo decidiu continuar sua carreira, lembrando sempre de que este seria o desejo de seu irmão.   

A continuidade de Leonardo, Carreira-solo.

Em 1999, Leonardo estava pronto para dar uma virada em sua história e em sua carreira. As mudanças vieram com o disco-solo "Tempo" e o show de mesmo nome, em junho de 1999.

O show, com direção de Miguel Falabella e cenografia de Gringo Cardia, sintetizou tudo o que Leonardo espera dessa sua nova fase: a afirmação de um cantor brasileiro muito além dos limites da música sertaneja. A superprodução levou ao palco dezenas de bailarinos, em um cenário moderno e uma iluminação fantástica. A temporada de shows que lotaram a casa noturna Olympia, em São Paulo, abriu um novo ciclo na carreira de Leonardo, mas manteve sempre a emoção que é sua característica. O momento mais emocionante do trabalho é a homenagem de Leonardo ao irmão mais velho, em Mano. Na canção, Leonardo revela toda a admiração que tinha por Leandro e a falta que ainda sente do companheiro.

Agradecimentos as Fontes de Pesquisas: Yahoo & IG.

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